4:12am acordada pela adaptação à mudança de quarto do Tom. E voltar a dormir agora que o 25 de Abril está prestes a acontecer?! Custa. Custa-me pensar que esta noite não fui ao Carmo cantar. Custa-me pensar que quando o sol estiver bem alto, não vou descer a Avenida.
A minha familia combinou no Metro Parque as 14:30, e eu não vou lá estar. Os meus amigos irão juntos, com os filhos e os pais, carregados de cravos, resistência e esperança.
Custa-me sempre estar longe neste dia, como se fosse natal, ou o aniversário de alguém muito querido. Mas cheguei à conclusão que não me custa mais este ano do que qualquer outro. Pensei que sim, mas não.
Este ano em que celebramos 50 anos do final da ditadura, no fundo é só mais um ano de luta, outro ano sem baixar os braços, mais um ano a combater a desigualdade, a lutar pelos direitos adquiridos, que continuam a ser questionados e ameaçados.
É um ano especial?! Talvez seja… porque estamos habituados a ter marcos e lembretes para assinalar os momentos importantes.
Mas na verdade, politicamente falando, este ano, o lembrete não serviu de muito. Depois das últimas eleições instalou-se-me uma frustração revoltante, que me afastou um pouco mais deste Portugal que vota hoje.
A inquietação que sempre tive de fazer diferente, de ser parte da mudança, de ajudar a construir uma sociedade mais justa; deu lugar a uma triste e egocêntrica apatia, que me descoloca dentro de quem eu sou, mas que me permite seguir a vida sem amargura.
Não concordo e não aceito as políticas de direita e sinto absoluta repulsa por quem teve a pouca vergonha de votar na extrema direita. E se penso no tema, revoltam-se-me as entranhas e azeda-me o dia. Medo de toda a merda que por aí vem! Medo desta memória curta, desta falta de noção coletiva!!
Mas hoje não é dia de pensar em quem votou para que aquelas 50 más pessoas estejam hoje sentadas no parlamento português. Hoje é dia de celebrar os que permitiram à minha geração crescer em liberdade, os que lutaram antes de nós, e celebrar todos os portugueses que vão descer a Avenida da Liberdade, de cravo em punho e palavras de ordem, a cantar o Zeca, o Sergio ou o Zé-Mario, entre tantos outros.
Hoje é dia de pôr o Grandola a tocar bem alto aqui em casa logo de manhã. Hoje é dia de emocionar-se e limpar as lagrimas que já teimam em cair, enquanto escrevo este post.
Hoje é dia de comprar cravos no florista da Calle Rocafort e ter a mesma conversa de todos os anos, sobre ser portuguesa e viver deste lado da península. Ir buscar o Tom à escola com o cravo na lapela e se o acaso quiser, beber umas cervejas ao fim do dia com um par de amigos.
Feliz 25 de Abril a todes! Que nunca nos falte a liberdade, para que possamos ser quem quisermos e fazer o que nos sair da alma.
25 de ABRIL SEMPRE! Fascismo NUNCA MAIS!

Apesar das tristezas recentes seremos muitos na Avenida e faremos soar a nossa voz também por todos os portugueses e portuguesas que ali queriam estar e não podem. Viva o 25 de abril, sempre!
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Viva! Obrigada pela parte que me toca. 25 de Abril Sempre! ✊🏽
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Muito bem! Muito bom! Muitos Beijinhos. Amamo-vos muito. 😘😘😍😍♥️♥️
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