Road Trip por Portugal 

Há umas semanas atrás uma amiga alemã pediu-me dicas para fazer uma Road Trip em Portugal este verão, (mas excluindo Lisboa e Porto, que já conhece); e contemplando um bocadinho de campo e praia. Como o roteiro está em inglês, faço agora um apanhado da informação principal aqui no Blog. 

É de conhecimento geral (para quem lê o blog) que para mim fazer uma road trip é como rejuvenescer 5 anos, é o tipo de viagem que consegue misturar muita adrenalina, liberdade, conforto e independência. É voltar à adolescência e sentir novamente a leveza de fazer o que nos apetece sem pensar nas consequências, cabelos ao vento e mapa na mão, paramos onde nos der na gana e dormimos onde quisermos. Indo de carro ou de caravana, uma road trip é uma experiencia única que todos devemos fazer… várias vezes na vida!! 😝

Tracei duas rotas (ainda que haja um sem fim de possibilidades), a primeira é para atravessar Portugal de norte a sul; sabiam que também nós temos uma Route 66? Mas a nossa chama-se N2 (Estrada Nacional 2), vai de Chaves a Faro e atravessa todo o interior do país, na sua mais profunda essência. 

A segunda, e como não podia deixar de ser, é a rota de Lisboa até Lagos pela Costa Vicentina. Sou uma eterna apaixonada pelo litoral alentejano e não me canso de recomendar esta maravilhosa zona de Portugal, afinal é a minha preferida de todo o mundo mundial, e um dia quando for velhinha, é para lá que quero ir escrever as minhas memórias. 

   Rota Interior de Norte a Sul (vermelho)

Então se nos metemos num carro, carrinha, caravana, moto, bicicleta ou em qualquer outro veículo que nos permita chegar a Chaves, daí partimos em direção a Viseu. Passamos nas famosas Termas de Vidago e por Vila Real, desbravando aquela linda paisagem tão característica de Trás-os-Montes, até chegar às aguas do Douro. Atravessamos o rio no Peso da Régua e seguramente encontraremos por aí um delicioso restaurante que nos sirva um daqueles pratos de comer e chorar por mais; tudo isto com vista para as vinhas. Não é mais nem menos, um dos sítios mais bonitos de Portugal. 

Deixando o Douro para trás, entramos na zona do Dão, isto até poderia ser também uma rota do vinho, mas não é, já que supostamente temos que seguir viagem. 

Passando por Viseu, o nosso próximo destino vai ser as Aldeias de Xisto, um segredo bem guardado que embora tenha já muitos visitantes, não está nada massificado. 

São 27 pequenas aldeias distribuídas pela região centro, entre a Serra da Lousã e o Vale do Zêzere. Uma pequena maravilha onde se pode desfrutar da experiência completa, se ficarmos alojados numa daquelas pensões rurais, onde se dorme e se come melhor do que na nossa própria casa. As minhas preferidas são: Piodão, Talasnal, Casal de São Simão, Cerdeira e Covas do Monte. 

Seguimos em direção à Barragem de Montargil, onde de pequena acampava nas férias de verão e fazia atividades radicais com o Clube da Natureza.

A partir de aqui o panorama muda e depois de passar o Tejo, a paisagem florestal dá lugar às planícies alentejanas com o horizonte salpicado por velhas oliveiras e onde em Agosto seremos abraçados por um calor tórrido e seco. 

Aqui podemos escolher muitas opções para visitar; Évora, Monsaraz ou Estremoz… mas tudo com calma e tempo, que no Alentejo respira-se paz e tranquilidade. 

Descemos para Ferreira do Alentejo, passamos as Minas de Aljustrel, Almodôvar, e acabamos por entrar no Algarve e chegar a Faro. Aqui as possibilidades são múltiplas, mas se queremos escolher o melhor e fugir à massificação estrangeira, vamos até às ilhas da Ria Formosa (Armona, Farol e Culatra) e também de barco damos um pulinho à paradisíaca Ilha de Tavira. 


               

              Rota da Costa Vicentina (azul)

De manhã bem cedinho atravessamos a Ponte 25 de Abril em direção a Sesimbra, uma vila pitoresca com uma linda praia às portas da Serra da Arrábida. Seguimos caminho para Setúbal pela estrada da Serra, com uma vista de nos tirar o fôlego; e aproveitamos para parar em Azeitão para comprar um queijinho e umas garrafas de vinho para o entardecer. 
Se estiver calor, encostamos o carro na estrada e descemos até à Praia dos Coelhos ou à de Galapinhos; dizer que são paradisíacas é apenas um eufemismo. 

Almoçamos em qualquer restaurante da Av. Luisa Todi uma dose de choco frito e seguimos até ao cais dos barcos, onde pomos o carro no Ferry para Troia. Do outro lado do Sado começa a aventura, uma estrada com aspeto meio tarantino, meio mexicano; segue paralela às melhores praias selvagens de Portugal. 

Comporta, Carvalhal, Galé, Melides ou Santo André; podemos passar o dia em qualquer uma delas, porque são todas espectaculares. 

Continuamos a descer para Sines, o mais junto à costa possível e quando chegarmos a São Torpes, viramos para a estrada que entra no Parque Natural da Costa Vicentina, e seguimos até Porto Covo. 

A partir daqui podemos parar onde nos apetecer, ficar a dormir, passear, seguir viagem, abrir as janelas, ou pôr a música alta e deixar-nos levar pela energia única do litoral alentejano. 

Nesta zona tão linda de Portugal e entrando também um bocadinho pelos Algarves, podemos escolher entre Vila Nova de Mil Fontes, Cabo Sardão, Zambujeira do Mar, Praia da Amoreira, Aljezur, Praia da Arrifana, Carrapateira, Cabo de São Vicente, Sagres, Lagos; e muitas outras extraordinárias vilas e assombrosas praias, que nos vão roubar o coração. 

Ao escrever este post, entrou-me uma descomunal vontade de viajar por Portugal novamente. Quando escrevo estas dicas para os meus amigos, dou-me sempre conta, que por muito que viaje pelo mundo, por muitos paraísos que conheça, este cantinho à beira mar plantado, é definitivamente o meu paraíso.

Já está mesmo a chegar o Verão! Boas Viagens!

Bali & Gili


Às portas do verão e já com um calor abrasador aqui desde lado da península, hoje escrevo sobre Bali; chamam-lhe a Ilha dos Deuses, e eu chamo-lhe a Ilha que não sai de moda.

Aqui em Barcelona o pessoal continua a viajar ano atrás ano para este destino, como se fosse o paraíso na terra… e talvez seja mesmo! 

Se ainda não decidiram para onde ir nestas férias, aqui fica a minha sugestão! 

Fomos a Bali em 2014, e apesar de não estar na nossa “bucket list” temos um grande amigo que lá vive e já sabemos que onde temos cama e roupa lavada, há que ir sim ou sim! 

Há um fascínio qualquer à volta desta ilha, e é de facto espetacular, mas antes de falar das suas maravilhas, vou fazer uma pequena lista de algumas coisas menos boas, porque nem tudo são rosas: 

– Antes de chegar, o nosso amigo avisou-nos para levarmos 25 dólares trocados, para tratar do visto “on arrival” no aeroporto, no guia da Lonely Planet dizia 20USD; e na verdade quando chegámos lá cobraram-nos 35USD. Já se pode ver como vai a coisa na Ilha… 

– E quando fomos embora tivemos que pagar também uma taxa de saída… Sim, porque os balineses o que têm de relaxados, têm de espertalhões; e para pessoas como nós que à saída quase não tinhamos rupias, eles têm um aeroporto cheio de caixas multibanco.

– Quanto ao impressionante trânsito; (e eu que achava que já tinha visto de tudo na India), aqui é também escandalosamente caótico. Estradas estreitas, sem luz e sem passeios; muitíssimas motos em que se contam pelos dedos os ‘locais’ que usam capacetes, já para não falar que muitos são crianças com menos de 12 anos, que parece que já nasceram em cima de uma moto. 

– A comida pode ser deliciosa…ou não… muito à base de fritos e sempre com um ovo estrelado em cima; o que safa é a quantidade de peixe fresco e marisco que se encontra ao preço da “uva mijona”. 

– Apesar de ser uma ilha tropical, está completamente invadida por turistas, carros e motos. As praias mais conhecidas parecem a Vila Moura lá do burgo, massificadas por ocidentais a ver o pôr do sol, sentados em puffs a beber cocktails coloridos ou a tradicional Bintang. 

Enfim… até parece que não adorei, mas adorei! Só que infelizmente este é o preço que se paga pelo paraíso se tornar conhecido. 

Devo confessar que esta pequena lista que acabei de referir, praticamente não a vivi, contornei-a com a sorte de quem viaja a um sitio para visitar amigos que dominam o local. ❤ 

Em Bali vive o Hugo, nosso amigo francês com quem vivemos grandes histórias e aventuras em Barcelona até 2012. 
Quando chegámos ele namorava com a Puput, uma indonésia super simpática e aventureira, que mesmo sendo muçulmana, alinhava em quase tudo o que fazíamos e tinha uma mente muitíssimo aberta. Imagino que viver em Bali, a única ilha Indú das 17.500 ilhas, faz toda a diferença. 

Conhecemos um casal amigo, que também estava de visita vindos de Singapura, ele chileno e ela italiana; e juntos fomos os 6 de road trip pela ilha. Deixámos a mochila grande em casa do Hugo e com uma mais pequena montámos na moto e seguimos pela estrada fora. 

Foi uma experiência fantástica e indescritível, também porque começámos a viagem no dia 24 de Agosto, meu aniversário; mas principalmente porque saímos das estradas convencionais e turísticas, e vimos os caminhos alternativos, os templos menos conhecidos, os restaurantes locais no meio da estrada e as paisagens mais espetaculares. 

O H. teve que conduzir pela primeira vez do lado esquerdo da estrada e em caravana lá foram três motos por estradas desertas, no meio de campos de arroz, palmeiras e bananeiras; observados por macacos, lagartos, pássaros e borboletas gigantes com cores mais brilhantes que as do próprio arco-íris. 

Um dos pontos altos da viagem era subir a um vulcão e do cimo do Monte Batur ver o nascer do sol, uma das experiências mais duras e gratificantes que já tive. Metade do caminho pensei que não ia conseguir, mas desistir nunca foi uma opção (porque não dava para voltar para trás sozinha, no meio da floresta, às escuras com sombras e ruidos de animais). 😝
Uma experiência indescritível que durou 9 horas entre subir e descer, em que acabámos mergulhados nas águas quentes das termas vulcânicas, na base do monte. 

Sempre a dormir em casas locais, que de turístico tinham quase nada e de rústico tinham quase tudo. Inesquecível é um pequeno eufemismo, para descrever esta road trip em Bali. 

Foi uma sorte poder sair do roteiro turístico, e ainda que por um lado sei que quando visitamos amigos estamos um pouco limitados às escolhas que eles fazem, e ao que nos querem mostrar; tenho plena consciência que isto que vivemos em Bali, nunca o teríamos vivido se não fossemos com o Hugo. 🙏🏽😍

Depois de um par de dias de viagem pela ilha, apanhámos um barco em Padangbay para as Gili; umas ilhas paradisíacas, sem transportes motorizados, sem policia e com muita boa onda. 

Ficámos numas cabanas na Gili Air e tivemos 5 dias de relax total; dormir e acordar na praia, mergulhar para ver peixinhos e tartarugas, passear de bicicleta e pouco mais.

Nos últimos dois dias da viagem regressámos a Bali e o Hugo organizou uma festa numa luxuosa Vila em Semyñak, onde ficámos a dormir. 

 E se até àquele momento tínhamos visto o lado mais alternativo da ilha, os restaurantes onde se comia com as mãos, alguns sem wc, aldeias sem lojas, vários templos desérticos e tínhamos conseguido estar longe de toda a elite ocidental que habita em Bali… no regresso não pudemos escapar, e tenho que confessar que foi o Top do Top! 

Não sei como são as restantes ilhas da Indonésia, um dia descobrirei seguramente; mas acredito que Bali seja única. Com uma rica e artística vida cultural, danças exóticas, o espetacular mobiliário, objetos de decoração e esculturas impressionantes. Uma natureza bruta e tropical que se mistura com a tranquilidade dos arrozais e com um mar selvagem e apaixonante. 

Inicialmente não estava na nossa “bucket list”, mas depois desta experiência queremos sem dúvida voltar. 





‘David Bowie Is’ em Barcelona <3

Na proxima semana, dia 25 de Maio vai abrir ao público , no Museu de Design de Barcelona, a exposição “David Bowie Is”; e poder-se-à visitar durante três meses. 

Amigos residentes ou visitantes em Barcelona, é imperdível!!! 

Andei de olho nesta exposição desde o primeiro dia em que abriu! No verão de 2013 perdi-a em Londres, já que cheguei uma semana depois de ter acabado no Victoria and Albert Museum, onde se inaugurou inicialmente. Mas no inicio de 2016, tive a sorte de a conseguir ver em Groningen, na Holanda. E tenho que dizer que é uma das exposições mais fixes que já vi! 

Como escrevi neste POST quando o Bowie nos deixou, ouvi-o diariamente numa das fases mais importantes da minha vida, e a sua música faz parte de mim e do meu desenvolvimento como pessoa. Acho-o excentricamente extraordinário, musicalmente inspirador e sempre me pareceu muito coerente como pessoa. 

Destaca-se, nesta exposição, a sua enorme criatividade e a diversidade da sua obra. Explora-se a ligação que fazia entre a moda, a música, a arte e o design; e vê-se como a sua peculiar individualidade deixou uma forte marca na cultura contemporânea, inspirando outros artistas a desafiar as convenções e a procurar a sua forma de expressão. 

Esta exposição reúne instrumentos pessoais, vestuário original, videos, fotografias, filmes, letras manuscritas, e muitos mais objectos; que visitaram já um total de nove países. Mostra também que parcerias fez Bowie ao longo da sua carreira e que influências sofreu. 

Pode-se apreciar os seus processos de criação e reinvenção ao longo de cinco décadas, vendo as mudanças estético-culturais que fizeram com que sempre se mantivesse um símbolo e uma referência no mundo artístico. 

“David Bowie Is” é também uma experiência audiovisual extraordinária, porque usa tecnologia multimédia de alto nível; e durante todo o percurso vamos ouvindo histórias, explicações, excertos de conversas, músicas e filmes, videos e imagens que são um deleite para os nossos sentidos.

Os bilhetes para ver a retrospectiva da vida de Bowie já estão à venda, AQUI e AQUI. Custam 14,90€ (entrada normal de 2a-6a.feira) e 17,90€ ao fim de semana, a entrada reduzida custa 9,90€. 

A entrada para esta exposição dá um desconto de 50% no bilhete para o Museu de Design e acesso gratuito ao Museu da Música. 

Recomendo a 100% e para quem não vive aqui, mas está à procura de uma cidade fantástica para passar uns dias este verão; pois Barcelona “is the place to be”, agora também, por terem durante três meses a oportunidade de ver a exposição sobre a vida de um dos ícones musicais do século XX. 

Tapantoni de Primavera [2017]

E hoje começa o Tapantoni!!! 

Um dos melhores eventos do bairro de Sant Antoni. Tapa e bebida a 2,5€, damos um rolé pelas ruas, encontramos os vizinhos, pomos a conversa em dia e descobrimos os novos spots da freguesia!! Adoro!!

Como já contei neste POST o que é este festival de tapas,  não vale a pena estar-me a repetir. 😉

Deixo-vos o LINK do evento, e recomendo a 100% que passem pelo bairro, até dia 28 de Maio, para provar as tapas do dia! 

Bom Tapantoni!! 

Dicas pré-Ásia 

Há tantas coisas a ter em conta quando se prepara uma viagem, que poderia escrever vários posts sobre o tema. 
Tão importantes como a organização burocrática e logistica, são os temas socioculturais, que nos podem dar muitas dores de cabeça, caso não os tenhamos em atenção.

Hoje escrevo sobre dicas para viajar na Ásia, aquelas que normalmente nos dão os amigos que já lá estiveram e que provavelmente servem para quase todos os países. Muitas são dicas de bom senso, mas outras são também formas de evitar erros comuns que muitas vezes cometemos sem pensar. 

O sudeste asiático é um destino mochileiro, não só porque é exótico, com praias paradisíacas, boa comida e culturalmente diferente; mas principalmente, porque é barato. É possível viajar por esta zona do mundo durante 6 meses, com o que gastaríamos na Europa em apenas um mês.

Ser mochileiro e viajar com um orçamento limitado não quer dizer que sejamos menos educados ou conscienciosos. O facto de ser um destino de praia, não significa que na mochila se ponha três bikinis, um pareo, chinelos e dois vestidos. A maior parte dos países asiáticos, são conservadores, com  povos modestos e recatados que não têm por hábito mostrar o corpo nem sequer na praia. Em quase todos os templos tem que se entrar descalço, com os ombros e pernas tapados. O ditado “em Roma sê romano” deve-se aplicar e respeitar os costumes e tradições, para garantir uma receção hospitaleira e uma convivência amigável. 

Lamentavelmente, uma situação bastante comum é a de nos tentarem enganar; sejam taxistas, condutores de tuk-tuk ou donos de  lojas; para eles somos dinheiro com pernas e devemos manter-nos alerta, ainda que não seja necessário entrar em paranóia. Lembro-me que antes da viagem à India, todos nos alertaram para nunca dizermos que era a nossa primeira vez no país. E a verdade é que durante toda a viagem nos perguntaram várias vezes se era a primeira vez que ali estavamos. Dissemos sempre que já tínhamos ido outras vezes, e isso acabou por dissuadir os espertalhões. 

Em Bangkok um condutor de tuk-tuk insistiu que o Palácio Real só abria à tarde, e que primeiro nos levaria a passear pela cidade. Mandámos parar o tuk-tuk e apanhamos outro que nos levou ao, obviamente aberto, Palácio Real. Tenho muitas histórias deste género, e várias em que fomos enganados, mas a experiencia é a mãe de todos os ensinamentos. 

Por mais que nos digam que a realidade é totalmente diferente, há coisas que só vendo e vivendo; a pobreza é uma dessas coisas. O que senti ao ver as ruas de algumas cidades indianas, nenhuma imagem de nenhum documentário me tinha feito sentir.

 É sempre uma boa ideia contextualizar-se e ter informação antes de viajar para um destes países. Para, por exemplo, ter uma pequena noção do que passaram a maioria dos cambojanos a apenas algumas décadas. 

O sentimento de compaixão e solidariedade é fundamental para nos aproximarmos das pessoas da terra e compreender como sobreviveram e conseguiram continuar com a sua vida. 

A exploração turística é inevitável e hoje em dia muitos países vivem disso, mas se pudermos eleger atividades e atrações que não se aproveitem de nenhuma pessoa ou animal, pois que assim seja. 

A que custo tiramos fotografias abraçados a tigres? Ou em que estado estão os elefantes que nos carregam nos passeios pelos templos?

São animais selvagens, não são animais para brincar. São drogados e maltratados para obedecer ao Homem e cada turista que visita estas atrações, alimenta esta situação abusiva e aterradora. 

Assim como o consumo dos famosos licores com o reptil dentro da garrafa, que  sustentam o mercado negro de animais.

Reconheço que muitas vezes é complicado fugir de algumas situações; por exemplo em Siem Reap fui ao supermercado com um menino de rua para comprar leite. Ele escolheu a lata de leite mais cara que havia e provavelmente depois voltou a vendê-la ao supermercado, ficando com o dinheiro. Mas naquele momento, foi para mim impossível não “ajudar” aquela criança.

Há muitas formas corretas de ajudar, há diversos programas de voluntariado por todo o mundo, há ONGs que fazem trabalhos admiráveis com pessoas e com animais; mesmo de longe é possível “adotar” uma criança, enviar material escolar ou mantimentos, e assim minimizar um pouco a vida cruel que têm.

Como disse no início do post, o sudeste asiático é o paraíso dos mochileiros; transportes, hotéis e comida baratos. Tudo encaminhado para roteiros turísticos, que mesmo quando vamos por nossa própria conta, faz com que sigamos uma linha já delineada. Muitos viajantes acabam por não sair da rota do costume e deixam de ver outros paraísos. Não digo que não se vá aos destinos mais óbvios, eu quero ir a quase todos; mas se a felicidade está fora da nossa zona de conforto, imaginem o que se pode encontrar, quando já estamos fora dela…  Não acredito que se possa conhecer Bangkok se não sairmos da Koh San Road; e Bali não é seguramente a única ilha interessante da Indonésia…

A oferta de voos low cost é tanta, que mesmo que tenhamos uma limitação de tempo para viajar, não temos porque ficar apenas num sítio e podemos sempre dar um pulo ali ao país vizinho. É só pesquisar!

Viajar pela Asia fez de mim uma pessoa mais tranquila e menos stressada, isto de querer controlar tudo, naquele continente é completamente impossível. Os transportes não respeitam os horários, o trânsito é caótico, a eletricidade falha a torto e a direito, as condições climatéricas fazem com que se altere rotas e destinos. 

Em alguns países é imprescindível ter jogo de cintura e deixar-nos ir com a maré. A minha primeira lição na Asia foi em Delhi, quando não conseguimos comprar os bilhetes de comboio para Agra, o que fez com que não visitássemos o Taj-Mahal. Foi na verdade a minha pior experiencia numa viagem, com suor e lagrimas à mistura, e uma assombrosa impotência por não me conseguir entender com aquele sistema, naquela assustadora estação de comboios. Depois desse dia, tudo ficou mais fácil. 

Um dos motivos que nos levou em 2014 a Bali foi o facto de termos um querido amigo a viver na ilha. Amigo esse que nos pediu para levar 1Lt de álcool cada um (quantidade permitida para entrar no país). Levámos uma garrafa de vodka e uma de rum e escusado será dizer que acabou logo na grande festa à chegada. Uns dias depois fomos ao supermercado comprar cervejas e percebemos que cada garrafa destas, em Bali, pode custar cerca de 50€. Se na Tailândia se come por 1,5€, não se bebe cerveja por menos de 3€; o álcool é sem dúvida uma das partes mais caras de uma viagem à Asia. 

Excluindo o álcool, tudo o resto é muito barato e começar a comprar pode ser uma perdição. Entre artesanato, imitações, bijuteria e outros acessórios, é possível voltar à Europa com as mochilas completamente a abarrotar. Diz-se que se deve sempre regatear, porque o valor inicial é sempre superior ao real; mas atenção: sem exageros, por favor! Se já é tudo muito barato, porque vamos estar a discutir por 20 cêntimos?! Como em tudo na vida há que ter bom senso e noção da realidade do sítio que estamos a visitar. 

Para finalizar, porque este post já vai longo, ao fazer a mochila devemos ter em conta que naquela zona do mundo faz quase sempre muito calor. Com exceção das zonas montanhosas, não vale a pena levar grandes agasalhos; nem roupas bonitinhas, nem saltos altos, nem ir carregados com demasiadas mudas de roupa, que depois nem chegamos a usar. 
O que sim faz falta é o papel higiénico, já que eles gostam da mangueirinha e ter sempre à mão um gel antibacteriano, para qualquer eventualidade. 

Nunca me vou esquecer que num “restaurante” na base do Vulcão Monte Butur, na Indonésia, onde eramos os únicos ocidentais; perguntámos pela casa de banho e disseram-nos que não havia, que podíamos fazer as necessidades no meio do mato. Respondemos que queríamos apenas lavar as mãos antes de comer; e então passaram um pequeno alguidar com água; mas antes de chegar até mim, passou por toda a gente que estava sentada ao balcão à espera da comida. Todos lavaram as mãos na mesma água… a única coisa que posso dizer neste momento é: Viva ao gel antibacteriano que anda sempre na minha mochila quando viajo!! 

Contagem decrescente!  [como organizo as minhas viagens] 

Sou naturalmente uma pessoa organizada e inevitavelmente também 100% organizadora. 

Está-me no sangue e não posso evitar; desde miúda que sempre gostei de inventar, pesquisar, descobrir e explorar o desconhecido. Ver até onde posso ir, até onde tenho capacidade de criar. 

Hoje em dia está tudo facilitado com o uso da internet, só não faz quem não quer. Pode-se aprender a tocar um instrumento vendo vídeos no youtube, aprender a cozinhar, fazer trabalhos manuais, falar novas línguas ou ter acesso a todo o tipo de informação relacionada com quase tudo. Viva a Internet!! 

E está claro que organizar uma viagem tornou-se também algo bastante simples de fazer. É apenas preciso curiosidade, dedicação e muita paciência; mas tudo o resto está on-line, é só procurar! 

Acho que uma das coisas mais importantes para organizar uma viagem, é ouvir as dicas de quem já lá esteve, é aprender com os erros dos outros e aproveitar a sabedoria das boas experiências. 
Todos temos amigos que já visitaram sítios onde queremos ir e esses são sempre os nossos melhores conselheiros. 

Recordo-me que quando fomos à India, pedimos sugestões a vários amigos (que nem se conhecem entre si) e houve um sítio que nos foi recomendado por três pessoas diferentes (uma portuguesa, um catalão e um israelita), o que obviamente despertou a nossa curiosidade: Hampi, uma “pequena” cidade no meio de Karnataka… Posso apenas dizer que incluí-la na nossa viagem foi uma das nossas melhores decisões. 

Se por acaso não temos a sorte de ter acesso a informação mais personalizada, há muitíssimos blogs de viagens que nos ajudam a ter uma visão mais clara sobre os destinos, depois basta cruzar tudo o que lemos e decidir onde queremos ir. No final deste post indico alguns blogs de viagens que costumo ler e que têm sempre boas dicas para os viajantes. 

Eu leio basicamente para aprender sobre os sítios onde quero ir e conhecer a perspectiva de pessoas de todo o mundo que já lá estiveram; mas também para decidir as coisas práticas da viagem: onde dormir, que transportes utilizar, alguma recomendação gastronómica ou algum conselho importante. 

O primeiro passo, depois de decidir o destino da viagem é começar a procurar  voos, para isso uso normalmente duas páginas: Skyscanner e Vuelos Baratos

Segundo passo é comprar o Guia da Lonely Planet, que passa a ser o meu livro de cabeceira durante os meses que faltam até à viagem. (este ano foi presente dos meus pais) 😍

Começa então a conta-atrás e muito que organizar!! 

Já passou um mês desde que comprámos os bilhetes para o Vietnam e já perdi a conta do número de blogs que li até agora, das vezes que olhei para o mapa e para o calendário para organizar os dias. Já mudámos o itinerário duas ou três vezes, já juntámos outro país à viagem e calculámos gastos para diferentes possibilidades.

Pode-se viajar de forma muitíssimo barata pelo sudeste asiático, mas quando já não se tem 20 anos, há algumas situações que para mim ficam automaticamente excluídas, e dormir mal é uma delas. 
Uso o Tripadvisor e o Booking para encontrar alojamento – sempre um quarto duplo com wc privado (nem sempre reservo, mas recolho alternativas que junto à informação do Lonely Planet, para mais tarde decidir). O pequeno-almoço incluído não é imprescindível (porque na Asia a comida é ridiculamente barata); mas um bom colchão sim que o é. 

Depois de carregar uma mochila durante várias horas, subir a comboios, motos e táxis, caminhar quilómetros a visitar cidades, é muito importante que o sítio onde vamos dormir seja confortável e limpo. 

Continuo a viajar de mochila e penso que assim continuarei durante muitos e longos anos, é a forma mais cómoda e simples de viajar. Mas sobre a mochila e o que levar na viagem, escrevo noutro dia. 

Quando já tenho o roteiro definido (que pode ser sempre alterado a qualquer momento) começo a ver formas de nos deslocarmos; como sou apaixonada por viagens de comboio, essa é sempre a minha primeira opção. Recomendo o site: Seat 61, que tem informação sobre os horários de vários países, tipos de comboio, e várias opções e comentários. É sem duvida o mais completo de todos. 

Se ao princípio leio sobre tudo, a cultura, a historia ou a gastronomia; com o passar do tempo vou restringindo a pesquisa apenas aos locais onde vamos, em busca daquele sítio especial que nos apaixonará quando lá estivermos. Aquele restaurante típico, o miradouro perfeito para ver o pôr-do-sol, ou aquela experiência imperdível. 

Normalmente tenho apenas 3 semanas para viajar e nunca tenho tempo para ver tudo o que gostaria, por isso tento organizar algumas coisas o melhor que posso, para que quando esteja em viagem, me possa deixar levar pelo imprevisto e desfrutar dos momentos surpresa, que são o que realmente dá chispa a viagem.

Uma das últimas coisas que faço antes de partir é procurar um seguro; já usámos o  Worldnomads em duas viagens e a verdade é que correu tudo bem e não precisámos de o ativar; mas é o mais recomendado por vários viajantes e blogs e parece-me que em relação a coberturas e preço está bastante bem. 

Este ano comprámos a voo já com seguro de viagem, o que também é uma opção interessante. Quando se viaja para o outro lado do mundo, com uma mochila e um guia na mão, o mínimo que podemos levar é um bom seguro, para o caso de ficarmos gravemente doentes ou precisarmos de ser recambiados com urgência para casa. 

Neste momento estou na fase de pesquisa, de investigar e descobrir tudo o que os países que vamos visitar têm para nos oferecer. É uma das minhas partes preferidas e posso dizer que o facto de ter já uma ideia geral do destino, não anula o espanto nem reduz o assombro quando lá chego. 

Penso que viajar é o fundamental, independentemente da forma como cada um o faça. Eu prefiro viajar ”por minha conta”, sem guias nem agências e com bastante flexibilidade. Prefiro ter eu todo o prazer de investigar e decidir o onde e o quando da minha viagem. Isto de viajar com a mochila às costas é algo que não tem explicação, transforma-se num vício que nos provoca uma felicidade absoluta, e quanto mais vemos, mais queremos ver.  

😍✈️

*Estes blogs têm sempre alguma informação interessante ou alguma dica especial. São viajantes que andam pelo mundo e escrevem o que realmente sentem. 

http://dontforgettomove.com/&nbsp;

http://www.myguiadeviajes.com/&nbsp;

http://www.wanderloveworld.com/&nbsp;

http://www.mochileandoporelmundo.com/&nbsp;

http://www.hastaprontocatalina.com/&nbsp;

http://marcandoelpolo.com/&nbsp;

*Também recomendo: 

Wikitravel: Informação sobre os países e dicas de viagem.

Visa HQ: información sobre vistos 

Air Asia: a melhor companhia para viajar pela Asia. 

Livros de memórias [Fotográficas]

Em 2014 quando casei, os nossos queridos amigos Sébastien e Bernard, ofereceram-nos um livro com as fotografias do nosso casamento. Foi uma prenda surpresa, recebida alguns meses depois e completamente inesperada. (essas são sempre as que têm um gostinho ainda mais especial!)
Nesse momento vimos aquelas fotos pela primeira vez, vimos o nosso casamento de uma perspectiva completamente diferente, com o cunho pessoal dos nossos amigos e que refletia o quão radiantes estavamos todos. Pudemos reviver cada momento naquelas fotos, mesmo aqueles onde não estivemos, e sentimos novamente a energia inexplicável daquele dia.    

Está claro que todos os casamentos são especiais, uns mais tradicionais, outros menos e cada um dentro de um estilo de acordo com as personalidades ou com as possibilidades dos noivos. Casar é uma daquelas situações únicas e nós conseguimos que o nosso casamento fosse também, uma experiencia única para os nossos convidados. 

Por isso, temos sempre à mão esse livro e é um daqueles que roda pela mesa quando há jantaradas lá em casa. Contamos histórias e relembramos os momentos com os que lá estiveram e também com os que não; e confesso que é sempre um dos momentos bonitos da noite e eu nunca me canso de ver aquelas fotos. 

É inegável que o formato digital veio-nos facilitar a vida, não só na poupança de dinheiro, porque deixámos de gastar um montão de euros em revelações; mas também porque se não gostamos da foto, apagamos e sacamos outra. Podemos tirar fotos até ao limite do cartão de memória, e já não precisamos de andar com não sei quantos rolos a ocupar espaço na mala. 

Mas como tudo na vida, tem o outro lado; aquele que faz com que descarreguemos as fotos para um computador ou disco-externo e nunca mais voltemos a olhar para elas. Já para não falar no perigo que é se um destes equipamentos avaria, lá se vão todas as fotografias. 

Sempre adorei fotografias, sempre fui a que levava a máquina e tenho fotos de todas as férias, todos os acampamentos, excursões, viagens, de todos os jantares, aniversários, etc. Tenho em casa dos meus pais, gavetas cheias de álbuns 10×15 da Kodak. 

A paixão por eternizar os momentos, por reter as imagens e guardá-las para um dia mais tarde recordar, o digital não me tirou. Continuo a sacar imensas fotos e sempre fiz questão de ter uma boa máquina fotográfica, mesmo quando parece que com um telemovel e 2 ou 3 filtros podemos fazer milagres. 

No final do ano passado uma amiga deu-me a dica sobre o site BLURB, é uma página estado-unidense de auto- publicação, que permite aos usuários criarem, publicarem, promoverem e venderem on-line os seus próprios livros. A página oferece ferramentas “user-friendly”, que substituem as mais básicas habilidades digitais e fazem com que até o mais inapto possa criar um livro, com uma excelente qualidade de impressão. 

Comecei então a criar livros com as fotografias das nossas viagens, e ontem à noite chegou mais um; desta vez da Grécia. Estes livros têm para mim uma função muito importante, que é a de não deixar esquecidos lugares onde fui e histórias que vivi. 

Além de que nos obriga a rever as centenas de gigas que temos, a organizar as imagens; apagar o que é repetido e selecionar apenas as fotografias que nos dizem algo especial. 

E a cereja no topo do bolo, é que é uma forma espetacular de mostrar aos nossos amigos e familiares as nossas aventuras pelo mundo e de, sempre que a saudade aperta e entra aquela vontade incontrolável de pôr uma mochila às costas, possamos desfolhar os livros e voltar a viver aqueles momentos. 

Wanderlust em 2017! 

Como já é de conhecimento geral, uma das coisas que mais me dá prazer na vida é ver o mundo. Viajar e descobrir locais pela primeira vez, conhecer novos povos, hábitos, costumes e realidades. 

Se gosto, se está perto e é acessível, posso repetir vezes sem conta; caso contrário fica na memória e tomo nota que um dia quero voltar aquele sítio onde já fui tão feliz. 

Tenho inúmeros exemplos: mas posso resumir que na Europa a minha cidade de referência é Londres, passei lá várias temporadas, umas mais longas e outras mais curtas, mas sempre que posso volto e mato saudades. 

Fora da Europa há locais onde voltarei um dia, não sei quando, mas um dia seguramente voltarei a Varanasí, aos Templos de AngKor e a São Paulo; três dos sítios que mais me marcaram. Se posso voltarei a muitos mais; mas a limitação de tempo e dinheiro e a flutuação do nível das prioridades na vida, provavelmente farão com que não volte a muitos dos locais onde já estive. 

Há uns tempos, numa das muitas e deliciosas conversas que tenho com o meu pai sobre o mundo e a vida, ele disse-me algo em que eu nunca tinha pensado. Falávamos de viagens e das enormes ganas que eu tenho de comer o mundo; e ele, que teve a sorte de poder viajar por vários países quando era mais novo, disse-me que agora olha para trás e percebe que nem sempre se trata de prioridades, de ter que eleger ou de fazer escolhas; às vezes simplesmente não depende só de nós. 

Há locais onde ele não foi e que neste momento já nem existem, há países que foram destruídos pela guerra, por catástrofes naturais; e o facto de não ter ido a tempo não dependeu dele, mas sim das circunstâncias. 
Os meus pais cresceram em Africa; e a Africa onde eles cresceram, eu nunca vou conhecer; a quantidade de animais selvagens que eles viram no seu habitat, eu nunca vou ver. A história, o tempo e a mão do Homem, encarregam-se de acabar com cenários que não têm como voltar a existir. 

Neste momento penso em todo o médio oriente, em todos os países árabes que gostava de visitar e onde agora mesmo me sentirei insegura se lá for. Não sei quando verei as pirâmides do Egipto, quando visitarei Petra, ou até mesmo Istambul…
Às vezes tenho pena por não ter o tempo ou o dinheiro para poder viajar constantemente, mas mesmo que o tivesse, há sempre uma escolha a fazer e há sempre circunstâncias alheias à nossa vontade que nos impedem de fazer o que gostaríamos. 

Este ano estávamos bastante indecisos quanto ao destino da nossa viagem; eu tinha claro que gostava de voltar à Asia, mas sei que temos pendente as Américas há muito tempo, e lamentavelmente parece que assim continuará. 

Para mim, uma das coisas mais divertidas e interessantes de viajar é poder comunicar com as pessoas, é tentar entender como pensam e como funcionam as sociedades. Muitas vezes é difícil porque o facto de não falarmos a mesma língua limita o nível de entendimento, claro que a comunicação é sempre possível, nem que seja por mímica; mas quando se fala a mesma língua abre-se um mundo de oportunidades e experiências. 

Há quase 10 anos que falo castelhano e tenho em mim uma grande pena por ainda não ter ido a nenhum país hispânico, onde me possa misturar com a gente e partilhar a sua cultura. Mas sei que essa viagem chegará… já faltou mais! 

Este ano voltaremos à Asia porque a temos no coração, porque é pacífico e fácil de viajar, porque é bonito e barato e porque apesar de ser tão diferente da Europa, sentimo-nos em casa, cómodos e bem-vindos. 
Estávamos entre o Japão e o Vietnam e decidimo-nos pelo último depois de fazer contas à vida; o país do sol nascente ficará para outra altura. 

Num próximo post, porque este já vai longo, escrevo sobre o porquê de querer visitar o Vietnam e como estamos a organizar a nossa viagem de 2017. 

Chameleons no Apolo

As últimas semanas têm sido de readaptação à rotina, voltar ao trabalho e planear o novo ano.

 Tenho andado bastante ocupada, mas também muito tranquila e por isso não tenho escrito muito; mas aos poucos entro no ritmo, mudo o disco e começo a dançar novamente. 

Falando de música, este fim de semana fomos a um concerto espectacular no Apolo. Para quem não sabe é uma das salas míticas de Barcelona, e também uma das melhores discotecas da cidade. 

Fomos ver uma banda que já tínhamos visto duas ou três vezes, já que o baterista é nosso amigo e o som que tocam entra no ouvido, aquece-nos o sangue e faz mover até uma pessoa com dois pés esquerdos!

Chamam-se Chameleons e consideram-se repartidores de groove. E é um facto, groove não lhes falta! 

Os concertos são cheios de energia, nota-se ao longe uma química entre os componentes da banda e isso faz com que a empatia e cumplicidade se crie naturalmente com o público. 

Com uma clara influencia de funk, soul, r&b e jazz, é impossível ficar indiferente quando os Chameleons estão em cima de um palco.

E por falar em palco, devo dizer que tocar na sala principal do Apolo, tem que ser uma emoção sem tamanho e um shot de adrenalina pura. 

Para mim enquanto espectadora, confesso que quando vejo um bom concerto nesta sala, e já vi alguns nestes quase 10 anos em Barcelona, fico com pele de galinha. 

O concerto de sábado foi um dos bons; bastante mais curto do que se desejaria, mas efectivo na medida em que nos 45 minutos que tocaram, produziram uma alegria quase eufórica, a uma sala bastante composta.

Go Chameleons!!

A ARTE DE RECEBER [o que não pode faltar no quarto de hóspedes]

Sei que já terminaram as festas e que a maior parte das pessoas já voltou à rotina, mas cá em casa o ritmo é outro.
Depois de receber os meus pais e uns amigos para as festas natalicias, recebi uma grande amiga logo no primeiro fim de semana de Janeiro. 

Cá em casa recebemos sempre muito e muita gente, é o que eu chamo de “boadição”; é uma espécie de maldição genética, mas que no fundo é uma coisa boa!  

Os meus pais também sempre foram assim, têm sempre amigos de visita ou familiares a passar temporadas.

Na verdade cresci desta forma e não só não me incomoda, como tenho todo o prazer em receber. Felizmente o H. é parecido comigo nestas coisas, e tem sempre os braços abertos para as visitas. 

É verdade que já tivemos verões em que todos se lembraram de vir ao mesmo tempo, e passámos semanas em que não estivemos sozinhos mais do que dois dias. Confesso que também pode ser cansativo e obviamente uma grande despesa; não só as contas disparam, mas quando recebemos visitas, sentimo-nos um bocadinho de férias e fazemos vida de restaurante e bar, com mais frequência do que o habitual. 

De qualquer forma, vejo o facto de receber muitas visitas, como um privilégio e um sinal de que temos muitas pessoas queridas na nossa vida. Além disso, como tenho o lema de visitar os amigos espalhados pelo mundo, o mínimo que posso fazer é receber os que cá vêm, de braços abertos. 

Nunca me vou esquecer que quando fiz aos 18 anos o interrail, ficámos amigos de 2 miúdos no comboio a caminho de Paris; e que sem perguntar (porque naquele tempo nao havia telemóveis), ofereci a casa do meu primo para eles dormirem. Chegámos a Paris e eu com a cara mais inocente do mundo disse:

-Rui, em vez de 3 somos 5!

E o meu querido primo Rui, que vive num T1 no centro da cidade, disse:

-Têm que dormir todos no chão da sala, mas onde dormem 3, dormem 5! 

E assim aprendi desde cedo que ter pouco dinheiro para viajar, não é sinónimo de que se deixe de o fazer. E também, que se tenho um tecto e um colchão, pois é bem vindo quem vier por bem! 

Com a experiencia fui melhorando as minhas técnicas para receber. Não só com as visitas que recebo, mas também com as casas onde já fui recebida. Obviamente que viver a experiencia Airbnb, como anfitriã e como hóspede foi também uma escola na arte de receber. 

Hoje em dia, quando tenho que preparar o quarto de hóspedes, há coisas que para mim são imprescindíveis. Faço uma lista, caso alguém precise de umas dicas para a próxima vez que receber visitas. 

– Cama feita de lavado e com jogo de lençóis e fronhas a condizer.

– Toalhas limpas (uma de banho e uma de rosto)

– Uma manta extra caso seja inverno

– Cabides para pendurar roupa e se possível uma gaveta disponível

– Cadeira ou Banco para sentar ou pousar coisas

– Espaço para arrumar a mala de viagem

– Uma luz de presença perto da cama

– Um espelho

– Um cesto com itens de primeira necessidade (escova e pasta de dentes, champoo, sabonetes, creme hidratante, pequenas amostras, lenços de papel, etc) 

– Jarra de água e copo

– Umas flores para alegrar o quarto (opto por flores secas, porque as flores de plástico parecem-me horríveis, e as frescas duram pouco) 

– Guias ou Mapa da cidade

Isto são apenas algumas das muitas possibilidades que há. O que não falta são detalhes que se pode ter, para tornar a estadia dos nossos convidados mais cómoda. Tudo depende muito do gosto pessoal, mas também do espaço que se tem. 

O nosso quarto de hóspedes é pequeno e além dessa função tem também outras, como por exemplo a arrumação da roupa de casa, o lugar para guardar a ventoinha, o aquecedor ou o carrinho das compras. Sim, porque isso de ter um quarto apenas para as visitas é um desperdício, há que rentabilizar o espaço para quem realmente vive na casa, que somos nós.

Por isso, procurámos alternativas para que o quarto ficasse cómodo, mas que também servisse para as outras funções que lhe damos. 

Por exemplo, não tem mesa de cabeceira, mas tem uma luz ao alcance de quem está na cama. Não tem armário, mas é possível pendurar roupa à mesma. Como quase tudo na vida, com imaginação e boa vontade dá para fazer coisas muito fixes. 

Enfim, penso que neste mês de Janeiro já não teremos mais visitas, mas melhor não falar demasiado porque hoje ainda só é dia 13!!!