Road Trip por Portugal 

Há umas semanas atrás uma amiga alemã pediu-me dicas para fazer uma Road Trip em Portugal este verão, (mas excluindo Lisboa e Porto, que já conhece); e contemplando um bocadinho de campo e praia. Como o roteiro está em inglês, faço agora um apanhado da informação principal aqui no Blog. 

É de conhecimento geral (para quem lê o blog) que para mim fazer uma road trip é como rejuvenescer 5 anos, é o tipo de viagem que consegue misturar muita adrenalina, liberdade, conforto e independência. É voltar à adolescência e sentir novamente a leveza de fazer o que nos apetece sem pensar nas consequências, cabelos ao vento e mapa na mão, paramos onde nos der na gana e dormimos onde quisermos. Indo de carro ou de caravana, uma road trip é uma experiencia única que todos devemos fazer… várias vezes na vida!! 😝

Tracei duas rotas (ainda que haja um sem fim de possibilidades), a primeira é para atravessar Portugal de norte a sul; sabiam que também nós temos uma Route 66? Mas a nossa chama-se N2 (Estrada Nacional 2), vai de Chaves a Faro e atravessa todo o interior do país, na sua mais profunda essência. 

A segunda, e como não podia deixar de ser, é a rota de Lisboa até Lagos pela Costa Vicentina. Sou uma eterna apaixonada pelo litoral alentejano e não me canso de recomendar esta maravilhosa zona de Portugal, afinal é a minha preferida de todo o mundo mundial, e um dia quando for velhinha, é para lá que quero ir escrever as minhas memórias. 

   Rota Interior de Norte a Sul (vermelho)

Então se nos metemos num carro, carrinha, caravana, moto, bicicleta ou em qualquer outro veículo que nos permita chegar a Chaves, daí partimos em direção a Viseu. Passamos nas famosas Termas de Vidago e por Vila Real, desbravando aquela linda paisagem tão característica de Trás-os-Montes, até chegar às aguas do Douro. Atravessamos o rio no Peso da Régua e seguramente encontraremos por aí um delicioso restaurante que nos sirva um daqueles pratos de comer e chorar por mais; tudo isto com vista para as vinhas. Não é mais nem menos, um dos sítios mais bonitos de Portugal. 

Deixando o Douro para trás, entramos na zona do Dão, isto até poderia ser também uma rota do vinho, mas não é, já que supostamente temos que seguir viagem. 

Passando por Viseu, o nosso próximo destino vai ser as Aldeias de Xisto, um segredo bem guardado que embora tenha já muitos visitantes, não está nada massificado. 

São 27 pequenas aldeias distribuídas pela região centro, entre a Serra da Lousã e o Vale do Zêzere. Uma pequena maravilha onde se pode desfrutar da experiência completa, se ficarmos alojados numa daquelas pensões rurais, onde se dorme e se come melhor do que na nossa própria casa. As minhas preferidas são: Piodão, Talasnal, Casal de São Simão, Cerdeira e Covas do Monte. 

Seguimos em direção à Barragem de Montargil, onde de pequena acampava nas férias de verão e fazia atividades radicais com o Clube da Natureza.

A partir de aqui o panorama muda e depois de passar o Tejo, a paisagem florestal dá lugar às planícies alentejanas com o horizonte salpicado por velhas oliveiras e onde em Agosto seremos abraçados por um calor tórrido e seco. 

Aqui podemos escolher muitas opções para visitar; Évora, Monsaraz ou Estremoz… mas tudo com calma e tempo, que no Alentejo respira-se paz e tranquilidade. 

Descemos para Ferreira do Alentejo, passamos as Minas de Aljustrel, Almodôvar, e acabamos por entrar no Algarve e chegar a Faro. Aqui as possibilidades são múltiplas, mas se queremos escolher o melhor e fugir à massificação estrangeira, vamos até às ilhas da Ria Formosa (Armona, Farol e Culatra) e também de barco damos um pulinho à paradisíaca Ilha de Tavira. 


               

              Rota da Costa Vicentina (azul)

De manhã bem cedinho atravessamos a Ponte 25 de Abril em direção a Sesimbra, uma vila pitoresca com uma linda praia às portas da Serra da Arrábida. Seguimos caminho para Setúbal pela estrada da Serra, com uma vista de nos tirar o fôlego; e aproveitamos para parar em Azeitão para comprar um queijinho e umas garrafas de vinho para o entardecer. 
Se estiver calor, encostamos o carro na estrada e descemos até à Praia dos Coelhos ou à de Galapinhos; dizer que são paradisíacas é apenas um eufemismo. 

Almoçamos em qualquer restaurante da Av. Luisa Todi uma dose de choco frito e seguimos até ao cais dos barcos, onde pomos o carro no Ferry para Troia. Do outro lado do Sado começa a aventura, uma estrada com aspeto meio tarantino, meio mexicano; segue paralela às melhores praias selvagens de Portugal. 

Comporta, Carvalhal, Galé, Melides ou Santo André; podemos passar o dia em qualquer uma delas, porque são todas espectaculares. 

Continuamos a descer para Sines, o mais junto à costa possível e quando chegarmos a São Torpes, viramos para a estrada que entra no Parque Natural da Costa Vicentina, e seguimos até Porto Covo. 

A partir daqui podemos parar onde nos apetecer, ficar a dormir, passear, seguir viagem, abrir as janelas, ou pôr a música alta e deixar-nos levar pela energia única do litoral alentejano. 

Nesta zona tão linda de Portugal e entrando também um bocadinho pelos Algarves, podemos escolher entre Vila Nova de Mil Fontes, Cabo Sardão, Zambujeira do Mar, Praia da Amoreira, Aljezur, Praia da Arrifana, Carrapateira, Cabo de São Vicente, Sagres, Lagos; e muitas outras extraordinárias vilas e assombrosas praias, que nos vão roubar o coração. 

Ao escrever este post, entrou-me uma descomunal vontade de viajar por Portugal novamente. Quando escrevo estas dicas para os meus amigos, dou-me sempre conta, que por muito que viaje pelo mundo, por muitos paraísos que conheça, este cantinho à beira mar plantado, é definitivamente o meu paraíso.

Já está mesmo a chegar o Verão! Boas Viagens!

Bali & Gili


Às portas do verão e já com um calor abrasador aqui desde lado da península, hoje escrevo sobre Bali; chamam-lhe a Ilha dos Deuses, e eu chamo-lhe a Ilha que não sai de moda.

Aqui em Barcelona o pessoal continua a viajar ano atrás ano para este destino, como se fosse o paraíso na terra… e talvez seja mesmo! 

Se ainda não decidiram para onde ir nestas férias, aqui fica a minha sugestão! 

Fomos a Bali em 2014, e apesar de não estar na nossa “bucket list” temos um grande amigo que lá vive e já sabemos que onde temos cama e roupa lavada, há que ir sim ou sim! 

Há um fascínio qualquer à volta desta ilha, e é de facto espetacular, mas antes de falar das suas maravilhas, vou fazer uma pequena lista de algumas coisas menos boas, porque nem tudo são rosas: 

– Antes de chegar, o nosso amigo avisou-nos para levarmos 25 dólares trocados, para tratar do visto “on arrival” no aeroporto, no guia da Lonely Planet dizia 20USD; e na verdade quando chegámos lá cobraram-nos 35USD. Já se pode ver como vai a coisa na Ilha… 

– E quando fomos embora tivemos que pagar também uma taxa de saída… Sim, porque os balineses o que têm de relaxados, têm de espertalhões; e para pessoas como nós que à saída quase não tinhamos rupias, eles têm um aeroporto cheio de caixas multibanco.

– Quanto ao impressionante trânsito; (e eu que achava que já tinha visto de tudo na India), aqui é também escandalosamente caótico. Estradas estreitas, sem luz e sem passeios; muitíssimas motos em que se contam pelos dedos os ‘locais’ que usam capacetes, já para não falar que muitos são crianças com menos de 12 anos, que parece que já nasceram em cima de uma moto. 

– A comida pode ser deliciosa…ou não… muito à base de fritos e sempre com um ovo estrelado em cima; o que safa é a quantidade de peixe fresco e marisco que se encontra ao preço da “uva mijona”. 

– Apesar de ser uma ilha tropical, está completamente invadida por turistas, carros e motos. As praias mais conhecidas parecem a Vila Moura lá do burgo, massificadas por ocidentais a ver o pôr do sol, sentados em puffs a beber cocktails coloridos ou a tradicional Bintang. 

Enfim… até parece que não adorei, mas adorei! Só que infelizmente este é o preço que se paga pelo paraíso se tornar conhecido. 

Devo confessar que esta pequena lista que acabei de referir, praticamente não a vivi, contornei-a com a sorte de quem viaja a um sitio para visitar amigos que dominam o local. ❤ 

Em Bali vive o Hugo, nosso amigo francês com quem vivemos grandes histórias e aventuras em Barcelona até 2012. 
Quando chegámos ele namorava com a Puput, uma indonésia super simpática e aventureira, que mesmo sendo muçulmana, alinhava em quase tudo o que fazíamos e tinha uma mente muitíssimo aberta. Imagino que viver em Bali, a única ilha Indú das 17.500 ilhas, faz toda a diferença. 

Conhecemos um casal amigo, que também estava de visita vindos de Singapura, ele chileno e ela italiana; e juntos fomos os 6 de road trip pela ilha. Deixámos a mochila grande em casa do Hugo e com uma mais pequena montámos na moto e seguimos pela estrada fora. 

Foi uma experiência fantástica e indescritível, também porque começámos a viagem no dia 24 de Agosto, meu aniversário; mas principalmente porque saímos das estradas convencionais e turísticas, e vimos os caminhos alternativos, os templos menos conhecidos, os restaurantes locais no meio da estrada e as paisagens mais espetaculares. 

O H. teve que conduzir pela primeira vez do lado esquerdo da estrada e em caravana lá foram três motos por estradas desertas, no meio de campos de arroz, palmeiras e bananeiras; observados por macacos, lagartos, pássaros e borboletas gigantes com cores mais brilhantes que as do próprio arco-íris. 

Um dos pontos altos da viagem era subir a um vulcão e do cimo do Monte Batur ver o nascer do sol, uma das experiências mais duras e gratificantes que já tive. Metade do caminho pensei que não ia conseguir, mas desistir nunca foi uma opção (porque não dava para voltar para trás sozinha, no meio da floresta, às escuras com sombras e ruidos de animais). 😝
Uma experiência indescritível que durou 9 horas entre subir e descer, em que acabámos mergulhados nas águas quentes das termas vulcânicas, na base do monte. 

Sempre a dormir em casas locais, que de turístico tinham quase nada e de rústico tinham quase tudo. Inesquecível é um pequeno eufemismo, para descrever esta road trip em Bali. 

Foi uma sorte poder sair do roteiro turístico, e ainda que por um lado sei que quando visitamos amigos estamos um pouco limitados às escolhas que eles fazem, e ao que nos querem mostrar; tenho plena consciência que isto que vivemos em Bali, nunca o teríamos vivido se não fossemos com o Hugo. 🙏🏽😍

Depois de um par de dias de viagem pela ilha, apanhámos um barco em Padangbay para as Gili; umas ilhas paradisíacas, sem transportes motorizados, sem policia e com muita boa onda. 

Ficámos numas cabanas na Gili Air e tivemos 5 dias de relax total; dormir e acordar na praia, mergulhar para ver peixinhos e tartarugas, passear de bicicleta e pouco mais.

Nos últimos dois dias da viagem regressámos a Bali e o Hugo organizou uma festa numa luxuosa Vila em Semyñak, onde ficámos a dormir. 

 E se até àquele momento tínhamos visto o lado mais alternativo da ilha, os restaurantes onde se comia com as mãos, alguns sem wc, aldeias sem lojas, vários templos desérticos e tínhamos conseguido estar longe de toda a elite ocidental que habita em Bali… no regresso não pudemos escapar, e tenho que confessar que foi o Top do Top! 

Não sei como são as restantes ilhas da Indonésia, um dia descobrirei seguramente; mas acredito que Bali seja única. Com uma rica e artística vida cultural, danças exóticas, o espetacular mobiliário, objetos de decoração e esculturas impressionantes. Uma natureza bruta e tropical que se mistura com a tranquilidade dos arrozais e com um mar selvagem e apaixonante. 

Inicialmente não estava na nossa “bucket list”, mas depois desta experiência queremos sem dúvida voltar. 





‘David Bowie Is’ em Barcelona <3

Na proxima semana, dia 25 de Maio vai abrir ao público , no Museu de Design de Barcelona, a exposição “David Bowie Is”; e poder-se-à visitar durante três meses. 

Amigos residentes ou visitantes em Barcelona, é imperdível!!! 

Andei de olho nesta exposição desde o primeiro dia em que abriu! No verão de 2013 perdi-a em Londres, já que cheguei uma semana depois de ter acabado no Victoria and Albert Museum, onde se inaugurou inicialmente. Mas no inicio de 2016, tive a sorte de a conseguir ver em Groningen, na Holanda. E tenho que dizer que é uma das exposições mais fixes que já vi! 

Como escrevi neste POST quando o Bowie nos deixou, ouvi-o diariamente numa das fases mais importantes da minha vida, e a sua música faz parte de mim e do meu desenvolvimento como pessoa. Acho-o excentricamente extraordinário, musicalmente inspirador e sempre me pareceu muito coerente como pessoa. 

Destaca-se, nesta exposição, a sua enorme criatividade e a diversidade da sua obra. Explora-se a ligação que fazia entre a moda, a música, a arte e o design; e vê-se como a sua peculiar individualidade deixou uma forte marca na cultura contemporânea, inspirando outros artistas a desafiar as convenções e a procurar a sua forma de expressão. 

Esta exposição reúne instrumentos pessoais, vestuário original, videos, fotografias, filmes, letras manuscritas, e muitos mais objectos; que visitaram já um total de nove países. Mostra também que parcerias fez Bowie ao longo da sua carreira e que influências sofreu. 

Pode-se apreciar os seus processos de criação e reinvenção ao longo de cinco décadas, vendo as mudanças estético-culturais que fizeram com que sempre se mantivesse um símbolo e uma referência no mundo artístico. 

“David Bowie Is” é também uma experiência audiovisual extraordinária, porque usa tecnologia multimédia de alto nível; e durante todo o percurso vamos ouvindo histórias, explicações, excertos de conversas, músicas e filmes, videos e imagens que são um deleite para os nossos sentidos.

Os bilhetes para ver a retrospectiva da vida de Bowie já estão à venda, AQUI e AQUI. Custam 14,90€ (entrada normal de 2a-6a.feira) e 17,90€ ao fim de semana, a entrada reduzida custa 9,90€. 

A entrada para esta exposição dá um desconto de 50% no bilhete para o Museu de Design e acesso gratuito ao Museu da Música. 

Recomendo a 100% e para quem não vive aqui, mas está à procura de uma cidade fantástica para passar uns dias este verão; pois Barcelona “is the place to be”, agora também, por terem durante três meses a oportunidade de ver a exposição sobre a vida de um dos ícones musicais do século XX. 

A ARTE DE RECEBER [o que não pode faltar no quarto de hóspedes]

Sei que já terminaram as festas e que a maior parte das pessoas já voltou à rotina, mas cá em casa o ritmo é outro.
Depois de receber os meus pais e uns amigos para as festas natalicias, recebi uma grande amiga logo no primeiro fim de semana de Janeiro. 

Cá em casa recebemos sempre muito e muita gente, é o que eu chamo de “boadição”; é uma espécie de maldição genética, mas que no fundo é uma coisa boa!  

Os meus pais também sempre foram assim, têm sempre amigos de visita ou familiares a passar temporadas.

Na verdade cresci desta forma e não só não me incomoda, como tenho todo o prazer em receber. Felizmente o H. é parecido comigo nestas coisas, e tem sempre os braços abertos para as visitas. 

É verdade que já tivemos verões em que todos se lembraram de vir ao mesmo tempo, e passámos semanas em que não estivemos sozinhos mais do que dois dias. Confesso que também pode ser cansativo e obviamente uma grande despesa; não só as contas disparam, mas quando recebemos visitas, sentimo-nos um bocadinho de férias e fazemos vida de restaurante e bar, com mais frequência do que o habitual. 

De qualquer forma, vejo o facto de receber muitas visitas, como um privilégio e um sinal de que temos muitas pessoas queridas na nossa vida. Além disso, como tenho o lema de visitar os amigos espalhados pelo mundo, o mínimo que posso fazer é receber os que cá vêm, de braços abertos. 

Nunca me vou esquecer que quando fiz aos 18 anos o interrail, ficámos amigos de 2 miúdos no comboio a caminho de Paris; e que sem perguntar (porque naquele tempo nao havia telemóveis), ofereci a casa do meu primo para eles dormirem. Chegámos a Paris e eu com a cara mais inocente do mundo disse:

-Rui, em vez de 3 somos 5!

E o meu querido primo Rui, que vive num T1 no centro da cidade, disse:

-Têm que dormir todos no chão da sala, mas onde dormem 3, dormem 5! 

E assim aprendi desde cedo que ter pouco dinheiro para viajar, não é sinónimo de que se deixe de o fazer. E também, que se tenho um tecto e um colchão, pois é bem vindo quem vier por bem! 

Com a experiencia fui melhorando as minhas técnicas para receber. Não só com as visitas que recebo, mas também com as casas onde já fui recebida. Obviamente que viver a experiencia Airbnb, como anfitriã e como hóspede foi também uma escola na arte de receber. 

Hoje em dia, quando tenho que preparar o quarto de hóspedes, há coisas que para mim são imprescindíveis. Faço uma lista, caso alguém precise de umas dicas para a próxima vez que receber visitas. 

– Cama feita de lavado e com jogo de lençóis e fronhas a condizer.

– Toalhas limpas (uma de banho e uma de rosto)

– Uma manta extra caso seja inverno

– Cabides para pendurar roupa e se possível uma gaveta disponível

– Cadeira ou Banco para sentar ou pousar coisas

– Espaço para arrumar a mala de viagem

– Uma luz de presença perto da cama

– Um espelho

– Um cesto com itens de primeira necessidade (escova e pasta de dentes, champoo, sabonetes, creme hidratante, pequenas amostras, lenços de papel, etc) 

– Jarra de água e copo

– Umas flores para alegrar o quarto (opto por flores secas, porque as flores de plástico parecem-me horríveis, e as frescas duram pouco) 

– Guias ou Mapa da cidade

Isto são apenas algumas das muitas possibilidades que há. O que não falta são detalhes que se pode ter, para tornar a estadia dos nossos convidados mais cómoda. Tudo depende muito do gosto pessoal, mas também do espaço que se tem. 

O nosso quarto de hóspedes é pequeno e além dessa função tem também outras, como por exemplo a arrumação da roupa de casa, o lugar para guardar a ventoinha, o aquecedor ou o carrinho das compras. Sim, porque isso de ter um quarto apenas para as visitas é um desperdício, há que rentabilizar o espaço para quem realmente vive na casa, que somos nós.

Por isso, procurámos alternativas para que o quarto ficasse cómodo, mas que também servisse para as outras funções que lhe damos. 

Por exemplo, não tem mesa de cabeceira, mas tem uma luz ao alcance de quem está na cama. Não tem armário, mas é possível pendurar roupa à mesma. Como quase tudo na vida, com imaginação e boa vontade dá para fazer coisas muito fixes. 

Enfim, penso que neste mês de Janeiro já não teremos mais visitas, mas melhor não falar demasiado porque hoje ainda só é dia 13!!! 

Viajo&Visito [Lanzarote]

Desde sempre tenho o seguinte lema: 
– Onde temos amigos, vamos! 
Normalmente tento visitar todos os amigos que tenho espalhados pelo mundo, uma viagem 2 em 1 sai mais económica e tem muito mais graça. Viajo e Visito! 

Já perdi algumas oportunidades, que agora não sei quando voltarei a ter: 

– Não visitei Istambul quando tinha lá o Pet e não visitei o Ecuador, quando vivia lá a Joana. 

Ainda não fui a Angola, nem à Argentina; em ambos países tenho amigos e familia para visitar. 

Mas pouco a pouco, vamos tentando eliminar os que faltam, por isso aproveitámos o fim de semana prolongado com ponte e feriado e fomos até Lanzarote. 

Temos há mais de 5 anos uma grande amiga a viver lá. Uma amiga que trocou o continente pela ilha, a cidade pela praia, o verde pelo vulcão. Trocou uma vida cheia de coisas por uma vida cheia de outro tipo de coisas. Vive numa casa em frente ao mar, onde todos os dias o namorado faz surf, onde as cadelas correm livremente pela terra vulcanica, onde a paisagem desértica não acaba nunca e onde no horizonte, o mar entra pelo céu adentro. 

Lanzarote é uma ilha diferente de todas onde já tinha estado, é uma ilha onde a terra é negra, seca, tórrida e agreste. Não há árvores, não há massa verde, não há nada tropical, sem ser o calor abrasador; que no final de Outubro permitiu que voltássemos a reviver um verão cheio de sol e nos banhássemos nas águas tépidas do Atlântico. 

 Ao início custou-me habituar à ausência do verde, mas aos poucos percebi que a ilha tem um encanto especial. Que as estradas no meio do deserto são totalmente ‘à filme’, que todas as casas de todos os ‘pueblos’ são brancas, e isso dá um charme e uma identidade única à ilha, e que o facto de não haver prédios faz com que estejamos onde quer que seja, consigamos sempre ver vulcões à nossa volta.   

O sul da ilha é 100% voltado para o turismo; praias, restaurantes e bares com menus em inglês e alemão. No norte da ilha há uma população de locais e residentes mais alternativa; surfistas, pescadores, desportistas e pouco mais. Na ilha as distrações são poucas, ou se dedicam a uma destas atividades, ou provavelmente morrem de tédio, porque não há muito mais para fazer. Para uma pessoa de cidade, como eu, esta excessiva tranquilidade tem data de validade.

Exatamente 5 dias, que foram os que passámos em Lanzarote! Não foi muito tempo, mas foi o suficiente para ficarmos com uma ideia da ilha, vermos as atrações principais, darmos uns bons mergulhos, comermos as delícias das canárias, matarmos saudades e ficarmos com vontade de voltar novamente. 

La Mercè! (22/09 – 25/09 2016) 

Chama-se a esta festa ‘Fiesta Mayor’, a grande festa da cidade, a festa da padroeira; onde todos nos juntamos e celebramos a cidade única e incomparável onde vivemos. 
Depois de dar uma vista de olhos ao programa, percebi que este ano a Mercè volta a surpreender e mais uma vez oferece múltiplas atividades para um público cada vez mais eclético. 

Devo dizer que gosto especialmente do cartaz de apresentação da festa, que homenageia as mulheres de Barcelona, e mostra uma rapariga roliça, morena, de caracóis desalinhados e sorriso fácil. Na verdade poderia ser uma qualquer mulher; morena, loira, alta ou baixa; porque aqui somos todas diferentes, mas todas vivemos com alegria, de forma simples e relaxada; completamente enquadradas no ambiente da cidade. 

No geral independentes, as mulheres de Barcelona aprendem a desenrascar-se sozinhas, e sendo catalãs ou vindas de qualquer outra parte do mundo; encontram nesta cidade a aceitação, a igualdade e a possibilidade de crescer. Aqui sentimo-nos comodas na nossa pele porque vivemos numa cidade com poucos preconceitos, e isso inevitavelmente ajuda a eliminar muitos dos complexos que nos incute a sociedade. 

Esta festa é das mulheres, dos homens, das crianças, dos vizinhos, dos que cá vivem, e também dos que estão de passagem ou vêm de visita. É a festa das festas!! 

Durante todo o verão os bairros da cidade celebram as suas próprias festas e isso faz com que quase todas as semanas, durante os meses de Junho, Julho, Agosto e Setembro, haja algo especial para fazer em Barcelona. Quando no final de Setembro chega a Mercè, sabemos que termina o Verão, e o ritmo da cidade tranquilizar-se-á em breve. 

A ‘Fiesta Mayor’ celebra-se desde 1902 (tendo altos e baixos, como por exemplo na época da guerra civil), mas é, como o nome indica, a maior festa da cidade; com diversos palcos repartidos por vários bairros, muitos concertos, museus abertos, espetáculos vários, exposições, desfiles e centenas de atividades. Neste fim-de-semana dá-se especial relevância à cultura popular e tradicional da Catalunha; mas a festa também recebe sempre artistas de todo o mundo, que com as suas atuações, reforçam e incentivam a multiculturalidade da cidade. 

Os transportes públicos funcionam 24h e a cidade cria condições para que se possa desfrutar gratuitamente de uma festa nas ruas, sem que se crie um ambiente caótico e descontrolado. Mesmo com a tão típica ameaça de chuva que sempre acontece durante a Mercè, ninguém fica em casa. 

Nos próximos dias tentamos aproveitar intensamente cada momento, como se realmente não houvesse amanhã. A Mercè é a festa de todos os barceloneses, de todos os cidadãos que amam esta cidade e a consideram sua. 

No seguinte link pode-se aceder a todo o programa, ou pode-se também descarregar a App da Mèrce 2016 para o telemóvel, e estar em cima de cada acontecimento. 

LA MERCÈ
No próximo post partilharei fotos deste fim-de-semana único. 

Feliz Mercè 2016!!

A Rota dos Sonhos

Começa Setembro; as férias terminaram, voltei a pôr o relógio no pulso, a ativar o alarme no telemóvel e a pensar no que vou vestir no dia seguinte para ir trabalhar. Eu fui de férias e a rotina ficou em casa, voltei e aos poucos deixo que ela me abrace e me dirija mecanicamente pelo dia a dia em Barcelona. 

Estas 3 semanas de férias foram maravilhosas, a viagem roçou a perfeição e confesso que não tive saudades de nada e poderia continuar pela estrada fora durante muitas mais semanas. 

Chamámos-lhe a Rota dos Sonhos na nossa “CamperVan of Dreams”, porque desde a primeira noite em que dormimos nela, sonhámos. E sonhámos todas as noites que se seguiram; sonhos elaborados, com enredos, personagens e histórias mirabolantes. Uns bons e tranquilos, outros sem sentido e mais perturbadores; mas nenhum sonho nos fez acordar cansados ou de mal humor, como às vezes acontece na cidade. O H. normalmente nunca se lembra dos sonhos quando acorda, mas os sonhos que viveu na nossa furgoneta mantinham-se vivos na sua memória pelas manhãs. 

Tenho mais que assumido que cada viagem é uma aprendizagem, e que os lugares onde vamos e as pessoas com quem nos cruzamos têm uma missão no nosso caminho. Cada um interpreta como quiser e aprende o que conseguir.

Viajar neste formato, com a casa às costas, dá-nos uma liberdade indescritível e faz-nos perceber que realmente não precisamos de quase nada para viver bem e feliz. 

Acordar pelas manhãs, abrir a porta e ver uma paisagem diferente todos os dias, saltar para os bancos da frente e seguir caminho, encheu-me de plena felicidade a cada quilómetro desta viagem. Não ter que voltar atrás porque tudo estava connosco, poder decidir no momento, espontaneamente, se ficamos, se vamos, se paramos ou seguimos; porque somos um todo. O nosso transporte é também a nossa casa e não precisamos de mais nada, porque tudo está naquele espaço; que afinal não é tao pequenino, que afinal são vários espaços num só e onde na verdade nos sentimos tão bem, como se ali sempre tivéssemos pertencido. 

Há um livro que recomendo sempre a quem se inicia nisto das viagens, escrito pelo Gonçalo Cadilhe, que se chama “ O Mundo é fácil”, e onde ele mostra como é realmente fácil viajar hoje em dia. Ele fala de viagens de mochila (as que me roubaram o coração há quase 20 anos), mas na verdade este lema aplica-se a qualquer tipo de viagem, desde que organizemos as nossas prioridades e procuremos alternativas de acordo com as nossas possibilidades financeiras. 

Viajar de autocaravana é fácil e recomenda-se! Há várias aplicações GPS que nos ajudam a chegar a todos os lados, há Apps que indicam locais específicos para dormir, que são mais baratos que os parques de campismo, têm wcs e chuveiros, depósitos de aguas sujas e tanques de agua limpa. Alguns com segurança, nos arredores das cidades, outros no meio do nada, e os mais bonitos de todos; em frente a paisagens idílicas, que nos serenam ao anoitecer e nos alegram o despertar. Apps com informações sobre as rotas, as estradas, o trânsito, lugares de interesse, comentários de outros autocaravanistas; indicação de bombas de gasolina, praias, etc, etc, etc. 

Há todo um mundo dedicado ao autocaravanismo, furgonetas, carrinhas transformadas, campervans e vários outros formatos de veiculo-vivenda; que quem não sabe, nem se dá conta. Há verdadeiras mansões sobre rodas, com ou sem atrelados, há diversos modelos para todos os gostos e bolsos. 

Cheguei à conclusão que o ideal é viajar com um transporte extra, preferencialmente a bicicleta, ou se for possível, com uma pequena moto atrelada. Apesar de termos uma carrinha e não uma autocaravana tradicional, não cabia em parques de estacionamento subterrâneos e tivemos alguma dificuldade em estacionar dentro das grandes cidades. Por isso, para a próxima queremos ter um transporte alternativo, para poder deixar a campervan estacionada fora da cidade e nos movermos sem preocupações. 

Fizemos 3126km entre Barcelona, Astúrias, Cantábria, País Vasco, Montpellier, Costa Brava e novamente de volta a Barcelona. Tentarei escrever aos poucos sobre os lugares que mais gostei, mas para resumir o que senti, posso já dizer que voltei completamente apaixonada pelas Astúrias, que quero voltar a Santander e a Bilbao em breve; que só no País Vasco ganhei 2kg porque é impossível resistir àquela quantidade de pintxos deliciosos, e que a Costa Brava terá sempre um lugar especial no meu coração. 

Até pró ano Férias de Verão! 


Mojito Picante

Desde que vivo em Barcelona que descobri o verdadeiro sabor de um bom Mojito. O facto de aqui viverem tantos emigrantes da América do Sul, originários de países onde se bebe muito rum, faz com que em qualquer bar da cidade seja fácil encontrar bons Mojitos. 
Há para todos os gostos, de vários sabores e com diferentes tipos de rum. Nem sempre é a minha primeira opção, mas sem dúvida que o Mojito é um dos cocktails mais frescos e saborosos que há. 

Há mais ou menos 5 ou 6 anos, numa ‘barbacoa’ na nossa antiga casa, uns amigos apresentaram-nos esta receita, tinham provado no terraço de um dos hotéis mais xpto de Barcelona; e como cá em casa somos fans de comida picante; sabiam que para nós a combinação faria sentido. Desde esse dia, tem sido um sucesso entre todos os que provam os nossos Mojitos Picantes!! 

Ingredientes para 2 Mojitos 

  • 4 Limas 
  • 8 Folhas de Menta 
  • 4 colheres de sopa de açúcar mascavado 
  • Sifão (água carbónica) 
  • Rum (1 cálice por copo) 
  • 1 Malagueta 
  • Gelo 

Dentro de um shaker esmagamos com um pilão de madeira as limas cortadas em quatro, para tentar sacar o máximo de sumo possível. Juntamos as folhas de menta, o açúcar e a malagueta e voltamos a esmagar. Quando a malagueta estiver completamente destroçada e misturada com as limas e a menta, distribuímos a mistura por dois copos. 

Em seguida adicionamos um cálice de rum por copo, ou mais quantidade dependendo do gosto de cada um. O gelo pode ser picado ou inteiro; junta-se também, a olho, até quase ao cimo do copo. Finalmente pomos a água do sifão para preencher o dedo que falta até o copo estar cheio. Mistura-se uma última vez para que a água se mescle com os restantes ingredientes e está pronto a beber. 

Aconselho a beber sempre com palhinha, para que a malagueta passe diretamente para a garganta. Este é o grande truque deste mojito, a sensação apimentada que fica na boca, o aroma ardente em contraste com o frio do gelo. Se bebemos sem palhinha, como já nos aconteceu um dia que não havia, fica-se com os lábios e toda a boca a arder e não se consegue esse efeito quente-frio. 

*Hoje, estes mojitos souberam-nos especialmente bem, porque brindámos ao nascimento do nosso querido sobrinho Benjamin, que nasceu dia 03.08.2016 e veio para trazer ainda mais alegria à nossa vida aqui em Barcelona. O primeiro bebé da nossa família barcelonesa, que a partir de agora será ainda mais unida, mais rica e positiva, pois temos uma nova vida entre nós. 

Bienvenido pequeño Ben!! 😍🎉

Addis Abeba

Ontem à noite, para celebrar 2 anos de casamento, fomos jantar a um restaurante Etíope, no bairro de Sants. Foi uma experiência única e que recomendo a 100%. 

Está na C/Vallespir 44, e há que ir com reserva, porque as filas são intermináveis e as mesas têm pelo menos 3 rondas de pessoas na mesma noite. É impressionante! 

O restaurante é simples e muito acolhedor, mesas baixinhas de verga colorida com bancos côncavos de madeira de pau preto. 

Sente-se África quando se entra; a decoração nas paredes, o ambiente relaxado, o sorriso nas caras bonitas das empregadas. 

Completamente cheio durante a hora e meia que lá estivemos, e com uma fila de 15 pessoas para entrar; em nenhum momento se sente a pressão de que temos que nos despachar. A cerveja fresca e leve da Etiópia convida a que se peça mais uma e se alargue a conversa. 

Um restaurante para adultos, não havia quase crianças e uma média de idades de 35 para cima. 

A comida é o ponto alto da noite; variada e caseira; com muitos vegetais e pouca carne e uns sabores “riquísimos”, como dizem aqui em Espanha. Sabores de África, quentes mas não tão picantes, mistura de leite de coco com outros condimentos gostosos que alegram o paladar e activam os sentidos. 

É servida num único tabuleiro de esmalte colorido, que assenta em cima da mesinha redonda. Vem sobre uma espécie de crepe de farinha de trigo e come-se com as mãos, todos do mesmo prato, todos a tocar na mesma comida. 

Para terminar apresentam umas sobremesas caseiras, que já que estamos ali, não vamos dizer que não; e comemos meio a esforço porque afinal o repasto era mais que suficiente. 

Tudo verdadeiramente delicioso e a um preço bastante aceitavel para Barcelona (2pp-50€). 

Entre a curiosidade e a estranheza, comer com as mãos acaba por se tornar algo perfeitamente normal naquele espaço e em nenhum momento provoca aversão. 

Ontem senti uma das coisas maravilhosas que viajar nos dá, a capacidade de nos adaptarmos e nos sentirmos cómodos em ambientes diferentes. Depois da India, Marrocos ou Indonesia, comer com as mãos num restaurante em plena Barcelona, pareceu-me a coisa mais normal do mundo. 

*Escrevo este post numa madrugada de insónia, por culpa do calor abrasador desta cidade e aproveito para recomendar um dos restaurantes mais originais e agradáveis de Barcelona.