Quiropráctica

Quando era miúda havia um anuncio na televisão, que dizia algo como: “Nao negues à partida uma ciência que desconheces”. Lembro-me de utilizarmos esta frase tantas vezes para fazer piadas, mas a verdade é que tem todo o sentido e aplica-se a quase tudo. Devemos estar abertos e receptivos ao que não conhecemos, porque em algum momento pode ser exactamente o que precisamos. Aconteceu-me recentemente e hoje escrevo sobre isso: escrevo sobre a nossa experiência com a quiropráctica.

O parto do Tom foi muito duro para mim e obviamente para ele também. Nasceu puxado por fórceps, depois de já terem tentado as ventosas. As consequências de um parto violento nem sempre são visíveis no bebé, mas isso não quer dizer que não existam.

Durante os primeiros meses as mudanças na nossa vida são tão abrumadoras, que não tive tempo para pensar bem no que tinha acontecido. As sequelas em mim eram tão evidentes, que não parei para pensar em como podia ter afectado ao bebé. Mas à medida que me fui sentindo melhor, que superei o pós-parto, assimilei a minha nova condição e comecei a estar mais cómoda com a minha maternidade, pude observar com clareza algumas atitudes do Tom.

Notámos um ligeiro incómodo sempre que lhe tocávamos na cabeça, não tolerava chapéus ou gorros. E à medida que foi crescendo as noites tornaram-se mais complicadas, deixou de dormir seguido e nunca antes das 23h/meia-noite, acordava várias vezes durante a noite, não tinha um sono descansado e quando queria voltar a dormir, por mais cansado que estivesse nao conseguia descansar. Fazia uma ladainha ruidosa para tentar adormecer, que nos entrava pelos ouvidos e nos levava à loucura todas as noites. Víamos como ele queria adormecer mas não conseguia, e ali ficava a virar-se para um lado e para o outro, sempre a fazer aquele barulho desconcertante, de olhos fechados a tentar adormecer em vão. Muita maminha, cançoes e colinho ajudavam a que ficasse mais tranquilo e adormecesse, mas para nós era extremamente cansativo.

Nunca conseguimos encontrar justificação para o que acontecia e o pediatra sempre desvalorizou o tema. Felizmente as redes sociais também têm um lado positivo e foi através delas que encontrei a solução. Há uns meses li um post no Instagram, de uma mãe que tinha iniciado um tratamento quiropráctico com o filho e tinha tido resultados impressionantes. Fiquei curiosa e procurei mais informação. 

A quiropráctica estuda o sistema nervoso (musculoesquelético), que quando tem algum bloqueio ou desordem, pode-nos afectar de diferentes formas e diminuir a nossa qualidade de vida. O nosso cérebro comunica-se com o resto do corpo através do sistema nervoso, que nasce na espinal medula e interage pelas 24 vértebras da coluna, com os órgãos, glândulas e tecidos. 

Qualquer stress que tenhamos, seja físico, químico ou emocional, ao qual não nos consigamos adaptar, provoca tensões na musculatura. E é aqui que entra a quiropráctica! 

No primeiro scan da coluna vertebral do Tom, detectou-se um desequilíbrio no sistema simpatico e parasimpatico, um estado de alerta constante, uma evidente dificuldade para desligar o ON e ligar o OFF. 

Ao fim de três sessões começámos a ver imediatamente os resultados. O Tom desenvolveu sozinho uma nova rotina, as noites deixaram de ser complicadas e ele encontrou o seu ponto de equilíbrio para descansar. Em menos de dois meses a evolução foi tão grande, que conseguimos criar uma dinâmica perfeita em nossa casa. 
Agora, todos os dias depois do jantar, o Tom diz adeus e chama-me para ir dormir. Ele próprio quer dormir, quer desconectar da atividade diária e descansar. 
Acabaram-se aquelas lutas infindáveis para adormecer, quando está cansado dorme, durante o dia uma ou duas siestas curtas e à noite cerca de 12h seguidas. (Com maminha à mistura, depois das primeiras 7/8 horas). 

(Para quem está em Barcelona) – o centro onde vamos fica no Bairro da Gracia e chama-se Créixer Espai Quiropràctic são especialistas em grávidas, pós-parto e crianças, mas tratam qualquer pessoa. São muito profissionais, explicam todo o processo e esclarecem todas as dúvidas. E são de uma delicadeza, simpatia e cuidado exemplares. Estou totalmente rendida a esta ciência, recomendo e assim que possível, serei eu a próxima a pôr-me nas suas mãos. Por agora continuaremos a visitá-los com o Tom, para fazer a “manutenção”, acompanhar as diferentes fases que aí vêm, e fazer os devidos ajustes. 

Muitas pessoas não sabem (e eu também não sabia), mas a maior parte dos traumas, ansiedades, compulsões e stresses que temos na idade adulta, se tivessem sido tratados na primeira infância, poderiam ter sido evitados. Dá que pensar…

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