Terapias Artísticas

Estou neste momento a meio do segundo trimestre de um curso de costura.

Inicialmente, como escrevi neste POST,  ia só fazer um workshop, afinal em Setembro inscrevi-me no primeiro trimestre, virou o ano e continuei por mais um e agora deparo-me com o dilema, se em Março devo ou não inscrever-me no terceiro trimestre.

Acho que não.

Aprendi a costurar à máquina, aprendi a fazer padrões de roupa e a calcular medidas. Melhorei o catalão, já que é a língua que se fala nas aulas. Aprendi a interpretar os padrões que se descarregam da internet e a adaptá-los a mim. Fiz uma saia, uma camisola e umas calças… e por último será um vestido.

Sinto-me perfeitamente capaz de fazer peças de roupa simples, e sei que estou apta para desenrascar qualquer coisa que seja preciso ou elaborar projetos que não sejam demasiado complicados. Por isso sinto que o objetivo foi alcançado: Missão cumprida!

Mas o que ainda não contei, é que eu não me inscrevi na costura para aprender a fazer roupa, isso foi a cereja no topo do bolo. Inscrevi-me para desconectar, para ter 2 horas por semana inteiramente para mim, alheia ao resto do mundo, às minhas preocupações e outras questões existenciais; o tempo que passo a costurar é verdadeiramente terapêutico.

O meu momento com a máquina de costura é único e absoluto, é desobrigado e isento de inquietudes e ansiedades. E ao terminar este trimestre terei que encontrar outra atividade que me provoque a mesma tranquilidade, a mesma paz interior.

Em ’98 quando entrei para a universidade, inscrevi-me ao mesmo tempo no British Council, entrei diretamente para o nível 4 e fiz até ao último, o nível 7; com os exames de CAE pelo caminho e CPE para terminar. Quando acabou, senti um enorme e inexplicável vazio na minha vida. De tal forma, que depois de um ano sem estudar numa escola de línguas, inscrevi-me no Goethe-Institut, na tentativa de preencher esse espaço desabitado.

O mesmo se passa agora com a costura e sei que já não quero abdicar dessas duas horas semanais que me fazem tão bem. Há muitíssimas possibilidades e porque temos uma fascinante capacidade de aprender coisas novas, não tenho porque ficar sentada no sofá a ver TV (que nunca vejo). Como diz o meu pai, o saber não ocupa lugar…

Barcelona está cheia de escolas de artes, bricolage e projectos criativos; por isso depois de aprender a costurar quero experimentar outra coisa. Mas sem pressões; sem a obrigatoriedade de transformar o hobby em algo mais. Quero aprender só pelo gosto de aprender, de ocupar o tempo e a cabeça. Quero sonhar e transformar os meus sonhos, quero criar, moldar; quero fazer coisas.

Deixo-vos o contacto da escola onde tenho aulas de costura (Carrousel Craft – para quem está em Barcelona), e também para quem não está, recomendo sinceramente que se inscrevam em qualquer atividade criativa; como meio de desligar,  como forma de conectarem com vocês mesmos e explorarem as aptidões que lamentavelmente raras vezes desenvolvemos no nosso quotidiano.

Mostro-vos as minhas criações, a forma que encontrei para viver mais devagar. E para quem há seis meses atrás nem sabia pôr a linha na agulha da máquina, é evidente que estou orgulhosa com o que aprendi a fazer até agora.

Já vos contarei qual será a minha próxima aventura.

4 opiniões sobre “Terapias Artísticas

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