‘David Bowie Is’ em Barcelona <3

Na proxima semana, dia 25 de Maio vai abrir ao público , no Museu de Design de Barcelona, a exposição “David Bowie Is”; e poder-se-à visitar durante três meses. 

Amigos residentes ou visitantes em Barcelona, é imperdível!!! 

Andei de olho nesta exposição desde o primeiro dia em que abriu! No verão de 2013 perdi-a em Londres, já que cheguei uma semana depois de ter acabado no Victoria and Albert Museum, onde se inaugurou inicialmente. Mas no inicio de 2016, tive a sorte de a conseguir ver em Groningen, na Holanda. E tenho que dizer que é uma das exposições mais fixes que já vi! 

Como escrevi neste POST quando o Bowie nos deixou, ouvi-o diariamente numa das fases mais importantes da minha vida, e a sua música faz parte de mim e do meu desenvolvimento como pessoa. Acho-o excentricamente extraordinário, musicalmente inspirador e sempre me pareceu muito coerente como pessoa. 

Destaca-se, nesta exposição, a sua enorme criatividade e a diversidade da sua obra. Explora-se a ligação que fazia entre a moda, a música, a arte e o design; e vê-se como a sua peculiar individualidade deixou uma forte marca na cultura contemporânea, inspirando outros artistas a desafiar as convenções e a procurar a sua forma de expressão. 

Esta exposição reúne instrumentos pessoais, vestuário original, videos, fotografias, filmes, letras manuscritas, e muitos mais objectos; que visitaram já um total de nove países. Mostra também que parcerias fez Bowie ao longo da sua carreira e que influências sofreu. 

Pode-se apreciar os seus processos de criação e reinvenção ao longo de cinco décadas, vendo as mudanças estético-culturais que fizeram com que sempre se mantivesse um símbolo e uma referência no mundo artístico. 

“David Bowie Is” é também uma experiência audiovisual extraordinária, porque usa tecnologia multimédia de alto nível; e durante todo o percurso vamos ouvindo histórias, explicações, excertos de conversas, músicas e filmes, videos e imagens que são um deleite para os nossos sentidos.

Os bilhetes para ver a retrospectiva da vida de Bowie já estão à venda, AQUI e AQUI. Custam 14,90€ (entrada normal de 2a-6a.feira) e 17,90€ ao fim de semana, a entrada reduzida custa 9,90€. 

A entrada para esta exposição dá um desconto de 50% no bilhete para o Museu de Design e acesso gratuito ao Museu da Música. 

Recomendo a 100% e para quem não vive aqui, mas está à procura de uma cidade fantástica para passar uns dias este verão; pois Barcelona “is the place to be”, agora também, por terem durante três meses a oportunidade de ver a exposição sobre a vida de um dos ícones musicais do século XX. 

Tapantoni de Primavera [2017]

E hoje começa o Tapantoni!!! 

Um dos melhores eventos do bairro de Sant Antoni. Tapa e bebida a 2,5€, damos um rolé pelas ruas, encontramos os vizinhos, pomos a conversa em dia e descobrimos os novos spots da freguesia!! Adoro!!

Como já contei neste POST o que é este festival de tapas,  não vale a pena estar-me a repetir. 😉

Deixo-vos o LINK do evento, e recomendo a 100% que passem pelo bairro, até dia 28 de Maio, para provar as tapas do dia! 

Bom Tapantoni!! 

Temporada de ‘Calçots’

Todos os países têm as suas tradições, muitas são conhecidas internacionalmente, outras nem tanto. Às vezes só quando se vive num determinado local e se convive com as pessoas da terra, é que se tem contacto com o que é realmente tradicional. Isso também nos ajuda a conhecer e a compreender um povo, os seus hábitos e costumes. 

Hoje escrevo sobre os ‘calçots’, uma tradição catalã cuja temporada alta é neste preciso momento e que nós, todos os anos, fazemos questão de fazer. Em bom português pode parecer apenas uma cebola assada no fogareiro, mas na realidade é muito mais que isso. 

De uma forma especial de cultivar a cebola (cebola tardia de Lérida), deriva o nome calçot, uma vez que se vai adicionando terra à base, para que a cebola tenha que se alargar ao subir em busca da luz. Este processo chama-se em catalão “calçar” e repete-se duas a três vezes durante o cultivo, até que se consiga que o talo branco fique suficientemente comprido (entre 15 a 25 centímetros). 
A temporada de calçotes é entre Novembro e Abril, mas o seu auge é a partir do último domingo de Janeiro, momento em que se celebra a ‘Fiesta de la Calçotada’ em Valls – em Tarragona. 
É sem dúvida um dos pratos típicos da cozinha catalã, e também uma das festas gastronómicas mais interessantes que conheço. 

As calçotadas fazem-se nas ruas, nos bairros, entre grupos de amigos ou de vizinhos e sempre com muita alegria. É muito mais do que um almoço, é uma celebração cheia de detalhes. 

A primeira vez que comi foi em 2008, em Colomers, na casa da minha querida amiga Magali. Uma catalã de coração, independentista convicta que contraria o estereótipo  dos catalães, já que é uma das pessoas mais sociáveis e comunicativas que conheço e que adora misturar-se com diferentes culturas. 

Numa Catalunha profunda, onde praticamente se fala apenas catalão, passámos um maravilhoso fim de semana de inverno, com a lareira acesa, calçotes e butifarra, um porrón sempre cheio de vinho, grandes amigos e boas conversas. Para mim, isto é que é uma boa calçotada! 

Hoje em dia para comer calçotes continuamos a juntar-nos com amigos que vivem no campo e podem assar calçotes no quintal, ou às vezes a empresa onde trabalha o H.  organiza um sábado e oferece uma grande calçotada a todos os trabalhadores. 

Mas quase sempre comemos também os calçotes em restaurantes; vários têm menus de calçotada, e entre 25€ e 40€ recebe-se uma telha com 25 calçotes, pão com tomate, carne à brasa, vinho, sangria ou água, sobremesa e café. 

A particularidade dos calçotes é que se cozinham com fogo alto, utilizando a cepa da videira para assar. Quando a primeira capa está completamente queimada, envolvem-se em papel de jornal, para acabar de cozer no seu próprio calor. 

Têm um sabor ligeiramente adocicado e acompanham-se com um molho feito de tomate, amêndoas, azeite, pimento e avelãs (molho romesco). 

Depois dos calçotes, serve-se normalmente uma parrilhada de carne e butifarras (a salsicha tipica catalã), com batatas assadas na brasa (al caliu), alcachofras e molho ali i oli (uma espécie de maionese de alho). 

Comê-los é todo um ritual, com luvas e babete, queixo ao alto, de cima para baixo e  muita risota pelo meio. 

Recomendo a todos os que visitarem a Catalunha no início io da primavera, a procurarem um sítio para degustarem este prato e viverem a verdadeira experiência catalã. 

WC_PT • a criatividade não tem limites •

As casas de banho despertam uma atração especial em algumas pessoas. A mim, na verdade, nunca despertaram muito além da vontade de as usar quando tenho necessidade. Mas pensando de forma subjetiva, são efectivamente espaços curiosos onde normalmente passamos momentos íntimos, aos quais à partida atribuímos um rotineiro desinteresse. Ou talvez não… 

Na primeira casa onde vivemos em Barcelona, havia na casa de banho um poster colado na porta; chamava-se Toilet Cam Poster – era a imagem de várias casas de banho onde estavam pessoas a fazer coisas completamente diferentes. Era um poster que mostrava bem tudo o que se pode fazer numa casa de banho e como um espaço minúsculo pode ser tão divertido, tão promíscuo, tão original, ousado ou surpreendente. 

Nessa casa alugávamos um dos quatro quartos que havia, mas nela viviam às vezes 5 pessoas, às vezes 6 ou 7 e quase sempre muitas mais que entravam e saiam como se lá vivessem. O poster da casa de banho mostrava a diversidade e o sentimento de liberdade que ali habitava. 

Há uns anos atrás o H. desenvolveu um “fascínio” por casas de banho e criou uma conta de instagram dedicada ao tema. Ele diz que reparou que nem todos os buracos das sanitas são iguais, e que dependendo de onde está posicionado o buraco, usá-la pode ser mais ou menos cómodo. 

Então começou a fotografar as sanitas de todos os sítios onde vai: bares, restaurantes, casas de amigos, museus, comboios, aviões, hotéis, etc.. Fotografa tal qual a encontra, antes de a usar; e todas as fotografias são tiradas por ele, como parte da experiencia que dá forma a este projecto. 

Se tenho que pensar numa sanita famosa, a minha referencia é “the worst toilet in Scotland”; a asquerosa sanita onde o Ewan McGregor entra, no filme Trainspotting, para recuperar dois supositórios de ópio. Essa imagem vista por uma miúda de 16 anos, ficou marcada até hoje. 

Confesso que fiquei surpreendida quando o H. comentou que tinha cada vez mais seguidores no instagram e que, assim como ele, havia vários aficionados de sanitas e casas de banho, por todo o mundo. Mas agora que penso sobre o tema, compreendo e até comparto a curiosidade de tantos outros. 

Já tive noites hilariantes de conversas absurdas em casas de banho de bares e discotecas. 

Tenho inúmeras histórias de festas em casas de amigos, em que apesar da música estar na sala, estavamos todos metidos na casa de banho. 

Já encontrei em filas para a casa de banho de festivais, pessoas que não via há muitíssimo tempo. É sempre nas filas para a casa de banho que te dás conta que há sempre alguém em pior estado que tu. E é quando entras, fechas a porta e falas com o espelho, que percebes em que condições estás.

 E quem é que nunca disse: Vem comigo à casa de banho?! 😂😜

O instagram do H. chama-se WC_PT e reflecte um pouco a sua própria visão do mundo. Um mundo onde todos somos diferentes, mas também muito parecidos; onde há sempre um detalhe que nos distingue e nos torna únicos; mas onde há espaço para todo o tipo de “sanita”, dependendo do país, da cultura ou do local onde esta existe. Com mais ou menos côr, mais suja ou mais limpa, todas têm o seu ponto interessante e todas merecem ser fotografadas. 

Até ao dia de hoje, o H. já foi contactado por várias pessoas curiosas pela sua galeria; recebeu elogios, comentários e até propostas de possíveis projectos. Faz-me pensar que o mundo é enorme e cheio de gente creativa, com interesses tão diferentes e que há sempre espaço para mais alguma ideia. Que talvez não esteja tudo inventado, que há sempre uma perspectiva diferente de ver algo que já todos vimos e que no fundo, são os pequenos detalhes que fazem as grandes pessoas. 

Falafel 100% Saudável

Cá em casa tentamos cada vez mais arranjar alternativas para as nossas refeições. Tentamos comer bem, de forma equilibrada e variada, mas também original. Aborreço-me se como sempre as mesmas coisas, nos mesmos formatos. 

Durante muitos anos, em Portugal, o grão-de-bico era básicamente usado como uma guarnição; acompanhava o bacalhau cozido, fazia-se salada com atum, em algumas zonas do país sopa de grão, e uns quantos pratos mais. Só mais recentemente começou a ser um alimento de destaque nas refeições. 

Eu considero-o primordial para uma nutrição equilibrada, já que é um alimento que fornece energia sem provocar picos de insulina no sangue;  tem minerais como o magnésio, cobre e ferro; vitaminas e ainda ácido fólico. Muito importante também, é que o grão-de-bico além de reforçar as nossas defesas, diminui os níveis de cortisol; que é a hormona relacionada com os comportamentos compulsivos a nível alimentar e com a acumulação de gordura na região abdominal.

Possui também fibras que nos ajudam a saciar com mais facilidade, mas é a proteína que faz desta leguminosa uma boa escolha para o menu do dia a dia, pois tem o nutriente responsável pela manutenção dos nossos músculos. 

Apesar de ser muitas vezes considerada uma proteína incompleta, por ser de origem vegetal; se misturarmos o grão com um cereal, como por exemplo o arroz, teremos uma combinação de aminoácidos essenciais muito próximos à proteína da carne. 

Porque é tão espectacular este alimento, hoje partilho uma receita de Falafel 100% saudável. 

Aqui em casa comemos às refeições, mas também como snack ou entrada. Pode-se acompanhar com um molho caseiro, tipo ali-oli ou tzatziki, que faz a combinação perfeita. O que eu mais adoro nesta receita, é que não se frita, cozinha-se no forno. 

Falafel  100% Saudável 

500 grm de grão de bico seco

3 dentes de alho

2 cebolas médias

3 colheres de sopa de azeite

Um punhado de folhas de hortelã

Um punhado de coentros frescos (usei os da nossa horta) 😍👌🏽

Cominhos qb

Pimenta qb

Noz-moscada qb

Sal qb 

Deixo o grão demolhado em bastante água, de um dia para o outro (mínimo 24h) . 

Junto todos os ingredientes cortadinhos numa taça e passo a varinha mágica até obter uma pasta uniforme. 

Desta vez usei a “técnica do pastel de bacalhau” para moldar o falafel; com duas colheres de sopa, e o resultado foi o que se pode ver nas fotos.

Põem-se num tabuleiro com papel vegetal a 200 graus no forno, durante 30 minutos e estão prontos a comer. 

*Eu uso a varinha mágica para triturar os ingredientes, mas quem tem outro tipo de máquina, tipo 123 ou bimby ou qualquer outro processador de alimentos, pode usar também.

*Esta receita é rápida e fácil, não utiliza produtos de origem animal, nem nenhum tipo de farinha, e pode-se congelar. 

*Estas quantidades deram para cerca de 60 pasteis de falafel. 

Recomendo 100%


Chameleons no Apolo

As últimas semanas têm sido de readaptação à rotina, voltar ao trabalho e planear o novo ano.

 Tenho andado bastante ocupada, mas também muito tranquila e por isso não tenho escrito muito; mas aos poucos entro no ritmo, mudo o disco e começo a dançar novamente. 

Falando de música, este fim de semana fomos a um concerto espectacular no Apolo. Para quem não sabe é uma das salas míticas de Barcelona, e também uma das melhores discotecas da cidade. 

Fomos ver uma banda que já tínhamos visto duas ou três vezes, já que o baterista é nosso amigo e o som que tocam entra no ouvido, aquece-nos o sangue e faz mover até uma pessoa com dois pés esquerdos!

Chamam-se Chameleons e consideram-se repartidores de groove. E é um facto, groove não lhes falta! 

Os concertos são cheios de energia, nota-se ao longe uma química entre os componentes da banda e isso faz com que a empatia e cumplicidade se crie naturalmente com o público. 

Com uma clara influencia de funk, soul, r&b e jazz, é impossível ficar indiferente quando os Chameleons estão em cima de um palco.

E por falar em palco, devo dizer que tocar na sala principal do Apolo, tem que ser uma emoção sem tamanho e um shot de adrenalina pura. 

Para mim enquanto espectadora, confesso que quando vejo um bom concerto nesta sala, e já vi alguns nestes quase 10 anos em Barcelona, fico com pele de galinha. 

O concerto de sábado foi um dos bons; bastante mais curto do que se desejaria, mas efectivo na medida em que nos 45 minutos que tocaram, produziram uma alegria quase eufórica, a uma sala bastante composta.

Go Chameleons!!

A ARTE DE RECEBER [o que não pode faltar no quarto de hóspedes]

Sei que já terminaram as festas e que a maior parte das pessoas já voltou à rotina, mas cá em casa o ritmo é outro.
Depois de receber os meus pais e uns amigos para as festas natalicias, recebi uma grande amiga logo no primeiro fim de semana de Janeiro. 

Cá em casa recebemos sempre muito e muita gente, é o que eu chamo de “boadição”; é uma espécie de maldição genética, mas que no fundo é uma coisa boa!  

Os meus pais também sempre foram assim, têm sempre amigos de visita ou familiares a passar temporadas.

Na verdade cresci desta forma e não só não me incomoda, como tenho todo o prazer em receber. Felizmente o H. é parecido comigo nestas coisas, e tem sempre os braços abertos para as visitas. 

É verdade que já tivemos verões em que todos se lembraram de vir ao mesmo tempo, e passámos semanas em que não estivemos sozinhos mais do que dois dias. Confesso que também pode ser cansativo e obviamente uma grande despesa; não só as contas disparam, mas quando recebemos visitas, sentimo-nos um bocadinho de férias e fazemos vida de restaurante e bar, com mais frequência do que o habitual. 

De qualquer forma, vejo o facto de receber muitas visitas, como um privilégio e um sinal de que temos muitas pessoas queridas na nossa vida. Além disso, como tenho o lema de visitar os amigos espalhados pelo mundo, o mínimo que posso fazer é receber os que cá vêm, de braços abertos. 

Nunca me vou esquecer que quando fiz aos 18 anos o interrail, ficámos amigos de 2 miúdos no comboio a caminho de Paris; e que sem perguntar (porque naquele tempo nao havia telemóveis), ofereci a casa do meu primo para eles dormirem. Chegámos a Paris e eu com a cara mais inocente do mundo disse:

-Rui, em vez de 3 somos 5!

E o meu querido primo Rui, que vive num T1 no centro da cidade, disse:

-Têm que dormir todos no chão da sala, mas onde dormem 3, dormem 5! 

E assim aprendi desde cedo que ter pouco dinheiro para viajar, não é sinónimo de que se deixe de o fazer. E também, que se tenho um tecto e um colchão, pois é bem vindo quem vier por bem! 

Com a experiencia fui melhorando as minhas técnicas para receber. Não só com as visitas que recebo, mas também com as casas onde já fui recebida. Obviamente que viver a experiencia Airbnb, como anfitriã e como hóspede foi também uma escola na arte de receber. 

Hoje em dia, quando tenho que preparar o quarto de hóspedes, há coisas que para mim são imprescindíveis. Faço uma lista, caso alguém precise de umas dicas para a próxima vez que receber visitas. 

– Cama feita de lavado e com jogo de lençóis e fronhas a condizer.

– Toalhas limpas (uma de banho e uma de rosto)

– Uma manta extra caso seja inverno

– Cabides para pendurar roupa e se possível uma gaveta disponível

– Cadeira ou Banco para sentar ou pousar coisas

– Espaço para arrumar a mala de viagem

– Uma luz de presença perto da cama

– Um espelho

– Um cesto com itens de primeira necessidade (escova e pasta de dentes, champoo, sabonetes, creme hidratante, pequenas amostras, lenços de papel, etc) 

– Jarra de água e copo

– Umas flores para alegrar o quarto (opto por flores secas, porque as flores de plástico parecem-me horríveis, e as frescas duram pouco) 

– Guias ou Mapa da cidade

Isto são apenas algumas das muitas possibilidades que há. O que não falta são detalhes que se pode ter, para tornar a estadia dos nossos convidados mais cómoda. Tudo depende muito do gosto pessoal, mas também do espaço que se tem. 

O nosso quarto de hóspedes é pequeno e além dessa função tem também outras, como por exemplo a arrumação da roupa de casa, o lugar para guardar a ventoinha, o aquecedor ou o carrinho das compras. Sim, porque isso de ter um quarto apenas para as visitas é um desperdício, há que rentabilizar o espaço para quem realmente vive na casa, que somos nós.

Por isso, procurámos alternativas para que o quarto ficasse cómodo, mas que também servisse para as outras funções que lhe damos. 

Por exemplo, não tem mesa de cabeceira, mas tem uma luz ao alcance de quem está na cama. Não tem armário, mas é possível pendurar roupa à mesma. Como quase tudo na vida, com imaginação e boa vontade dá para fazer coisas muito fixes. 

Enfim, penso que neste mês de Janeiro já não teremos mais visitas, mas melhor não falar demasiado porque hoje ainda só é dia 13!!! 

Jantar de Natal & o Amigo Secreto 

Todos temos amigos de “toda la vida”, amigos com quem crescemos, que acompanharam aqueles momentos únicos da adolescência ou com quem mais tarde vivemos as aventuras do início da idade adulta. São amigos por quem temos muito carinho e que vão ter sempre um lugar especial. Eu além desses, tenho também um grupo de amigos em Barcelona, que estão numa categoria diferente, mas igualmente destacável. Talvez imposta pelas circunstâncias em que vivemos, imposta pela nossa condição de emigrante, a categoria é a de [amigos/familia]: contamos uns com os outros para o que der e vier, e como não temos mais ninguém por perto, são eles que nos ajudam a levantar quando estamos em baixo e é com eles que celebramos quando estamos em cima! 
Dentro deste grupo, existem as “girls”, minhas amigas há cerca de 9 anos, que com o passar do tempo e as muitas aventuras vividas, nos tornámos num grupo unido e coeso, cúmplices e confidentes. 

Somos 6, em contacto diário pelo whatsapp e apesar de uma de nós já não viver em Barcelona há alguns anos, continua a participar em muitos dos momentos importantes que vivemos juntas. Fazemos skype nos aniversários, nas jantaradas e quando temos alguma novidade que contar.

 A distância definitivamente não tem porque diminuir a amizade. 
Hoje escrevo sobre elas, as minhas girls e sobre umas das nossas tradições preferidas. 

Há já alguns anos no jantar de natal fazemos o jogo do amigo secreto. Já sei que à primeira vista nao parece que seja muito original, mas é!

Transformámos o tradicional ‘amigo secreto’, num dos momentos mais solidários e filantrópicos do natal. Em vez de comprarmos prendas físicas, como roupa, discos ou livros; fazemos uma doação em nome do amigo secreto, a alguma Associação, ONG ou Instituição à nossa escolha e que achemos que a pessoa em questão se possa identificar com a mesma. 

As seis somos mulheres bastante diferentes umas das outras, mas o facto de sermos todas feministas, solidárias, preocupadas com o nosso semelhante, com o meio ambiente, com a sociedade da qual fazemos parte, e principalmente com o facto de querermos ajudar a construir um mundo melhor; une-nos como seres-humanos. 

Por isso, mesmo que o nosso Natal também seja farto, opulento, consumista e materialista; este é o nosso momento de abdicar do material, e partilhar um pouco da vida privilegiada e cómoda que temos. 

Acreditamos que se todos dessem um bocadinho a quem tem menos, aos poucos o equilibrio chegaria e a vida seria mais fácil. 

Ajudar na verdade não custa nada e só nos faz bem! 

Fim de semana de Boda! 

Este fim-de-semana fui a um casamento na Catalunha profunda, um casamento bastante original e cheio de surpresas. Um desses casamentos divertidos, relaxados e dos que apetece ter pelo menos um ao ano! 

O local parecia sacado do Pinterest, os noivos estavam radiantes, a comida saborosa, bebida com fartura; convidados a transbordar de alegria e uma energia positiva contagiava o ambiente. Depois de uma semana chuvosa, o dia apresentou-se solarengo e temperado, não deixando duvidas ao que nos esperava. 

Durante muitos anos achei que o casamento era um passo desnecessário, até porque depois de tantos anos de relação, não me parecia minimamente necessário casar. Também por olhar para o mundo com uma visão feminista, achava que o casamento é ainda uma instituição machista, retrograda e que vincula a mulher a um papel doméstico de pura exploração e sobrecarga. 

Na minha opinião, e lamentavelmente, não deixa de ser verdade, ainda nos dias de hoje. 

Mas há muitos motivos para casar, motivos legais, visões românticas da vida, decisões de mudança, pressões familiares, ou simplesmente uma vontade enorme de celebrar o amor e partilhar com os que nos são queridos, a união com a pessoa que amamos. 

No meu caso, que casei em 2014, deveu-se a um conjunto de situações que basicamente passavam por falta de tempo. Depois de 14 anos juntos, casar não iria alterar a nossa condição ou compromisso, mas ao pensar que quando se casa, tem-se direito a 15 dias de férias extra, pensámos que seria uma boa altura para fazer uma grande viagem. 

Cada um casa pelos motivos que quer, eu casei para viajar. 

Muitas vezes o tempo torna-se o nosso maior problema, passa rápido e é sempre pouco. Mesmo que tenhamos algumas economias, trabalhamos tanto, que pouco tempo temos para usufruir das mesmas. Num ano com 365 dias, dos quais 103 dias são fins-de-semana e 232 são dias passados a trabalhar; sobram apenas 22 dias para férias. 

Por isso em 2014 casámos e fomos 1 mês e meio para a Ásia. Como já disse, cada um casa pelos motivos que quer, eu casei para viajar; para aumentar um bocadinho o pouco tempo que tenho para fazer uma das coisas que mais adoro. 

Mas confesso que casar foi também uma grande festa, foi também aproveitar para celebrar a vida com as pessoas com quem partilhamos a nossa. Foi darmo-nos conta de como somos queridos; foi poder organizar algo à nossa medida, à nossa maneira, e passar um dia inesquecível, que ficará na memória para sempre. 

E assim foi também o casamento a que fomos este fim-de-semana; a Ari e o André viveram intensamente o seu dia, com todo o carinho que merecem, numa linda festa cheia de amigos, muitas lagrimas, sorrisos e abraços; boa música e gargalhadas com fartura. Como tem que ser um casamento, como tem que ser a vida!