Chameleons no Apolo

As últimas semanas têm sido de readaptação à rotina, voltar ao trabalho e planear o novo ano.

 Tenho andado bastante ocupada, mas também muito tranquila e por isso não tenho escrito muito; mas aos poucos entro no ritmo, mudo o disco e começo a dançar novamente. 

Falando de música, este fim de semana fomos a um concerto espectacular no Apolo. Para quem não sabe é uma das salas míticas de Barcelona, e também uma das melhores discotecas da cidade. 

Fomos ver uma banda que já tínhamos visto duas ou três vezes, já que o baterista é nosso amigo e o som que tocam entra no ouvido, aquece-nos o sangue e faz mover até uma pessoa com dois pés esquerdos!

Chamam-se Chameleons e consideram-se repartidores de groove. E é um facto, groove não lhes falta! 

Os concertos são cheios de energia, nota-se ao longe uma química entre os componentes da banda e isso faz com que a empatia e cumplicidade se crie naturalmente com o público. 

Com uma clara influencia de funk, soul, r&b e jazz, é impossível ficar indiferente quando os Chameleons estão em cima de um palco.

E por falar em palco, devo dizer que tocar na sala principal do Apolo, tem que ser uma emoção sem tamanho e um shot de adrenalina pura. 

Para mim enquanto espectadora, confesso que quando vejo um bom concerto nesta sala, e já vi alguns nestes quase 10 anos em Barcelona, fico com pele de galinha. 

O concerto de sábado foi um dos bons; bastante mais curto do que se desejaria, mas efectivo na medida em que nos 45 minutos que tocaram, produziram uma alegria quase eufórica, a uma sala bastante composta.

Go Chameleons!!

A ARTE DE RECEBER [o que não pode faltar no quarto de hóspedes]

Sei que já terminaram as festas e que a maior parte das pessoas já voltou à rotina, mas cá em casa o ritmo é outro.
Depois de receber os meus pais e uns amigos para as festas natalicias, recebi uma grande amiga logo no primeiro fim de semana de Janeiro. 

Cá em casa recebemos sempre muito e muita gente, é o que eu chamo de “boadição”; é uma espécie de maldição genética, mas que no fundo é uma coisa boa!  

Os meus pais também sempre foram assim, têm sempre amigos de visita ou familiares a passar temporadas.

Na verdade cresci desta forma e não só não me incomoda, como tenho todo o prazer em receber. Felizmente o H. é parecido comigo nestas coisas, e tem sempre os braços abertos para as visitas. 

É verdade que já tivemos verões em que todos se lembraram de vir ao mesmo tempo, e passámos semanas em que não estivemos sozinhos mais do que dois dias. Confesso que também pode ser cansativo e obviamente uma grande despesa; não só as contas disparam, mas quando recebemos visitas, sentimo-nos um bocadinho de férias e fazemos vida de restaurante e bar, com mais frequência do que o habitual. 

De qualquer forma, vejo o facto de receber muitas visitas, como um privilégio e um sinal de que temos muitas pessoas queridas na nossa vida. Além disso, como tenho o lema de visitar os amigos espalhados pelo mundo, o mínimo que posso fazer é receber os que cá vêm, de braços abertos. 

Nunca me vou esquecer que quando fiz aos 18 anos o interrail, ficámos amigos de 2 miúdos no comboio a caminho de Paris; e que sem perguntar (porque naquele tempo nao havia telemóveis), ofereci a casa do meu primo para eles dormirem. Chegámos a Paris e eu com a cara mais inocente do mundo disse:

-Rui, em vez de 3 somos 5!

E o meu querido primo Rui, que vive num T1 no centro da cidade, disse:

-Têm que dormir todos no chão da sala, mas onde dormem 3, dormem 5! 

E assim aprendi desde cedo que ter pouco dinheiro para viajar, não é sinónimo de que se deixe de o fazer. E também, que se tenho um tecto e um colchão, pois é bem vindo quem vier por bem! 

Com a experiencia fui melhorando as minhas técnicas para receber. Não só com as visitas que recebo, mas também com as casas onde já fui recebida. Obviamente que viver a experiencia Airbnb, como anfitriã e como hóspede foi também uma escola na arte de receber. 

Hoje em dia, quando tenho que preparar o quarto de hóspedes, há coisas que para mim são imprescindíveis. Faço uma lista, caso alguém precise de umas dicas para a próxima vez que receber visitas. 

– Cama feita de lavado e com jogo de lençóis e fronhas a condizer.

– Toalhas limpas (uma de banho e uma de rosto)

– Uma manta extra caso seja inverno

– Cabides para pendurar roupa e se possível uma gaveta disponível

– Cadeira ou Banco para sentar ou pousar coisas

– Espaço para arrumar a mala de viagem

– Uma luz de presença perto da cama

– Um espelho

– Um cesto com itens de primeira necessidade (escova e pasta de dentes, champoo, sabonetes, creme hidratante, pequenas amostras, lenços de papel, etc) 

– Jarra de água e copo

– Umas flores para alegrar o quarto (opto por flores secas, porque as flores de plástico parecem-me horríveis, e as frescas duram pouco) 

– Guias ou Mapa da cidade

Isto são apenas algumas das muitas possibilidades que há. O que não falta são detalhes que se pode ter, para tornar a estadia dos nossos convidados mais cómoda. Tudo depende muito do gosto pessoal, mas também do espaço que se tem. 

O nosso quarto de hóspedes é pequeno e além dessa função tem também outras, como por exemplo a arrumação da roupa de casa, o lugar para guardar a ventoinha, o aquecedor ou o carrinho das compras. Sim, porque isso de ter um quarto apenas para as visitas é um desperdício, há que rentabilizar o espaço para quem realmente vive na casa, que somos nós.

Por isso, procurámos alternativas para que o quarto ficasse cómodo, mas que também servisse para as outras funções que lhe damos. 

Por exemplo, não tem mesa de cabeceira, mas tem uma luz ao alcance de quem está na cama. Não tem armário, mas é possível pendurar roupa à mesma. Como quase tudo na vida, com imaginação e boa vontade dá para fazer coisas muito fixes. 

Enfim, penso que neste mês de Janeiro já não teremos mais visitas, mas melhor não falar demasiado porque hoje ainda só é dia 13!!! 

Que 2017 seja doce! [Rabanadas de forno]

Feliz 2017 a todos!

Contrariando o final de 2016, penso que devemos encarar o novo ano com optimismo e com vontade que coisas boas aconteçam. Por isso, achei boa ideia que o primeiro post do ano fosse uma receita doce – uma sobremesa. 

Para queimar os últimos cartuchos da época natalicia, partilho uma receita tradicional, mas completamente modernizada pela minha mãe. 

As típicas rabanadas que em Portugal se comem no Natal, aqui em Espanha come-se em qualquer altura do ano, podendo ser uma corriqueira sobremesa num qualquer almoço domingueiro de Abril. 

Sendo assim, e como na verdade o Natal é quando o Homem quiser, deixo-vos uma receita muito mais saudável, já que é feita no forno e não na frigideira com óleo; mas igualmente apetitosa.

Rabanadas de Forno

– 1 Pão cacete, baguete ou de forma (de preferência sem côdea) 

– 3 ovos batidos

– 500 ml de leite morno

– 6 generosas colheres de sopa de açúcar 

– 1 pitada de canela em pó

– raspa de 1 laranja

– canela e açúcar para polvilhar

– 1 tabuleiro de forno forrado com papel vegetal e untado com manteiga

Preparação: Corta-se o pão às fatias, e em dois recipientes, põe-se separadamente, os ovos batidos e o leite morno. Aromatiza-se o leite com a raspa de uma laranja e mistura-se com as 6 colheres de açucar e uma pitada de canela em pó. Passam-se as fatias de pão primeiro pelo leite e depois pelos ovos e espalham-se no tabuleiro forrado com papel vegetal, previamente untado com bastante manteiga. Vai ao forno a 200graus durante 15 minutos, viram-se as fatias e ficam mais 10 minutos no forno. Retiram-se e polvilham-se com açucar e canela! 

São deliciosas e muito mais saudáveis do que as tradicionais!! Experimentem!