•Portugal em chamas•

Este fim-de-semana foi bastante horrível. Há já muitos anos que o mundo anda horrível, em muitos sentidos, mas quando a tragédia acontece no “nosso quintal”, doí-nos de outra forma. Desta vez nem foi bem no quintal, na verdade foi dentro de casa, na vida; são famílias inteiras devastadas pelo drama. 

Não é possível escrever de outra forma, porque este incêndio arrasou não só as árvores, as casas, e tudo o que apanhou pela frente, mas foram principalmente as vidas humanas que acabaram de um momento para o outro, e foram muitas. 

Não tenho uma boa relação com a morte, lamentavelmente já me deixou sem pessoas muito queridas. Lembro-me que a primeira vez que percebi o conceito de morte, de desaparecimento para todo o sempre, foi aos 12 anos, quando o meu avô Afonso faleceu. 

Eu era miúda e tenho guardada a imagem do meu pai deitado na cama, no lusco-fusco, com um braço em cima da cara, em silêncio. No momento não compreendi a dimensão de tal fatalidade, mas senti uma tristeza estranha, desconhecida para mim até àquele momento. 

Na adolescência perdi dois amigos, com exatamente um mês de diferença, mortes inesperadas e desconcertantes. Miúdos que cresceram comigo, que tinham uma vida cheia de possibilidades e que inesperadamente um dia, já não estavam aqui. 

E em 2010 perdi o meu companheiro de trabalho, o meu amigo de todos os dias, confidente, camarada, aliado e comparsa. Mortes que nos marcam para sempre, ainda que nunca falemos delas. 

Entretanto outros vários desaparecimentos me golpearam fortemente por dentro; a minha prima Francisca, o meu primo Paulo, o meu tio Zé, as minhas queridas avós…. enfim.. 

Perder os que amamos é como se nos tirassem a sabedoria, a razão; tudo deixa de fazer sentido e de repente não sabemos absolutamente nada, não sabemos como nos comportar, o que sentir. 

Lamento sinceramente a perda de todas estas pessoas, lamento todas estas catastróficas mortes. 

Neste momento não me apetece escrever sobre culpados, razões e soluções. Este é um momento de choque, de tristeza e condolência. É momento para sermos solidários e carinhosos com aqueles que perderam alguém. 

Escrevo este post, porque se passou “no meu quintal”, porque é Portugal que chora e sofre as mortes dos seus, porque ontem ao ver as notícias caiam-me lágrimas desoladas por aquelas imagens dantescas. 

Mas na verdade, todos os dias morre gente em circunstâncias terríveis, todos os dias continuam a matar e a morrer inocentes em todas as partes do mundo; e ainda que as noticias nos informem do terror que se vive na Síria, no Mediterrâneo, em África, na Venezuela e em muitas outras partes; criámos uma carapaça que nos parece deixar imune à tristeza e à ruina. 

Mas não deixa; aqui ninguém é imune à morte, e temos que perceber que enquanto estamos vivos devemos aproveitar ao máximo e viver intensamente cada dia. Devemos verbalizar o nosso amor pelos que nos são queridos, devemos ser solidários com o próximo, compreensivos, tolerantes e abertos à diferença. Devemos ser justos e cuidadosos com os animais e com a natureza. 

Devemos ser felizes! Nascemos para isso, e ninguém sabe quando vai morrer. 

Road Trip por Portugal 

Há umas semanas atrás uma amiga alemã pediu-me dicas para fazer uma Road Trip em Portugal este verão, (mas excluindo Lisboa e Porto, que já conhece); e contemplando um bocadinho de campo e praia. Como o roteiro está em inglês, faço agora um apanhado da informação principal aqui no Blog. 

É de conhecimento geral (para quem lê o blog) que para mim fazer uma road trip é como rejuvenescer 5 anos, é o tipo de viagem que consegue misturar muita adrenalina, liberdade, conforto e independência. É voltar à adolescência e sentir novamente a leveza de fazer o que nos apetece sem pensar nas consequências, cabelos ao vento e mapa na mão, paramos onde nos der na gana e dormimos onde quisermos. Indo de carro ou de caravana, uma road trip é uma experiencia única que todos devemos fazer… várias vezes na vida!! 😝

Tracei duas rotas (ainda que haja um sem fim de possibilidades), a primeira é para atravessar Portugal de norte a sul; sabiam que também nós temos uma Route 66? Mas a nossa chama-se N2 (Estrada Nacional 2), vai de Chaves a Faro e atravessa todo o interior do país, na sua mais profunda essência. 

A segunda, e como não podia deixar de ser, é a rota de Lisboa até Lagos pela Costa Vicentina. Sou uma eterna apaixonada pelo litoral alentejano e não me canso de recomendar esta maravilhosa zona de Portugal, afinal é a minha preferida de todo o mundo mundial, e um dia quando for velhinha, é para lá que quero ir escrever as minhas memórias. 

   Rota Interior de Norte a Sul (vermelho)

Então se nos metemos num carro, carrinha, caravana, moto, bicicleta ou em qualquer outro veículo que nos permita chegar a Chaves, daí partimos em direção a Viseu. Passamos nas famosas Termas de Vidago e por Vila Real, desbravando aquela linda paisagem tão característica de Trás-os-Montes, até chegar às aguas do Douro. Atravessamos o rio no Peso da Régua e seguramente encontraremos por aí um delicioso restaurante que nos sirva um daqueles pratos de comer e chorar por mais; tudo isto com vista para as vinhas. Não é mais nem menos, um dos sítios mais bonitos de Portugal. 

Deixando o Douro para trás, entramos na zona do Dão, isto até poderia ser também uma rota do vinho, mas não é, já que supostamente temos que seguir viagem. 

Passando por Viseu, o nosso próximo destino vai ser as Aldeias de Xisto, um segredo bem guardado que embora tenha já muitos visitantes, não está nada massificado. 

São 27 pequenas aldeias distribuídas pela região centro, entre a Serra da Lousã e o Vale do Zêzere. Uma pequena maravilha onde se pode desfrutar da experiência completa, se ficarmos alojados numa daquelas pensões rurais, onde se dorme e se come melhor do que na nossa própria casa. As minhas preferidas são: Piodão, Talasnal, Casal de São Simão, Cerdeira e Covas do Monte. 

Seguimos em direção à Barragem de Montargil, onde de pequena acampava nas férias de verão e fazia atividades radicais com o Clube da Natureza.

A partir de aqui o panorama muda e depois de passar o Tejo, a paisagem florestal dá lugar às planícies alentejanas com o horizonte salpicado por velhas oliveiras e onde em Agosto seremos abraçados por um calor tórrido e seco. 

Aqui podemos escolher muitas opções para visitar; Évora, Monsaraz ou Estremoz… mas tudo com calma e tempo, que no Alentejo respira-se paz e tranquilidade. 

Descemos para Ferreira do Alentejo, passamos as Minas de Aljustrel, Almodôvar, e acabamos por entrar no Algarve e chegar a Faro. Aqui as possibilidades são múltiplas, mas se queremos escolher o melhor e fugir à massificação estrangeira, vamos até às ilhas da Ria Formosa (Armona, Farol e Culatra) e também de barco damos um pulinho à paradisíaca Ilha de Tavira. 


               

              Rota da Costa Vicentina (azul)

De manhã bem cedinho atravessamos a Ponte 25 de Abril em direção a Sesimbra, uma vila pitoresca com uma linda praia às portas da Serra da Arrábida. Seguimos caminho para Setúbal pela estrada da Serra, com uma vista de nos tirar o fôlego; e aproveitamos para parar em Azeitão para comprar um queijinho e umas garrafas de vinho para o entardecer. 
Se estiver calor, encostamos o carro na estrada e descemos até à Praia dos Coelhos ou à de Galapinhos; dizer que são paradisíacas é apenas um eufemismo. 

Almoçamos em qualquer restaurante da Av. Luisa Todi uma dose de choco frito e seguimos até ao cais dos barcos, onde pomos o carro no Ferry para Troia. Do outro lado do Sado começa a aventura, uma estrada com aspeto meio tarantino, meio mexicano; segue paralela às melhores praias selvagens de Portugal. 

Comporta, Carvalhal, Galé, Melides ou Santo André; podemos passar o dia em qualquer uma delas, porque são todas espectaculares. 

Continuamos a descer para Sines, o mais junto à costa possível e quando chegarmos a São Torpes, viramos para a estrada que entra no Parque Natural da Costa Vicentina, e seguimos até Porto Covo. 

A partir daqui podemos parar onde nos apetecer, ficar a dormir, passear, seguir viagem, abrir as janelas, ou pôr a música alta e deixar-nos levar pela energia única do litoral alentejano. 

Nesta zona tão linda de Portugal e entrando também um bocadinho pelos Algarves, podemos escolher entre Vila Nova de Mil Fontes, Cabo Sardão, Zambujeira do Mar, Praia da Amoreira, Aljezur, Praia da Arrifana, Carrapateira, Cabo de São Vicente, Sagres, Lagos; e muitas outras extraordinárias vilas e assombrosas praias, que nos vão roubar o coração. 

Ao escrever este post, entrou-me uma descomunal vontade de viajar por Portugal novamente. Quando escrevo estas dicas para os meus amigos, dou-me sempre conta, que por muito que viaje pelo mundo, por muitos paraísos que conheça, este cantinho à beira mar plantado, é definitivamente o meu paraíso.

Já está mesmo a chegar o Verão! Boas Viagens!

Bali & Gili


Às portas do verão e já com um calor abrasador aqui desde lado da península, hoje escrevo sobre Bali; chamam-lhe a Ilha dos Deuses, e eu chamo-lhe a Ilha que não sai de moda.

Aqui em Barcelona o pessoal continua a viajar ano atrás ano para este destino, como se fosse o paraíso na terra… e talvez seja mesmo! 

Se ainda não decidiram para onde ir nestas férias, aqui fica a minha sugestão! 

Fomos a Bali em 2014, e apesar de não estar na nossa “bucket list” temos um grande amigo que lá vive e já sabemos que onde temos cama e roupa lavada, há que ir sim ou sim! 

Há um fascínio qualquer à volta desta ilha, e é de facto espetacular, mas antes de falar das suas maravilhas, vou fazer uma pequena lista de algumas coisas menos boas, porque nem tudo são rosas: 

– Antes de chegar, o nosso amigo avisou-nos para levarmos 25 dólares trocados, para tratar do visto “on arrival” no aeroporto, no guia da Lonely Planet dizia 20USD; e na verdade quando chegámos lá cobraram-nos 35USD. Já se pode ver como vai a coisa na Ilha… 

– E quando fomos embora tivemos que pagar também uma taxa de saída… Sim, porque os balineses o que têm de relaxados, têm de espertalhões; e para pessoas como nós que à saída quase não tinhamos rupias, eles têm um aeroporto cheio de caixas multibanco.

– Quanto ao impressionante trânsito; (e eu que achava que já tinha visto de tudo na India), aqui é também escandalosamente caótico. Estradas estreitas, sem luz e sem passeios; muitíssimas motos em que se contam pelos dedos os ‘locais’ que usam capacetes, já para não falar que muitos são crianças com menos de 12 anos, que parece que já nasceram em cima de uma moto. 

– A comida pode ser deliciosa…ou não… muito à base de fritos e sempre com um ovo estrelado em cima; o que safa é a quantidade de peixe fresco e marisco que se encontra ao preço da “uva mijona”. 

– Apesar de ser uma ilha tropical, está completamente invadida por turistas, carros e motos. As praias mais conhecidas parecem a Vila Moura lá do burgo, massificadas por ocidentais a ver o pôr do sol, sentados em puffs a beber cocktails coloridos ou a tradicional Bintang. 

Enfim… até parece que não adorei, mas adorei! Só que infelizmente este é o preço que se paga pelo paraíso se tornar conhecido. 

Devo confessar que esta pequena lista que acabei de referir, praticamente não a vivi, contornei-a com a sorte de quem viaja a um sitio para visitar amigos que dominam o local. ❤ 

Em Bali vive o Hugo, nosso amigo francês com quem vivemos grandes histórias e aventuras em Barcelona até 2012. 
Quando chegámos ele namorava com a Puput, uma indonésia super simpática e aventureira, que mesmo sendo muçulmana, alinhava em quase tudo o que fazíamos e tinha uma mente muitíssimo aberta. Imagino que viver em Bali, a única ilha Indú das 17.500 ilhas, faz toda a diferença. 

Conhecemos um casal amigo, que também estava de visita vindos de Singapura, ele chileno e ela italiana; e juntos fomos os 6 de road trip pela ilha. Deixámos a mochila grande em casa do Hugo e com uma mais pequena montámos na moto e seguimos pela estrada fora. 

Foi uma experiência fantástica e indescritível, também porque começámos a viagem no dia 24 de Agosto, meu aniversário; mas principalmente porque saímos das estradas convencionais e turísticas, e vimos os caminhos alternativos, os templos menos conhecidos, os restaurantes locais no meio da estrada e as paisagens mais espetaculares. 

O H. teve que conduzir pela primeira vez do lado esquerdo da estrada e em caravana lá foram três motos por estradas desertas, no meio de campos de arroz, palmeiras e bananeiras; observados por macacos, lagartos, pássaros e borboletas gigantes com cores mais brilhantes que as do próprio arco-íris. 

Um dos pontos altos da viagem era subir a um vulcão e do cimo do Monte Batur ver o nascer do sol, uma das experiências mais duras e gratificantes que já tive. Metade do caminho pensei que não ia conseguir, mas desistir nunca foi uma opção (porque não dava para voltar para trás sozinha, no meio da floresta, às escuras com sombras e ruidos de animais). 😝
Uma experiência indescritível que durou 9 horas entre subir e descer, em que acabámos mergulhados nas águas quentes das termas vulcânicas, na base do monte. 

Sempre a dormir em casas locais, que de turístico tinham quase nada e de rústico tinham quase tudo. Inesquecível é um pequeno eufemismo, para descrever esta road trip em Bali. 

Foi uma sorte poder sair do roteiro turístico, e ainda que por um lado sei que quando visitamos amigos estamos um pouco limitados às escolhas que eles fazem, e ao que nos querem mostrar; tenho plena consciência que isto que vivemos em Bali, nunca o teríamos vivido se não fossemos com o Hugo. 🙏🏽😍

Depois de um par de dias de viagem pela ilha, apanhámos um barco em Padangbay para as Gili; umas ilhas paradisíacas, sem transportes motorizados, sem policia e com muita boa onda. 

Ficámos numas cabanas na Gili Air e tivemos 5 dias de relax total; dormir e acordar na praia, mergulhar para ver peixinhos e tartarugas, passear de bicicleta e pouco mais.

Nos últimos dois dias da viagem regressámos a Bali e o Hugo organizou uma festa numa luxuosa Vila em Semyñak, onde ficámos a dormir. 

 E se até àquele momento tínhamos visto o lado mais alternativo da ilha, os restaurantes onde se comia com as mãos, alguns sem wc, aldeias sem lojas, vários templos desérticos e tínhamos conseguido estar longe de toda a elite ocidental que habita em Bali… no regresso não pudemos escapar, e tenho que confessar que foi o Top do Top! 

Não sei como são as restantes ilhas da Indonésia, um dia descobrirei seguramente; mas acredito que Bali seja única. Com uma rica e artística vida cultural, danças exóticas, o espetacular mobiliário, objetos de decoração e esculturas impressionantes. Uma natureza bruta e tropical que se mistura com a tranquilidade dos arrozais e com um mar selvagem e apaixonante. 

Inicialmente não estava na nossa “bucket list”, mas depois desta experiência queremos sem dúvida voltar. 





‘David Bowie Is’ em Barcelona <3

Na proxima semana, dia 25 de Maio vai abrir ao público , no Museu de Design de Barcelona, a exposição “David Bowie Is”; e poder-se-à visitar durante três meses. 

Amigos residentes ou visitantes em Barcelona, é imperdível!!! 

Andei de olho nesta exposição desde o primeiro dia em que abriu! No verão de 2013 perdi-a em Londres, já que cheguei uma semana depois de ter acabado no Victoria and Albert Museum, onde se inaugurou inicialmente. Mas no inicio de 2016, tive a sorte de a conseguir ver em Groningen, na Holanda. E tenho que dizer que é uma das exposições mais fixes que já vi! 

Como escrevi neste POST quando o Bowie nos deixou, ouvi-o diariamente numa das fases mais importantes da minha vida, e a sua música faz parte de mim e do meu desenvolvimento como pessoa. Acho-o excentricamente extraordinário, musicalmente inspirador e sempre me pareceu muito coerente como pessoa. 

Destaca-se, nesta exposição, a sua enorme criatividade e a diversidade da sua obra. Explora-se a ligação que fazia entre a moda, a música, a arte e o design; e vê-se como a sua peculiar individualidade deixou uma forte marca na cultura contemporânea, inspirando outros artistas a desafiar as convenções e a procurar a sua forma de expressão. 

Esta exposição reúne instrumentos pessoais, vestuário original, videos, fotografias, filmes, letras manuscritas, e muitos mais objectos; que visitaram já um total de nove países. Mostra também que parcerias fez Bowie ao longo da sua carreira e que influências sofreu. 

Pode-se apreciar os seus processos de criação e reinvenção ao longo de cinco décadas, vendo as mudanças estético-culturais que fizeram com que sempre se mantivesse um símbolo e uma referência no mundo artístico. 

“David Bowie Is” é também uma experiência audiovisual extraordinária, porque usa tecnologia multimédia de alto nível; e durante todo o percurso vamos ouvindo histórias, explicações, excertos de conversas, músicas e filmes, videos e imagens que são um deleite para os nossos sentidos.

Os bilhetes para ver a retrospectiva da vida de Bowie já estão à venda, AQUI e AQUI. Custam 14,90€ (entrada normal de 2a-6a.feira) e 17,90€ ao fim de semana, a entrada reduzida custa 9,90€. 

A entrada para esta exposição dá um desconto de 50% no bilhete para o Museu de Design e acesso gratuito ao Museu da Música. 

Recomendo a 100% e para quem não vive aqui, mas está à procura de uma cidade fantástica para passar uns dias este verão; pois Barcelona “is the place to be”, agora também, por terem durante três meses a oportunidade de ver a exposição sobre a vida de um dos ícones musicais do século XX. 

Temporada de ‘Calçots’

Todos os países têm as suas tradições, muitas são conhecidas internacionalmente, outras nem tanto. Às vezes só quando se vive num determinado local e se convive com as pessoas da terra, é que se tem contacto com o que é realmente tradicional. Isso também nos ajuda a conhecer e a compreender um povo, os seus hábitos e costumes. 

Hoje escrevo sobre os ‘calçots’, uma tradição catalã cuja temporada alta é neste preciso momento e que nós, todos os anos, fazemos questão de fazer. Em bom português pode parecer apenas uma cebola assada no fogareiro, mas na realidade é muito mais que isso. 

De uma forma especial de cultivar a cebola (cebola tardia de Lérida), deriva o nome calçot, uma vez que se vai adicionando terra à base, para que a cebola tenha que se alargar ao subir em busca da luz. Este processo chama-se em catalão “calçar” e repete-se duas a três vezes durante o cultivo, até que se consiga que o talo branco fique suficientemente comprido (entre 15 a 25 centímetros). 
A temporada de calçotes é entre Novembro e Abril, mas o seu auge é a partir do último domingo de Janeiro, momento em que se celebra a ‘Fiesta de la Calçotada’ em Valls – em Tarragona. 
É sem dúvida um dos pratos típicos da cozinha catalã, e também uma das festas gastronómicas mais interessantes que conheço. 

As calçotadas fazem-se nas ruas, nos bairros, entre grupos de amigos ou de vizinhos e sempre com muita alegria. É muito mais do que um almoço, é uma celebração cheia de detalhes. 

A primeira vez que comi foi em 2008, em Colomers, na casa da minha querida amiga Magali. Uma catalã de coração, independentista convicta que contraria o estereótipo  dos catalães, já que é uma das pessoas mais sociáveis e comunicativas que conheço e que adora misturar-se com diferentes culturas. 

Numa Catalunha profunda, onde praticamente se fala apenas catalão, passámos um maravilhoso fim de semana de inverno, com a lareira acesa, calçotes e butifarra, um porrón sempre cheio de vinho, grandes amigos e boas conversas. Para mim, isto é que é uma boa calçotada! 

Hoje em dia para comer calçotes continuamos a juntar-nos com amigos que vivem no campo e podem assar calçotes no quintal, ou às vezes a empresa onde trabalha o H.  organiza um sábado e oferece uma grande calçotada a todos os trabalhadores. 

Mas quase sempre comemos também os calçotes em restaurantes; vários têm menus de calçotada, e entre 25€ e 40€ recebe-se uma telha com 25 calçotes, pão com tomate, carne à brasa, vinho, sangria ou água, sobremesa e café. 

A particularidade dos calçotes é que se cozinham com fogo alto, utilizando a cepa da videira para assar. Quando a primeira capa está completamente queimada, envolvem-se em papel de jornal, para acabar de cozer no seu próprio calor. 

Têm um sabor ligeiramente adocicado e acompanham-se com um molho feito de tomate, amêndoas, azeite, pimento e avelãs (molho romesco). 

Depois dos calçotes, serve-se normalmente uma parrilhada de carne e butifarras (a salsicha tipica catalã), com batatas assadas na brasa (al caliu), alcachofras e molho ali i oli (uma espécie de maionese de alho). 

Comê-los é todo um ritual, com luvas e babete, queixo ao alto, de cima para baixo e  muita risota pelo meio. 

Recomendo a todos os que visitarem a Catalunha no início io da primavera, a procurarem um sítio para degustarem este prato e viverem a verdadeira experiência catalã. 

Quente&Frio de Chia e Morangos [o papel de uma sobremesa]

O açúcar é um veneno! 

Desde pequena que oiço esta frase, e ainda que os meus pais tentassem moderar o consumo de açúcar lá em casa, não conseguiram evitar que as duas filhas fossem super gulosas. 

Lembro-me que a minha mãe não gostava que comêssemos bolos e doces de pastelaria, então sempre fez ela própria os petiscos e guloseimas para nos tentar dissuadir; e também porque na nossa mesa nunca faltou um bolo aos fins-de-semana, aprendemos desde cedo que é possível fazer todo o tipo de doces em casa. Criámos ambas uma íntima relação com a cozinha, porque isso de comprar feito, para nós nunca existiu!

Está claro que para a cozinha é preciso disponibilidade e gosto, fazer só por fazer ou fazer por obrigação, não dá o mesmo prazer, nem faz com que o produto final saia da mesma forma.

A sobremesa é a cereja no topo do bolo de qualquer refeição, e mesmo que esta não seja brilhante, se acaba com um doce delicioso, o triunfo é garantido. Hoje em dia há tantas alternativas saudáveis, que praticamente nem é preciso usar o açúcar para conseguir uma sobremesa formidável.

Como já escrevi antes, receber amigos em casa e principalmente à mesa é uma arte e requer alguns cuidados. Para atingir a perfeição há que encontrar um equilíbrio e a perfeita combinação dos pratos que são servidos. 

Por exemplo, uma sobremesa demasiado doce depois de uma comida farta e pesada, pode não cair bem; mas o contrário sim que funciona. 

Eu quando sirvo uma refeição leve e pouco calórica, tento fazer uma sobremesa mais forte e corpulenta, como por exemplo um Trifle; uma mistura de bolo, frutas, mousse de chocolate e chantilly. 

Ou se faço uma entrada com massa folhada, como o pastel de camembert com compota de alperce e pimenta; nunca sirvo uma sobremesa do mesmo género, tipo uma tarte de maça ou um mil folhas de frutos do bosque. 

 Se a salada é de agriões e morangos, a sobremesa já não levará frutos vermelhos; se o prato principal leva molho branco, a sobremesa não deverá ser leite-creme…. E estes são apenas alguns exemplos de combinações que não funcionam e que podem arruinar a lembrança de uma refeição que poderia ter sido, no mínimo, apetitosa.

Esta sobremesa que hoje partilho é apropriada para todas as estações, mas é especialmente boa para finalizar as típicas refeições invernosas, encorpadas e muitas vezes indigestas. A chia ajuda à digestão, o leite de amêndoa já é adocicado por natureza e a combinação de morangos com as sementes dá, a esta sublime sobremesa, um toque aromático e exótico.

Receita para 2 porções:

1/2 chávena de sementes de chia

2 chávenas de leite de amêndoa

2 c. de chá de mel

1 Taça de morangos

1 cálice de Moscatel ou Vinho do Porto para aromatizar os morangos

1 c. de chá de canela em pó

1 c. de chá de sementes de sésamo caramelizadas, cacau e coco (estas sementes da Ecoriginal são uma combinação excêntrica e atrevida, que transforma esta sobremesa numa explosão de alegria para o paladar. São vendidas pelos amigos da Qüi Barcelona, uma inovadora marca de gelados. 

Como fazer:

Com pelo menos 12 horas de antecedência (na noite anterior), junto num recipiente o leite, o mel e as sementes de chia. Mexo bem e ponho no frigorífico até ao momento de montar a sobremesa. Durante este tempo de repouso as sementes absorvem o líquido e ganham uma textura gelatinosa.

No dia seguinte faço uma calda de morangos (sem açúcar); corto os morangos aos pedaços e ponho numa panelinha com um cálice de moscatel, vou mexendo até criar uma consistência cremosa. No final ponho a canela e as sementes e deixo levantar fervura.

Retiro do lume e deito por cima de cada recipiente (neste caso utilizei uns frascos que tinha sem tampa, do mercado “All those”; há que reciclar o que temos em casa! 😉

A diferença de temperatura faz com que a consistência glutinosa da chia fique mais parecida à de uma mousse e transforma esta sobremesa tão simples num requintado quente & frio. 

Contagem decrescente!  [como organizo as minhas viagens] 

Sou naturalmente uma pessoa organizada e inevitavelmente também 100% organizadora. 

Está-me no sangue e não posso evitar; desde miúda que sempre gostei de inventar, pesquisar, descobrir e explorar o desconhecido. Ver até onde posso ir, até onde tenho capacidade de criar. 

Hoje em dia está tudo facilitado com o uso da internet, só não faz quem não quer. Pode-se aprender a tocar um instrumento vendo vídeos no youtube, aprender a cozinhar, fazer trabalhos manuais, falar novas línguas ou ter acesso a todo o tipo de informação relacionada com quase tudo. Viva a Internet!! 

E está claro que organizar uma viagem tornou-se também algo bastante simples de fazer. É apenas preciso curiosidade, dedicação e muita paciência; mas tudo o resto está on-line, é só procurar! 

Acho que uma das coisas mais importantes para organizar uma viagem, é ouvir as dicas de quem já lá esteve, é aprender com os erros dos outros e aproveitar a sabedoria das boas experiências. 
Todos temos amigos que já visitaram sítios onde queremos ir e esses são sempre os nossos melhores conselheiros. 

Recordo-me que quando fomos à India, pedimos sugestões a vários amigos (que nem se conhecem entre si) e houve um sítio que nos foi recomendado por três pessoas diferentes (uma portuguesa, um catalão e um israelita), o que obviamente despertou a nossa curiosidade: Hampi, uma “pequena” cidade no meio de Karnataka… Posso apenas dizer que incluí-la na nossa viagem foi uma das nossas melhores decisões. 

Se por acaso não temos a sorte de ter acesso a informação mais personalizada, há muitíssimos blogs de viagens que nos ajudam a ter uma visão mais clara sobre os destinos, depois basta cruzar tudo o que lemos e decidir onde queremos ir. No final deste post indico alguns blogs de viagens que costumo ler e que têm sempre boas dicas para os viajantes. 

Eu leio basicamente para aprender sobre os sítios onde quero ir e conhecer a perspectiva de pessoas de todo o mundo que já lá estiveram; mas também para decidir as coisas práticas da viagem: onde dormir, que transportes utilizar, alguma recomendação gastronómica ou algum conselho importante. 

O primeiro passo, depois de decidir o destino da viagem é começar a procurar  voos, para isso uso normalmente duas páginas: Skyscanner e Vuelos Baratos

Segundo passo é comprar o Guia da Lonely Planet, que passa a ser o meu livro de cabeceira durante os meses que faltam até à viagem. (este ano foi presente dos meus pais) 😍

Começa então a conta-atrás e muito que organizar!! 

Já passou um mês desde que comprámos os bilhetes para o Vietnam e já perdi a conta do número de blogs que li até agora, das vezes que olhei para o mapa e para o calendário para organizar os dias. Já mudámos o itinerário duas ou três vezes, já juntámos outro país à viagem e calculámos gastos para diferentes possibilidades.

Pode-se viajar de forma muitíssimo barata pelo sudeste asiático, mas quando já não se tem 20 anos, há algumas situações que para mim ficam automaticamente excluídas, e dormir mal é uma delas. 
Uso o Tripadvisor e o Booking para encontrar alojamento – sempre um quarto duplo com wc privado (nem sempre reservo, mas recolho alternativas que junto à informação do Lonely Planet, para mais tarde decidir). O pequeno-almoço incluído não é imprescindível (porque na Asia a comida é ridiculamente barata); mas um bom colchão sim que o é. 

Depois de carregar uma mochila durante várias horas, subir a comboios, motos e táxis, caminhar quilómetros a visitar cidades, é muito importante que o sítio onde vamos dormir seja confortável e limpo. 

Continuo a viajar de mochila e penso que assim continuarei durante muitos e longos anos, é a forma mais cómoda e simples de viajar. Mas sobre a mochila e o que levar na viagem, escrevo noutro dia. 

Quando já tenho o roteiro definido (que pode ser sempre alterado a qualquer momento) começo a ver formas de nos deslocarmos; como sou apaixonada por viagens de comboio, essa é sempre a minha primeira opção. Recomendo o site: Seat 61, que tem informação sobre os horários de vários países, tipos de comboio, e várias opções e comentários. É sem duvida o mais completo de todos. 

Se ao princípio leio sobre tudo, a cultura, a historia ou a gastronomia; com o passar do tempo vou restringindo a pesquisa apenas aos locais onde vamos, em busca daquele sítio especial que nos apaixonará quando lá estivermos. Aquele restaurante típico, o miradouro perfeito para ver o pôr-do-sol, ou aquela experiência imperdível. 

Normalmente tenho apenas 3 semanas para viajar e nunca tenho tempo para ver tudo o que gostaria, por isso tento organizar algumas coisas o melhor que posso, para que quando esteja em viagem, me possa deixar levar pelo imprevisto e desfrutar dos momentos surpresa, que são o que realmente dá chispa a viagem.

Uma das últimas coisas que faço antes de partir é procurar um seguro; já usámos o  Worldnomads em duas viagens e a verdade é que correu tudo bem e não precisámos de o ativar; mas é o mais recomendado por vários viajantes e blogs e parece-me que em relação a coberturas e preço está bastante bem. 

Este ano comprámos a voo já com seguro de viagem, o que também é uma opção interessante. Quando se viaja para o outro lado do mundo, com uma mochila e um guia na mão, o mínimo que podemos levar é um bom seguro, para o caso de ficarmos gravemente doentes ou precisarmos de ser recambiados com urgência para casa. 

Neste momento estou na fase de pesquisa, de investigar e descobrir tudo o que os países que vamos visitar têm para nos oferecer. É uma das minhas partes preferidas e posso dizer que o facto de ter já uma ideia geral do destino, não anula o espanto nem reduz o assombro quando lá chego. 

Penso que viajar é o fundamental, independentemente da forma como cada um o faça. Eu prefiro viajar ”por minha conta”, sem guias nem agências e com bastante flexibilidade. Prefiro ter eu todo o prazer de investigar e decidir o onde e o quando da minha viagem. Isto de viajar com a mochila às costas é algo que não tem explicação, transforma-se num vício que nos provoca uma felicidade absoluta, e quanto mais vemos, mais queremos ver.  

😍✈️

*Estes blogs têm sempre alguma informação interessante ou alguma dica especial. São viajantes que andam pelo mundo e escrevem o que realmente sentem. 

http://dontforgettomove.com/&nbsp;

http://www.myguiadeviajes.com/&nbsp;

http://www.wanderloveworld.com/&nbsp;

http://www.mochileandoporelmundo.com/&nbsp;

http://www.hastaprontocatalina.com/&nbsp;

http://marcandoelpolo.com/&nbsp;

*Também recomendo: 

Wikitravel: Informação sobre os países e dicas de viagem.

Visa HQ: información sobre vistos 

Air Asia: a melhor companhia para viajar pela Asia. 

Falafel 100% Saudável

Cá em casa tentamos cada vez mais arranjar alternativas para as nossas refeições. Tentamos comer bem, de forma equilibrada e variada, mas também original. Aborreço-me se como sempre as mesmas coisas, nos mesmos formatos. 

Durante muitos anos, em Portugal, o grão-de-bico era básicamente usado como uma guarnição; acompanhava o bacalhau cozido, fazia-se salada com atum, em algumas zonas do país sopa de grão, e uns quantos pratos mais. Só mais recentemente começou a ser um alimento de destaque nas refeições. 

Eu considero-o primordial para uma nutrição equilibrada, já que é um alimento que fornece energia sem provocar picos de insulina no sangue;  tem minerais como o magnésio, cobre e ferro; vitaminas e ainda ácido fólico. Muito importante também, é que o grão-de-bico além de reforçar as nossas defesas, diminui os níveis de cortisol; que é a hormona relacionada com os comportamentos compulsivos a nível alimentar e com a acumulação de gordura na região abdominal.

Possui também fibras que nos ajudam a saciar com mais facilidade, mas é a proteína que faz desta leguminosa uma boa escolha para o menu do dia a dia, pois tem o nutriente responsável pela manutenção dos nossos músculos. 

Apesar de ser muitas vezes considerada uma proteína incompleta, por ser de origem vegetal; se misturarmos o grão com um cereal, como por exemplo o arroz, teremos uma combinação de aminoácidos essenciais muito próximos à proteína da carne. 

Porque é tão espectacular este alimento, hoje partilho uma receita de Falafel 100% saudável. 

Aqui em casa comemos às refeições, mas também como snack ou entrada. Pode-se acompanhar com um molho caseiro, tipo ali-oli ou tzatziki, que faz a combinação perfeita. O que eu mais adoro nesta receita, é que não se frita, cozinha-se no forno. 

Falafel  100% Saudável 

500 grm de grão de bico seco

3 dentes de alho

2 cebolas médias

3 colheres de sopa de azeite

Um punhado de folhas de hortelã

Um punhado de coentros frescos (usei os da nossa horta) 😍👌🏽

Cominhos qb

Pimenta qb

Noz-moscada qb

Sal qb 

Deixo o grão demolhado em bastante água, de um dia para o outro (mínimo 24h) . 

Junto todos os ingredientes cortadinhos numa taça e passo a varinha mágica até obter uma pasta uniforme. 

Desta vez usei a “técnica do pastel de bacalhau” para moldar o falafel; com duas colheres de sopa, e o resultado foi o que se pode ver nas fotos.

Põem-se num tabuleiro com papel vegetal a 200 graus no forno, durante 30 minutos e estão prontos a comer. 

*Eu uso a varinha mágica para triturar os ingredientes, mas quem tem outro tipo de máquina, tipo 123 ou bimby ou qualquer outro processador de alimentos, pode usar também.

*Esta receita é rápida e fácil, não utiliza produtos de origem animal, nem nenhum tipo de farinha, e pode-se congelar. 

*Estas quantidades deram para cerca de 60 pasteis de falafel. 

Recomendo 100%


Livros de memórias [Fotográficas]

Em 2014 quando casei, os nossos queridos amigos Sébastien e Bernard, ofereceram-nos um livro com as fotografias do nosso casamento. Foi uma prenda surpresa, recebida alguns meses depois e completamente inesperada. (essas são sempre as que têm um gostinho ainda mais especial!)
Nesse momento vimos aquelas fotos pela primeira vez, vimos o nosso casamento de uma perspectiva completamente diferente, com o cunho pessoal dos nossos amigos e que refletia o quão radiantes estavamos todos. Pudemos reviver cada momento naquelas fotos, mesmo aqueles onde não estivemos, e sentimos novamente a energia inexplicável daquele dia.    

Está claro que todos os casamentos são especiais, uns mais tradicionais, outros menos e cada um dentro de um estilo de acordo com as personalidades ou com as possibilidades dos noivos. Casar é uma daquelas situações únicas e nós conseguimos que o nosso casamento fosse também, uma experiencia única para os nossos convidados. 

Por isso, temos sempre à mão esse livro e é um daqueles que roda pela mesa quando há jantaradas lá em casa. Contamos histórias e relembramos os momentos com os que lá estiveram e também com os que não; e confesso que é sempre um dos momentos bonitos da noite e eu nunca me canso de ver aquelas fotos. 

É inegável que o formato digital veio-nos facilitar a vida, não só na poupança de dinheiro, porque deixámos de gastar um montão de euros em revelações; mas também porque se não gostamos da foto, apagamos e sacamos outra. Podemos tirar fotos até ao limite do cartão de memória, e já não precisamos de andar com não sei quantos rolos a ocupar espaço na mala. 

Mas como tudo na vida, tem o outro lado; aquele que faz com que descarreguemos as fotos para um computador ou disco-externo e nunca mais voltemos a olhar para elas. Já para não falar no perigo que é se um destes equipamentos avaria, lá se vão todas as fotografias. 

Sempre adorei fotografias, sempre fui a que levava a máquina e tenho fotos de todas as férias, todos os acampamentos, excursões, viagens, de todos os jantares, aniversários, etc. Tenho em casa dos meus pais, gavetas cheias de álbuns 10×15 da Kodak. 

A paixão por eternizar os momentos, por reter as imagens e guardá-las para um dia mais tarde recordar, o digital não me tirou. Continuo a sacar imensas fotos e sempre fiz questão de ter uma boa máquina fotográfica, mesmo quando parece que com um telemovel e 2 ou 3 filtros podemos fazer milagres. 

No final do ano passado uma amiga deu-me a dica sobre o site BLURB, é uma página estado-unidense de auto- publicação, que permite aos usuários criarem, publicarem, promoverem e venderem on-line os seus próprios livros. A página oferece ferramentas “user-friendly”, que substituem as mais básicas habilidades digitais e fazem com que até o mais inapto possa criar um livro, com uma excelente qualidade de impressão. 

Comecei então a criar livros com as fotografias das nossas viagens, e ontem à noite chegou mais um; desta vez da Grécia. Estes livros têm para mim uma função muito importante, que é a de não deixar esquecidos lugares onde fui e histórias que vivi. 

Além de que nos obriga a rever as centenas de gigas que temos, a organizar as imagens; apagar o que é repetido e selecionar apenas as fotografias que nos dizem algo especial. 

E a cereja no topo do bolo, é que é uma forma espetacular de mostrar aos nossos amigos e familiares as nossas aventuras pelo mundo e de, sempre que a saudade aperta e entra aquela vontade incontrolável de pôr uma mochila às costas, possamos desfolhar os livros e voltar a viver aqueles momentos. 

Wanderlust em 2017! 

Como já é de conhecimento geral, uma das coisas que mais me dá prazer na vida é ver o mundo. Viajar e descobrir locais pela primeira vez, conhecer novos povos, hábitos, costumes e realidades. 

Se gosto, se está perto e é acessível, posso repetir vezes sem conta; caso contrário fica na memória e tomo nota que um dia quero voltar aquele sítio onde já fui tão feliz. 

Tenho inúmeros exemplos: mas posso resumir que na Europa a minha cidade de referência é Londres, passei lá várias temporadas, umas mais longas e outras mais curtas, mas sempre que posso volto e mato saudades. 

Fora da Europa há locais onde voltarei um dia, não sei quando, mas um dia seguramente voltarei a Varanasí, aos Templos de AngKor e a São Paulo; três dos sítios que mais me marcaram. Se posso voltarei a muitos mais; mas a limitação de tempo e dinheiro e a flutuação do nível das prioridades na vida, provavelmente farão com que não volte a muitos dos locais onde já estive. 

Há uns tempos, numa das muitas e deliciosas conversas que tenho com o meu pai sobre o mundo e a vida, ele disse-me algo em que eu nunca tinha pensado. Falávamos de viagens e das enormes ganas que eu tenho de comer o mundo; e ele, que teve a sorte de poder viajar por vários países quando era mais novo, disse-me que agora olha para trás e percebe que nem sempre se trata de prioridades, de ter que eleger ou de fazer escolhas; às vezes simplesmente não depende só de nós. 

Há locais onde ele não foi e que neste momento já nem existem, há países que foram destruídos pela guerra, por catástrofes naturais; e o facto de não ter ido a tempo não dependeu dele, mas sim das circunstâncias. 
Os meus pais cresceram em Africa; e a Africa onde eles cresceram, eu nunca vou conhecer; a quantidade de animais selvagens que eles viram no seu habitat, eu nunca vou ver. A história, o tempo e a mão do Homem, encarregam-se de acabar com cenários que não têm como voltar a existir. 

Neste momento penso em todo o médio oriente, em todos os países árabes que gostava de visitar e onde agora mesmo me sentirei insegura se lá for. Não sei quando verei as pirâmides do Egipto, quando visitarei Petra, ou até mesmo Istambul…
Às vezes tenho pena por não ter o tempo ou o dinheiro para poder viajar constantemente, mas mesmo que o tivesse, há sempre uma escolha a fazer e há sempre circunstâncias alheias à nossa vontade que nos impedem de fazer o que gostaríamos. 

Este ano estávamos bastante indecisos quanto ao destino da nossa viagem; eu tinha claro que gostava de voltar à Asia, mas sei que temos pendente as Américas há muito tempo, e lamentavelmente parece que assim continuará. 

Para mim, uma das coisas mais divertidas e interessantes de viajar é poder comunicar com as pessoas, é tentar entender como pensam e como funcionam as sociedades. Muitas vezes é difícil porque o facto de não falarmos a mesma língua limita o nível de entendimento, claro que a comunicação é sempre possível, nem que seja por mímica; mas quando se fala a mesma língua abre-se um mundo de oportunidades e experiências. 

Há quase 10 anos que falo castelhano e tenho em mim uma grande pena por ainda não ter ido a nenhum país hispânico, onde me possa misturar com a gente e partilhar a sua cultura. Mas sei que essa viagem chegará… já faltou mais! 

Este ano voltaremos à Asia porque a temos no coração, porque é pacífico e fácil de viajar, porque é bonito e barato e porque apesar de ser tão diferente da Europa, sentimo-nos em casa, cómodos e bem-vindos. 
Estávamos entre o Japão e o Vietnam e decidimo-nos pelo último depois de fazer contas à vida; o país do sol nascente ficará para outra altura. 

Num próximo post, porque este já vai longo, escrevo sobre o porquê de querer visitar o Vietnam e como estamos a organizar a nossa viagem de 2017.