Jantar de Natal & o Amigo Secreto 

Todos temos amigos de “toda la vida”, amigos com quem crescemos, que acompanharam aqueles momentos únicos da adolescência ou com quem mais tarde vivemos as aventuras do início da idade adulta. São amigos por quem temos muito carinho e que vão ter sempre um lugar especial. Eu além desses, tenho também um grupo de amigos em Barcelona, que estão numa categoria diferente, mas igualmente destacável. Talvez imposta pelas circunstâncias em que vivemos, imposta pela nossa condição de emigrante, a categoria é a de [amigos/familia]: contamos uns com os outros para o que der e vier, e como não temos mais ninguém por perto, são eles que nos ajudam a levantar quando estamos em baixo e é com eles que celebramos quando estamos em cima! 
Dentro deste grupo, existem as “girls”, minhas amigas há cerca de 9 anos, que com o passar do tempo e as muitas aventuras vividas, nos tornámos num grupo unido e coeso, cúmplices e confidentes. 

Somos 6, em contacto diário pelo whatsapp e apesar de uma de nós já não viver em Barcelona há alguns anos, continua a participar em muitos dos momentos importantes que vivemos juntas. Fazemos skype nos aniversários, nas jantaradas e quando temos alguma novidade que contar.

 A distância definitivamente não tem porque diminuir a amizade. 
Hoje escrevo sobre elas, as minhas girls e sobre umas das nossas tradições preferidas. 

Há já alguns anos no jantar de natal fazemos o jogo do amigo secreto. Já sei que à primeira vista nao parece que seja muito original, mas é!

Transformámos o tradicional ‘amigo secreto’, num dos momentos mais solidários e filantrópicos do natal. Em vez de comprarmos prendas físicas, como roupa, discos ou livros; fazemos uma doação em nome do amigo secreto, a alguma Associação, ONG ou Instituição à nossa escolha e que achemos que a pessoa em questão se possa identificar com a mesma. 

As seis somos mulheres bastante diferentes umas das outras, mas o facto de sermos todas feministas, solidárias, preocupadas com o nosso semelhante, com o meio ambiente, com a sociedade da qual fazemos parte, e principalmente com o facto de querermos ajudar a construir um mundo melhor; une-nos como seres-humanos. 

Por isso, mesmo que o nosso Natal também seja farto, opulento, consumista e materialista; este é o nosso momento de abdicar do material, e partilhar um pouco da vida privilegiada e cómoda que temos. 

Acreditamos que se todos dessem um bocadinho a quem tem menos, aos poucos o equilibrio chegaria e a vida seria mais fácil. 

Ajudar na verdade não custa nada e só nos faz bem! 

wtf2016?! [sem maquilhagem]

Às vezes a vida prega-nos partidas, não estamos à espera porque pensamos sempre que há coisas que só acontecem aos outros.

Um dia, o outro somos nós. 

Pode parecer um post negativo, este que escrevo hoje, mas não é. É um post de reflexão, num momento em que ando um pouco silenciosa e em que a ausência de explicações explica o que não tem explicação. Escrevo sem maquilhagem, num mês em que todos nos mascaramos um bocadinho, para estarmos de acordo com as festas. 

Aproxima-se o final de mais um ano, e sei que ainda é cedo para escrever o balanço de 2016; primeiro vem o natal e blablabla.

Mas como disse alguém um dia, as regras são para serem quebradas, e como não sei se escreverei sobre o Natal este ano, resolvi adiantar-me. Será pelo sol de Barcelona, ou por qualquer outro motivo, mas este ano o espirito natalicio não chegou cá a casa. E eu que adoro esta época: família reunida, casa cheia, mesa farta, abraços e gargalhadas e reencontros com aqueles, de quem normalmente estou longe. Enfim, pode ser que até dia 24 ainda chegue! 

Em Janeiro escreveu-me um amigo de Taiwan, a felicitar-me porque este era o Ano do Macaco, o meu ano; o ano das pessoas que nasceram em 1980. Por mais que não acredite nestas coisas dos horóscopos… já sabem o que diz o povo: eu não acredito em bruxas, mas que as há, isso há!! 

Então, até ao final quis acreditar que este era realmente o meu ano. Mesmo que tenha sido um ano tão duro para todo o mundo; tantos bons que se foram, tantos maus que aqui continuam, guerras que não têm fim, eleições com resultados absurdos, e todos os males dos quais nem falamos por fazerem já parte do quotidiano das noticias.

Sou normalmente uma pessoa positiva e assim continuarei a ser, mas é verdade que 2016 foi, como diriam os meus amigos brasileiros, um ano “filho da puta”. 

Para mim foi o ano de “morrer na praia”, muitas desilusões; projetos que demoram demasiado tempo a concretizar-se; conversas, reuniões e propostas que não deram em nada; sonhos que não se realizaram e planos que continuam no papel. 

2016 foi o ano em que pensei que muita coisa ia mudar, mas afinal não mudou. Ou sim, talvez algo tenha mudado…

Mas como o mundo pula e avança, com ou sem mudanças há que seguir em frente. Não tenho nenhum pedido especial para 2017, seguramente será melhor que este ano que agora acaba. 

E se quando tocarem as 12 badaladas no dia 31, eu tiver que pedir algo para mim e para os meus… pois será muita saúde e viagens com fartura. 

Para o mundo, ufff… não sei se as minhas 12 passas chegarão para acabar com as desigualdades, o sexismo, pôr fim às guerras, à pobreza, aos problemas ambientais, etc etc etc.

 Mas se depender de mim, 2017 será sem dúvida, um ano muitíssimo melhor que 2016! 

Boas Festas!

*sem maquilhagem, mas com um novo corte de cabelo!😉