Dicas para fazer menos LIXO

Durante muitos anos passei o mês inteiro de Agosto no Algarve, com os meus queridos tios, Regina e Carlos, e com todos os primos que coubessem nas divisões daquela casa, que religiosamente alugavam cada verão.

Remonto à década de 80, na qual a consciência ambiental era algo que não se ensinava em lado nenhum, sem ser, com alguma sorte, na nossa própria casa; altura em que quem falava de ecologia, ou era “comuna” ou era hippy.

Acho que os meus tios eram um bocadinho de ambos, por isso lembro-me desde pequena de apanharmos lixo na praia cada vez que este era arrastado pela maré. Cedo fui ensinada que lixo e natureza não se misturam!

Daí me ter doido até à alma, quando na primeira viagem que fiz de comboio na India, vi as bermas do caminho-de-ferro totalmente cobertas de lixo. Ausência de consciência ecológica é um eufemismo naquela terra, a situação já ultrapassou o limite da gravidade, é violentamente dramática.

Lamentavelmente não é só na India, em praticamente todos os países subdesenvolvidos, a relação com a reciclagem e prevenção de lixo é inexistente. Em alguns países onde os recursos são poucos e a criatividade é muita, apanham o plástico que dá à costa e transformam em artesanato ou noutros objetos. Mas na maior parte, o lixo simplesmente voa pelas janelas…

Falo desses países, mas sinceramente, talvez o lixo seja o menor dos seus problemas, face às falhas na educação, saúde, corrupção, sexismo, guerras internas, fanatismos, catástrofes naturais e tantas outras dificuldades que aquelas populações têm que enfrentar diariamente.

Vou-me focar neste continente onde vivo, supostamente desenvolvido, mas onde há ainda tanta gente sem o discernimento para fazer as coisas bem, para escolher o correto, para dizer que não à avalanche de plástico que entra nas nossas casas.

Hoje partilho aqui no blog algumas das coisas que fazemos cá em casa para diminuir o lixo. Sei que ainda temos um longo caminho a percorrer e nem sei se vamos ter capacidade ou possibilidade de o fazer sempre, mas há coisinhas tão insignificantes, que fazem a diferença e não custam nada.

  • Reutilizar antes de reciclar – Tentamos reutilizar tudo o que podemos; por exemplo os frascos que um dia tiveram conservas ou leguminosas cozidas, hoje têm em minha casa diversas funções: servem para jarras de plantas, para guardar frutos secos, arroz, grão, biscoitos, etc. Como têm tampa, também usamos como copos para pôr todos os dias os nossos sumos de frutas, ou trazer para o trabalho uma sopa para o almoço.

  • Tentamos, cada vez mais, consumir em consciência para reciclar cada vez menos. Por exemplo, nunca compramos fruta embalada, ou etiquetada. As etiquetas autocolantes que identificam a origem ou a marca da fruta não se reciclam; não são papel nem plástico, acabam por ser descartadas como lixo comum e vão parar a aterros sanitários. Quando percebemos o que é reciclável e o que não é, acabamos por repensar o consumo e deixamos de produzir tanto lixo “reciclável”.

  • Reutilizamos os sacos de congelação. Não tem nada que saber e faz uma diferença brutal. Usa-se, lava-se e volta-se a usar. Tentamos sempre comprar produtos que já foram reciclados; por exemplo um papel que não tenha que sofrer o processo industrial da celulose, fica com um aspeto diferente, mas tem exatamente a mesma função.

  • Compramos a granel: Viver ao lado de um grande mercado é um privilégio; acabaram-se os espinafres dentro do plástico, as cenouras dentro da embalagem ou os tomates naquela malha vermelha. São mais baratos no mercado do que no supermercado, a qualidade é indiscutível e a ausência de plástico é evidente. Vamos sempre às compras com um carrinho, um saco grande reutilizável, um saco de pano para o pão e alguns sacos pequenos individuais. Trazemos tudo junto para casa e evitamos voltar com mais sacos do que os que levámos.

  • Cereais, leguminosas e especiarias a granel: A diferença de preço não é significativa e as especiarias são até mais baratas. Sei que é preciso ter uma loja perto de casa que venda estas coisas a granel, mas depois é tudo uma questão de hábito. Benefícios? Todos! Não trazemos plástico para casa, porque levamos os nossos próprios sacos de pano (feitos pela minha mãe) ou diretamente os frascos; só compramos a quantidade que queremos e há muitíssimas alternativas às leguminosas tradicionais.

  • Uma vez ao ano, fazemos uma limpeza em casa e doamos: casacos de inverno que já não usamos há mais de 2 anos, aquelas calças que não me voltarão a servir, ou uns ténis da altura em que ainda calçava 39. Mantas e toalhas de banho que vamos acumulando porque todos os natais alguém nos oferece roupa para a casa.
  • Usamos sempre guardanapos de pano em casa e quando temos visitas, evitamos cada vez mais os guardanapos de papel.
  •  Nas nossas festas e jantaradas, nunca temos copos de plástico, seja com 5 ou com 25 pessoas em casa, nunca usamos material descartável.

  •  Ando sempre com um saco-bio na mala, assim se me der um ataque de consumismo ou se tiver que passar no supermercado para comprar algo à última da hora, não tenho que trazer mais um saco para casa.
  •  Embrulhamos normalmente as prendas que oferecemos, em jornais que trazemos das nossas viagens.
  •  Usamos cosméticos bio e evitamos as embalagens descartáveis, usamos sabonetes e champôs sólidos, que vêm envolvidos em papel reciclado.

Como podem ver, não fazemos nada demasiado complicado. São todas opções fáceis e básicas, que implicam alguma mudança de hábitos, mas que não nos complicam a vida e na verdade fazem uma diferença enorme na nossa contribuição para a preservação do planeta.

5 opiniões sobre “Dicas para fazer menos LIXO

  1. Pensava que era das poucas a usar guardanapo de pano e a lavar os sacos de congelação. 😊 Também levo o azeite/óleo para reciclar. Há umas garrafas amarelas nos centros de reciclagem para esse efeito e na altura explicaram-me que no processo de reciclagem participam pessoas com discapidade!
    É certo que não uso óleos quase nunca mas quando uso levo para reciclar (o óleo que se usa para fritar algo, o que se escorre das latas de atum etc.)
    Há quem faça sabão caseiro 😍
    Outra dica: se a água do duche demora muito a aquecer podemos ir enchendo um balde com essa água que se pode aproveitar para regar, lavar o chão, substituição de uma descarga do autocolismo…

    🙂

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