[6] Amamentação

6 meses com o Tomás na minha vida.

2020 não começou da melhor maneira. Faleceu a minha querida Tia Nelly e isso desorganizou-me as emoções e encheu-me de tristeza e saudade. A vida e a morte sempre de mãos dadas para nos lembrar que tudo passa muito rápido, que devemos viver intensamente, dizer tudo o que sentimos, partilhar e dividir, e estar presente na vida dos que amamos. 
Para o Tom, o ano novo começou com a introdução da alimentaçao complementar, trouxe também a primeira ida ao hospital e uma crise de lactancia que me levou ao desespero e às lágrimas.

Hoje escrevo sobre isso, a lactancia.

Quando engravidei tinha bastante claro que queria dar mama. Que era o melhor para o bebe, o processo natural e lógico para mim; mas começar a amamentação não foi nada fácil. Mesmo tendo o mamilo saliente, o Tom não pegou logo à primeira… nem à segunda. Comecei logo no hospital a usar um mamilo de silicone, que facilitou a lactancia, mas que também me trouxe “problemas” futuros, porque depois não o consegui largar.

Eu não sabia amamentar, eu não sabia qual a melhor posição ou qual a melhor forma para segurar no bébé. Para ajudar à festa, tive um parto duro com episiotomia e afins que me impediram de estar sentada durante mais de um mês. Amamentava deitava. 

Contactei uma acessora de lactancia que me  ajudou e ensinou, e a partir desse momento tudo começou a fluir devagarinho. 
Ao princípio dar mama era uma seca. O Tom adormecia, nao mamava nada de jeito. Eu queria fazer outras coisas e tinha que estar ali parada a ver o tempo passar. Achei que era uma prisão, uma atividade que só eu podia fazer, não podia delegar e ainda por cima me desgastava imenso. Muita sede, muita fome e um cansaço enorme. 

Aos poucos tudo foi mudando.
A partir do terceiro mês, o Tom já sabia mamar bem, eu já dominava a técnica e o meu leite saia com fluidez. No geral a rotina ia-se instaurando, ensinando-nos a estar juntos, a aproveitar e desfrutar daquele nosso momento. Percebi finalmente que tudo era secundário, que não importava a roupa para lavar, a casa para arrumar ou o que tinha para fazer. O importante era amamentar o meu bébé. 

Todos os momentos a amamentar passaram a ser os melhores do dia. Ele adormecia e eu dormia com ele, ele fazia uma birra e eu acalmava-o na minha mama, ele queria carinho e a mama era o seu lugar seguro. 

Até que no início do mês, de um dia para o outro, sem pré aviso, o Tom nao quis mais comer. Nao queria mama, nao queria biberão, nao queria à colher, nem à seringa, nem nada. O tempo ia passando e ele não chorava de fome, chorava sim quando se aproximava do seu alimento. Uma situação absurda e sem sentido, que depois de 17 horas de tentativas sem sucesso, nos levou ao hospital com uma leve desidratação e a glicemia já baixa. 

Nem me apetece escrever sobre a sensação de ir com um bebé para o hospital. Horrível!

Passando à frente. 
Consultámos 4 médicos diferentes e voltámos à acessora de lactancia. Diagnóstico final: o Tom está bem e não tem nada, é uma crise de lactancia. 

Porque acontecem?! Ninguém sabe. Um virus, um susto, uma mudança na rotina, visitas em casa, a introdução de outros alimentos, o rompimento dos dentes; há um sem fim de possibilidades. Ou talvez o bebé tenha decido que não quer mais mama. 

What?!?! 
Uma facada no coração de qualquer mãe. 

Passei os seguintes dias agarrada ao extractor. Não queria baixar a produção de leite, queria continuar a amamentar o meu filho. 
Esteve quatro dias sem mamar, quatro longos dias cheios de birras e choros, dificuldade para adormecer, para comer e uma evidente alteração no seu estado de ânimo e disposição. 
Nunca deixei de experimentar dar a mama e fiz de tudo para o “reconquistar”. Deixei o carrinho de lado e andei sempre com ele na mochila. Fiz pele com pele sempre que possível, tomámos banho de imersão pela primeira vez, (é a opção menos ecológica, mas confesso que foi delicioso), dormi em tronco nu com ele na cama todas as noites, passei horas com compressas quentes e com folhas de couve no peito para evitar mastites, massagens e mais massagens porque tinha o peito duro como pedra e comprei mamilos de silicone de todas as marcas do mercado. 

E finalmente, depois de quatros dias difíceis, e assim como chegou, a maldita crise foi embora e o meu bébé voltou a pegar na mama, e desta vez sem mamilo de silicone. 🎉

Dizem que estas crises podem durar entre três dias e duas semanas. Há bébés que voltam à mama e há bébés que já não voltam. Normalmente dão-se ao princípio da lactancia, mas também podem acontecer a qualquer altura. Os médicos não encontram explicação, mas é algo bastante comum. 

Se ao principio eu só queria que chegassem rápido os 6 meses, para deixar de dar mama, introduzir alimentos e assim ter um bebé mais autónomo e eu sentir-me mais livre… agora percebo que esse foi o pensamento mais parvo que algum dia tive. 
Neste momento só quero que o tempo vá lento, que ele cresça devagarinho, quero aproveitar cada minuto e conservar este precioso momento tão nosso até poder.

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