A mochila ❤️

Depois de meses de espera, pesquisa e organização; a última parte dos preparativos de uma viagem é fazer a mala.
Preparar a mochila dá-me sempre que pensar, porque nunca quero levar muita coisa, mas seria tão mais fácil se pudesse levar a casa às costas.
Todos os anos acabo por perceber que é possível reduzir ainda mais o conteúdo da minha mochila,
porque realmente quanto menos levar, melhor.

A mochila é algo muito importante, vai andar nas nossas costas durante muitas horas seguidas e há que desenvolver uma relação cómoda com ela. Deve ser transpirável, com os apoios certos para a zona lombar e não ser demasiado grande.

Viajei durante muitos anos com uma mochila de 60L, mas este ano passei para uma de 50L, porque quero carregar o mínimo peso possível e aplicar a regra de que menos é mais, que é 100% verdadeira.

Outra coisa a ter em conta, é que a mochila de preferência tenha duas divisões e feche com zip em ambas; para facilitar o acesso, permitir pôr um cadeado e despachar no porão do avião. A maior parte das mochilas fecha na parte de cima com um cordão, o que não as torna tão seguras.

Quando já encontrámos a mochila que se adapta perfeitamente às nossas necessidades, há que pensar no conteúdo. Eu recomendo comprar aquelas bolsas individuais para arrumar a roupa, há na Decathlon e simplifica-nos a vida quando queremos encontrar algo que está perdido no meio de mil coisas dentro da mochila. Com as bolsas, fica tudo separadinho e organizado.

Uma vez estudado o clima do nosso destino (atenção porque num mesmo país pode variar de norte para sul), devemos escolher a roupa de acordo com o tempo que vamos encontrar e se possível, escolher peças que combinem entre si, para desta forma evitar ter “aquela blusa que só se pode vestir com os outros calções”. Todas as peças devem funcionar umas com as outras, e a comodidade, numa viagem, é muito mais importante do que a elegância.

Por isso, agora faço a mochila para três semanas na Ásia:

Roupa:

– 2 calções (um de ganga e um de tecido)

– 3 blusas de alças

– 2 t-shirts de manga curta

– Roupa interior – 7 cuecas,  2 soutiens e 2 meias

– 2 ou 3 bikinis – Imprescindíveis! Penso estar bastante tempo de molho no Mar da China!

– 1 leggins – Dão sempre jeito, são cómodos para dormir, para algum trekking pelas montanhas ou alguma noite mais fria.

– 1 casaco de fato de treino (ou impermeável caso chova) – Juntamente com os leggings, servem para o frio e também para viagens longas (às vezes o ar condicionado no bus ou no comboio é mais frio que o polo norte).

– 1 saia/ vestido comprido – perfeitos para entrar nos templos / sugestão para os homens, umas calças Thai, finas, leves e cómodas.

– 1 lenço grande, que serve para pôr no pescoço se faz frio e também para estender na areia da praia.

-1 vestidinho curto – não vale a pena levar mais, porque na Ásia acaba-se sempre por comprar alguma coisa.

– Chapéu, óculos de Sol e 1 fita para o cabelo

– Sandálias Birkenstock, uns chinelos e uns ténis.

Vários:

– O kit de primeiros socorros (deste POST )

– Protetor solar (deve-se usar mesmo nas cidades)

– Necessaire: (o básico: escova e pasta de dentes, champô, sabonete, etc)

– 1 rolo de papel higiénico /1 embalagem de toalhetes húmidos

– 1 bolsa estanque impermeável (para pôr o telemóvel e os documentos quando andarmos a saltar de ilha em ilha, ou a passear de kayak no meio dos rochedos de Ha Long Bay. 😍

– 1 cadeado

– 1 toalha de microfibra (ocupa pouco espaço e seca rápido)

– Venda de olhos e tampões para os ouvidos (a Ásia é um continente bastante ruidoso!! Nunca me vou esquecer dos galos de Bali, que cantavam a qualquer hora do dia e da noite) 🙄


– Bolsa interna para levar o dinheiro e passaporte
Dica para quem viaja sozinho (ou acompanhado): Quando fiz o meu primeiro interrail em 1999, a minha mãe coseu na cintura de cada peça, uma bolsa pequenina com zip. Além da tradicional bolsa que se leva por baixo da roupa, tinha sempre uma bolsinha extra que mais parecia uma segunda pele. Os ladrões não estão à espera que sejamos tão precavidos… ou isso espero!
 
– Uma pequena lanterna (porque os apagões na Asia são o pão nosso de cada dia)

– Guia da Lonely Planet + Diário de Viagem e estojo completo

– Um livro para as viagens longas e as tardes na ilha

– Telemóvel, carregador e bateria externa

– Auriculares e alguma série descarregada da netflix , para aguentar um voo até ao outro lado do mundo

– Camara Fotográfica (quase tão importante como o passaporte). Como somos dois a viajar, cada um leva uma (reflex e compacta), e a Gopro levamos para tentar registar o fundo daquele imenso mar tropical.

Nota importante: Podemos ter tudo o que está na mochila connosco, mas se nos falta o passaporte, não vamos a lado nenhum e se já estamos no destino, pode ser uma enorme dor de cabeça. Por isso, recomendo digitalizar e fotocopiar todos os documentos; e espalhar em diferentes partes da mochila.

O Palavras na Barriga vai de férias e volta em Setembro, até lá, podem acompanhar as minhas andanças asiáticas no INSTAGRAM!!

Bom Verão & Boas Viagens!

As nossas Barbacoas!

Neste meu Post falo um pouco de como é viver numa casa com terraço e o porquê de não querermos abdicar deste pequeno luxo. Hoje escrevo exclusivamente sobre as nossas famosas ‘barbacoas’, que se não tivéssemos terraço, seriam impossíveis de fazer. Em Portugal chamamos-lhe: ‘churrascadas’, mas para o português comum, que vive num apartamento T3 de uma grande cidade portuguesa, fazer isto é algo improvável.

Em Barcelona, isto das Barbacoas é algo bastante normal e toda a gente que tem terraço e gosta de juntar amigos, não tem outro remédio se não comprar um grelhador e “começar a virar frangos pó pessoal”!
A época alta é obviamente na Primavera/Verão, mas se o Inverno não é demasiado rigoroso, também podemos pôr carvão no grelhador em qualquer mês mais frio.

Há toda uma tradição à volta disto, são verdadeiros acontecimentos sociais e repetem-se todos os anos (normalmente sempre em casa dos mesmos / os que têm terraço). Mas por nós tudo bem, dá-nos um gozo enorme receber gente em casa, muitas vezes partilhamos tarefas e os nossos amigos trazem sempre bebidas e sobremesas. 

Confesso que às vezes me ‘stressa’ um pouco a logística das barbacoas, porque apesar de quase tudo estar já pronto quando chegam os convidados, o principal não está. A carne só vai para a brasa quando começam a chegar os primeiros. Ou seja, há bastante margem para atrasos, e para que algo não saia exactamente como devia, principalmente quando experimentamos receitas novas. (Sou demasiado perfeccionista para um evento onde se convida gente para comer e quando chegam, a comida ainda não está feita!!)😅😂

Normalmente fazemos ‘barbacoa’ de picanha, (é o nosso prato forte) com chouriços e salsichas frescas na brasa para começar. Mas também já fizemos de entrecosto, frango, bacalhau, douradas, careta, couratos; de vários tipos de vegetais, e a última foi de hambúrgueres e febras. [As febras foram um sucesso, os hambúrgueres não me convenceram.]

Vamos aprendendo com o tempo o que funciona e o que não devemos repetir. O meu guacamole, modéstia à parte, é um dos melhores do mundo mundial. E o ali-oli também já ganhou medalhas a nível internacional!! 😂😂 Ambos são imprescindíveis em qualquer barbacoa, assim como a salada de pimentos assados na brasa e a salada verde. Nas barbacoas de inverno alternamos entre os legumes assados (roasted vegetables) e a lentilhada (uma espécie de feijoada com espinafres, cenouras e alguns enchidos, mas com a minha leguminosa preferida: a lentilha). 
Para beber há sempre muita cerveja e vinho, trazidos pelos convidados. E nós normalmente preparamos uma sangria de cava ou mojitos para depois do almoço. Em breve partilho aqui a minha receita dos mojitos picantes, mais que apropriados para estes dias de calor intenso.


Um dos pontos mais importantes em qualquer barbacoa é a música, anima o ambiente e o pessoal, e vai subindo de tom e de ritmo ao longo da tarde. Música e álcool juntos são meio caminho andado para que em algum momento toda a gente esteja a dançar. 

Cada barbacoa é diferente e imprevisível, já tivemos de todos os estilos: mais tranquilas e que entram pela noite dentro com muita conversa e álcool à mistura, ou muitas com momentos de loucura onde tivemos quase que expulsar o pessoal, porque em alguma altura arriscar-nos-iamos a ter os ‘mossos’* à porta. Ja nos caíram tormentas de chuva a meio de uma barbacoa, mas também ja destilámos pelo calor insuportável sendo impossivel aguentar lá fora.

Cá em casa adoramos disfarces, máscaras e adereços; soltamos muitas vezes o nosso lado teatral nestes eventos e há sempre alguns ingredientes secretos, mas esses não posso contar, se não deixariam de o ser. 

Com estes 9 anos de experiência em barbacoas, já percebi que não é preciso haver muita gente para que sejam noites inesquecíveis e divertidas. Temos sempre tanta gente com quem gostamos de partilhar estes momentos, que muitas vezes mal dá para nos sentarmos no terraço e acabamos por nem estar com todos os que convidamos. Funciona muito melhor se somos poucos, mas sempre bons!! 

As barbacoas são mais uma das maravilhas de Barcelona, onde o culto do convívio é preservado e que a nós particularmente caiu-nos como uma luva! 

*Mozos de Escuadra – Policía de la Generalidad

[Terraçó.dependente]

E este é o terceiro post que escrevo sobre o verão, mas é que é mesmo a minha estação do ano preferida; aproximam-se meses de férias com dias longos e noites quentes. 

Por isso hoje escrevo sobre o elemento mais importante da nossa casa; onde passamos grande parte do tempo, onde juntamos amigos e temos a nossa horta. 

O nosso terraço, que no verão ganha ainda mais protagonismo e passa a ser o lugar onde tudo acontece. 

Em 2007 quando viemos viver para Barcelona, tivemos a sorte de alugar um quarto numa grande casa com um terraço enorme, cheio de plantas e muito espaço para estarmos todos os 6 que lá vivíamos e todos os amigos que apesar de não lá viverem, tinham sempre um lugar cativo. 

Era o que em Espanha chamam um Principal, que é o andar entre o r/c e o primeiro andar; ainda que tivesse bastante luz, tinha apenas o inconveniente de ter os vizinhos por cima; se bem que isso nunca nos impediu de fazer todas as festas que nos apeteceu… 
E ali vivemos os primeiros tempos nesta cidade, onde faz frio no Inverno mas quase nunca chove, e onde qualquer desculpa é boa para nos juntarmos e passarmos tempo juntos. O terraço da Ali Bei era a cereja no topo de um bolo muito familiar, onde aprendemos tanto e onde conhecemos pessoas de todo o mundo, que ainda hoje fazem parte da nossa vida. 

Depois de viver ano e meio nessa casa, mudámos para uma casa sem terraço, pequenina e bastante cara, por pura necessidade de vivermos sozinhos. Aguentámos o ano do contrato! 
Rápidamente procurámos outra, onde o requisito principal era ter terraço. 
E depois de vermos 12 casas, já desanimados em pleno desespero; encontrámos o sobre-ático da Praça Tetuan; onde vivemos 3 intensos anos. Esse terraço era mais pequeno que o da Ali Bei, mas era no último andar do prédio mais alto da rua; tínhamos Barcelona aos nossos pés e uma vista impressionante para o Tibidabo. Esta considerei pela primeira vez “o meu lar” e confesso que me custou bastante sair daquela casa. 

Mas ao encontrar, por acaso, esta casa onde vivemos agora, foi impossível resistir aos encantos do Eixample esquerdo. Tem quase todos os requisitos que ambos queríamos; é grande, tem muitos quartos, tetos altos, janelas antigas e aquele charme dos edifícios senhoriais de Barcelona. E como não podia deixar de ser, tem um terraço que é praticamente o dobro do anterior, onde de manhã tomamos o pequeno-almoço, à noite jantamos e aos fins-de-semana juntamos os amigos para as nossas famosas ‘barbacoas’. 

Aqui plantámos a nossa horta, que nos dá alimentos e alegrias com fartura, tomamos banhos de mangueira e dormimos longas siestas ao final da tarde. Apanhamos banhos de sol e relaxamos depois de um dia de trabalho. 

Viver no centro de uma grande cidade e ter um espaço exterior, que nos permite desconectar e sentir a natureza, é um luxo. 
Tenho plena consciência que somos privilegiados e sortudos, e por isso gostamos tanto de partilhar com todos aqueles que nos rodeiam, este pedacinho mais perto do céu que temos cá em casa. 

 

O verão na Peninsula! 

Este fim-de-semana demos o nosso primeiro mergulho de 2016, trouxemos a ventoinha para a sala e dormimos de janela aberta; bebemos cervejas com gargalhadas e amigos, fomos a mercados e feiras na cidade, vimos música ao vivo, descobrimos novos locais e provámos tapinhas deliciosas. Fizemos uma mini-viagem de carro com cabelos ao vento até à Costa Brava, e abraçámos um amigo querido que vive longe. 
Na verdade foi um fim-de-semana perfeito, com um bocadinho de tudo o que nos faz felizes.

Assim têm que ser os fins-de-semana no verão, a minha época preferida de todo o ano. 

Por motivos laborais tenho sempre 3 semanas de férias em Agosto, o que faz com que isso também seja um motivo para gostar tanto do verão; além de que é a altura do meu aniversário e eu sempre gostei de fazer anos… pelo menos até agora. 
Este ano não vamos fazer nenhuma viagem além-mar, ficaremos por aqui para descobrir um bocadinho do país que escolhemos para viver; com pequenas viagens, fins-de-semana longos e miniférias. 

Abriremos a temporada de viagens veraneias com uma visita a Madrid! Mal posso esperar! Muito em breve já contarei aqui no blog todas as experiencias vividas na capital! 

Seguir-se-á uma road-trip pelo norte de Espanha: passando pelas Astúrias, Cantábria e País Vasco…numa aventura única de uma grande viagem pela estrada fora.

E antes de acabar o ano iremos a Lanzarote, onde não tenho dúvidas de que me vou apaixonar pelas inóspitas paisagens. 

Temos também agendado no calendário uns dias em Lisboa, outros no Porto, mais um ou outro fim-de-semana na Costa Brava; e quem sabe onde mais nos pode levar a espontaneidade!! 

A Península Ibérica é um dos lugares mais bonitos da Europa, onde é tao fácil viajar, e as pessoas são quase sempre carinhosas e hospitaleiras, a comida é deliciosa, e há ainda muitas praias praticamente virgens por explorar. Uma combinação de dois países semelhantes mas com muitas diferenças, que apaixona até o viajante mais distraído. 

Antes de qualquer viagem passo sempre por um exaustivo processo de investigação, onde entre guias, fóruns, tripadvisor e blogs de viagens, tento recolher toda a informação que nos possa ser útil. 
Sou defensora da ideia de que primeiro devemos aprender com a experiencia dos outros (que já la foram) e só depois aprender com os nossos erros (quando já lá estamos). Se vamos poucos dias a uma cidade, o mínimo que podemos fazer é aproveitar cada minuto intensamente para que a nossa viagem seja inesquecível. 

Por isso, agora mesmo, estou na fase de investigar tudo o que há para saber sobre o meu próximo destino… MADRID! 


Agenda de Verão

A aproximação do Verão, do bom tempo, dos dias longos e das noites quentes; faz com que inevitavelmente nos comecemos a sentir de férias muito antes delas chegarem. Barcelona tem a capacidade de nos fazer sentir assim, mais ou menos a partir de finais de Março/Abril; as temperaturas sobem e deixamos de ir ao ginásio, começamos a ter as 4ª-feiras no ARA, (bar do nosso bairro); as 5as no Caravela, cervejas ao final da tarde, pôr-do-sol no terraço, menos horas dormidas e mais historias vividas.

 É a chegada da Primavera, quase quase Verão… 

 Mas na verdade isto pode acontecer quase todo o ano, até com temperaturas mais frias, desde que tenhamos visitas em casa. 

Ter a casa cheia é algo que encaramos com naturalidade, ainda que algumas vezes me canse de não ter um domingo sentada no sofá a fazer zapping, a ver um bom filme ou a pôr em dia todos os capítulos atrasados do Shameless. 

Faz parte de nós receber amigos em casa, e não acredito que consigamos mudar esta nossa característica; nem tenho a certeza se queremos mudar… 

Neste momento temos “a coisa” bastante mais controlada, já quase não fazemos turismo com as visitas, mandamo-las à descoberta da cidade e reunimo-nos só para a parte das “tapas y cañas”, sentados numa qualquer ‘terraza’ da cidade, a disfrutar do ambiente único de Barcelona. 

Sinceramente adoramos receber os nossos amigos e familiares e partilhar com eles um bocadinho da nossa vida aqui deste lado da península, e fico muito contente sempre que vem alguém de visita. 
A única dificuldade é que Barcelona, já sem visitas, é uma cidade cheia de tentações; muitas festas e eventos, jantaradas e cervejas, pica-pica e aniversários, despedidas e inaugurações….  Há sempre um motivo para celebrar qualquer coisa e felizmente à nossa volta há constantes convites, projetos e ocasiões, a que é muitas vezes difícil dizer que não. 

Dentro de uma vida pouco rotineira com 8 horas trabalhadas ao dia, vários aniversários seguidos, amigos de visita, as 2 últimas semanas com gente em casa e uma cidade ao rubro pelo inicio dos Festivais de Verão; tem sido muito difícil manter o Palavras na Barriga atualizado. 

Já sei que os verões em Barcelona são “duros” mas eu vou tentar aguentar o barco! 😝

[Fotos do Mercado da Boqueria, uma das atrações de Barcelona, daquelas que nos enche os olhos e a barriga!]