De hoje a exactamente um mês faço 38 anos…

Em Agosto o blog vai de férias, por isso sei que no dia 24/08 não escreverei sobre o tema, nem dissertarei sobre as vicissitudes da vida, ou não terei nenhum devaneio profundo sobre o facto de o tempo passar demasiado rápido.

Sem me dar conta estou-me a aproximar vertiginosamente da primeira metade da minha vida.

Uff… Assusta verbalizar isto!

Olho para trás e penso nos últimos 20 anos… teria feito tanta coisa diferente, se soubesse o que sei hoje. Mas não sabia!

Quando eu era miúda não se sabia muitas das coisas que hoje em dia parecem tão claras e tão óbvias. Com toda a informação, o acesso à internet e às novas tecnologias, já não há praticamente desculpas para pelo menos não se tentar fazer as coisas bem.

Tenho pena dos jovens que andam por ai perdidos a brincar com o tempo, a fingir que são adultos, a assumir responsabilidades desnecessárias; jovens que deixam de estudar (sem necessidade) para ganharem uns trocos em trabalhos medíocres, que não pegam na mochila e vão ver o mundo, que acabam a uni. e se enfiam diretamente numa rotina corporativa e que vivem na ilusão de que a vida será sempre assim… Compreendo que a juventude é por definição irresponsável, louca, leve e livre; mas se eles soubessem o que lhes reserva o futuro…

A vida fica muito mais difícil quando já não se tem 20 anos. É verdade que é aos 20 que devemos fazer de tudo sem pensar muito nas consequências, devemos viver intensamente sem pensar no amanhã; mas também devemos construir aquilo que vamos ser aos 30, aos 40 e por aí adiante.

Dizem que os 30 são os novos 20, mas não são.

Aos 20 eu não tinha dores nas costas, não tinha ressacas de 2 dias, não tinha tendinite no ombro, não via mal ao perto e não tinha que me esforçar muito para perder 3kilos.

Aos 20 não pensava em ter filhos, não ouvia o relógio biológico aos gritos, nem sentia nenhuma pressão do meu próprio corpo para me despachar a formar uma família. Aos 20 as dúvidas constantes eram outras, mais simples, menos definitivas, quase nunca me questionava sobre as minhas decisões e preocupava-me muitíssimo menos sobre o caminho que leva o mundo.

Os 30 são realmente a idade adulta.

Não é aos 20 que percebemos que trabalhar vai ser para sempre. Aos 20 o dinheiro sabe bem, gasta-se fácil e tudo é bastante relativo. Aos 30 começa-se a fazer poupanças, a priorizar situações e de repente custa muito mais ir trabalhar, aguentar o chefe, a rotina e a ausência de tempo livre.

Aos 30 percebemos que o tempo é precioso, que os 20 passaram a voar, e que por mais coisas fixes que tenhamos feito, por mais viagens e experiências… tudo soube saudosamente a pouco.

Queremos prolongar os 20 o máximo possível, e ao princípio comportamo-nos como jovens adolescentes até não poder mais, fingimos que as responsabilidades são pera doce e que já não nos importa o que os outros pensam… mas na verdade não é bem assim…

Enfim… dramatismos à parte, devo confessar que os 30 são a melhor idade, ‘até agora’!

Já somos adultos mas ainda bastante jovens, mais responsáveis mas com uma gota de loucura sempre presente, totalmente independentes, com as ideias já formadas e os valores bem definidos. Possuímos alguma estabilidade financeira, libertámo-nos de muitos complexos da juventude e com um bocado de sorte temos muito menos preconceitos. Aceitamo-nos como somos e aprendemos a tolerar os outros, com todos os seus defeitos e particularidades.

Sinto sinceramente que os 30 são a década de entrada na vida adulta e acredito que a forma como decidimos encarar essa vida, fará com que os 40 e as décadas que se sigam, sejam a continuidade de uma eterna juventude de espirito e abertura de mente para o que o futuro nos reserva.

Ainda que às vezes me pareça que me resignei em tantas coisas, na verdade não o fiz. Continuo a apaixonar-me perdidamente, a ter sonhos mirabolantes e a procurar sempre algo que me faça sentir viva. Continuo a querer conhecer novas pessoas, aprender cada dia algo novo e a sentir uma necessidade acutilante de descobrir o desconhecido.

De hoje a exactamente um mês faço 38 anos.

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6 opiniões sobre “De hoje a exactamente um mês faço 38 anos…

  1. Ui, eu que já entrei nos quarenta nem sei que dizer deste texto tão verdadeiro. Se soubesse o que sei hoje tinha feito tanta coisa diferente. Mas acho que estamos condenados enquanto espécie a saber sempre muito, mas a nunca saber tudo, e a passar a vida a pensar que podíamos ter feito diferente. O segredo dos 40 é fazer as pazes com aquilo que não fizémos e pensar em tudo o que ainda podemos fazer.
    Boas férias!

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