A mochila ❤️

Depois de meses de espera, pesquisa e organização; a última parte dos preparativos de uma viagem é fazer a mala.
Preparar a mochila dá-me sempre que pensar, porque nunca quero levar muita coisa, mas seria tão mais fácil se pudesse levar a casa às costas.
Todos os anos acabo por perceber que é possível reduzir ainda mais o conteúdo da minha mochila,
porque realmente quanto menos levar, melhor.

A mochila é algo muito importante, vai andar nas nossas costas durante muitas horas seguidas e há que desenvolver uma relação cómoda com ela. Deve ser transpirável, com os apoios certos para a zona lombar e não ser demasiado grande.

Viajei durante muitos anos com uma mochila de 60L, mas este ano passei para uma de 50L, porque quero carregar o mínimo peso possível e aplicar a regra de que menos é mais, que é 100% verdadeira.

Outra coisa a ter em conta, é que a mochila de preferência tenha duas divisões e feche com zip em ambas; para facilitar o acesso, permitir pôr um cadeado e despachar no porão do avião. A maior parte das mochilas fecha na parte de cima com um cordão, o que não as torna tão seguras.

Quando já encontrámos a mochila que se adapta perfeitamente às nossas necessidades, há que pensar no conteúdo. Eu recomendo comprar aquelas bolsas individuais para arrumar a roupa, há na Decathlon e simplifica-nos a vida quando queremos encontrar algo que está perdido no meio de mil coisas dentro da mochila. Com as bolsas, fica tudo separadinho e organizado.

Uma vez estudado o clima do nosso destino (atenção porque num mesmo país pode variar de norte para sul), devemos escolher a roupa de acordo com o tempo que vamos encontrar e se possível, escolher peças que combinem entre si, para desta forma evitar ter “aquela blusa que só se pode vestir com os outros calções”. Todas as peças devem funcionar umas com as outras, e a comodidade, numa viagem, é muito mais importante do que a elegância.

Por isso, agora faço a mochila para três semanas na Ásia:

Roupa:

– 2 calções (um de ganga e um de tecido)

– 3 blusas de alças

– 2 t-shirts de manga curta

– Roupa interior – 7 cuecas,  2 soutiens e 2 meias

– 2 ou 3 bikinis – Imprescindíveis! Penso estar bastante tempo de molho no Mar da China!

– 1 leggins – Dão sempre jeito, são cómodos para dormir, para algum trekking pelas montanhas ou alguma noite mais fria.

– 1 casaco de fato de treino (ou impermeável caso chova) – Juntamente com os leggings, servem para o frio e também para viagens longas (às vezes o ar condicionado no bus ou no comboio é mais frio que o polo norte).

– 1 saia/ vestido comprido – perfeitos para entrar nos templos / sugestão para os homens, umas calças Thai, finas, leves e cómodas.

– 1 lenço grande, que serve para pôr no pescoço se faz frio e também para estender na areia da praia.

-1 vestidinho curto – não vale a pena levar mais, porque na Ásia acaba-se sempre por comprar alguma coisa.

– Chapéu, óculos de Sol e 1 fita para o cabelo

– Sandálias Birkenstock, uns chinelos e uns ténis.

Vários:

– O kit de primeiros socorros (deste POST )

– Protetor solar (deve-se usar mesmo nas cidades)

– Necessaire: (o básico: escova e pasta de dentes, champô, sabonete, etc)

– 1 rolo de papel higiénico /1 embalagem de toalhetes húmidos

– 1 bolsa estanque impermeável (para pôr o telemóvel e os documentos quando andarmos a saltar de ilha em ilha, ou a passear de kayak no meio dos rochedos de Ha Long Bay. 😍

– 1 cadeado

– 1 toalha de microfibra (ocupa pouco espaço e seca rápido)

– Venda de olhos e tampões para os ouvidos (a Ásia é um continente bastante ruidoso!! Nunca me vou esquecer dos galos de Bali, que cantavam a qualquer hora do dia e da noite) 🙄


– Bolsa interna para levar o dinheiro e passaporte
Dica para quem viaja sozinho (ou acompanhado): Quando fiz o meu primeiro interrail em 1999, a minha mãe coseu na cintura de cada peça, uma bolsa pequenina com zip. Além da tradicional bolsa que se leva por baixo da roupa, tinha sempre uma bolsinha extra que mais parecia uma segunda pele. Os ladrões não estão à espera que sejamos tão precavidos… ou isso espero!
 
– Uma pequena lanterna (porque os apagões na Asia são o pão nosso de cada dia)

– Guia da Lonely Planet + Diário de Viagem e estojo completo

– Um livro para as viagens longas e as tardes na ilha

– Telemóvel, carregador e bateria externa

– Auriculares e alguma série descarregada da netflix , para aguentar um voo até ao outro lado do mundo

– Camara Fotográfica (quase tão importante como o passaporte). Como somos dois a viajar, cada um leva uma (reflex e compacta), e a Gopro levamos para tentar registar o fundo daquele imenso mar tropical.

Nota importante: Podemos ter tudo o que está na mochila connosco, mas se nos falta o passaporte, não vamos a lado nenhum e se já estamos no destino, pode ser uma enorme dor de cabeça. Por isso, recomendo digitalizar e fotocopiar todos os documentos; e espalhar em diferentes partes da mochila.

O Palavras na Barriga vai de férias e volta em Setembro, até lá, podem acompanhar as minhas andanças asiáticas no INSTAGRAM!!

Bom Verão & Boas Viagens!

Apps para quem viaja ✈️

Quando comecei nas minhas andanças pelo mundo, a primeira coisa que fazia quando chegava a uma cidade era ir a correr ao posto de turismo para pedir mapas e informações. Hoje em dia ainda mantenho algumas tradições, por exemplo nunca dispenso o meu Lonely Planet, que quase sempre já trás incluídos alguns mapas; no entanto reconheço que a minha forma de viajar mudou bastante. Com as novas tecnologias viajar é ainda mais fácil e qualquer pessoa com um smartphone, se pode orientar em praticamente qualquer lugar do mundo.
Hoje partilho algumas das aplicações que tenho no meu telemóvel, algumas simplesmente me facilitam a vida, umas contribuem para uma significativa diminuição de possíveis chatices, outras são apenas curiosas e todas em algum momento das viagens já me deram um jeitão!

  • Google Translate

Na verdade, quando vives num país estrangeiro (principalmente numa cidade onde se fala duas línguas), é possível usar esta aplicação todos os dias. Nas viagens, uso normalmente para a comunicação básica, como por exemplo para perguntar direções. Mas também é muito útil para traduzir o que realmente não entendemos, como os menus nos restaurantes. E não, não precisamos de escrever linha por linha, basta ativar a opção da camara fotográfica dentro da aplicação e centrar o texto. Automaticamente traduz tudo o que está na imagem. É realmente fantástico!

  • XE Currency 

Com esta aplicação é possível saber o câmbio de qualquer moeda e fazer a conversão para a que melhor nos convier. É muito importante, no caso de não sermos bons a fazer contas e cálculos matemáticos, previne enganos e gastos desnecessários.

  • Booking / Trip Advisor/ Airbnb 

Uso quase sempre o Booking para fazer reservas de sítios para dormir, é uma boa opção porque oferece preços competitivos, nem sempre tem que se pagar no momento e muitas vezes tem descontos de última hora. Aproveito para comparar com os comentários da aplicação do TripAdvisor, que costumam estar atualizados e bastante honestos. Esta aplicação também serve para pesquisar sobre restaurantes e locais de interesse.

No caso de preferir ficar em casa de alguém, a melhor APP que existe, é a do Airbnb. Funciona perfeitamente, é super fácil de utilizar e totalmente fiável.

  • Evernote

Sou adepta do bloco e da caneta, e em todas as viagens faço um diário; mas reconheço que a nível de espaço e peso é muito mais simples escrever tudo no telemóvel. Além disso, para quem tem um Blog, esta aplicação é perfeita, porque no momento em que nos conectamos à internet, faz um backup online de tudo o que escrevemos; e assim mais tarde podemos atualizá-lo diretamente.

  • Citymapper

Sempre usei o Google maps, mas agora acho que a citymapper é mais completa e mais fácil de usar. Dá informação detalhada sobre rotas em tempo real, alertas e problemas em transportes públicos; bus, metro, comboio, táxis, uber, etc. Temos uma visão geral da cidade e de todas as possibilidades que existem para nos deslocarmos com rapidez e eficiência. A sério que transforma uma cidade complicada numa bastante mais simples.

  • App in the Air 

App in the Air é uma aplicação de rastreamento de vôos, que possui a melhor cobertura de companhias aéreas e aeroportos. Mantem-nos atualizados sobre o estado dos nossos voos, ainda que não tenhamos conexão à internet; e ajuda a gerir todo o tempo até entrar para o avião (check in, embarque, etc). Dá bastante jeito a quem é mais distraído ou a alguém (como eu) que gosta de ir fazer compras de última hora e depois quase perde os voos. 🙈

  • LiveTrekker

Uso esta App por pura diversão e curiosidade, com ela é possível criar um diário das viagens num mapa interativo.

Regista todos os sítios onde vamos, desenhando uma linha vermelha no mapa com o percurso que fizemos. Também monitoriza a nossa velocidade e altitude, o que é engraçado para quem faz viagens mais aventureiras. Depois podemos adicionar fotos, vídeos, notinhas e textos; e criamos assim um diário de viagem multimédia.

  • Time Out

Descarreguei a Time Out quando fui o ano passado a Madrid e deu-me imenso jeito, agora uso-a também para Barcelona no meu dia-a-dia. Mas tem informação sobre cidades tão diferentes como Edimburgo ou Melbourne, Bangkok ou Las Vegas, etc. E este ano, estou ansiosa para a usar em Kuala Lumpur.

A aplicação é tão abrangente que podemos aceder a informação sobre restaurantes, atrações na cidade ou eventos que vão acontecer. É super fixe, porque temos a certeza que se estiver a passar algo fantástico na cidade que estamos a visitar, não nos vai escapar.

  • Hotspot Shield Free Privacy & Security VPN Proxy 

Quando viajamos nem sempre temos o acesso garantido a todas as páginas, alguns países bloqueiam sites básicos como o Google, páginas de bancos ou de operadores telefónicos. Uma das formas de contornar isto é aceder através de uma VPN (virtual private network), que supostamente nos dá o acesso em segurança.

Hoje em dia há muitas opções, umas gratuitas e outras a pagar, mas o Hotspot é bom porque não pede log in e é bastante fácil de usar.

Há muitas mais aplicações e há muitas variantes destas que sugiro. Recomendo o uso destas Apps, porque realmente quando estamos fora da nossa cidade é mais fácil simplificar do que complicar, e assim sobra-nos mais tempo para aproveitar cada pedacinho da viagem!

A Rota dos Sonhos

Começa Setembro; as férias terminaram, voltei a pôr o relógio no pulso, a ativar o alarme no telemóvel e a pensar no que vou vestir no dia seguinte para ir trabalhar. Eu fui de férias e a rotina ficou em casa, voltei e aos poucos deixo que ela me abrace e me dirija mecanicamente pelo dia a dia em Barcelona. 

Estas 3 semanas de férias foram maravilhosas, a viagem roçou a perfeição e confesso que não tive saudades de nada e poderia continuar pela estrada fora durante muitas mais semanas. 

Chamámos-lhe a Rota dos Sonhos na nossa “CamperVan of Dreams”, porque desde a primeira noite em que dormimos nela, sonhámos. E sonhámos todas as noites que se seguiram; sonhos elaborados, com enredos, personagens e histórias mirabolantes. Uns bons e tranquilos, outros sem sentido e mais perturbadores; mas nenhum sonho nos fez acordar cansados ou de mal humor, como às vezes acontece na cidade. O H. normalmente nunca se lembra dos sonhos quando acorda, mas os sonhos que viveu na nossa furgoneta mantinham-se vivos na sua memória pelas manhãs. 

Tenho mais que assumido que cada viagem é uma aprendizagem, e que os lugares onde vamos e as pessoas com quem nos cruzamos têm uma missão no nosso caminho. Cada um interpreta como quiser e aprende o que conseguir.

Viajar neste formato, com a casa às costas, dá-nos uma liberdade indescritível e faz-nos perceber que realmente não precisamos de quase nada para viver bem e feliz. 

Acordar pelas manhãs, abrir a porta e ver uma paisagem diferente todos os dias, saltar para os bancos da frente e seguir caminho, encheu-me de plena felicidade a cada quilómetro desta viagem. Não ter que voltar atrás porque tudo estava connosco, poder decidir no momento, espontaneamente, se ficamos, se vamos, se paramos ou seguimos; porque somos um todo. O nosso transporte é também a nossa casa e não precisamos de mais nada, porque tudo está naquele espaço; que afinal não é tao pequenino, que afinal são vários espaços num só e onde na verdade nos sentimos tão bem, como se ali sempre tivéssemos pertencido. 

Há um livro que recomendo sempre a quem se inicia nisto das viagens, escrito pelo Gonçalo Cadilhe, que se chama “ O Mundo é fácil”, e onde ele mostra como é realmente fácil viajar hoje em dia. Ele fala de viagens de mochila (as que me roubaram o coração há quase 20 anos), mas na verdade este lema aplica-se a qualquer tipo de viagem, desde que organizemos as nossas prioridades e procuremos alternativas de acordo com as nossas possibilidades financeiras. 

Viajar de autocaravana é fácil e recomenda-se! Há várias aplicações GPS que nos ajudam a chegar a todos os lados, há Apps que indicam locais específicos para dormir, que são mais baratos que os parques de campismo, têm wcs e chuveiros, depósitos de aguas sujas e tanques de agua limpa. Alguns com segurança, nos arredores das cidades, outros no meio do nada, e os mais bonitos de todos; em frente a paisagens idílicas, que nos serenam ao anoitecer e nos alegram o despertar. Apps com informações sobre as rotas, as estradas, o trânsito, lugares de interesse, comentários de outros autocaravanistas; indicação de bombas de gasolina, praias, etc, etc, etc. 

Há todo um mundo dedicado ao autocaravanismo, furgonetas, carrinhas transformadas, campervans e vários outros formatos de veiculo-vivenda; que quem não sabe, nem se dá conta. Há verdadeiras mansões sobre rodas, com ou sem atrelados, há diversos modelos para todos os gostos e bolsos. 

Cheguei à conclusão que o ideal é viajar com um transporte extra, preferencialmente a bicicleta, ou se for possível, com uma pequena moto atrelada. Apesar de termos uma carrinha e não uma autocaravana tradicional, não cabia em parques de estacionamento subterrâneos e tivemos alguma dificuldade em estacionar dentro das grandes cidades. Por isso, para a próxima queremos ter um transporte alternativo, para poder deixar a campervan estacionada fora da cidade e nos movermos sem preocupações. 

Fizemos 3126km entre Barcelona, Astúrias, Cantábria, País Vasco, Montpellier, Costa Brava e novamente de volta a Barcelona. Tentarei escrever aos poucos sobre os lugares que mais gostei, mas para resumir o que senti, posso já dizer que voltei completamente apaixonada pelas Astúrias, que quero voltar a Santander e a Bilbao em breve; que só no País Vasco ganhei 2kg porque é impossível resistir àquela quantidade de pintxos deliciosos, e que a Costa Brava terá sempre um lugar especial no meu coração. 

Até pró ano Férias de Verão! 


As nossas Barbacoas!

Neste meu Post falo um pouco de como é viver numa casa com terraço e o porquê de não querermos abdicar deste pequeno luxo. Hoje escrevo exclusivamente sobre as nossas famosas ‘barbacoas’, que se não tivéssemos terraço, seriam impossíveis de fazer. Em Portugal chamamos-lhe: ‘churrascadas’, mas para o português comum, que vive num apartamento T3 de uma grande cidade portuguesa, fazer isto é algo improvável.

Em Barcelona, isto das Barbacoas é algo bastante normal e toda a gente que tem terraço e gosta de juntar amigos, não tem outro remédio se não comprar um grelhador e “começar a virar frangos pó pessoal”!
A época alta é obviamente na Primavera/Verão, mas se o Inverno não é demasiado rigoroso, também podemos pôr carvão no grelhador em qualquer mês mais frio.

Há toda uma tradição à volta disto, são verdadeiros acontecimentos sociais e repetem-se todos os anos (normalmente sempre em casa dos mesmos / os que têm terraço). Mas por nós tudo bem, dá-nos um gozo enorme receber gente em casa, muitas vezes partilhamos tarefas e os nossos amigos trazem sempre bebidas e sobremesas. 

Confesso que às vezes me ‘stressa’ um pouco a logística das barbacoas, porque apesar de quase tudo estar já pronto quando chegam os convidados, o principal não está. A carne só vai para a brasa quando começam a chegar os primeiros. Ou seja, há bastante margem para atrasos, e para que algo não saia exactamente como devia, principalmente quando experimentamos receitas novas. (Sou demasiado perfeccionista para um evento onde se convida gente para comer e quando chegam, a comida ainda não está feita!!)😅😂

Normalmente fazemos ‘barbacoa’ de picanha, (é o nosso prato forte) com chouriços e salsichas frescas na brasa para começar. Mas também já fizemos de entrecosto, frango, bacalhau, douradas, careta, couratos; de vários tipos de vegetais, e a última foi de hambúrgueres e febras. [As febras foram um sucesso, os hambúrgueres não me convenceram.]

Vamos aprendendo com o tempo o que funciona e o que não devemos repetir. O meu guacamole, modéstia à parte, é um dos melhores do mundo mundial. E o ali-oli também já ganhou medalhas a nível internacional!! 😂😂 Ambos são imprescindíveis em qualquer barbacoa, assim como a salada de pimentos assados na brasa e a salada verde. Nas barbacoas de inverno alternamos entre os legumes assados (roasted vegetables) e a lentilhada (uma espécie de feijoada com espinafres, cenouras e alguns enchidos, mas com a minha leguminosa preferida: a lentilha). 
Para beber há sempre muita cerveja e vinho, trazidos pelos convidados. E nós normalmente preparamos uma sangria de cava ou mojitos para depois do almoço. Em breve partilho aqui a minha receita dos mojitos picantes, mais que apropriados para estes dias de calor intenso.


Um dos pontos mais importantes em qualquer barbacoa é a música, anima o ambiente e o pessoal, e vai subindo de tom e de ritmo ao longo da tarde. Música e álcool juntos são meio caminho andado para que em algum momento toda a gente esteja a dançar. 

Cada barbacoa é diferente e imprevisível, já tivemos de todos os estilos: mais tranquilas e que entram pela noite dentro com muita conversa e álcool à mistura, ou muitas com momentos de loucura onde tivemos quase que expulsar o pessoal, porque em alguma altura arriscar-nos-iamos a ter os ‘mossos’* à porta. Ja nos caíram tormentas de chuva a meio de uma barbacoa, mas também ja destilámos pelo calor insuportável sendo impossivel aguentar lá fora.

Cá em casa adoramos disfarces, máscaras e adereços; soltamos muitas vezes o nosso lado teatral nestes eventos e há sempre alguns ingredientes secretos, mas esses não posso contar, se não deixariam de o ser. 

Com estes 9 anos de experiência em barbacoas, já percebi que não é preciso haver muita gente para que sejam noites inesquecíveis e divertidas. Temos sempre tanta gente com quem gostamos de partilhar estes momentos, que muitas vezes mal dá para nos sentarmos no terraço e acabamos por nem estar com todos os que convidamos. Funciona muito melhor se somos poucos, mas sempre bons!! 

As barbacoas são mais uma das maravilhas de Barcelona, onde o culto do convívio é preservado e que a nós particularmente caiu-nos como uma luva! 

*Mozos de Escuadra – Policía de la Generalidad

[Terraçó.dependente]

E este é o terceiro post que escrevo sobre o verão, mas é que é mesmo a minha estação do ano preferida; aproximam-se meses de férias com dias longos e noites quentes. 

Por isso hoje escrevo sobre o elemento mais importante da nossa casa; onde passamos grande parte do tempo, onde juntamos amigos e temos a nossa horta. 

O nosso terraço, que no verão ganha ainda mais protagonismo e passa a ser o lugar onde tudo acontece. 

Em 2007 quando viemos viver para Barcelona, tivemos a sorte de alugar um quarto numa grande casa com um terraço enorme, cheio de plantas e muito espaço para estarmos todos os 6 que lá vivíamos e todos os amigos que apesar de não lá viverem, tinham sempre um lugar cativo. 

Era o que em Espanha chamam um Principal, que é o andar entre o r/c e o primeiro andar; ainda que tivesse bastante luz, tinha apenas o inconveniente de ter os vizinhos por cima; se bem que isso nunca nos impediu de fazer todas as festas que nos apeteceu… 
E ali vivemos os primeiros tempos nesta cidade, onde faz frio no Inverno mas quase nunca chove, e onde qualquer desculpa é boa para nos juntarmos e passarmos tempo juntos. O terraço da Ali Bei era a cereja no topo de um bolo muito familiar, onde aprendemos tanto e onde conhecemos pessoas de todo o mundo, que ainda hoje fazem parte da nossa vida. 

Depois de viver ano e meio nessa casa, mudámos para uma casa sem terraço, pequenina e bastante cara, por pura necessidade de vivermos sozinhos. Aguentámos o ano do contrato! 
Rápidamente procurámos outra, onde o requisito principal era ter terraço. 
E depois de vermos 12 casas, já desanimados em pleno desespero; encontrámos o sobre-ático da Praça Tetuan; onde vivemos 3 intensos anos. Esse terraço era mais pequeno que o da Ali Bei, mas era no último andar do prédio mais alto da rua; tínhamos Barcelona aos nossos pés e uma vista impressionante para o Tibidabo. Esta considerei pela primeira vez “o meu lar” e confesso que me custou bastante sair daquela casa. 

Mas ao encontrar, por acaso, esta casa onde vivemos agora, foi impossível resistir aos encantos do Eixample esquerdo. Tem quase todos os requisitos que ambos queríamos; é grande, tem muitos quartos, tetos altos, janelas antigas e aquele charme dos edifícios senhoriais de Barcelona. E como não podia deixar de ser, tem um terraço que é praticamente o dobro do anterior, onde de manhã tomamos o pequeno-almoço, à noite jantamos e aos fins-de-semana juntamos os amigos para as nossas famosas ‘barbacoas’. 

Aqui plantámos a nossa horta, que nos dá alimentos e alegrias com fartura, tomamos banhos de mangueira e dormimos longas siestas ao final da tarde. Apanhamos banhos de sol e relaxamos depois de um dia de trabalho. 

Viver no centro de uma grande cidade e ter um espaço exterior, que nos permite desconectar e sentir a natureza, é um luxo. 
Tenho plena consciência que somos privilegiados e sortudos, e por isso gostamos tanto de partilhar com todos aqueles que nos rodeiam, este pedacinho mais perto do céu que temos cá em casa. 

 

O verão na Peninsula! 

Este fim-de-semana demos o nosso primeiro mergulho de 2016, trouxemos a ventoinha para a sala e dormimos de janela aberta; bebemos cervejas com gargalhadas e amigos, fomos a mercados e feiras na cidade, vimos música ao vivo, descobrimos novos locais e provámos tapinhas deliciosas. Fizemos uma mini-viagem de carro com cabelos ao vento até à Costa Brava, e abraçámos um amigo querido que vive longe. 
Na verdade foi um fim-de-semana perfeito, com um bocadinho de tudo o que nos faz felizes.

Assim têm que ser os fins-de-semana no verão, a minha época preferida de todo o ano. 

Por motivos laborais tenho sempre 3 semanas de férias em Agosto, o que faz com que isso também seja um motivo para gostar tanto do verão; além de que é a altura do meu aniversário e eu sempre gostei de fazer anos… pelo menos até agora. 
Este ano não vamos fazer nenhuma viagem além-mar, ficaremos por aqui para descobrir um bocadinho do país que escolhemos para viver; com pequenas viagens, fins-de-semana longos e miniférias. 

Abriremos a temporada de viagens veraneias com uma visita a Madrid! Mal posso esperar! Muito em breve já contarei aqui no blog todas as experiencias vividas na capital! 

Seguir-se-á uma road-trip pelo norte de Espanha: passando pelas Astúrias, Cantábria e País Vasco…numa aventura única de uma grande viagem pela estrada fora.

E antes de acabar o ano iremos a Lanzarote, onde não tenho dúvidas de que me vou apaixonar pelas inóspitas paisagens. 

Temos também agendado no calendário uns dias em Lisboa, outros no Porto, mais um ou outro fim-de-semana na Costa Brava; e quem sabe onde mais nos pode levar a espontaneidade!! 

A Península Ibérica é um dos lugares mais bonitos da Europa, onde é tao fácil viajar, e as pessoas são quase sempre carinhosas e hospitaleiras, a comida é deliciosa, e há ainda muitas praias praticamente virgens por explorar. Uma combinação de dois países semelhantes mas com muitas diferenças, que apaixona até o viajante mais distraído. 

Antes de qualquer viagem passo sempre por um exaustivo processo de investigação, onde entre guias, fóruns, tripadvisor e blogs de viagens, tento recolher toda a informação que nos possa ser útil. 
Sou defensora da ideia de que primeiro devemos aprender com a experiencia dos outros (que já la foram) e só depois aprender com os nossos erros (quando já lá estamos). Se vamos poucos dias a uma cidade, o mínimo que podemos fazer é aproveitar cada minuto intensamente para que a nossa viagem seja inesquecível. 

Por isso, agora mesmo, estou na fase de investigar tudo o que há para saber sobre o meu próximo destino… MADRID! 


Agenda de Verão

A aproximação do Verão, do bom tempo, dos dias longos e das noites quentes; faz com que inevitavelmente nos comecemos a sentir de férias muito antes delas chegarem. Barcelona tem a capacidade de nos fazer sentir assim, mais ou menos a partir de finais de Março/Abril; as temperaturas sobem e deixamos de ir ao ginásio, começamos a ter as 4ª-feiras no ARA, (bar do nosso bairro); as 5as no Caravela, cervejas ao final da tarde, pôr-do-sol no terraço, menos horas dormidas e mais historias vividas.

 É a chegada da Primavera, quase quase Verão… 

 Mas na verdade isto pode acontecer quase todo o ano, até com temperaturas mais frias, desde que tenhamos visitas em casa. 

Ter a casa cheia é algo que encaramos com naturalidade, ainda que algumas vezes me canse de não ter um domingo sentada no sofá a fazer zapping, a ver um bom filme ou a pôr em dia todos os capítulos atrasados do Shameless. 

Faz parte de nós receber amigos em casa, e não acredito que consigamos mudar esta nossa característica; nem tenho a certeza se queremos mudar… 

Neste momento temos “a coisa” bastante mais controlada, já quase não fazemos turismo com as visitas, mandamo-las à descoberta da cidade e reunimo-nos só para a parte das “tapas y cañas”, sentados numa qualquer ‘terraza’ da cidade, a disfrutar do ambiente único de Barcelona. 

Sinceramente adoramos receber os nossos amigos e familiares e partilhar com eles um bocadinho da nossa vida aqui deste lado da península, e fico muito contente sempre que vem alguém de visita. 
A única dificuldade é que Barcelona, já sem visitas, é uma cidade cheia de tentações; muitas festas e eventos, jantaradas e cervejas, pica-pica e aniversários, despedidas e inaugurações….  Há sempre um motivo para celebrar qualquer coisa e felizmente à nossa volta há constantes convites, projetos e ocasiões, a que é muitas vezes difícil dizer que não. 

Dentro de uma vida pouco rotineira com 8 horas trabalhadas ao dia, vários aniversários seguidos, amigos de visita, as 2 últimas semanas com gente em casa e uma cidade ao rubro pelo inicio dos Festivais de Verão; tem sido muito difícil manter o Palavras na Barriga atualizado. 

Já sei que os verões em Barcelona são “duros” mas eu vou tentar aguentar o barco! 😝

[Fotos do Mercado da Boqueria, uma das atrações de Barcelona, daquelas que nos enche os olhos e a barriga!]