Brunch na Cidade ou em Casa

Isto dos brunch, que já há alguns anos estão na moda, é na verdade uma tradição muito antiga; pelo menos em casa dos meus pais. Pequenos almoços tardios e bem compostos, com doces e salgados à mistura, sempre foi uma constante nos fins de semana lá de casa. 

A palavra Brunch vem da mistura de Breakfast com Lunch, ou seja, um pequeno almoço tardio ou um almoço bem cedinho. 
Conta a história que o conceito surgiu no final do século XIX em Inglaterra, no seio da classe média-alta; quando as famílias se juntavam ao domingo por volta das 11:30am /12pm à volta de um buffet, que combinava panquecas, torradas, ovos, vegetais no forno, e muitas outras possibilidades. 

Barcelona está cheia de sitios para se comer  brunch, uns melhores, outros nem tanto; cada um com a sua especialidade, mas praticamente todos têm os famosos Ovos Beneditos, que não são mais do que ovos escalfados em água, acompanhados de um molho de manteiga (molho holandês). 

Vamos muitas vezes à descoberta de sítios novos pelos vários bairros de Barcelona, mas como gosto tanto de cozinhar e além de mais económico, também é mais saudável, fazemos quase todos os fins de semana o brunch em casa. 

Para quem vem de visita a Barcelona indico agora três dos meus sítios preferidos na Cidade Condal e destaco o que me faz ir a cada um deles; e para quem cá vive e ainda não experimentou; aconselho vivamente. 

Brunch em Barcelona… 

· Trópico – Carrer del Marquès de Barberà, 24 (Bairro do Raval) – O sitio é agradável, com muita luz natural e os empregados simpáticos (algo que se agradece em Barcelona); aceitam reservas e pode-se pagar com tickets-restaurante. Aqui recomendo as arepas, o bolo de cenoura, e qualquer um dos seus sumos naturais; tudo delicioso! 

· Can Dendê – Carrer de la Ciutat de Granada, 44 (Bairro de Poble Nou) – O sítio é pequeno, mas tem esplanada. Não aceita reservas e está sempre cheio. Os empregados também são super simpáticos e a comida deliciosa. Aqui recomendo os bagels, as panquecas e a limonada cor-de-rosa. 

· Granja Petitbo – Passeig Sant Joan, 85 (Bairro Eixample Direito) – Um sítio com uma arquitetura industrial e uma decoração vintage, não muito grande e sempre cheio. Os empregados não são os mais simpáticos do mundo, mas a comida compensa. Aqui recomendo sem duvida os ovos beneditos. 

Não foi fácil fazer esta escolha e ainda não tenho a certeza se são realmente os meus três sitios preferidos, há muitos mais… mas para começar é uma boa eleição. 

Brunch em casa… 

Fazer ovos beneditos não é difícil, mas o molho holandês é proibitivo devido à quantidade de gordura que tem; por isso como alternativa proponho os tradicionais ovos mexidos. Para acompanhar uma salada verde, uns tomates cherry ou umas folhas de espinafres e rúcula. Se tivermos uns cogumelos no frigorifico, salteamo-los em alho e comemos com umas torradas barradas com abacate e queijo brie. Para beber, há uma infinidade de sumos e batidos naturais, como ESTE ou ESTE

E assim temos um brunch domingueiro em casa, que é muitas vezes melhor do que comer na rua!! 

Mostro-vos algumas fotos dos nossos brunchs caseiros e de outros deliciosos que fui provando por aí. E para quem, como eu, gosta de dedicar uma parte do seu tempo à cozinha, partilho algumas combinações que funcionam perfeitamente, caso queiram fazer em casa. 

‘David Bowie Is’ em Barcelona <3

Na proxima semana, dia 25 de Maio vai abrir ao público , no Museu de Design de Barcelona, a exposição “David Bowie Is”; e poder-se-à visitar durante três meses. 

Amigos residentes ou visitantes em Barcelona, é imperdível!!! 

Andei de olho nesta exposição desde o primeiro dia em que abriu! No verão de 2013 perdi-a em Londres, já que cheguei uma semana depois de ter acabado no Victoria and Albert Museum, onde se inaugurou inicialmente. Mas no inicio de 2016, tive a sorte de a conseguir ver em Groningen, na Holanda. E tenho que dizer que é uma das exposições mais fixes que já vi! 

Como escrevi neste POST quando o Bowie nos deixou, ouvi-o diariamente numa das fases mais importantes da minha vida, e a sua música faz parte de mim e do meu desenvolvimento como pessoa. Acho-o excentricamente extraordinário, musicalmente inspirador e sempre me pareceu muito coerente como pessoa. 

Destaca-se, nesta exposição, a sua enorme criatividade e a diversidade da sua obra. Explora-se a ligação que fazia entre a moda, a música, a arte e o design; e vê-se como a sua peculiar individualidade deixou uma forte marca na cultura contemporânea, inspirando outros artistas a desafiar as convenções e a procurar a sua forma de expressão. 

Esta exposição reúne instrumentos pessoais, vestuário original, videos, fotografias, filmes, letras manuscritas, e muitos mais objectos; que visitaram já um total de nove países. Mostra também que parcerias fez Bowie ao longo da sua carreira e que influências sofreu. 

Pode-se apreciar os seus processos de criação e reinvenção ao longo de cinco décadas, vendo as mudanças estético-culturais que fizeram com que sempre se mantivesse um símbolo e uma referência no mundo artístico. 

“David Bowie Is” é também uma experiência audiovisual extraordinária, porque usa tecnologia multimédia de alto nível; e durante todo o percurso vamos ouvindo histórias, explicações, excertos de conversas, músicas e filmes, videos e imagens que são um deleite para os nossos sentidos.

Os bilhetes para ver a retrospectiva da vida de Bowie já estão à venda, AQUI e AQUI. Custam 14,90€ (entrada normal de 2a-6a.feira) e 17,90€ ao fim de semana, a entrada reduzida custa 9,90€. 

A entrada para esta exposição dá um desconto de 50% no bilhete para o Museu de Design e acesso gratuito ao Museu da Música. 

Recomendo a 100% e para quem não vive aqui, mas está à procura de uma cidade fantástica para passar uns dias este verão; pois Barcelona “is the place to be”, agora também, por terem durante três meses a oportunidade de ver a exposição sobre a vida de um dos ícones musicais do século XX. 

Tapantoni de Primavera [2017]

E hoje começa o Tapantoni!!! 

Um dos melhores eventos do bairro de Sant Antoni. Tapa e bebida a 2,5€, damos um rolé pelas ruas, encontramos os vizinhos, pomos a conversa em dia e descobrimos os novos spots da freguesia!! Adoro!!

Como já contei neste POST o que é este festival de tapas,  não vale a pena estar-me a repetir. 😉

Deixo-vos o LINK do evento, e recomendo a 100% que passem pelo bairro, até dia 28 de Maio, para provar as tapas do dia! 

Bom Tapantoni!! 

Temporada de ‘Calçots’

Todos os países têm as suas tradições, muitas são conhecidas internacionalmente, outras nem tanto. Às vezes só quando se vive num determinado local e se convive com as pessoas da terra, é que se tem contacto com o que é realmente tradicional. Isso também nos ajuda a conhecer e a compreender um povo, os seus hábitos e costumes. 

Hoje escrevo sobre os ‘calçots’, uma tradição catalã cuja temporada alta é neste preciso momento e que nós, todos os anos, fazemos questão de fazer. Em bom português pode parecer apenas uma cebola assada no fogareiro, mas na realidade é muito mais que isso. 

De uma forma especial de cultivar a cebola (cebola tardia de Lérida), deriva o nome calçot, uma vez que se vai adicionando terra à base, para que a cebola tenha que se alargar ao subir em busca da luz. Este processo chama-se em catalão “calçar” e repete-se duas a três vezes durante o cultivo, até que se consiga que o talo branco fique suficientemente comprido (entre 15 a 25 centímetros). 
A temporada de calçotes é entre Novembro e Abril, mas o seu auge é a partir do último domingo de Janeiro, momento em que se celebra a ‘Fiesta de la Calçotada’ em Valls – em Tarragona. 
É sem dúvida um dos pratos típicos da cozinha catalã, e também uma das festas gastronómicas mais interessantes que conheço. 

As calçotadas fazem-se nas ruas, nos bairros, entre grupos de amigos ou de vizinhos e sempre com muita alegria. É muito mais do que um almoço, é uma celebração cheia de detalhes. 

A primeira vez que comi foi em 2008, em Colomers, na casa da minha querida amiga Magali. Uma catalã de coração, independentista convicta que contraria o estereótipo  dos catalães, já que é uma das pessoas mais sociáveis e comunicativas que conheço e que adora misturar-se com diferentes culturas. 

Numa Catalunha profunda, onde praticamente se fala apenas catalão, passámos um maravilhoso fim de semana de inverno, com a lareira acesa, calçotes e butifarra, um porrón sempre cheio de vinho, grandes amigos e boas conversas. Para mim, isto é que é uma boa calçotada! 

Hoje em dia para comer calçotes continuamos a juntar-nos com amigos que vivem no campo e podem assar calçotes no quintal, ou às vezes a empresa onde trabalha o H.  organiza um sábado e oferece uma grande calçotada a todos os trabalhadores. 

Mas quase sempre comemos também os calçotes em restaurantes; vários têm menus de calçotada, e entre 25€ e 40€ recebe-se uma telha com 25 calçotes, pão com tomate, carne à brasa, vinho, sangria ou água, sobremesa e café. 

A particularidade dos calçotes é que se cozinham com fogo alto, utilizando a cepa da videira para assar. Quando a primeira capa está completamente queimada, envolvem-se em papel de jornal, para acabar de cozer no seu próprio calor. 

Têm um sabor ligeiramente adocicado e acompanham-se com um molho feito de tomate, amêndoas, azeite, pimento e avelãs (molho romesco). 

Depois dos calçotes, serve-se normalmente uma parrilhada de carne e butifarras (a salsicha tipica catalã), com batatas assadas na brasa (al caliu), alcachofras e molho ali i oli (uma espécie de maionese de alho). 

Comê-los é todo um ritual, com luvas e babete, queixo ao alto, de cima para baixo e  muita risota pelo meio. 

Recomendo a todos os que visitarem a Catalunha no início io da primavera, a procurarem um sítio para degustarem este prato e viverem a verdadeira experiência catalã. 

A ARTE DE RECEBER [o que não pode faltar no quarto de hóspedes]

Sei que já terminaram as festas e que a maior parte das pessoas já voltou à rotina, mas cá em casa o ritmo é outro.
Depois de receber os meus pais e uns amigos para as festas natalicias, recebi uma grande amiga logo no primeiro fim de semana de Janeiro. 

Cá em casa recebemos sempre muito e muita gente, é o que eu chamo de “boadição”; é uma espécie de maldição genética, mas que no fundo é uma coisa boa!  

Os meus pais também sempre foram assim, têm sempre amigos de visita ou familiares a passar temporadas.

Na verdade cresci desta forma e não só não me incomoda, como tenho todo o prazer em receber. Felizmente o H. é parecido comigo nestas coisas, e tem sempre os braços abertos para as visitas. 

É verdade que já tivemos verões em que todos se lembraram de vir ao mesmo tempo, e passámos semanas em que não estivemos sozinhos mais do que dois dias. Confesso que também pode ser cansativo e obviamente uma grande despesa; não só as contas disparam, mas quando recebemos visitas, sentimo-nos um bocadinho de férias e fazemos vida de restaurante e bar, com mais frequência do que o habitual. 

De qualquer forma, vejo o facto de receber muitas visitas, como um privilégio e um sinal de que temos muitas pessoas queridas na nossa vida. Além disso, como tenho o lema de visitar os amigos espalhados pelo mundo, o mínimo que posso fazer é receber os que cá vêm, de braços abertos. 

Nunca me vou esquecer que quando fiz aos 18 anos o interrail, ficámos amigos de 2 miúdos no comboio a caminho de Paris; e que sem perguntar (porque naquele tempo nao havia telemóveis), ofereci a casa do meu primo para eles dormirem. Chegámos a Paris e eu com a cara mais inocente do mundo disse:

-Rui, em vez de 3 somos 5!

E o meu querido primo Rui, que vive num T1 no centro da cidade, disse:

-Têm que dormir todos no chão da sala, mas onde dormem 3, dormem 5! 

E assim aprendi desde cedo que ter pouco dinheiro para viajar, não é sinónimo de que se deixe de o fazer. E também, que se tenho um tecto e um colchão, pois é bem vindo quem vier por bem! 

Com a experiencia fui melhorando as minhas técnicas para receber. Não só com as visitas que recebo, mas também com as casas onde já fui recebida. Obviamente que viver a experiencia Airbnb, como anfitriã e como hóspede foi também uma escola na arte de receber. 

Hoje em dia, quando tenho que preparar o quarto de hóspedes, há coisas que para mim são imprescindíveis. Faço uma lista, caso alguém precise de umas dicas para a próxima vez que receber visitas. 

– Cama feita de lavado e com jogo de lençóis e fronhas a condizer.

– Toalhas limpas (uma de banho e uma de rosto)

– Uma manta extra caso seja inverno

– Cabides para pendurar roupa e se possível uma gaveta disponível

– Cadeira ou Banco para sentar ou pousar coisas

– Espaço para arrumar a mala de viagem

– Uma luz de presença perto da cama

– Um espelho

– Um cesto com itens de primeira necessidade (escova e pasta de dentes, champoo, sabonetes, creme hidratante, pequenas amostras, lenços de papel, etc) 

– Jarra de água e copo

– Umas flores para alegrar o quarto (opto por flores secas, porque as flores de plástico parecem-me horríveis, e as frescas duram pouco) 

– Guias ou Mapa da cidade

Isto são apenas algumas das muitas possibilidades que há. O que não falta são detalhes que se pode ter, para tornar a estadia dos nossos convidados mais cómoda. Tudo depende muito do gosto pessoal, mas também do espaço que se tem. 

O nosso quarto de hóspedes é pequeno e além dessa função tem também outras, como por exemplo a arrumação da roupa de casa, o lugar para guardar a ventoinha, o aquecedor ou o carrinho das compras. Sim, porque isso de ter um quarto apenas para as visitas é um desperdício, há que rentabilizar o espaço para quem realmente vive na casa, que somos nós.

Por isso, procurámos alternativas para que o quarto ficasse cómodo, mas que também servisse para as outras funções que lhe damos. 

Por exemplo, não tem mesa de cabeceira, mas tem uma luz ao alcance de quem está na cama. Não tem armário, mas é possível pendurar roupa à mesma. Como quase tudo na vida, com imaginação e boa vontade dá para fazer coisas muito fixes. 

Enfim, penso que neste mês de Janeiro já não teremos mais visitas, mas melhor não falar demasiado porque hoje ainda só é dia 13!!! 

La Mercè! (22/09 – 25/09 2016) 

Chama-se a esta festa ‘Fiesta Mayor’, a grande festa da cidade, a festa da padroeira; onde todos nos juntamos e celebramos a cidade única e incomparável onde vivemos. 
Depois de dar uma vista de olhos ao programa, percebi que este ano a Mercè volta a surpreender e mais uma vez oferece múltiplas atividades para um público cada vez mais eclético. 

Devo dizer que gosto especialmente do cartaz de apresentação da festa, que homenageia as mulheres de Barcelona, e mostra uma rapariga roliça, morena, de caracóis desalinhados e sorriso fácil. Na verdade poderia ser uma qualquer mulher; morena, loira, alta ou baixa; porque aqui somos todas diferentes, mas todas vivemos com alegria, de forma simples e relaxada; completamente enquadradas no ambiente da cidade. 

No geral independentes, as mulheres de Barcelona aprendem a desenrascar-se sozinhas, e sendo catalãs ou vindas de qualquer outra parte do mundo; encontram nesta cidade a aceitação, a igualdade e a possibilidade de crescer. Aqui sentimo-nos comodas na nossa pele porque vivemos numa cidade com poucos preconceitos, e isso inevitavelmente ajuda a eliminar muitos dos complexos que nos incute a sociedade. 

Esta festa é das mulheres, dos homens, das crianças, dos vizinhos, dos que cá vivem, e também dos que estão de passagem ou vêm de visita. É a festa das festas!! 

Durante todo o verão os bairros da cidade celebram as suas próprias festas e isso faz com que quase todas as semanas, durante os meses de Junho, Julho, Agosto e Setembro, haja algo especial para fazer em Barcelona. Quando no final de Setembro chega a Mercè, sabemos que termina o Verão, e o ritmo da cidade tranquilizar-se-á em breve. 

A ‘Fiesta Mayor’ celebra-se desde 1902 (tendo altos e baixos, como por exemplo na época da guerra civil), mas é, como o nome indica, a maior festa da cidade; com diversos palcos repartidos por vários bairros, muitos concertos, museus abertos, espetáculos vários, exposições, desfiles e centenas de atividades. Neste fim-de-semana dá-se especial relevância à cultura popular e tradicional da Catalunha; mas a festa também recebe sempre artistas de todo o mundo, que com as suas atuações, reforçam e incentivam a multiculturalidade da cidade. 

Os transportes públicos funcionam 24h e a cidade cria condições para que se possa desfrutar gratuitamente de uma festa nas ruas, sem que se crie um ambiente caótico e descontrolado. Mesmo com a tão típica ameaça de chuva que sempre acontece durante a Mercè, ninguém fica em casa. 

Nos próximos dias tentamos aproveitar intensamente cada momento, como se realmente não houvesse amanhã. A Mercè é a festa de todos os barceloneses, de todos os cidadãos que amam esta cidade e a consideram sua. 

No seguinte link pode-se aceder a todo o programa, ou pode-se também descarregar a App da Mèrce 2016 para o telemóvel, e estar em cima de cada acontecimento. 

LA MERCÈ
No próximo post partilharei fotos deste fim-de-semana único. 

Feliz Mercè 2016!!

Mojito Picante

Desde que vivo em Barcelona que descobri o verdadeiro sabor de um bom Mojito. O facto de aqui viverem tantos emigrantes da América do Sul, originários de países onde se bebe muito rum, faz com que em qualquer bar da cidade seja fácil encontrar bons Mojitos. 
Há para todos os gostos, de vários sabores e com diferentes tipos de rum. Nem sempre é a minha primeira opção, mas sem dúvida que o Mojito é um dos cocktails mais frescos e saborosos que há. 

Há mais ou menos 5 ou 6 anos, numa ‘barbacoa’ na nossa antiga casa, uns amigos apresentaram-nos esta receita, tinham provado no terraço de um dos hotéis mais xpto de Barcelona; e como cá em casa somos fans de comida picante; sabiam que para nós a combinação faria sentido. Desde esse dia, tem sido um sucesso entre todos os que provam os nossos Mojitos Picantes!! 

Ingredientes para 2 Mojitos 

  • 4 Limas 
  • 8 Folhas de Menta 
  • 4 colheres de sopa de açúcar mascavado 
  • Sifão (água carbónica) 
  • Rum (1 cálice por copo) 
  • 1 Malagueta 
  • Gelo 

Dentro de um shaker esmagamos com um pilão de madeira as limas cortadas em quatro, para tentar sacar o máximo de sumo possível. Juntamos as folhas de menta, o açúcar e a malagueta e voltamos a esmagar. Quando a malagueta estiver completamente destroçada e misturada com as limas e a menta, distribuímos a mistura por dois copos. 

Em seguida adicionamos um cálice de rum por copo, ou mais quantidade dependendo do gosto de cada um. O gelo pode ser picado ou inteiro; junta-se também, a olho, até quase ao cimo do copo. Finalmente pomos a água do sifão para preencher o dedo que falta até o copo estar cheio. Mistura-se uma última vez para que a água se mescle com os restantes ingredientes e está pronto a beber. 

Aconselho a beber sempre com palhinha, para que a malagueta passe diretamente para a garganta. Este é o grande truque deste mojito, a sensação apimentada que fica na boca, o aroma ardente em contraste com o frio do gelo. Se bebemos sem palhinha, como já nos aconteceu um dia que não havia, fica-se com os lábios e toda a boca a arder e não se consegue esse efeito quente-frio. 

*Hoje, estes mojitos souberam-nos especialmente bem, porque brindámos ao nascimento do nosso querido sobrinho Benjamin, que nasceu dia 03.08.2016 e veio para trazer ainda mais alegria à nossa vida aqui em Barcelona. O primeiro bebé da nossa família barcelonesa, que a partir de agora será ainda mais unida, mais rica e positiva, pois temos uma nova vida entre nós. 

Bienvenido pequeño Ben!! 😍🎉

Addis Abeba

Ontem à noite, para celebrar 2 anos de casamento, fomos jantar a um restaurante Etíope, no bairro de Sants. Foi uma experiência única e que recomendo a 100%. 

Está na C/Vallespir 44, e há que ir com reserva, porque as filas são intermináveis e as mesas têm pelo menos 3 rondas de pessoas na mesma noite. É impressionante! 

O restaurante é simples e muito acolhedor, mesas baixinhas de verga colorida com bancos côncavos de madeira de pau preto. 

Sente-se África quando se entra; a decoração nas paredes, o ambiente relaxado, o sorriso nas caras bonitas das empregadas. 

Completamente cheio durante a hora e meia que lá estivemos, e com uma fila de 15 pessoas para entrar; em nenhum momento se sente a pressão de que temos que nos despachar. A cerveja fresca e leve da Etiópia convida a que se peça mais uma e se alargue a conversa. 

Um restaurante para adultos, não havia quase crianças e uma média de idades de 35 para cima. 

A comida é o ponto alto da noite; variada e caseira; com muitos vegetais e pouca carne e uns sabores “riquísimos”, como dizem aqui em Espanha. Sabores de África, quentes mas não tão picantes, mistura de leite de coco com outros condimentos gostosos que alegram o paladar e activam os sentidos. 

É servida num único tabuleiro de esmalte colorido, que assenta em cima da mesinha redonda. Vem sobre uma espécie de crepe de farinha de trigo e come-se com as mãos, todos do mesmo prato, todos a tocar na mesma comida. 

Para terminar apresentam umas sobremesas caseiras, que já que estamos ali, não vamos dizer que não; e comemos meio a esforço porque afinal o repasto era mais que suficiente. 

Tudo verdadeiramente delicioso e a um preço bastante aceitavel para Barcelona (2pp-50€). 

Entre a curiosidade e a estranheza, comer com as mãos acaba por se tornar algo perfeitamente normal naquele espaço e em nenhum momento provoca aversão. 

Ontem senti uma das coisas maravilhosas que viajar nos dá, a capacidade de nos adaptarmos e nos sentirmos cómodos em ambientes diferentes. Depois da India, Marrocos ou Indonesia, comer com as mãos num restaurante em plena Barcelona, pareceu-me a coisa mais normal do mundo. 

*Escrevo este post numa madrugada de insónia, por culpa do calor abrasador desta cidade e aproveito para recomendar um dos restaurantes mais originais e agradáveis de Barcelona.  

As nossas Barbacoas!

Neste meu Post falo um pouco de como é viver numa casa com terraço e o porquê de não querermos abdicar deste pequeno luxo. Hoje escrevo exclusivamente sobre as nossas famosas ‘barbacoas’, que se não tivéssemos terraço, seriam impossíveis de fazer. Em Portugal chamamos-lhe: ‘churrascadas’, mas para o português comum, que vive num apartamento T3 de uma grande cidade portuguesa, fazer isto é algo improvável.

Em Barcelona, isto das Barbacoas é algo bastante normal e toda a gente que tem terraço e gosta de juntar amigos, não tem outro remédio se não comprar um grelhador e “começar a virar frangos pó pessoal”!
A época alta é obviamente na Primavera/Verão, mas se o Inverno não é demasiado rigoroso, também podemos pôr carvão no grelhador em qualquer mês mais frio.

Há toda uma tradição à volta disto, são verdadeiros acontecimentos sociais e repetem-se todos os anos (normalmente sempre em casa dos mesmos / os que têm terraço). Mas por nós tudo bem, dá-nos um gozo enorme receber gente em casa, muitas vezes partilhamos tarefas e os nossos amigos trazem sempre bebidas e sobremesas. 

Confesso que às vezes me ‘stressa’ um pouco a logística das barbacoas, porque apesar de quase tudo estar já pronto quando chegam os convidados, o principal não está. A carne só vai para a brasa quando começam a chegar os primeiros. Ou seja, há bastante margem para atrasos, e para que algo não saia exactamente como devia, principalmente quando experimentamos receitas novas. (Sou demasiado perfeccionista para um evento onde se convida gente para comer e quando chegam, a comida ainda não está feita!!)😅😂

Normalmente fazemos ‘barbacoa’ de picanha, (é o nosso prato forte) com chouriços e salsichas frescas na brasa para começar. Mas também já fizemos de entrecosto, frango, bacalhau, douradas, careta, couratos; de vários tipos de vegetais, e a última foi de hambúrgueres e febras. [As febras foram um sucesso, os hambúrgueres não me convenceram.]

Vamos aprendendo com o tempo o que funciona e o que não devemos repetir. O meu guacamole, modéstia à parte, é um dos melhores do mundo mundial. E o ali-oli também já ganhou medalhas a nível internacional!! 😂😂 Ambos são imprescindíveis em qualquer barbacoa, assim como a salada de pimentos assados na brasa e a salada verde. Nas barbacoas de inverno alternamos entre os legumes assados (roasted vegetables) e a lentilhada (uma espécie de feijoada com espinafres, cenouras e alguns enchidos, mas com a minha leguminosa preferida: a lentilha). 
Para beber há sempre muita cerveja e vinho, trazidos pelos convidados. E nós normalmente preparamos uma sangria de cava ou mojitos para depois do almoço. Em breve partilho aqui a minha receita dos mojitos picantes, mais que apropriados para estes dias de calor intenso.


Um dos pontos mais importantes em qualquer barbacoa é a música, anima o ambiente e o pessoal, e vai subindo de tom e de ritmo ao longo da tarde. Música e álcool juntos são meio caminho andado para que em algum momento toda a gente esteja a dançar. 

Cada barbacoa é diferente e imprevisível, já tivemos de todos os estilos: mais tranquilas e que entram pela noite dentro com muita conversa e álcool à mistura, ou muitas com momentos de loucura onde tivemos quase que expulsar o pessoal, porque em alguma altura arriscar-nos-iamos a ter os ‘mossos’* à porta. Ja nos caíram tormentas de chuva a meio de uma barbacoa, mas também ja destilámos pelo calor insuportável sendo impossivel aguentar lá fora.

Cá em casa adoramos disfarces, máscaras e adereços; soltamos muitas vezes o nosso lado teatral nestes eventos e há sempre alguns ingredientes secretos, mas esses não posso contar, se não deixariam de o ser. 

Com estes 9 anos de experiência em barbacoas, já percebi que não é preciso haver muita gente para que sejam noites inesquecíveis e divertidas. Temos sempre tanta gente com quem gostamos de partilhar estes momentos, que muitas vezes mal dá para nos sentarmos no terraço e acabamos por nem estar com todos os que convidamos. Funciona muito melhor se somos poucos, mas sempre bons!! 

As barbacoas são mais uma das maravilhas de Barcelona, onde o culto do convívio é preservado e que a nós particularmente caiu-nos como uma luva! 

*Mozos de Escuadra – Policía de la Generalidad