Power to the People

Como se diz em inglês: Life lately… sucks! Que é como quem diz que não está fácil minhas amigas. E na verdade nem é “lately”, é já há muito tempo.

Mas, para quem não sabe: a isto chama-se Vida. Desengane-se quem pensava que era só feita de episódios coloridos, anos e anos de alegrias, festas, viagens e aventuras.

“Pues va a ser que no!”

Viver é assim, um risco constante, provocado pelas nossas escolhas, mas também pelo infortúnio de todas as situações imprevistas que nos acontecem. (E não me refiro apenas ao grave acidente de moto, que a minha irmã e o meu cunhado tiveram há dois meses atrás e que virou a vida da nossa família do avesso.) 😦

Refiro-me por exemplo, a uma maioria votar num partido que não nos representa, e que depois de chegar ao poder nos retira os direitos já adquiridos. Ou aprova leis que favorecem o capitalismo desenfreado e prejudicam o nosso quotidiano nas necessidades mais básicas, como ter uma casa para viver.

Acho que Barcelona não está pior do que Lisboa, então não vos vou contar nada de novo. Não quer isso dizer que as coisas aqui estejam bem, longe disso.

Continuamos a viver numa ginástica mensal porque o aluguer nos leva grande parte do salário. Pagamos um preço muito alto para viver na cidade, onde a especulação imobiliária continua a arrasar famílias que já não têm, literalmente, onde se meter.

Temos os salários estagnados face aos preços de absolutamente tudo, e o aumento dos custos das casas e das rendas supera largamente a evolução dos nossos rendimentos, o que torna o mercado totalmente inacessível.

Por isso explico-vos porque vou fazer greve no dia 11 do 11?

  • Porque já não dá para aguentar o custo de vida, na verdade, o facto de ter um emprego já não garante que se consiga pagar uma casa.
  • Porque é preciso regular e controlar os preços do arrendamento, assim como a renovação automática de contratos, para que se evite os despejos abusivos.
  • Porque é preciso lutar e exigir habitação pública. É necessário um investimento significativo da parte dos governos, e não deixar o acesso à habitação apenas nas mãos da especulação privada.
  • Porque não podemos continuar a trabalhar sem ter uma real dignidade laboral, os salários são insuficientes perante o cavalgar da inflação. É necessário equiparar ambos.

E poderia continuar a dar motivos para aderir à greve geral de dia 11 de novembro em Espanha, mas não é preciso.

Estes são mais do que suficientes.

Se não é possível fazer uma greve geral em toda a península, então que se continue as manifestações em Portugal e que neste dia sejam mais do que as mães. Que dia 11 não compremos às grandes empresas, não consumamos mais do que o necessário, que todos nos possamos unir para lutar por uma sociedade mais justa e mais humana.

Eu não tenho a nacionalidade espanhola e por isso não poderei votar no dia 29 de novembro. Mas é aqui que vivo há 19 anos, é aqui que trabalho e pago os meus impostos, e são as leis deste país que afetam a minha vida. Também por este motivo é imprescindível fazer greve no dia 11, porque é a oportunidade que temos todos os cidadãos trabalhadores para mostrar o nosso descontentamento, sendo ou não sendo votantes.

Vemo-nos na rua (eu aqui em Barcelona), tu onde me estiveres a ler. ✊🏽

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