[Terraçó.dependente]

E este é o terceiro post que escrevo sobre o verão, mas é que é mesmo a minha estação do ano preferida; aproximam-se meses de férias com dias longos e noites quentes. 

Por isso hoje escrevo sobre o elemento mais importante da nossa casa; onde passamos grande parte do tempo, onde juntamos amigos e temos a nossa horta. 

O nosso terraço, que no verão ganha ainda mais protagonismo e passa a ser o lugar onde tudo acontece. 

Em 2007 quando viemos viver para Barcelona, tivemos a sorte de alugar um quarto numa grande casa com um terraço enorme, cheio de plantas e muito espaço para estarmos todos os 6 que lá vivíamos e todos os amigos que apesar de não lá viverem, tinham sempre um lugar cativo. 

Era o que em Espanha chamam um Principal, que é o andar entre o r/c e o primeiro andar; ainda que tivesse bastante luz, tinha apenas o inconveniente de ter os vizinhos por cima; se bem que isso nunca nos impediu de fazer todas as festas que nos apeteceu… 
E ali vivemos os primeiros tempos nesta cidade, onde faz frio no Inverno mas quase nunca chove, e onde qualquer desculpa é boa para nos juntarmos e passarmos tempo juntos. O terraço da Ali Bei era a cereja no topo de um bolo muito familiar, onde aprendemos tanto e onde conhecemos pessoas de todo o mundo, que ainda hoje fazem parte da nossa vida. 

Depois de viver ano e meio nessa casa, mudámos para uma casa sem terraço, pequenina e bastante cara, por pura necessidade de vivermos sozinhos. Aguentámos o ano do contrato! 
Rápidamente procurámos outra, onde o requisito principal era ter terraço. 
E depois de vermos 12 casas, já desanimados em pleno desespero; encontrámos o sobre-ático da Praça Tetuan; onde vivemos 3 intensos anos. Esse terraço era mais pequeno que o da Ali Bei, mas era no último andar do prédio mais alto da rua; tínhamos Barcelona aos nossos pés e uma vista impressionante para o Tibidabo. Esta considerei pela primeira vez “o meu lar” e confesso que me custou bastante sair daquela casa. 

Mas ao encontrar, por acaso, esta casa onde vivemos agora, foi impossível resistir aos encantos do Eixample esquerdo. Tem quase todos os requisitos que ambos queríamos; é grande, tem muitos quartos, tetos altos, janelas antigas e aquele charme dos edifícios senhoriais de Barcelona. E como não podia deixar de ser, tem um terraço que é praticamente o dobro do anterior, onde de manhã tomamos o pequeno-almoço, à noite jantamos e aos fins-de-semana juntamos os amigos para as nossas famosas ‘barbacoas’. 

Aqui plantámos a nossa horta, que nos dá alimentos e alegrias com fartura, tomamos banhos de mangueira e dormimos longas siestas ao final da tarde. Apanhamos banhos de sol e relaxamos depois de um dia de trabalho. 

Viver no centro de uma grande cidade e ter um espaço exterior, que nos permite desconectar e sentir a natureza, é um luxo. 
Tenho plena consciência que somos privilegiados e sortudos, e por isso gostamos tanto de partilhar com todos aqueles que nos rodeiam, este pedacinho mais perto do céu que temos cá em casa. 

 

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