Brunch na Cidade ou em Casa

Isto dos brunch, que já há alguns anos estão na moda, é na verdade uma tradição muito antiga; pelo menos em casa dos meus pais. Pequenos almoços tardios e bem compostos, com doces e salgados à mistura, sempre foi uma constante nos fins de semana lá de casa. 

A palavra Brunch vem da mistura de Breakfast com Lunch, ou seja, um pequeno almoço tardio ou um almoço bem cedinho. 
Conta a história que o conceito surgiu no final do século XIX em Inglaterra, no seio da classe média-alta; quando as famílias se juntavam ao domingo por volta das 11:30am /12pm à volta de um buffet, que combinava panquecas, torradas, ovos, vegetais no forno, e muitas outras possibilidades. 

Barcelona está cheia de sitios para se comer  brunch, uns melhores, outros nem tanto; cada um com a sua especialidade, mas praticamente todos têm os famosos Ovos Beneditos, que não são mais do que ovos escalfados em água, acompanhados de um molho de manteiga (molho holandês). 

Vamos muitas vezes à descoberta de sítios novos pelos vários bairros de Barcelona, mas como gosto tanto de cozinhar e além de mais económico, também é mais saudável, fazemos quase todos os fins de semana o brunch em casa. 

Para quem vem de visita a Barcelona indico agora três dos meus sítios preferidos na Cidade Condal e destaco o que me faz ir a cada um deles; e para quem cá vive e ainda não experimentou; aconselho vivamente. 

Brunch em Barcelona… 

· Trópico – Carrer del Marquès de Barberà, 24 (Bairro do Raval) – O sitio é agradável, com muita luz natural e os empregados simpáticos (algo que se agradece em Barcelona); aceitam reservas e pode-se pagar com tickets-restaurante. Aqui recomendo as arepas, o bolo de cenoura, e qualquer um dos seus sumos naturais; tudo delicioso! 

· Can Dendê – Carrer de la Ciutat de Granada, 44 (Bairro de Poble Nou) – O sítio é pequeno, mas tem esplanada. Não aceita reservas e está sempre cheio. Os empregados também são super simpáticos e a comida deliciosa. Aqui recomendo os bagels, as panquecas e a limonada cor-de-rosa. 

· Granja Petitbo – Passeig Sant Joan, 85 (Bairro Eixample Direito) – Um sítio com uma arquitetura industrial e uma decoração vintage, não muito grande e sempre cheio. Os empregados não são os mais simpáticos do mundo, mas a comida compensa. Aqui recomendo sem duvida os ovos beneditos. 

Não foi fácil fazer esta escolha e ainda não tenho a certeza se são realmente os meus três sitios preferidos, há muitos mais… mas para começar é uma boa eleição. 

Brunch em casa… 

Fazer ovos beneditos não é difícil, mas o molho holandês é proibitivo devido à quantidade de gordura que tem; por isso como alternativa proponho os tradicionais ovos mexidos. Para acompanhar uma salada verde, uns tomates cherry ou umas folhas de espinafres e rúcula. Se tivermos uns cogumelos no frigorifico, salteamo-los em alho e comemos com umas torradas barradas com abacate e queijo brie. Para beber, há uma infinidade de sumos e batidos naturais, como ESTE ou ESTE

E assim temos um brunch domingueiro em casa, que é muitas vezes melhor do que comer na rua!! 

Mostro-vos algumas fotos dos nossos brunchs caseiros e de outros deliciosos que fui provando por aí. E para quem, como eu, gosta de dedicar uma parte do seu tempo à cozinha, partilho algumas combinações que funcionam perfeitamente, caso queiram fazer em casa. 

Hambúrgueres de Feijão Preto 

Há muito tempo que não partilho no blog uma receita, e por isso, no domingo passado, quando organizei as refeições para toda a semana, resolvi fotografar o processo para fazer os meus hambúrgueres de feijão preto, e assim poder mostrar o quão fácil é esta receita. 

O feijão preto é um dos meus alimentos preferidos, para quem come pouca carne, como eu, é uma sorte ter uma alternativa tão nutritiva, com a qual se pode fazer uma imensidão de pratos. É rico em fibras, ácido fólico, ferro, cálcio, fósforo, potássio, proteínas e antioxidantes, juntamente com muitas outras vitaminas e minerais.   

Estes hambúrgueres são mais saudáveis do que estes de lentilhas, porque são cozinhados no forno e não na frigideira; e também por isso ficam um bocadinho mais secos; mas igualmente deliciosos. 

Pode-se perfeitamente comer no prato, ou também é uma ótima opção para levar para a praia, no pão, com uma fatia de queijo, umas folhas de alface e uma rodela de tomate. 

Eu normalmente congelo e vou usando de acordo com a necessidade, são perfeitos! 

Ingredientes: 

500gm de feijão preto 

3 dentes de alho 

1 pimento 

3 colheres de sopa de farinha de mandioca 

Gengibre ralado 

Sal, pimenta, cominhos, noz moscada, etc 

Pôr o feijão de molho na noite anterior (pelo menos 12 horas), depois escorrer, lavar bem e cozinhar numa panela de pressão durante 15 minutos. (se como eu não tiverem panela de pressão, podem cozinhar durante 1,5h numa panela normal, cheia de água). 
Enquanto o feijão coze, corta-se o pimento em pedacinhos pequeninos e salteia-se com um fio de azeite e um fio de água numa frigideira, até ficar suave. 

Corta-se o alho, o gengibre e separa-se a farinha: 

(Eu uso farinha de mandioca porque é o que tenho neste momento em casa, mas também se pode fazer com farinha de milho ou em último caso com pão ralado.) 

Quando o feijão já está cozido, escorre-se a água e passa-se pela varinha mágica, não triturando completamente todos os grãos, para que alguns fiquem inteiros ou meio partidos e assim os hambúrgueres ganhem mais consistência. 

Adiciona-se o alho, o gengibre, o pimento, o sal e as especiarias; e envolve-se com uma colher de pau. 

No final juntam-se as três colheres de farinha de mandioca, moldam-se os hambúrgueres e vai ao forno, durante 25 minutos. 

E já está, prontos para comer!! 

Temporada de ‘Calçots’

Todos os países têm as suas tradições, muitas são conhecidas internacionalmente, outras nem tanto. Às vezes só quando se vive num determinado local e se convive com as pessoas da terra, é que se tem contacto com o que é realmente tradicional. Isso também nos ajuda a conhecer e a compreender um povo, os seus hábitos e costumes. 

Hoje escrevo sobre os ‘calçots’, uma tradição catalã cuja temporada alta é neste preciso momento e que nós, todos os anos, fazemos questão de fazer. Em bom português pode parecer apenas uma cebola assada no fogareiro, mas na realidade é muito mais que isso. 

De uma forma especial de cultivar a cebola (cebola tardia de Lérida), deriva o nome calçot, uma vez que se vai adicionando terra à base, para que a cebola tenha que se alargar ao subir em busca da luz. Este processo chama-se em catalão “calçar” e repete-se duas a três vezes durante o cultivo, até que se consiga que o talo branco fique suficientemente comprido (entre 15 a 25 centímetros). 
A temporada de calçotes é entre Novembro e Abril, mas o seu auge é a partir do último domingo de Janeiro, momento em que se celebra a ‘Fiesta de la Calçotada’ em Valls – em Tarragona. 
É sem dúvida um dos pratos típicos da cozinha catalã, e também uma das festas gastronómicas mais interessantes que conheço. 

As calçotadas fazem-se nas ruas, nos bairros, entre grupos de amigos ou de vizinhos e sempre com muita alegria. É muito mais do que um almoço, é uma celebração cheia de detalhes. 

A primeira vez que comi foi em 2008, em Colomers, na casa da minha querida amiga Magali. Uma catalã de coração, independentista convicta que contraria o estereótipo  dos catalães, já que é uma das pessoas mais sociáveis e comunicativas que conheço e que adora misturar-se com diferentes culturas. 

Numa Catalunha profunda, onde praticamente se fala apenas catalão, passámos um maravilhoso fim de semana de inverno, com a lareira acesa, calçotes e butifarra, um porrón sempre cheio de vinho, grandes amigos e boas conversas. Para mim, isto é que é uma boa calçotada! 

Hoje em dia para comer calçotes continuamos a juntar-nos com amigos que vivem no campo e podem assar calçotes no quintal, ou às vezes a empresa onde trabalha o H.  organiza um sábado e oferece uma grande calçotada a todos os trabalhadores. 

Mas quase sempre comemos também os calçotes em restaurantes; vários têm menus de calçotada, e entre 25€ e 40€ recebe-se uma telha com 25 calçotes, pão com tomate, carne à brasa, vinho, sangria ou água, sobremesa e café. 

A particularidade dos calçotes é que se cozinham com fogo alto, utilizando a cepa da videira para assar. Quando a primeira capa está completamente queimada, envolvem-se em papel de jornal, para acabar de cozer no seu próprio calor. 

Têm um sabor ligeiramente adocicado e acompanham-se com um molho feito de tomate, amêndoas, azeite, pimento e avelãs (molho romesco). 

Depois dos calçotes, serve-se normalmente uma parrilhada de carne e butifarras (a salsicha tipica catalã), com batatas assadas na brasa (al caliu), alcachofras e molho ali i oli (uma espécie de maionese de alho). 

Comê-los é todo um ritual, com luvas e babete, queixo ao alto, de cima para baixo e  muita risota pelo meio. 

Recomendo a todos os que visitarem a Catalunha no início io da primavera, a procurarem um sítio para degustarem este prato e viverem a verdadeira experiência catalã. 

Quente&Frio de Chia e Morangos [o papel de uma sobremesa]

O açúcar é um veneno! 

Desde pequena que oiço esta frase, e ainda que os meus pais tentassem moderar o consumo de açúcar lá em casa, não conseguiram evitar que as duas filhas fossem super gulosas. 

Lembro-me que a minha mãe não gostava que comêssemos bolos e doces de pastelaria, então sempre fez ela própria os petiscos e guloseimas para nos tentar dissuadir; e também porque na nossa mesa nunca faltou um bolo aos fins-de-semana, aprendemos desde cedo que é possível fazer todo o tipo de doces em casa. Criámos ambas uma íntima relação com a cozinha, porque isso de comprar feito, para nós nunca existiu!

Está claro que para a cozinha é preciso disponibilidade e gosto, fazer só por fazer ou fazer por obrigação, não dá o mesmo prazer, nem faz com que o produto final saia da mesma forma.

A sobremesa é a cereja no topo do bolo de qualquer refeição, e mesmo que esta não seja brilhante, se acaba com um doce delicioso, o triunfo é garantido. Hoje em dia há tantas alternativas saudáveis, que praticamente nem é preciso usar o açúcar para conseguir uma sobremesa formidável.

Como já escrevi antes, receber amigos em casa e principalmente à mesa é uma arte e requer alguns cuidados. Para atingir a perfeição há que encontrar um equilíbrio e a perfeita combinação dos pratos que são servidos. 

Por exemplo, uma sobremesa demasiado doce depois de uma comida farta e pesada, pode não cair bem; mas o contrário sim que funciona. 

Eu quando sirvo uma refeição leve e pouco calórica, tento fazer uma sobremesa mais forte e corpulenta, como por exemplo um Trifle; uma mistura de bolo, frutas, mousse de chocolate e chantilly. 

Ou se faço uma entrada com massa folhada, como o pastel de camembert com compota de alperce e pimenta; nunca sirvo uma sobremesa do mesmo género, tipo uma tarte de maça ou um mil folhas de frutos do bosque. 

 Se a salada é de agriões e morangos, a sobremesa já não levará frutos vermelhos; se o prato principal leva molho branco, a sobremesa não deverá ser leite-creme…. E estes são apenas alguns exemplos de combinações que não funcionam e que podem arruinar a lembrança de uma refeição que poderia ter sido, no mínimo, apetitosa.

Esta sobremesa que hoje partilho é apropriada para todas as estações, mas é especialmente boa para finalizar as típicas refeições invernosas, encorpadas e muitas vezes indigestas. A chia ajuda à digestão, o leite de amêndoa já é adocicado por natureza e a combinação de morangos com as sementes dá, a esta sublime sobremesa, um toque aromático e exótico.

Receita para 2 porções:

1/2 chávena de sementes de chia

2 chávenas de leite de amêndoa

2 c. de chá de mel

1 Taça de morangos

1 cálice de Moscatel ou Vinho do Porto para aromatizar os morangos

1 c. de chá de canela em pó

1 c. de chá de sementes de sésamo caramelizadas, cacau e coco (estas sementes da Ecoriginal são uma combinação excêntrica e atrevida, que transforma esta sobremesa numa explosão de alegria para o paladar. São vendidas pelos amigos da Qüi Barcelona, uma inovadora marca de gelados. 

Como fazer:

Com pelo menos 12 horas de antecedência (na noite anterior), junto num recipiente o leite, o mel e as sementes de chia. Mexo bem e ponho no frigorífico até ao momento de montar a sobremesa. Durante este tempo de repouso as sementes absorvem o líquido e ganham uma textura gelatinosa.

No dia seguinte faço uma calda de morangos (sem açúcar); corto os morangos aos pedaços e ponho numa panelinha com um cálice de moscatel, vou mexendo até criar uma consistência cremosa. No final ponho a canela e as sementes e deixo levantar fervura.

Retiro do lume e deito por cima de cada recipiente (neste caso utilizei uns frascos que tinha sem tampa, do mercado “All those”; há que reciclar o que temos em casa! 😉

A diferença de temperatura faz com que a consistência glutinosa da chia fique mais parecida à de uma mousse e transforma esta sobremesa tão simples num requintado quente & frio. 

Falafel 100% Saudável

Cá em casa tentamos cada vez mais arranjar alternativas para as nossas refeições. Tentamos comer bem, de forma equilibrada e variada, mas também original. Aborreço-me se como sempre as mesmas coisas, nos mesmos formatos. 

Durante muitos anos, em Portugal, o grão-de-bico era básicamente usado como uma guarnição; acompanhava o bacalhau cozido, fazia-se salada com atum, em algumas zonas do país sopa de grão, e uns quantos pratos mais. Só mais recentemente começou a ser um alimento de destaque nas refeições. 

Eu considero-o primordial para uma nutrição equilibrada, já que é um alimento que fornece energia sem provocar picos de insulina no sangue;  tem minerais como o magnésio, cobre e ferro; vitaminas e ainda ácido fólico. Muito importante também, é que o grão-de-bico além de reforçar as nossas defesas, diminui os níveis de cortisol; que é a hormona relacionada com os comportamentos compulsivos a nível alimentar e com a acumulação de gordura na região abdominal.

Possui também fibras que nos ajudam a saciar com mais facilidade, mas é a proteína que faz desta leguminosa uma boa escolha para o menu do dia a dia, pois tem o nutriente responsável pela manutenção dos nossos músculos. 

Apesar de ser muitas vezes considerada uma proteína incompleta, por ser de origem vegetal; se misturarmos o grão com um cereal, como por exemplo o arroz, teremos uma combinação de aminoácidos essenciais muito próximos à proteína da carne. 

Porque é tão espectacular este alimento, hoje partilho uma receita de Falafel 100% saudável. 

Aqui em casa comemos às refeições, mas também como snack ou entrada. Pode-se acompanhar com um molho caseiro, tipo ali-oli ou tzatziki, que faz a combinação perfeita. O que eu mais adoro nesta receita, é que não se frita, cozinha-se no forno. 

Falafel  100% Saudável 

500 grm de grão de bico seco

3 dentes de alho

2 cebolas médias

3 colheres de sopa de azeite

Um punhado de folhas de hortelã

Um punhado de coentros frescos (usei os da nossa horta) 😍👌🏽

Cominhos qb

Pimenta qb

Noz-moscada qb

Sal qb 

Deixo o grão demolhado em bastante água, de um dia para o outro (mínimo 24h) . 

Junto todos os ingredientes cortadinhos numa taça e passo a varinha mágica até obter uma pasta uniforme. 

Desta vez usei a “técnica do pastel de bacalhau” para moldar o falafel; com duas colheres de sopa, e o resultado foi o que se pode ver nas fotos.

Põem-se num tabuleiro com papel vegetal a 200 graus no forno, durante 30 minutos e estão prontos a comer. 

*Eu uso a varinha mágica para triturar os ingredientes, mas quem tem outro tipo de máquina, tipo 123 ou bimby ou qualquer outro processador de alimentos, pode usar também.

*Esta receita é rápida e fácil, não utiliza produtos de origem animal, nem nenhum tipo de farinha, e pode-se congelar. 

*Estas quantidades deram para cerca de 60 pasteis de falafel. 

Recomendo 100%


Que 2017 seja doce! [Rabanadas de forno]

Feliz 2017 a todos!

Contrariando o final de 2016, penso que devemos encarar o novo ano com optimismo e com vontade que coisas boas aconteçam. Por isso, achei boa ideia que o primeiro post do ano fosse uma receita doce – uma sobremesa. 

Para queimar os últimos cartuchos da época natalicia, partilho uma receita tradicional, mas completamente modernizada pela minha mãe. 

As típicas rabanadas que em Portugal se comem no Natal, aqui em Espanha come-se em qualquer altura do ano, podendo ser uma corriqueira sobremesa num qualquer almoço domingueiro de Abril. 

Sendo assim, e como na verdade o Natal é quando o Homem quiser, deixo-vos uma receita muito mais saudável, já que é feita no forno e não na frigideira com óleo; mas igualmente apetitosa.

Rabanadas de Forno

– 1 Pão cacete, baguete ou de forma (de preferência sem côdea) 

– 3 ovos batidos

– 500 ml de leite morno

– 6 generosas colheres de sopa de açúcar 

– 1 pitada de canela em pó

– raspa de 1 laranja

– canela e açúcar para polvilhar

– 1 tabuleiro de forno forrado com papel vegetal e untado com manteiga

Preparação: Corta-se o pão às fatias, e em dois recipientes, põe-se separadamente, os ovos batidos e o leite morno. Aromatiza-se o leite com a raspa de uma laranja e mistura-se com as 6 colheres de açucar e uma pitada de canela em pó. Passam-se as fatias de pão primeiro pelo leite e depois pelos ovos e espalham-se no tabuleiro forrado com papel vegetal, previamente untado com bastante manteiga. Vai ao forno a 200graus durante 15 minutos, viram-se as fatias e ficam mais 10 minutos no forno. Retiram-se e polvilham-se com açucar e canela! 

São deliciosas e muito mais saudáveis do que as tradicionais!! Experimentem! 

Papas de Aveia

Desde que me lembro de ser gente, que os meus pais comem flocos de aveia ao pequeno almoço. Confesso que nunca gostei, comia obrigada e torcia sempre o nariz. 
A minha mãe sempre fez a versão clássica das papas de aveia, saudáveis, mas sem graça nenhuma. (Desculpa mamã, mas é verdade!!ahahaha) 😝

Há uns meses fiz uns hambúrgueres de feijão com flocos de aveia e desde esse dia, fiquei com um pacote de flocos em casa, à espera que lhe desse algum destino. 

Já sei que são muito saudáveis, que ajudam a controlar colesterol e a manter os níveis de açúcar no sangue, fortalecem as defesas e afastam os tumores. Mas sinceramente sempre achei que tinham um gosto meio amargo, e mesmo com açúcar, não me alegravam o paladar. 

Mas por algum motivo os meus pais nos obrigavam a comer estas papas quando éramos pequenas, não é?! 

A aveia tem uma fibra especial que se chama Betaglucana, que quando fermenta no intestino grosso cria moléculas que combatem microorganismos nocivos.Também permite que a glicose seja absorvida lenta e gradualmente, o que regulariza a libertação de insulina e como prolonga o efeito de saciedade, atrasa aquela sensação de fome. 

Tem vitaminas (B1 e B3) que ajudam a manter a energia do corpo e a saúde mental e minerais antioxidantes, como o zinco, capaz de eliminar os radicais livres que danificam as células. 

Fortalece unhas e cabelo e estimula a produção de colageneo, que depois dos 30 nos faz muita falta para evitar as rugas. A aveia é extremamente proteica, tem também ferro, magnésio, fósforo e cobre. 

Com todas estas qualidades, comecei a pensar que realmente não lhe posso continuar a torcer o nariz e dever-lhe-ia dar uma segunda oportunidade. 

Recentemente em conversa com as minhas amigas, que tal como os meus pais, também são fãs de papas de aveia; deram-me umas receitas muito mais elaboradas e apelativas; e resolvi começar a cozinhar flocos de aveia para o pequeno almoço. 

Deixo aqui uma das receitas que fiz e devo dizer que afinal já não me parecem assim tão desagradáveis. Dei-lhes o benefício da dúvida e começaram a fazer parte da alimentação cá de casa. 

Ingredientes para 2 taças pequenas:

· 50 g de flocos de aveia

· 150 ml de leite – de vaca, de soja, de arroz, de amêndoa, ou bebida de aveia que foi o que eu usei.

· Casca de limão

· 1 Banana às rodelas

. 8 Frambuesas, ou amoras, ou mirtilhos ou qualquer outro fruto que tenham em casa

· Canela q.b.

· Mel q.b.

Modo de preparação 

Levar o leite ao lume com a casca de limão e quando estiver morno acrescentar os flocos de aveia.Deixar cozer entre 3 a 5 minutos, nunca parando de mexer. Retirar do lume quando a consistência estiver do vosso agrado, deixar arrefecer um bocadinho, polvilhar com canela e pôr um fio de mel. Servir com as rodelas de banana e as frambuesas.

Mojito Picante

Desde que vivo em Barcelona que descobri o verdadeiro sabor de um bom Mojito. O facto de aqui viverem tantos emigrantes da América do Sul, originários de países onde se bebe muito rum, faz com que em qualquer bar da cidade seja fácil encontrar bons Mojitos. 
Há para todos os gostos, de vários sabores e com diferentes tipos de rum. Nem sempre é a minha primeira opção, mas sem dúvida que o Mojito é um dos cocktails mais frescos e saborosos que há. 

Há mais ou menos 5 ou 6 anos, numa ‘barbacoa’ na nossa antiga casa, uns amigos apresentaram-nos esta receita, tinham provado no terraço de um dos hotéis mais xpto de Barcelona; e como cá em casa somos fans de comida picante; sabiam que para nós a combinação faria sentido. Desde esse dia, tem sido um sucesso entre todos os que provam os nossos Mojitos Picantes!! 

Ingredientes para 2 Mojitos 

  • 4 Limas 
  • 8 Folhas de Menta 
  • 4 colheres de sopa de açúcar mascavado 
  • Sifão (água carbónica) 
  • Rum (1 cálice por copo) 
  • 1 Malagueta 
  • Gelo 

Dentro de um shaker esmagamos com um pilão de madeira as limas cortadas em quatro, para tentar sacar o máximo de sumo possível. Juntamos as folhas de menta, o açúcar e a malagueta e voltamos a esmagar. Quando a malagueta estiver completamente destroçada e misturada com as limas e a menta, distribuímos a mistura por dois copos. 

Em seguida adicionamos um cálice de rum por copo, ou mais quantidade dependendo do gosto de cada um. O gelo pode ser picado ou inteiro; junta-se também, a olho, até quase ao cimo do copo. Finalmente pomos a água do sifão para preencher o dedo que falta até o copo estar cheio. Mistura-se uma última vez para que a água se mescle com os restantes ingredientes e está pronto a beber. 

Aconselho a beber sempre com palhinha, para que a malagueta passe diretamente para a garganta. Este é o grande truque deste mojito, a sensação apimentada que fica na boca, o aroma ardente em contraste com o frio do gelo. Se bebemos sem palhinha, como já nos aconteceu um dia que não havia, fica-se com os lábios e toda a boca a arder e não se consegue esse efeito quente-frio. 

*Hoje, estes mojitos souberam-nos especialmente bem, porque brindámos ao nascimento do nosso querido sobrinho Benjamin, que nasceu dia 03.08.2016 e veio para trazer ainda mais alegria à nossa vida aqui em Barcelona. O primeiro bebé da nossa família barcelonesa, que a partir de agora será ainda mais unida, mais rica e positiva, pois temos uma nova vida entre nós. 

Bienvenido pequeño Ben!! 😍🎉

As nossas Barbacoas!

Neste meu Post falo um pouco de como é viver numa casa com terraço e o porquê de não querermos abdicar deste pequeno luxo. Hoje escrevo exclusivamente sobre as nossas famosas ‘barbacoas’, que se não tivéssemos terraço, seriam impossíveis de fazer. Em Portugal chamamos-lhe: ‘churrascadas’, mas para o português comum, que vive num apartamento T3 de uma grande cidade portuguesa, fazer isto é algo improvável.

Em Barcelona, isto das Barbacoas é algo bastante normal e toda a gente que tem terraço e gosta de juntar amigos, não tem outro remédio se não comprar um grelhador e “começar a virar frangos pó pessoal”!
A época alta é obviamente na Primavera/Verão, mas se o Inverno não é demasiado rigoroso, também podemos pôr carvão no grelhador em qualquer mês mais frio.

Há toda uma tradição à volta disto, são verdadeiros acontecimentos sociais e repetem-se todos os anos (normalmente sempre em casa dos mesmos / os que têm terraço). Mas por nós tudo bem, dá-nos um gozo enorme receber gente em casa, muitas vezes partilhamos tarefas e os nossos amigos trazem sempre bebidas e sobremesas. 

Confesso que às vezes me ‘stressa’ um pouco a logística das barbacoas, porque apesar de quase tudo estar já pronto quando chegam os convidados, o principal não está. A carne só vai para a brasa quando começam a chegar os primeiros. Ou seja, há bastante margem para atrasos, e para que algo não saia exactamente como devia, principalmente quando experimentamos receitas novas. (Sou demasiado perfeccionista para um evento onde se convida gente para comer e quando chegam, a comida ainda não está feita!!)😅😂

Normalmente fazemos ‘barbacoa’ de picanha, (é o nosso prato forte) com chouriços e salsichas frescas na brasa para começar. Mas também já fizemos de entrecosto, frango, bacalhau, douradas, careta, couratos; de vários tipos de vegetais, e a última foi de hambúrgueres e febras. [As febras foram um sucesso, os hambúrgueres não me convenceram.]

Vamos aprendendo com o tempo o que funciona e o que não devemos repetir. O meu guacamole, modéstia à parte, é um dos melhores do mundo mundial. E o ali-oli também já ganhou medalhas a nível internacional!! 😂😂 Ambos são imprescindíveis em qualquer barbacoa, assim como a salada de pimentos assados na brasa e a salada verde. Nas barbacoas de inverno alternamos entre os legumes assados (roasted vegetables) e a lentilhada (uma espécie de feijoada com espinafres, cenouras e alguns enchidos, mas com a minha leguminosa preferida: a lentilha). 
Para beber há sempre muita cerveja e vinho, trazidos pelos convidados. E nós normalmente preparamos uma sangria de cava ou mojitos para depois do almoço. Em breve partilho aqui a minha receita dos mojitos picantes, mais que apropriados para estes dias de calor intenso.


Um dos pontos mais importantes em qualquer barbacoa é a música, anima o ambiente e o pessoal, e vai subindo de tom e de ritmo ao longo da tarde. Música e álcool juntos são meio caminho andado para que em algum momento toda a gente esteja a dançar. 

Cada barbacoa é diferente e imprevisível, já tivemos de todos os estilos: mais tranquilas e que entram pela noite dentro com muita conversa e álcool à mistura, ou muitas com momentos de loucura onde tivemos quase que expulsar o pessoal, porque em alguma altura arriscar-nos-iamos a ter os ‘mossos’* à porta. Ja nos caíram tormentas de chuva a meio de uma barbacoa, mas também ja destilámos pelo calor insuportável sendo impossivel aguentar lá fora.

Cá em casa adoramos disfarces, máscaras e adereços; soltamos muitas vezes o nosso lado teatral nestes eventos e há sempre alguns ingredientes secretos, mas esses não posso contar, se não deixariam de o ser. 

Com estes 9 anos de experiência em barbacoas, já percebi que não é preciso haver muita gente para que sejam noites inesquecíveis e divertidas. Temos sempre tanta gente com quem gostamos de partilhar estes momentos, que muitas vezes mal dá para nos sentarmos no terraço e acabamos por nem estar com todos os que convidamos. Funciona muito melhor se somos poucos, mas sempre bons!! 

As barbacoas são mais uma das maravilhas de Barcelona, onde o culto do convívio é preservado e que a nós particularmente caiu-nos como uma luva! 

*Mozos de Escuadra – Policía de la Generalidad

O meu primeiro Gazpacho

Antes de viver em Barcelona não comia gazpacho, nem pimentos, nem pepino… nem uma série de outros ingredientes que fazem parte da dieta de ‘nuestros hermanos’.

Aos poucos fui provando, o meu paladar foi-se alterando e agora simplesmente adoro todas estas coisas. Deixei de comer manteiga no pão, decididamente prefiro pão com azeite; assim como o ter tomate e alho numa sandes, parece-me agora um detalhe imprescindível. Enfim… Espanholizei bastante a minha alimentação, mas sempre tentando misturar o melhor dos dois países e mantendo-me fiel às minhas receitas saudáveis. 

Hoje, depois de um dia de praia, cheguei a casa, abri o frigorifico e dei-me conta que tinhamos todos os ingredientes para fazer um gazpacho.

 À falta de uns camarões cozidos, umas ameijoas, conquilhas ou caracóis (para quem gosta), o gazpacho pareceu-me a opção mais fresca e saudável para acabar este domingo.

Segui a receita original, mas com alguns  ingredientes alternativos. Tinha tomates da horta de um amigo e pimentos da minha horta (bio+bio ñ há); o pão era de noz e a cebola era roxa, o que fez com que o gazpacho ficasse com um tom não tão avermelhado, mas mais parecido com ‘cor de burro quando foge’. Mas posso garantir que o sabor era delicioso!! 

Gazpacho Original
1 quilo de tomates maduros 

1 pimento verde 

Meio pepino 

1 cebola pequena 

1 fatia de pão (cerca de 50 gramas)

1 dente de alho 

3 colheres de sopa de azeite 

3 colheres de sopa de vinagre de vinho branco

1 pisca de sal

Bom apetite!!