Janeiro

Mesmo no meio de uma pandemia, Janeiro é mês de decisões, recomeços, iniciativas, projectos e sonhos. Mal de nós se deixarmos a vida para trás, com o rápido que passa o tempo, é puro desperdício aceitar a inércia da tal “nova normalidade”. Já chega de restrições emocionais e isolamento mental. Acabei 2020 com falta de inspiração e alguma dificuldade em focar-me e projectar o futuro. Mas acabou, hoje liberto-me do meu bloqueio pandémico e volto a escrever.

Deste lado da península andamos entre caixas e caixotes, de mudança para uma nova casa. Esperemos que seja desta que ficamos quietos durante pelo menos 5 anos.
Mudar de casa dá muitíssimo trabalho e é um gasto obesceno de dinheiro, mas é também uma grande oportunidade para renovar energias, destralhar, reencontrar coisas que estavam guardadas há anos e reorganizar a vida.

Com um filho, a estrutura doméstica muda completamente, os espaços livres são preenchidos por brinquedos, legos e bonecada, carro de passeio, cadeirinha para comer, bicicleta, carrinho andador, bolas várias e mais mil porcarias… tudo isto a juntar às quantidades absurdas de roupa em trânsito constante entre a máquina, a corda, o sofá e os armários. Mas mais importante que tudo, o espaço é preenchido por uma criança que corre, pula, trepa, empurra portas, abre torneiras, gavetas e tudo o que encontrar pela frente. Um verdadeiro tornado, em casa e na vida!

Há meses que tapámos as tomadas de electricidade, pusemos fechaduras nas portas e gavetas, guardámos os discos, os livros, tirámos as plantas do chão e protegemos cantos e esquinas das inevitáveis quedas e cabeçadas. Ao principio custou-me aceitar que a minha casa tão bonita se tinha transformado num campo de batalha, onde a única pessoa em guerra era eu comigo mesma.

Lá diz o povo, se não os podes vencer… junta-te a eles; e foi isso que fiz. Não permiti que a casa virasse um caos, mas aceitei que ter um filho implica arrumar o perfeccionismo e excesso de detalhe na gaveta, e simplificar ao máximo.

Nesta nova casa o objectivo é adoptar um “estilo minimalista” (dentro das nossas possibilidades e limitações ), reduzir objectos, móveis, utensílios desnecessários, roupas e sapatos.

Desprender-se das coisas, das nossas coisas, não é assim tão fácil. São recordações, memórias, lembranças de viagens, reminiscências de momentos únicos, de pessoas com quem partilhámos a vida. Pode ser duro, mas é necessário!

No fundo é apenas um exercício de desapego para melhorar o nosso presente, responsabilizando-nos pelo futuro sem nunca faltar ao respeito ao nosso passado. Se bem que como estamos nesta situação tão atípica e não sabemos como ficará o mundo depois disto tudo, pode ser que me custe ainda mais desprender-me daquele vestido que trouxe da Índia, mas que não uso nunca, ou daquela panela de fondue que fazia a alegria dos meus amigos sentados à mesa.

Mas como diz a canção dos Ornatos Violeta, “Coisas, são só coisas”, por isso vou tentar partilhar esta mudança de casa aqui no Palavras na Barriga, a ver se mais alguém se anima a destralhar e tornar a vida mais simples.

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