Contagem decrescente!  [como organizo as minhas viagens] 

Sou naturalmente uma pessoa organizada e inevitavelmente também 100% organizadora. 

Está-me no sangue e não posso evitar; desde miúda que sempre gostei de inventar, pesquisar, descobrir e explorar o desconhecido. Ver até onde posso ir, até onde tenho capacidade de criar. 

Hoje em dia está tudo facilitado com o uso da internet, só não faz quem não quer. Pode-se aprender a tocar um instrumento vendo vídeos no youtube, aprender a cozinhar, fazer trabalhos manuais, falar novas línguas ou ter acesso a todo o tipo de informação relacionada com quase tudo. Viva a Internet!! 

E está claro que organizar uma viagem tornou-se também algo bastante simples de fazer. É apenas preciso curiosidade, dedicação e muita paciência; mas tudo o resto está on-line, é só procurar! 

Acho que uma das coisas mais importantes para organizar uma viagem, é ouvir as dicas de quem já lá esteve, é aprender com os erros dos outros e aproveitar a sabedoria das boas experiências. 
Todos temos amigos que já visitaram sítios onde queremos ir e esses são sempre os nossos melhores conselheiros. 

Recordo-me que quando fomos à India, pedimos sugestões a vários amigos (que nem se conhecem entre si) e houve um sítio que nos foi recomendado por três pessoas diferentes (uma portuguesa, um catalão e um israelita), o que obviamente despertou a nossa curiosidade: Hampi, uma “pequena” cidade no meio de Karnataka… Posso apenas dizer que incluí-la na nossa viagem foi uma das nossas melhores decisões. 

Se por acaso não temos a sorte de ter acesso a informação mais personalizada, há muitíssimos blogs de viagens que nos ajudam a ter uma visão mais clara sobre os destinos, depois basta cruzar tudo o que lemos e decidir onde queremos ir. No final deste post indico alguns blogs de viagens que costumo ler e que têm sempre boas dicas para os viajantes. 

Eu leio basicamente para aprender sobre os sítios onde quero ir e conhecer a perspectiva de pessoas de todo o mundo que já lá estiveram; mas também para decidir as coisas práticas da viagem: onde dormir, que transportes utilizar, alguma recomendação gastronómica ou algum conselho importante. 

O primeiro passo, depois de decidir o destino da viagem é começar a procurar  voos, para isso uso normalmente duas páginas: Skyscanner e Vuelos Baratos

Segundo passo é comprar o Guia da Lonely Planet, que passa a ser o meu livro de cabeceira durante os meses que faltam até à viagem. (este ano foi presente dos meus pais) 😍

Começa então a conta-atrás e muito que organizar!! 

Já passou um mês desde que comprámos os bilhetes para o Vietnam e já perdi a conta do número de blogs que li até agora, das vezes que olhei para o mapa e para o calendário para organizar os dias. Já mudámos o itinerário duas ou três vezes, já juntámos outro país à viagem e calculámos gastos para diferentes possibilidades.

Pode-se viajar de forma muitíssimo barata pelo sudeste asiático, mas quando já não se tem 20 anos, há algumas situações que para mim ficam automaticamente excluídas, e dormir mal é uma delas. 
Uso o Tripadvisor e o Booking para encontrar alojamento – sempre um quarto duplo com wc privado (nem sempre reservo, mas recolho alternativas que junto à informação do Lonely Planet, para mais tarde decidir). O pequeno-almoço incluído não é imprescindível (porque na Asia a comida é ridiculamente barata); mas um bom colchão sim que o é. 

Depois de carregar uma mochila durante várias horas, subir a comboios, motos e táxis, caminhar quilómetros a visitar cidades, é muito importante que o sítio onde vamos dormir seja confortável e limpo. 

Continuo a viajar de mochila e penso que assim continuarei durante muitos e longos anos, é a forma mais cómoda e simples de viajar. Mas sobre a mochila e o que levar na viagem, escrevo noutro dia. 

Quando já tenho o roteiro definido (que pode ser sempre alterado a qualquer momento) começo a ver formas de nos deslocarmos; como sou apaixonada por viagens de comboio, essa é sempre a minha primeira opção. Recomendo o site: Seat 61, que tem informação sobre os horários de vários países, tipos de comboio, e várias opções e comentários. É sem duvida o mais completo de todos. 

Se ao princípio leio sobre tudo, a cultura, a historia ou a gastronomia; com o passar do tempo vou restringindo a pesquisa apenas aos locais onde vamos, em busca daquele sítio especial que nos apaixonará quando lá estivermos. Aquele restaurante típico, o miradouro perfeito para ver o pôr-do-sol, ou aquela experiência imperdível. 

Normalmente tenho apenas 3 semanas para viajar e nunca tenho tempo para ver tudo o que gostaria, por isso tento organizar algumas coisas o melhor que posso, para que quando esteja em viagem, me possa deixar levar pelo imprevisto e desfrutar dos momentos surpresa, que são o que realmente dá chispa a viagem.

Uma das últimas coisas que faço antes de partir é procurar um seguro; já usámos o  Worldnomads em duas viagens e a verdade é que correu tudo bem e não precisámos de o ativar; mas é o mais recomendado por vários viajantes e blogs e parece-me que em relação a coberturas e preço está bastante bem. 

Este ano comprámos a voo já com seguro de viagem, o que também é uma opção interessante. Quando se viaja para o outro lado do mundo, com uma mochila e um guia na mão, o mínimo que podemos levar é um bom seguro, para o caso de ficarmos gravemente doentes ou precisarmos de ser recambiados com urgência para casa. 

Neste momento estou na fase de pesquisa, de investigar e descobrir tudo o que os países que vamos visitar têm para nos oferecer. É uma das minhas partes preferidas e posso dizer que o facto de ter já uma ideia geral do destino, não anula o espanto nem reduz o assombro quando lá chego. 

Penso que viajar é o fundamental, independentemente da forma como cada um o faça. Eu prefiro viajar ”por minha conta”, sem guias nem agências e com bastante flexibilidade. Prefiro ter eu todo o prazer de investigar e decidir o onde e o quando da minha viagem. Isto de viajar com a mochila às costas é algo que não tem explicação, transforma-se num vício que nos provoca uma felicidade absoluta, e quanto mais vemos, mais queremos ver.  

😍✈️

*Estes blogs têm sempre alguma informação interessante ou alguma dica especial. São viajantes que andam pelo mundo e escrevem o que realmente sentem. 

http://dontforgettomove.com/ 

http://www.myguiadeviajes.com/ 

http://www.wanderloveworld.com/ 

http://www.mochileandoporelmundo.com/ 

http://www.hastaprontocatalina.com/ 

http://marcandoelpolo.com/ 

*Também recomendo: 

Wikitravel: Informação sobre os países e dicas de viagem.

Visa HQ: información sobre vistos 

Air Asia: a melhor companhia para viajar pela Asia. 

Falafel 100% Saudável

Cá em casa tentamos cada vez mais arranjar alternativas para as nossas refeições. Tentamos comer bem, de forma equilibrada e variada, mas também original. Aborreço-me se como sempre as mesmas coisas, nos mesmos formatos. 

Durante muitos anos, em Portugal, o grão-de-bico era básicamente usado como uma guarnição; acompanhava o bacalhau cozido, fazia-se salada com atum, em algumas zonas do país sopa de grão, e uns quantos pratos mais. Só mais recentemente começou a ser um alimento de destaque nas refeições. 

Eu considero-o primordial para uma nutrição equilibrada, já que é um alimento que fornece energia sem provocar picos de insulina no sangue;  tem minerais como o magnésio, cobre e ferro; vitaminas e ainda ácido fólico. Muito importante também, é que o grão-de-bico além de reforçar as nossas defesas, diminui os níveis de cortisol; que é a hormona relacionada com os comportamentos compulsivos a nível alimentar e com a acumulação de gordura na região abdominal.

Possui também fibras que nos ajudam a saciar com mais facilidade, mas é a proteína que faz desta leguminosa uma boa escolha para o menu do dia a dia, pois tem o nutriente responsável pela manutenção dos nossos músculos. 

Apesar de ser muitas vezes considerada uma proteína incompleta, por ser de origem vegetal; se misturarmos o grão com um cereal, como por exemplo o arroz, teremos uma combinação de aminoácidos essenciais muito próximos à proteína da carne. 

Porque é tão espectacular este alimento, hoje partilho uma receita de Falafel 100% saudável. 

Aqui em casa comemos às refeições, mas também como snack ou entrada. Pode-se acompanhar com um molho caseiro, tipo ali-oli ou tzatziki, que faz a combinação perfeita. O que eu mais adoro nesta receita, é que não se frita, cozinha-se no forno. 

Falafel  100% Saudável 

500 grm de grão de bico seco

3 dentes de alho

2 cebolas médias

3 colheres de sopa de azeite

Um punhado de folhas de hortelã

Um punhado de coentros frescos (usei os da nossa horta) 😍👌🏽

Cominhos qb

Pimenta qb

Noz-moscada qb

Sal qb 

Deixo o grão demolhado em bastante água, de um dia para o outro (mínimo 24h) . 

Junto todos os ingredientes cortadinhos numa taça e passo a varinha mágica até obter uma pasta uniforme. 

Desta vez usei a “técnica do pastel de bacalhau” para moldar o falafel; com duas colheres de sopa, e o resultado foi o que se pode ver nas fotos.

Põem-se num tabuleiro com papel vegetal a 200 graus no forno, durante 30 minutos e estão prontos a comer. 

*Eu uso a varinha mágica para triturar os ingredientes, mas quem tem outro tipo de máquina, tipo 123 ou bimby ou qualquer outro processador de alimentos, pode usar também.

*Esta receita é rápida e fácil, não utiliza produtos de origem animal, nem nenhum tipo de farinha, e pode-se congelar. 

*Estas quantidades deram para cerca de 60 pasteis de falafel. 

Recomendo 100%


Livros de memórias [Fotográficas]

Em 2014 quando casei, os nossos queridos amigos Sébastien e Bernard, ofereceram-nos um livro com as fotografias do nosso casamento. Foi uma prenda surpresa, recebida alguns meses depois e completamente inesperada. (essas são sempre as que têm um gostinho ainda mais especial!)
Nesse momento vimos aquelas fotos pela primeira vez, vimos o nosso casamento de uma perspectiva completamente diferente, com o cunho pessoal dos nossos amigos e que refletia o quão radiantes estavamos todos. Pudemos reviver cada momento naquelas fotos, mesmo aqueles onde não estivemos, e sentimos novamente a energia inexplicável daquele dia.    

Está claro que todos os casamentos são especiais, uns mais tradicionais, outros menos e cada um dentro de um estilo de acordo com as personalidades ou com as possibilidades dos noivos. Casar é uma daquelas situações únicas e nós conseguimos que o nosso casamento fosse também, uma experiencia única para os nossos convidados. 

Por isso, temos sempre à mão esse livro e é um daqueles que roda pela mesa quando há jantaradas lá em casa. Contamos histórias e relembramos os momentos com os que lá estiveram e também com os que não; e confesso que é sempre um dos momentos bonitos da noite e eu nunca me canso de ver aquelas fotos. 

É inegável que o formato digital veio-nos facilitar a vida, não só na poupança de dinheiro, porque deixámos de gastar um montão de euros em revelações; mas também porque se não gostamos da foto, apagamos e sacamos outra. Podemos tirar fotos até ao limite do cartão de memória, e já não precisamos de andar com não sei quantos rolos a ocupar espaço na mala. 

Mas como tudo na vida, tem o outro lado; aquele que faz com que descarreguemos as fotos para um computador ou disco-externo e nunca mais voltemos a olhar para elas. Já para não falar no perigo que é se um destes equipamentos avaria, lá se vão todas as fotografias. 

Sempre adorei fotografias, sempre fui a que levava a máquina e tenho fotos de todas as férias, todos os acampamentos, excursões, viagens, de todos os jantares, aniversários, etc. Tenho em casa dos meus pais, gavetas cheias de álbuns 10×15 da Kodak. 

A paixão por eternizar os momentos, por reter as imagens e guardá-las para um dia mais tarde recordar, o digital não me tirou. Continuo a sacar imensas fotos e sempre fiz questão de ter uma boa máquina fotográfica, mesmo quando parece que com um telemovel e 2 ou 3 filtros podemos fazer milagres. 

No final do ano passado uma amiga deu-me a dica sobre o site BLURB, é uma página estado-unidense de auto- publicação, que permite aos usuários criarem, publicarem, promoverem e venderem on-line os seus próprios livros. A página oferece ferramentas “user-friendly”, que substituem as mais básicas habilidades digitais e fazem com que até o mais inapto possa criar um livro, com uma excelente qualidade de impressão. 

Comecei então a criar livros com as fotografias das nossas viagens, e ontem à noite chegou mais um; desta vez da Grécia. Estes livros têm para mim uma função muito importante, que é a de não deixar esquecidos lugares onde fui e histórias que vivi. 

Além de que nos obriga a rever as centenas de gigas que temos, a organizar as imagens; apagar o que é repetido e selecionar apenas as fotografias que nos dizem algo especial. 

E a cereja no topo do bolo, é que é uma forma espetacular de mostrar aos nossos amigos e familiares as nossas aventuras pelo mundo e de, sempre que a saudade aperta e entra aquela vontade incontrolável de pôr uma mochila às costas, possamos desfolhar os livros e voltar a viver aqueles momentos. 

Wanderlust em 2017! 

Como já é de conhecimento geral, uma das coisas que mais me dá prazer na vida é ver o mundo. Viajar e descobrir locais pela primeira vez, conhecer novos povos, hábitos, costumes e realidades. 

Se gosto, se está perto e é acessível, posso repetir vezes sem conta; caso contrário fica na memória e tomo nota que um dia quero voltar aquele sítio onde já fui tão feliz. 

Tenho inúmeros exemplos: mas posso resumir que na Europa a minha cidade de referência é Londres, passei lá várias temporadas, umas mais longas e outras mais curtas, mas sempre que posso volto e mato saudades. 

Fora da Europa há locais onde voltarei um dia, não sei quando, mas um dia seguramente voltarei a Varanasí, aos Templos de AngKor e a São Paulo; três dos sítios que mais me marcaram. Se posso voltarei a muitos mais; mas a limitação de tempo e dinheiro e a flutuação do nível das prioridades na vida, provavelmente farão com que não volte a muitos dos locais onde já estive. 

Há uns tempos, numa das muitas e deliciosas conversas que tenho com o meu pai sobre o mundo e a vida, ele disse-me algo em que eu nunca tinha pensado. Falávamos de viagens e das enormes ganas que eu tenho de comer o mundo; e ele, que teve a sorte de poder viajar por vários países quando era mais novo, disse-me que agora olha para trás e percebe que nem sempre se trata de prioridades, de ter que eleger ou de fazer escolhas; às vezes simplesmente não depende só de nós. 

Há locais onde ele não foi e que neste momento já nem existem, há países que foram destruídos pela guerra, por catástrofes naturais; e o facto de não ter ido a tempo não dependeu dele, mas sim das circunstâncias. 
Os meus pais cresceram em Africa; e a Africa onde eles cresceram, eu nunca vou conhecer; a quantidade de animais selvagens que eles viram no seu habitat, eu nunca vou ver. A história, o tempo e a mão do Homem, encarregam-se de acabar com cenários que não têm como voltar a existir. 

Neste momento penso em todo o médio oriente, em todos os países árabes que gostava de visitar e onde agora mesmo me sentirei insegura se lá for. Não sei quando verei as pirâmides do Egipto, quando visitarei Petra, ou até mesmo Istambul…
Às vezes tenho pena por não ter o tempo ou o dinheiro para poder viajar constantemente, mas mesmo que o tivesse, há sempre uma escolha a fazer e há sempre circunstâncias alheias à nossa vontade que nos impedem de fazer o que gostaríamos. 

Este ano estávamos bastante indecisos quanto ao destino da nossa viagem; eu tinha claro que gostava de voltar à Asia, mas sei que temos pendente as Américas há muito tempo, e lamentavelmente parece que assim continuará. 

Para mim, uma das coisas mais divertidas e interessantes de viajar é poder comunicar com as pessoas, é tentar entender como pensam e como funcionam as sociedades. Muitas vezes é difícil porque o facto de não falarmos a mesma língua limita o nível de entendimento, claro que a comunicação é sempre possível, nem que seja por mímica; mas quando se fala a mesma língua abre-se um mundo de oportunidades e experiências. 

Há quase 10 anos que falo castelhano e tenho em mim uma grande pena por ainda não ter ido a nenhum país hispânico, onde me possa misturar com a gente e partilhar a sua cultura. Mas sei que essa viagem chegará… já faltou mais! 

Este ano voltaremos à Asia porque a temos no coração, porque é pacífico e fácil de viajar, porque é bonito e barato e porque apesar de ser tão diferente da Europa, sentimo-nos em casa, cómodos e bem-vindos. 
Estávamos entre o Japão e o Vietnam e decidimo-nos pelo último depois de fazer contas à vida; o país do sol nascente ficará para outra altura. 

Num próximo post, porque este já vai longo, escrevo sobre o porquê de querer visitar o Vietnam e como estamos a organizar a nossa viagem de 2017. 

Chameleons no Apolo

As últimas semanas têm sido de readaptação à rotina, voltar ao trabalho e planear o novo ano.

 Tenho andado bastante ocupada, mas também muito tranquila e por isso não tenho escrito muito; mas aos poucos entro no ritmo, mudo o disco e começo a dançar novamente. 

Falando de música, este fim de semana fomos a um concerto espectacular no Apolo. Para quem não sabe é uma das salas míticas de Barcelona, e também uma das melhores discotecas da cidade. 

Fomos ver uma banda que já tínhamos visto duas ou três vezes, já que o baterista é nosso amigo e o som que tocam entra no ouvido, aquece-nos o sangue e faz mover até uma pessoa com dois pés esquerdos!

Chamam-se Chameleons e consideram-se repartidores de groove. E é um facto, groove não lhes falta! 

Os concertos são cheios de energia, nota-se ao longe uma química entre os componentes da banda e isso faz com que a empatia e cumplicidade se crie naturalmente com o público. 

Com uma clara influencia de funk, soul, r&b e jazz, é impossível ficar indiferente quando os Chameleons estão em cima de um palco.

E por falar em palco, devo dizer que tocar na sala principal do Apolo, tem que ser uma emoção sem tamanho e um shot de adrenalina pura. 

Para mim enquanto espectadora, confesso que quando vejo um bom concerto nesta sala, e já vi alguns nestes quase 10 anos em Barcelona, fico com pele de galinha. 

O concerto de sábado foi um dos bons; bastante mais curto do que se desejaria, mas efectivo na medida em que nos 45 minutos que tocaram, produziram uma alegria quase eufórica, a uma sala bastante composta.

Go Chameleons!!

A ARTE DE RECEBER [o que não pode faltar no quarto de hóspedes]

Sei que já terminaram as festas e que a maior parte das pessoas já voltou à rotina, mas cá em casa o ritmo é outro.
Depois de receber os meus pais e uns amigos para as festas natalicias, recebi uma grande amiga logo no primeiro fim de semana de Janeiro. 

Cá em casa recebemos sempre muito e muita gente, é o que eu chamo de “boadição”; é uma espécie de maldição genética, mas que no fundo é uma coisa boa!  

Os meus pais também sempre foram assim, têm sempre amigos de visita ou familiares a passar temporadas.

Na verdade cresci desta forma e não só não me incomoda, como tenho todo o prazer em receber. Felizmente o H. é parecido comigo nestas coisas, e tem sempre os braços abertos para as visitas. 

É verdade que já tivemos verões em que todos se lembraram de vir ao mesmo tempo, e passámos semanas em que não estivemos sozinhos mais do que dois dias. Confesso que também pode ser cansativo e obviamente uma grande despesa; não só as contas disparam, mas quando recebemos visitas, sentimo-nos um bocadinho de férias e fazemos vida de restaurante e bar, com mais frequência do que o habitual. 

De qualquer forma, vejo o facto de receber muitas visitas, como um privilégio e um sinal de que temos muitas pessoas queridas na nossa vida. Além disso, como tenho o lema de visitar os amigos espalhados pelo mundo, o mínimo que posso fazer é receber os que cá vêm, de braços abertos. 

Nunca me vou esquecer que quando fiz aos 18 anos o interrail, ficámos amigos de 2 miúdos no comboio a caminho de Paris; e que sem perguntar (porque naquele tempo nao havia telemóveis), ofereci a casa do meu primo para eles dormirem. Chegámos a Paris e eu com a cara mais inocente do mundo disse:

-Rui, em vez de 3 somos 5!

E o meu querido primo Rui, que vive num T1 no centro da cidade, disse:

-Têm que dormir todos no chão da sala, mas onde dormem 3, dormem 5! 

E assim aprendi desde cedo que ter pouco dinheiro para viajar, não é sinónimo de que se deixe de o fazer. E também, que se tenho um tecto e um colchão, pois é bem vindo quem vier por bem! 

Com a experiencia fui melhorando as minhas técnicas para receber. Não só com as visitas que recebo, mas também com as casas onde já fui recebida. Obviamente que viver a experiencia Airbnb, como anfitriã e como hóspede foi também uma escola na arte de receber. 

Hoje em dia, quando tenho que preparar o quarto de hóspedes, há coisas que para mim são imprescindíveis. Faço uma lista, caso alguém precise de umas dicas para a próxima vez que receber visitas. 

– Cama feita de lavado e com jogo de lençóis e fronhas a condizer.

– Toalhas limpas (uma de banho e uma de rosto)

– Uma manta extra caso seja inverno

– Cabides para pendurar roupa e se possível uma gaveta disponível

– Cadeira ou Banco para sentar ou pousar coisas

– Espaço para arrumar a mala de viagem

– Uma luz de presença perto da cama

– Um espelho

– Um cesto com itens de primeira necessidade (escova e pasta de dentes, champoo, sabonetes, creme hidratante, pequenas amostras, lenços de papel, etc) 

– Jarra de água e copo

– Umas flores para alegrar o quarto (opto por flores secas, porque as flores de plástico parecem-me horríveis, e as frescas duram pouco) 

– Guias ou Mapa da cidade

Isto são apenas algumas das muitas possibilidades que há. O que não falta são detalhes que se pode ter, para tornar a estadia dos nossos convidados mais cómoda. Tudo depende muito do gosto pessoal, mas também do espaço que se tem. 

O nosso quarto de hóspedes é pequeno e além dessa função tem também outras, como por exemplo a arrumação da roupa de casa, o lugar para guardar a ventoinha, o aquecedor ou o carrinho das compras. Sim, porque isso de ter um quarto apenas para as visitas é um desperdício, há que rentabilizar o espaço para quem realmente vive na casa, que somos nós.

Por isso, procurámos alternativas para que o quarto ficasse cómodo, mas que também servisse para as outras funções que lhe damos. 

Por exemplo, não tem mesa de cabeceira, mas tem uma luz ao alcance de quem está na cama. Não tem armário, mas é possível pendurar roupa à mesma. Como quase tudo na vida, com imaginação e boa vontade dá para fazer coisas muito fixes. 

Enfim, penso que neste mês de Janeiro já não teremos mais visitas, mas melhor não falar demasiado porque hoje ainda só é dia 13!!! 

Que 2017 seja doce! [Rabanadas de forno]

Feliz 2017 a todos!

Contrariando o final de 2016, penso que devemos encarar o novo ano com optimismo e com vontade que coisas boas aconteçam. Por isso, achei boa ideia que o primeiro post do ano fosse uma receita doce – uma sobremesa. 

Para queimar os últimos cartuchos da época natalicia, partilho uma receita tradicional, mas completamente modernizada pela minha mãe. 

As típicas rabanadas que em Portugal se comem no Natal, aqui em Espanha come-se em qualquer altura do ano, podendo ser uma corriqueira sobremesa num qualquer almoço domingueiro de Abril. 

Sendo assim, e como na verdade o Natal é quando o Homem quiser, deixo-vos uma receita muito mais saudável, já que é feita no forno e não na frigideira com óleo; mas igualmente apetitosa.

Rabanadas de Forno

– 1 Pão cacete, baguete ou de forma (de preferência sem côdea) 

– 3 ovos batidos

– 500 ml de leite morno

– 6 generosas colheres de sopa de açúcar 

– 1 pitada de canela em pó

– raspa de 1 laranja

– canela e açúcar para polvilhar

– 1 tabuleiro de forno forrado com papel vegetal e untado com manteiga

Preparação: Corta-se o pão às fatias, e em dois recipientes, põe-se separadamente, os ovos batidos e o leite morno. Aromatiza-se o leite com a raspa de uma laranja e mistura-se com as 6 colheres de açucar e uma pitada de canela em pó. Passam-se as fatias de pão primeiro pelo leite e depois pelos ovos e espalham-se no tabuleiro forrado com papel vegetal, previamente untado com bastante manteiga. Vai ao forno a 200graus durante 15 minutos, viram-se as fatias e ficam mais 10 minutos no forno. Retiram-se e polvilham-se com açucar e canela! 

São deliciosas e muito mais saudáveis do que as tradicionais!! Experimentem! 

Jantar de Natal & o Amigo Secreto 

Todos temos amigos de “toda la vida”, amigos com quem crescemos, que acompanharam aqueles momentos únicos da adolescência ou com quem mais tarde vivemos as aventuras do início da idade adulta. São amigos por quem temos muito carinho e que vão ter sempre um lugar especial. Eu além desses, tenho também um grupo de amigos em Barcelona, que estão numa categoria diferente, mas igualmente destacável. Talvez imposta pelas circunstâncias em que vivemos, imposta pela nossa condição de emigrante, a categoria é a de [amigos/familia]: contamos uns com os outros para o que der e vier, e como não temos mais ninguém por perto, são eles que nos ajudam a levantar quando estamos em baixo e é com eles que celebramos quando estamos em cima! 
Dentro deste grupo, existem as “girls”, minhas amigas há cerca de 9 anos, que com o passar do tempo e as muitas aventuras vividas, nos tornámos num grupo unido e coeso, cúmplices e confidentes. 

Somos 6, em contacto diário pelo whatsapp e apesar de uma de nós já não viver em Barcelona há alguns anos, continua a participar em muitos dos momentos importantes que vivemos juntas. Fazemos skype nos aniversários, nas jantaradas e quando temos alguma novidade que contar.

 A distância definitivamente não tem porque diminuir a amizade. 
Hoje escrevo sobre elas, as minhas girls e sobre umas das nossas tradições preferidas. 

Há já alguns anos no jantar de natal fazemos o jogo do amigo secreto. Já sei que à primeira vista nao parece que seja muito original, mas é!

Transformámos o tradicional ‘amigo secreto’, num dos momentos mais solidários e filantrópicos do natal. Em vez de comprarmos prendas físicas, como roupa, discos ou livros; fazemos uma doação em nome do amigo secreto, a alguma Associação, ONG ou Instituição à nossa escolha e que achemos que a pessoa em questão se possa identificar com a mesma. 

As seis somos mulheres bastante diferentes umas das outras, mas o facto de sermos todas feministas, solidárias, preocupadas com o nosso semelhante, com o meio ambiente, com a sociedade da qual fazemos parte, e principalmente com o facto de querermos ajudar a construir um mundo melhor; une-nos como seres-humanos. 

Por isso, mesmo que o nosso Natal também seja farto, opulento, consumista e materialista; este é o nosso momento de abdicar do material, e partilhar um pouco da vida privilegiada e cómoda que temos. 

Acreditamos que se todos dessem um bocadinho a quem tem menos, aos poucos o equilibrio chegaria e a vida seria mais fácil. 

Ajudar na verdade não custa nada e só nos faz bem! 

wtf2016?! [sem maquilhagem]

Às vezes a vida prega-nos partidas, não estamos à espera porque pensamos sempre que há coisas que só acontecem aos outros.

Um dia, o outro somos nós. 

Pode parecer um post negativo, este que escrevo hoje, mas não é. É um post de reflexão, num momento em que ando um pouco silenciosa e em que a ausência de explicações explica o que não tem explicação. Escrevo sem maquilhagem, num mês em que todos nos mascaramos um bocadinho, para estarmos de acordo com as festas. 

Aproxima-se o final de mais um ano, e sei que ainda é cedo para escrever o balanço de 2016; primeiro vem o natal e blablabla.

Mas como disse alguém um dia, as regras são para serem quebradas, e como não sei se escreverei sobre o Natal este ano, resolvi adiantar-me. Será pelo sol de Barcelona, ou por qualquer outro motivo, mas este ano o espirito natalicio não chegou cá a casa. E eu que adoro esta época: família reunida, casa cheia, mesa farta, abraços e gargalhadas e reencontros com aqueles, de quem normalmente estou longe. Enfim, pode ser que até dia 24 ainda chegue! 

Em Janeiro escreveu-me um amigo de Taiwan, a felicitar-me porque este era o Ano do Macaco, o meu ano; o ano das pessoas que nasceram em 1980. Por mais que não acredite nestas coisas dos horóscopos… já sabem o que diz o povo: eu não acredito em bruxas, mas que as há, isso há!! 

Então, até ao final quis acreditar que este era realmente o meu ano. Mesmo que tenha sido um ano tão duro para todo o mundo; tantos bons que se foram, tantos maus que aqui continuam, guerras que não têm fim, eleições com resultados absurdos, e todos os males dos quais nem falamos por fazerem já parte do quotidiano das noticias.

Sou normalmente uma pessoa positiva e assim continuarei a ser, mas é verdade que 2016 foi, como diriam os meus amigos brasileiros, um ano “filho da puta”. 

Para mim foi o ano de “morrer na praia”, muitas desilusões; projetos que demoram demasiado tempo a concretizar-se; conversas, reuniões e propostas que não deram em nada; sonhos que não se realizaram e planos que continuam no papel. 

2016 foi o ano em que pensei que muita coisa ia mudar, mas afinal não mudou. Ou sim, talvez algo tenha mudado…

Mas como o mundo pula e avança, com ou sem mudanças há que seguir em frente. Não tenho nenhum pedido especial para 2017, seguramente será melhor que este ano que agora acaba. 

E se quando tocarem as 12 badaladas no dia 31, eu tiver que pedir algo para mim e para os meus… pois será muita saúde e viagens com fartura. 

Para o mundo, ufff… não sei se as minhas 12 passas chegarão para acabar com as desigualdades, o sexismo, pôr fim às guerras, à pobreza, aos problemas ambientais, etc etc etc.

 Mas se depender de mim, 2017 será sem dúvida, um ano muitíssimo melhor que 2016! 

Boas Festas!

*sem maquilhagem, mas com um novo corte de cabelo!😉

Papas de Aveia

Desde que me lembro de ser gente, que os meus pais comem flocos de aveia ao pequeno almoço. Confesso que nunca gostei, comia obrigada e torcia sempre o nariz. 
A minha mãe sempre fez a versão clássica das papas de aveia, saudáveis, mas sem graça nenhuma. (Desculpa mamã, mas é verdade!!ahahaha) 😝

Há uns meses fiz uns hambúrgueres de feijão com flocos de aveia e desde esse dia, fiquei com um pacote de flocos em casa, à espera que lhe desse algum destino. 

Já sei que são muito saudáveis, que ajudam a controlar colesterol e a manter os níveis de açúcar no sangue, fortalecem as defesas e afastam os tumores. Mas sinceramente sempre achei que tinham um gosto meio amargo, e mesmo com açúcar, não me alegravam o paladar. 

Mas por algum motivo os meus pais nos obrigavam a comer estas papas quando éramos pequenas, não é?! 

A aveia tem uma fibra especial que se chama Betaglucana, que quando fermenta no intestino grosso cria moléculas que combatem microorganismos nocivos.Também permite que a glicose seja absorvida lenta e gradualmente, o que regulariza a libertação de insulina e como prolonga o efeito de saciedade, atrasa aquela sensação de fome. 

Tem vitaminas (B1 e B3) que ajudam a manter a energia do corpo e a saúde mental e minerais antioxidantes, como o zinco, capaz de eliminar os radicais livres que danificam as células. 

Fortalece unhas e cabelo e estimula a produção de colageneo, que depois dos 30 nos faz muita falta para evitar as rugas. A aveia é extremamente proteica, tem também ferro, magnésio, fósforo e cobre. 

Com todas estas qualidades, comecei a pensar que realmente não lhe posso continuar a torcer o nariz e dever-lhe-ia dar uma segunda oportunidade. 

Recentemente em conversa com as minhas amigas, que tal como os meus pais, também são fãs de papas de aveia; deram-me umas receitas muito mais elaboradas e apelativas; e resolvi começar a cozinhar flocos de aveia para o pequeno almoço. 

Deixo aqui uma das receitas que fiz e devo dizer que afinal já não me parecem assim tão desagradáveis. Dei-lhes o benefício da dúvida e começaram a fazer parte da alimentação cá de casa. 

Ingredientes para 2 taças pequenas:

· 50 g de flocos de aveia

· 150 ml de leite – de vaca, de soja, de arroz, de amêndoa, ou bebida de aveia que foi o que eu usei.

· Casca de limão

· 1 Banana às rodelas

. 8 Frambuesas, ou amoras, ou mirtilhos ou qualquer outro fruto que tenham em casa

· Canela q.b.

· Mel q.b.

Modo de preparação 

Levar o leite ao lume com a casca de limão e quando estiver morno acrescentar os flocos de aveia.Deixar cozer entre 3 a 5 minutos, nunca parando de mexer. Retirar do lume quando a consistência estiver do vosso agrado, deixar arrefecer um bocadinho, polvilhar com canela e pôr um fio de mel. Servir com as rodelas de banana e as frambuesas.