Bali & Gili


Às portas do verão e já com um calor abrasador aqui desde lado da península, hoje escrevo sobre Bali; chamam-lhe a Ilha dos Deuses, e eu chamo-lhe a Ilha que não sai de moda.

Aqui em Barcelona o pessoal continua a viajar ano atrás ano para este destino, como se fosse o paraíso na terra… e talvez seja mesmo! 

Se ainda não decidiram para onde ir nestas férias, aqui fica a minha sugestão! 

Fomos a Bali em 2014, e apesar de não estar na nossa “bucket list” temos um grande amigo que lá vive e já sabemos que onde temos cama e roupa lavada, há que ir sim ou sim! 

Há um fascínio qualquer à volta desta ilha, e é de facto espetacular, mas antes de falar das suas maravilhas, vou fazer uma pequena lista de algumas coisas menos boas, porque nem tudo são rosas: 

– Antes de chegar, o nosso amigo avisou-nos para levarmos 25 dólares trocados, para tratar do visto “on arrival” no aeroporto, no guia da Lonely Planet dizia 20USD; e na verdade quando chegámos lá cobraram-nos 35USD. Já se pode ver como vai a coisa na Ilha… 

– E quando fomos embora tivemos que pagar também uma taxa de saída… Sim, porque os balineses o que têm de relaxados, têm de espertalhões; e para pessoas como nós que à saída quase não tinhamos rupias, eles têm um aeroporto cheio de caixas multibanco.

– Quanto ao impressionante trânsito; (e eu que achava que já tinha visto de tudo na India), aqui é também escandalosamente caótico. Estradas estreitas, sem luz e sem passeios; muitíssimas motos em que se contam pelos dedos os ‘locais’ que usam capacetes, já para não falar que muitos são crianças com menos de 12 anos, que parece que já nasceram em cima de uma moto. 

– A comida pode ser deliciosa…ou não… muito à base de fritos e sempre com um ovo estrelado em cima; o que safa é a quantidade de peixe fresco e marisco que se encontra ao preço da “uva mijona”. 

– Apesar de ser uma ilha tropical, está completamente invadida por turistas, carros e motos. As praias mais conhecidas parecem a Vila Moura lá do burgo, massificadas por ocidentais a ver o pôr do sol, sentados em puffs a beber cocktails coloridos ou a tradicional Bintang. 

Enfim… até parece que não adorei, mas adorei! Só que infelizmente este é o preço que se paga pelo paraíso se tornar conhecido. 

Devo confessar que esta pequena lista que acabei de referir, praticamente não a vivi, contornei-a com a sorte de quem viaja a um sitio para visitar amigos que dominam o local. ❤ 

Em Bali vive o Hugo, nosso amigo francês com quem vivemos grandes histórias e aventuras em Barcelona até 2012. 
Quando chegámos ele namorava com a Puput, uma indonésia super simpática e aventureira, que mesmo sendo muçulmana, alinhava em quase tudo o que fazíamos e tinha uma mente muitíssimo aberta. Imagino que viver em Bali, a única ilha Indú das 17.500 ilhas, faz toda a diferença. 

Conhecemos um casal amigo, que também estava de visita vindos de Singapura, ele chileno e ela italiana; e juntos fomos os 6 de road trip pela ilha. Deixámos a mochila grande em casa do Hugo e com uma mais pequena montámos na moto e seguimos pela estrada fora. 

Foi uma experiência fantástica e indescritível, também porque começámos a viagem no dia 24 de Agosto, meu aniversário; mas principalmente porque saímos das estradas convencionais e turísticas, e vimos os caminhos alternativos, os templos menos conhecidos, os restaurantes locais no meio da estrada e as paisagens mais espetaculares. 

O H. teve que conduzir pela primeira vez do lado esquerdo da estrada e em caravana lá foram três motos por estradas desertas, no meio de campos de arroz, palmeiras e bananeiras; observados por macacos, lagartos, pássaros e borboletas gigantes com cores mais brilhantes que as do próprio arco-íris. 

Um dos pontos altos da viagem era subir a um vulcão e do cimo do Monte Batur ver o nascer do sol, uma das experiências mais duras e gratificantes que já tive. Metade do caminho pensei que não ia conseguir, mas desistir nunca foi uma opção (porque não dava para voltar para trás sozinha, no meio da floresta, às escuras com sombras e ruidos de animais). 😝
Uma experiência indescritível que durou 9 horas entre subir e descer, em que acabámos mergulhados nas águas quentes das termas vulcânicas, na base do monte. 

Sempre a dormir em casas locais, que de turístico tinham quase nada e de rústico tinham quase tudo. Inesquecível é um pequeno eufemismo, para descrever esta road trip em Bali. 

Foi uma sorte poder sair do roteiro turístico, e ainda que por um lado sei que quando visitamos amigos estamos um pouco limitados às escolhas que eles fazem, e ao que nos querem mostrar; tenho plena consciência que isto que vivemos em Bali, nunca o teríamos vivido se não fossemos com o Hugo. 🙏🏽😍

Depois de um par de dias de viagem pela ilha, apanhámos um barco em Padangbay para as Gili; umas ilhas paradisíacas, sem transportes motorizados, sem policia e com muita boa onda. 

Ficámos numas cabanas na Gili Air e tivemos 5 dias de relax total; dormir e acordar na praia, mergulhar para ver peixinhos e tartarugas, passear de bicicleta e pouco mais.

Nos últimos dois dias da viagem regressámos a Bali e o Hugo organizou uma festa numa luxuosa Vila em Semyñak, onde ficámos a dormir. 

 E se até àquele momento tínhamos visto o lado mais alternativo da ilha, os restaurantes onde se comia com as mãos, alguns sem wc, aldeias sem lojas, vários templos desérticos e tínhamos conseguido estar longe de toda a elite ocidental que habita em Bali… no regresso não pudemos escapar, e tenho que confessar que foi o Top do Top! 

Não sei como são as restantes ilhas da Indonésia, um dia descobrirei seguramente; mas acredito que Bali seja única. Com uma rica e artística vida cultural, danças exóticas, o espetacular mobiliário, objetos de decoração e esculturas impressionantes. Uma natureza bruta e tropical que se mistura com a tranquilidade dos arrozais e com um mar selvagem e apaixonante. 

Inicialmente não estava na nossa “bucket list”, mas depois desta experiência queremos sem dúvida voltar. 





Dicas pré-Ásia 

Há tantas coisas a ter em conta quando se prepara uma viagem, que poderia escrever vários posts sobre o tema. 
Tão importantes como a organização burocrática e logistica, são os temas socioculturais, que nos podem dar muitas dores de cabeça, caso não os tenhamos em atenção.

Hoje escrevo sobre dicas para viajar na Ásia, aquelas que normalmente nos dão os amigos que já lá estiveram e que provavelmente servem para quase todos os países. Muitas são dicas de bom senso, mas outras são também formas de evitar erros comuns que muitas vezes cometemos sem pensar. 

O sudeste asiático é um destino mochileiro, não só porque é exótico, com praias paradisíacas, boa comida e culturalmente diferente; mas principalmente, porque é barato. É possível viajar por esta zona do mundo durante 6 meses, com o que gastaríamos na Europa em apenas um mês.

Ser mochileiro e viajar com um orçamento limitado não quer dizer que sejamos menos educados ou conscienciosos. O facto de ser um destino de praia, não significa que na mochila se ponha três bikinis, um pareo, chinelos e dois vestidos. A maior parte dos países asiáticos, são conservadores, com  povos modestos e recatados que não têm por hábito mostrar o corpo nem sequer na praia. Em quase todos os templos tem que se entrar descalço, com os ombros e pernas tapados. O ditado “em Roma sê romano” deve-se aplicar e respeitar os costumes e tradições, para garantir uma receção hospitaleira e uma convivência amigável. 

Lamentavelmente, uma situação bastante comum é a de nos tentarem enganar; sejam taxistas, condutores de tuk-tuk ou donos de  lojas; para eles somos dinheiro com pernas e devemos manter-nos alerta, ainda que não seja necessário entrar em paranóia. Lembro-me que antes da viagem à India, todos nos alertaram para nunca dizermos que era a nossa primeira vez no país. E a verdade é que durante toda a viagem nos perguntaram várias vezes se era a primeira vez que ali estavamos. Dissemos sempre que já tínhamos ido outras vezes, e isso acabou por dissuadir os espertalhões. 

Em Bangkok um condutor de tuk-tuk insistiu que o Palácio Real só abria à tarde, e que primeiro nos levaria a passear pela cidade. Mandámos parar o tuk-tuk e apanhamos outro que nos levou ao, obviamente aberto, Palácio Real. Tenho muitas histórias deste género, e várias em que fomos enganados, mas a experiencia é a mãe de todos os ensinamentos. 

Por mais que nos digam que a realidade é totalmente diferente, há coisas que só vendo e vivendo; a pobreza é uma dessas coisas. O que senti ao ver as ruas de algumas cidades indianas, nenhuma imagem de nenhum documentário me tinha feito sentir.

 É sempre uma boa ideia contextualizar-se e ter informação antes de viajar para um destes países. Para, por exemplo, ter uma pequena noção do que passaram a maioria dos cambojanos a apenas algumas décadas. 

O sentimento de compaixão e solidariedade é fundamental para nos aproximarmos das pessoas da terra e compreender como sobreviveram e conseguiram continuar com a sua vida. 

A exploração turística é inevitável e hoje em dia muitos países vivem disso, mas se pudermos eleger atividades e atrações que não se aproveitem de nenhuma pessoa ou animal, pois que assim seja. 

A que custo tiramos fotografias abraçados a tigres? Ou em que estado estão os elefantes que nos carregam nos passeios pelos templos?

São animais selvagens, não são animais para brincar. São drogados e maltratados para obedecer ao Homem e cada turista que visita estas atrações, alimenta esta situação abusiva e aterradora. 

Assim como o consumo dos famosos licores com o reptil dentro da garrafa, que  sustentam o mercado negro de animais.

Reconheço que muitas vezes é complicado fugir de algumas situações; por exemplo em Siem Reap fui ao supermercado com um menino de rua para comprar leite. Ele escolheu a lata de leite mais cara que havia e provavelmente depois voltou a vendê-la ao supermercado, ficando com o dinheiro. Mas naquele momento, foi para mim impossível não “ajudar” aquela criança.

Há muitas formas corretas de ajudar, há diversos programas de voluntariado por todo o mundo, há ONGs que fazem trabalhos admiráveis com pessoas e com animais; mesmo de longe é possível “adotar” uma criança, enviar material escolar ou mantimentos, e assim minimizar um pouco a vida cruel que têm.

Como disse no início do post, o sudeste asiático é o paraíso dos mochileiros; transportes, hotéis e comida baratos. Tudo encaminhado para roteiros turísticos, que mesmo quando vamos por nossa própria conta, faz com que sigamos uma linha já delineada. Muitos viajantes acabam por não sair da rota do costume e deixam de ver outros paraísos. Não digo que não se vá aos destinos mais óbvios, eu quero ir a quase todos; mas se a felicidade está fora da nossa zona de conforto, imaginem o que se pode encontrar, quando já estamos fora dela…  Não acredito que se possa conhecer Bangkok se não sairmos da Koh San Road; e Bali não é seguramente a única ilha interessante da Indonésia…

A oferta de voos low cost é tanta, que mesmo que tenhamos uma limitação de tempo para viajar, não temos porque ficar apenas num sítio e podemos sempre dar um pulo ali ao país vizinho. É só pesquisar!

Viajar pela Asia fez de mim uma pessoa mais tranquila e menos stressada, isto de querer controlar tudo, naquele continente é completamente impossível. Os transportes não respeitam os horários, o trânsito é caótico, a eletricidade falha a torto e a direito, as condições climatéricas fazem com que se altere rotas e destinos. 

Em alguns países é imprescindível ter jogo de cintura e deixar-nos ir com a maré. A minha primeira lição na Asia foi em Delhi, quando não conseguimos comprar os bilhetes de comboio para Agra, o que fez com que não visitássemos o Taj-Mahal. Foi na verdade a minha pior experiencia numa viagem, com suor e lagrimas à mistura, e uma assombrosa impotência por não me conseguir entender com aquele sistema, naquela assustadora estação de comboios. Depois desse dia, tudo ficou mais fácil. 

Um dos motivos que nos levou em 2014 a Bali foi o facto de termos um querido amigo a viver na ilha. Amigo esse que nos pediu para levar 1Lt de álcool cada um (quantidade permitida para entrar no país). Levámos uma garrafa de vodka e uma de rum e escusado será dizer que acabou logo na grande festa à chegada. Uns dias depois fomos ao supermercado comprar cervejas e percebemos que cada garrafa destas, em Bali, pode custar cerca de 50€. Se na Tailândia se come por 1,5€, não se bebe cerveja por menos de 3€; o álcool é sem dúvida uma das partes mais caras de uma viagem à Asia. 

Excluindo o álcool, tudo o resto é muito barato e começar a comprar pode ser uma perdição. Entre artesanato, imitações, bijuteria e outros acessórios, é possível voltar à Europa com as mochilas completamente a abarrotar. Diz-se que se deve sempre regatear, porque o valor inicial é sempre superior ao real; mas atenção: sem exageros, por favor! Se já é tudo muito barato, porque vamos estar a discutir por 20 cêntimos?! Como em tudo na vida há que ter bom senso e noção da realidade do sítio que estamos a visitar. 

Para finalizar, porque este post já vai longo, ao fazer a mochila devemos ter em conta que naquela zona do mundo faz quase sempre muito calor. Com exceção das zonas montanhosas, não vale a pena levar grandes agasalhos; nem roupas bonitinhas, nem saltos altos, nem ir carregados com demasiadas mudas de roupa, que depois nem chegamos a usar. 
O que sim faz falta é o papel higiénico, já que eles gostam da mangueirinha e ter sempre à mão um gel antibacteriano, para qualquer eventualidade. 

Nunca me vou esquecer que num “restaurante” na base do Vulcão Monte Butur, na Indonésia, onde eramos os únicos ocidentais; perguntámos pela casa de banho e disseram-nos que não havia, que podíamos fazer as necessidades no meio do mato. Respondemos que queríamos apenas lavar as mãos antes de comer; e então passaram um pequeno alguidar com água; mas antes de chegar até mim, passou por toda a gente que estava sentada ao balcão à espera da comida. Todos lavaram as mãos na mesma água… a única coisa que posso dizer neste momento é: Viva ao gel antibacteriano que anda sempre na minha mochila quando viajo!! 

Livros de memórias [Fotográficas]

Em 2014 quando casei, os nossos queridos amigos Sébastien e Bernard, ofereceram-nos um livro com as fotografias do nosso casamento. Foi uma prenda surpresa, recebida alguns meses depois e completamente inesperada. (essas são sempre as que têm um gostinho ainda mais especial!)
Nesse momento vimos aquelas fotos pela primeira vez, vimos o nosso casamento de uma perspectiva completamente diferente, com o cunho pessoal dos nossos amigos e que refletia o quão radiantes estavamos todos. Pudemos reviver cada momento naquelas fotos, mesmo aqueles onde não estivemos, e sentimos novamente a energia inexplicável daquele dia.    

Está claro que todos os casamentos são especiais, uns mais tradicionais, outros menos e cada um dentro de um estilo de acordo com as personalidades ou com as possibilidades dos noivos. Casar é uma daquelas situações únicas e nós conseguimos que o nosso casamento fosse também, uma experiencia única para os nossos convidados. 

Por isso, temos sempre à mão esse livro e é um daqueles que roda pela mesa quando há jantaradas lá em casa. Contamos histórias e relembramos os momentos com os que lá estiveram e também com os que não; e confesso que é sempre um dos momentos bonitos da noite e eu nunca me canso de ver aquelas fotos. 

É inegável que o formato digital veio-nos facilitar a vida, não só na poupança de dinheiro, porque deixámos de gastar um montão de euros em revelações; mas também porque se não gostamos da foto, apagamos e sacamos outra. Podemos tirar fotos até ao limite do cartão de memória, e já não precisamos de andar com não sei quantos rolos a ocupar espaço na mala. 

Mas como tudo na vida, tem o outro lado; aquele que faz com que descarreguemos as fotos para um computador ou disco-externo e nunca mais voltemos a olhar para elas. Já para não falar no perigo que é se um destes equipamentos avaria, lá se vão todas as fotografias. 

Sempre adorei fotografias, sempre fui a que levava a máquina e tenho fotos de todas as férias, todos os acampamentos, excursões, viagens, de todos os jantares, aniversários, etc. Tenho em casa dos meus pais, gavetas cheias de álbuns 10×15 da Kodak. 

A paixão por eternizar os momentos, por reter as imagens e guardá-las para um dia mais tarde recordar, o digital não me tirou. Continuo a sacar imensas fotos e sempre fiz questão de ter uma boa máquina fotográfica, mesmo quando parece que com um telemovel e 2 ou 3 filtros podemos fazer milagres. 

No final do ano passado uma amiga deu-me a dica sobre o site BLURB, é uma página estado-unidense de auto- publicação, que permite aos usuários criarem, publicarem, promoverem e venderem on-line os seus próprios livros. A página oferece ferramentas “user-friendly”, que substituem as mais básicas habilidades digitais e fazem com que até o mais inapto possa criar um livro, com uma excelente qualidade de impressão. 

Comecei então a criar livros com as fotografias das nossas viagens, e ontem à noite chegou mais um; desta vez da Grécia. Estes livros têm para mim uma função muito importante, que é a de não deixar esquecidos lugares onde fui e histórias que vivi. 

Além de que nos obriga a rever as centenas de gigas que temos, a organizar as imagens; apagar o que é repetido e selecionar apenas as fotografias que nos dizem algo especial. 

E a cereja no topo do bolo, é que é uma forma espetacular de mostrar aos nossos amigos e familiares as nossas aventuras pelo mundo e de, sempre que a saudade aperta e entra aquela vontade incontrolável de pôr uma mochila às costas, possamos desfolhar os livros e voltar a viver aqueles momentos. 

Wanderlust em 2017! 

Como já é de conhecimento geral, uma das coisas que mais me dá prazer na vida é ver o mundo. Viajar e descobrir locais pela primeira vez, conhecer novos povos, hábitos, costumes e realidades. 

Se gosto, se está perto e é acessível, posso repetir vezes sem conta; caso contrário fica na memória e tomo nota que um dia quero voltar aquele sítio onde já fui tão feliz. 

Tenho inúmeros exemplos: mas posso resumir que na Europa a minha cidade de referência é Londres, passei lá várias temporadas, umas mais longas e outras mais curtas, mas sempre que posso volto e mato saudades. 

Fora da Europa há locais onde voltarei um dia, não sei quando, mas um dia seguramente voltarei a Varanasí, aos Templos de AngKor e a São Paulo; três dos sítios que mais me marcaram. Se posso voltarei a muitos mais; mas a limitação de tempo e dinheiro e a flutuação do nível das prioridades na vida, provavelmente farão com que não volte a muitos dos locais onde já estive. 

Há uns tempos, numa das muitas e deliciosas conversas que tenho com o meu pai sobre o mundo e a vida, ele disse-me algo em que eu nunca tinha pensado. Falávamos de viagens e das enormes ganas que eu tenho de comer o mundo; e ele, que teve a sorte de poder viajar por vários países quando era mais novo, disse-me que agora olha para trás e percebe que nem sempre se trata de prioridades, de ter que eleger ou de fazer escolhas; às vezes simplesmente não depende só de nós. 

Há locais onde ele não foi e que neste momento já nem existem, há países que foram destruídos pela guerra, por catástrofes naturais; e o facto de não ter ido a tempo não dependeu dele, mas sim das circunstâncias. 
Os meus pais cresceram em Africa; e a Africa onde eles cresceram, eu nunca vou conhecer; a quantidade de animais selvagens que eles viram no seu habitat, eu nunca vou ver. A história, o tempo e a mão do Homem, encarregam-se de acabar com cenários que não têm como voltar a existir. 

Neste momento penso em todo o médio oriente, em todos os países árabes que gostava de visitar e onde agora mesmo me sentirei insegura se lá for. Não sei quando verei as pirâmides do Egipto, quando visitarei Petra, ou até mesmo Istambul…
Às vezes tenho pena por não ter o tempo ou o dinheiro para poder viajar constantemente, mas mesmo que o tivesse, há sempre uma escolha a fazer e há sempre circunstâncias alheias à nossa vontade que nos impedem de fazer o que gostaríamos. 

Este ano estávamos bastante indecisos quanto ao destino da nossa viagem; eu tinha claro que gostava de voltar à Asia, mas sei que temos pendente as Américas há muito tempo, e lamentavelmente parece que assim continuará. 

Para mim, uma das coisas mais divertidas e interessantes de viajar é poder comunicar com as pessoas, é tentar entender como pensam e como funcionam as sociedades. Muitas vezes é difícil porque o facto de não falarmos a mesma língua limita o nível de entendimento, claro que a comunicação é sempre possível, nem que seja por mímica; mas quando se fala a mesma língua abre-se um mundo de oportunidades e experiências. 

Há quase 10 anos que falo castelhano e tenho em mim uma grande pena por ainda não ter ido a nenhum país hispânico, onde me possa misturar com a gente e partilhar a sua cultura. Mas sei que essa viagem chegará… já faltou mais! 

Este ano voltaremos à Asia porque a temos no coração, porque é pacífico e fácil de viajar, porque é bonito e barato e porque apesar de ser tão diferente da Europa, sentimo-nos em casa, cómodos e bem-vindos. 
Estávamos entre o Japão e o Vietnam e decidimo-nos pelo último depois de fazer contas à vida; o país do sol nascente ficará para outra altura. 

Num próximo post, porque este já vai longo, escrevo sobre o porquê de querer visitar o Vietnam e como estamos a organizar a nossa viagem de 2017. 

Viajo&Visito [Lanzarote]

Desde sempre tenho o seguinte lema: 
– Onde temos amigos, vamos! 
Normalmente tento visitar todos os amigos que tenho espalhados pelo mundo, uma viagem 2 em 1 sai mais económica e tem muito mais graça. Viajo e Visito! 

Já perdi algumas oportunidades, que agora não sei quando voltarei a ter: 

– Não visitei Istambul quando tinha lá o Pet e não visitei o Ecuador, quando vivia lá a Joana. 

Ainda não fui a Angola, nem à Argentina; em ambos países tenho amigos e familia para visitar. 

Mas pouco a pouco, vamos tentando eliminar os que faltam, por isso aproveitámos o fim de semana prolongado com ponte e feriado e fomos até Lanzarote. 

Temos há mais de 5 anos uma grande amiga a viver lá. Uma amiga que trocou o continente pela ilha, a cidade pela praia, o verde pelo vulcão. Trocou uma vida cheia de coisas por uma vida cheia de outro tipo de coisas. Vive numa casa em frente ao mar, onde todos os dias o namorado faz surf, onde as cadelas correm livremente pela terra vulcanica, onde a paisagem desértica não acaba nunca e onde no horizonte, o mar entra pelo céu adentro. 

Lanzarote é uma ilha diferente de todas onde já tinha estado, é uma ilha onde a terra é negra, seca, tórrida e agreste. Não há árvores, não há massa verde, não há nada tropical, sem ser o calor abrasador; que no final de Outubro permitiu que voltássemos a reviver um verão cheio de sol e nos banhássemos nas águas tépidas do Atlântico. 

 Ao início custou-me habituar à ausência do verde, mas aos poucos percebi que a ilha tem um encanto especial. Que as estradas no meio do deserto são totalmente ‘à filme’, que todas as casas de todos os ‘pueblos’ são brancas, e isso dá um charme e uma identidade única à ilha, e que o facto de não haver prédios faz com que estejamos onde quer que seja, consigamos sempre ver vulcões à nossa volta.   

O sul da ilha é 100% voltado para o turismo; praias, restaurantes e bares com menus em inglês e alemão. No norte da ilha há uma população de locais e residentes mais alternativa; surfistas, pescadores, desportistas e pouco mais. Na ilha as distrações são poucas, ou se dedicam a uma destas atividades, ou provavelmente morrem de tédio, porque não há muito mais para fazer. Para uma pessoa de cidade, como eu, esta excessiva tranquilidade tem data de validade.

Exatamente 5 dias, que foram os que passámos em Lanzarote! Não foi muito tempo, mas foi o suficiente para ficarmos com uma ideia da ilha, vermos as atrações principais, darmos uns bons mergulhos, comermos as delícias das canárias, matarmos saudades e ficarmos com vontade de voltar novamente. 

Uma Lisboeta no Porto

O Porto é uma daquelas cidades com os 3Bs: bom, bonito e barato!
A cidade que um dia foi taciturna, manhosa, cheia de carôchos, e com um ambiente inseguro e intimidante, está agora completamente diferente. 

Este último foi um fim de semana em família, eu e a mana apanhámos o avião desde Barcelona e os nossos pais, o comboio desde Lisboa; juntos fomos celebrar ao Porto o aniversario da nossa mãe. 

Esta foi a 5a vez que fui ao Porto e foi a primeira em que apanhei realmente bom tempo, 2 dias com um quente e luminoso sol, que fez com que a cidade ficasse ainda mais bonita.

O Porto nos últimos anos rejuvenesceu, com edifícios reabilitados, ruas arranjadas, fachadas restauradas; passeios e praças cheios de esplanadas e turistas por todos os lados. Uma cidade com uma cara nova, mas que assim como Lisboa mantém aquele encanto ‘underground’, meio velho meio novo, arranjadinho mas descuidado, bonito e feio ao mesmo tempo. Um “je ne sais quoi” que não se explica, só vendo com os nossos próprios olhos. 

Tal como já tinha constatado em Lisboa, parece mesmo que o mundo descobriu o segredo mais bem guardado da Europa: Portugal – um país cheio de tanta coisa e com um potencial incalculável. 

O Porto é ligeiramente mais barato que Lisboa, as pessoas são efetivamente mais simpáticas, mais simples, e talvez até mais divertidas. Por muito que me custe admitir, acho que nós Lisboetas somos mais sérios e sisudos. Enfim, mas como diz uma amiga: nós temos outros encantos!

Nestes 2 dias fizemos algumas das muitas coisas que o Porto tem para oferecer. Alugámos um apartamento airbnb entre o Mercado do Bulhão e a Estação de S.Bento, melhor localizado impossível! Comprámos um Tour de Bus turístico, algo que foi a segunda vez que fiz na vida; (a primeira foi em Sevilha também com os meus pais); mas percebi que quando se tem pouco tempo e quando as pernas já não aguentam maratonas, os Bus Turísticos são a melhor opção. 

O Tour era para 2 dias e incluía: 2 rotas por toda a cidade do Porto, V.N.Gaia e Matosinhos, podendo sair e entrar quando quiséssemos; um passeio de 1 hora em barco no Rio Douro passando pelas 6 pontes e uma visita as Caves de Vinho do Porto Calem. E com os tickets tinhamos também acesso aos transportes públicos. Tudo por 24€! Vimos a cidade de ponta a ponta e ficámos com uma ideia do que queremos visitar numa próxima vez, com mais tempo e atenção.

Para comer recomendo os restaurantes em frente à Lota de Matosinhos, peixe grelhado verdadeiramente delicioso.

A melhor francesinha dizem que é feita no Café Santiago, em frente ao Coliseu. Fomos provar, e depois de 20 minutos de fila à porta, posso dizer que realmente é bem boa, assim como tudo o que comemos lá e com um serviço 5 estrelas. 

Para o pequeno almoço ou uma merenda a meio da tarde, deve-se ir a qualquer pastelaria tradicional, onde se pode encontrar todas as iguarias portuguesas, que nos ajudaram a matar as saudades.

A zona mais turística, como por exemplo a Ribeira, lamentavelmente é como em todas as outras cidades; os preços sobem, a simpatia diminui e o falta de profissionalismo muitas vezes aumenta. Mas depois contemplamos aquela vista maravilhosa para o Douro e rendemo-nos totalmente à Invicta.

Numa das vezes que fui ao Porto lembro-me que comi no Café Majestic, que é deveras majestoso, e deslumbrei-me com a impressionante arquitetura da Livraria Lello, tudo isto sem pagar mais do que o que comprei ou consumi. Agora já não é possível, ambos os locais têm porteiro e cobram entrada. Dá-me muita pena que a massificação do turismo faça destas coisas. De qualquer forma, para quem não conhece e visita o Porto por primeira vez, considero locais obrigatórios. 

Assim como as caves de Vinho do Porto, que numa breve, mas muito interessante visita guiada de 40 minutos, ajuda-nos a ficar com uma ideia de como funciona o processo e aprendemos um pouco mais sobre o vinho.

Termina com uma degustação de 2 vinhos diferentes, num ambiente agradável, descontraído e multicultural.

Dois dias passaram muito rápido, mas além destas atividades tivemos ainda tempo para caminhar pela animada Rua das Flores, por Santa Catarina, zona dos Clérigos, Ribeira e pelo Cais de Gaia.

No entanto ficou muito por ver, a começar por Serralves, que é um dos locais de Portugal que tanta vontade tenho de visitar, mas lamentavelmente ainda não foi desta vez. 

Sendo assim, fica prometida uma próxima viagem ao Porto, uma cidade tão linda e encantadora, diferente de Lisboa mas igualmente apaixonante.

Emigrantes no País dos Lagos

No verão de ’97 fiz uma viagem de furgoneta até à Suiça. Foi uma viagem memorável e a minha primeira viagem longa, pela estrada fora, com amigos. Espanha e França já não eram desconhecidas para mim, mas a Suiça foi a primeira vez e confesso que nao adorei. Pareceu-me demasiado organizado, limpo e extremamente caro. 

Mas com 17 anos sabemos muito pouco da vida e este fim de semana tive a oportunidade de rever este lindíssimo país, 19 anos depois, com outros olhos e muitas viagens na bagagem. 

É um país com uma beleza natural impressionante; grandes montanhas, lagos intermináveis e águas cristalinas. Os Suíços, apesar de geograficamente estarem no centro da Europa, são como um povo nórdico, reservado e pouco expontâneo, mas simpático e de trato fácil.

Mantenho a minha opinião sobre ser um país caríssimo, onde tudo se paga – e muito; e onde às vezes parece que o facto de se poder ganhar muito dinheiro, inverte as prioridades e corrompe os valores das pessoas. 

A comunidade portuguesa é gigante e apesar de alguns me terem dito que não, penso que a maioria dos emigrantes na Suiça são completamente diferentes dos portugueses que emigraram para Barcelona. 

Pareceu-me que os muitos francos que ganham e que lhes permite fazer mil e uma coisas, os enchem de ilusões e os fazem perder a noção da realidade, ganhando a entristecedora petulância de se acharem superiores e mais civilizados que outros emigrantes. Ou há também o outro lado; o do “tuga” que se fecha no seu gueto, que vai à associação jogar cartas e beber cervejas, e que a única coisa que faz é juntar dinheiro para o Audi e para a casa na terra.

Realidades tão diferentes, mas ambas incompreensíveis aos meus olhos.

Um país onde, por exemplo, é obrigatório ter seguro de saúde e esta se paga a peso de ouro, onde os vizinhos avisam a policia ao mínimo ruído, onde se multam as pessoas se não usam os sacos de lixo estipulados, onde se controla rigorosamente tudo e onde principalmente as relações humanas são frias e os contactos programados; é na minha opinião, um país no mínimo estranho.  

De qualquer forma, e apesar de ter visto uma realidade com a qual não me identifico, gostei muito desta viagem e penso que não esperarei novamente 19 anos para voltar à Suiça. Revi pessoas queridas que não via há vários anos e fui recebida por uma prima com quem tenho cada vez mais contacto e que felizmente não se enquadra em nenhuma das categorias de emigrante que referi anteriormente. Uma pessoa cheia de vida, cheia de amor e com uma energia luminosa e contagiante, que nos recebeu de braços abertos e nos mostrou como se pode viver num país tão frio, sem se deixar corromper pelos muitos dias chuvosos e sim manter um coração generoso e uma atitude sempre positiva. 

Obrigada Z+Y!! 

Nota: Felizmente há sempre excepções, como em tudo na vida! Os exemplos que dou dos emigrantes na Suiça fazem parte de uma visão geral, sem nenhuma intenção de generalizar. 😉

MiniGuia de Lisboa

Lisboa é uma das cidades mais lindas do mundo, e não é por ser a minha, mas é verdade que tem um encanto especial, uma luz que seduz e uma autenticidade, que hoje em dia já não é fácil de encontrar.

Desde miúda que sempre recebi gente de visita, se não eram os primos que vinham de Luanda, eram amigos que fui fazendo nas minhas viagens; ou até turistas que conhecia pelas ruas e nem sei bem como, acabavam a dormir lá em casa. Mas todos os anos havia alguém com quem passeava e a quem mostrava a cidade, como se também eu fosse turista.

Durante os anos da universidade passava todo o meu tempo livre a descobrir cafés, livrarias e esplanadas em pracinhas escondidas pelas ruas de Alfama; dominava o Bairro Alto de dia e de noite e não havia um Miradouro onde já não me tivesse sentado a ler um livro. Foram anos em que vivi Lisboa tão intensamente, que ainda hoje relembro essa época com saudade.

Fazer de cicerone começou a ser desde muito cedo um traço marcado na minha personalidade e quando me mudei para Barcelona ficou ainda mais evidente.

Aqui, além dos amigos que querem visitar Lisboa, comecei também a receber os que de lá vêm para visitar Barcelona.

De repente dar dicas passou a ser algo rotineiro e sempre que alguém visita uma das duas cidades, tenho já um guia preparado para a ocasião.

Ontem partilhei-o novamente, com uma amiga que visitará Lisboa pela primeira vez e fez-me pensar que já é hora de o publicar aqui no Blog. Partilho a versão em Português, mas tenho também uma em Castelhano e outra em Inglês.

Este miniguia de Lisboa é 100% “artesanal e espontâneo”, não tem intensões de fazer publicidade a nenhum sítio em especial e é apenas um rápido apanhado de algumas das coisas que eu faria, se fosse turista em Lisboa durante 2 ou 3 dias. Há muitíssimos outros locais para visitar, restaurantes para comer, bares para ir de copos e sítios para dançar; mas ao ter que escolher, estas opções parecem-me as mais ecléticas e capazes de agradar  ‘a gregos e a troianos’.

Dependendo dos amigos que vão de visita, recomendo sempre coisas diferentes; se procuram ambiente gay, se vão em busca de uma viagem gastronómica, se gostam dos locais mais da moda, ou dos mais alternativos, se apenas querem estar um dia e rumar às praias à volta da cidade, enfim… Lisboa tem muitas caras, muitos ambientes, uma diversidade cultural cada vez maior; mas mesmo assim, não perde aquilo que apaixona quem a visita…

..Aquele segredo bem Português, que só nós é que sabemos!!

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A Rota dos Sonhos

Começa Setembro; as férias terminaram, voltei a pôr o relógio no pulso, a ativar o alarme no telemóvel e a pensar no que vou vestir no dia seguinte para ir trabalhar. Eu fui de férias e a rotina ficou em casa, voltei e aos poucos deixo que ela me abrace e me dirija mecanicamente pelo dia a dia em Barcelona. 

Estas 3 semanas de férias foram maravilhosas, a viagem roçou a perfeição e confesso que não tive saudades de nada e poderia continuar pela estrada fora durante muitas mais semanas. 

Chamámos-lhe a Rota dos Sonhos na nossa “CamperVan of Dreams”, porque desde a primeira noite em que dormimos nela, sonhámos. E sonhámos todas as noites que se seguiram; sonhos elaborados, com enredos, personagens e histórias mirabolantes. Uns bons e tranquilos, outros sem sentido e mais perturbadores; mas nenhum sonho nos fez acordar cansados ou de mal humor, como às vezes acontece na cidade. O H. normalmente nunca se lembra dos sonhos quando acorda, mas os sonhos que viveu na nossa furgoneta mantinham-se vivos na sua memória pelas manhãs. 

Tenho mais que assumido que cada viagem é uma aprendizagem, e que os lugares onde vamos e as pessoas com quem nos cruzamos têm uma missão no nosso caminho. Cada um interpreta como quiser e aprende o que conseguir.

Viajar neste formato, com a casa às costas, dá-nos uma liberdade indescritível e faz-nos perceber que realmente não precisamos de quase nada para viver bem e feliz. 

Acordar pelas manhãs, abrir a porta e ver uma paisagem diferente todos os dias, saltar para os bancos da frente e seguir caminho, encheu-me de plena felicidade a cada quilómetro desta viagem. Não ter que voltar atrás porque tudo estava connosco, poder decidir no momento, espontaneamente, se ficamos, se vamos, se paramos ou seguimos; porque somos um todo. O nosso transporte é também a nossa casa e não precisamos de mais nada, porque tudo está naquele espaço; que afinal não é tao pequenino, que afinal são vários espaços num só e onde na verdade nos sentimos tão bem, como se ali sempre tivéssemos pertencido. 

Há um livro que recomendo sempre a quem se inicia nisto das viagens, escrito pelo Gonçalo Cadilhe, que se chama “ O Mundo é fácil”, e onde ele mostra como é realmente fácil viajar hoje em dia. Ele fala de viagens de mochila (as que me roubaram o coração há quase 20 anos), mas na verdade este lema aplica-se a qualquer tipo de viagem, desde que organizemos as nossas prioridades e procuremos alternativas de acordo com as nossas possibilidades financeiras. 

Viajar de autocaravana é fácil e recomenda-se! Há várias aplicações GPS que nos ajudam a chegar a todos os lados, há Apps que indicam locais específicos para dormir, que são mais baratos que os parques de campismo, têm wcs e chuveiros, depósitos de aguas sujas e tanques de agua limpa. Alguns com segurança, nos arredores das cidades, outros no meio do nada, e os mais bonitos de todos; em frente a paisagens idílicas, que nos serenam ao anoitecer e nos alegram o despertar. Apps com informações sobre as rotas, as estradas, o trânsito, lugares de interesse, comentários de outros autocaravanistas; indicação de bombas de gasolina, praias, etc, etc, etc. 

Há todo um mundo dedicado ao autocaravanismo, furgonetas, carrinhas transformadas, campervans e vários outros formatos de veiculo-vivenda; que quem não sabe, nem se dá conta. Há verdadeiras mansões sobre rodas, com ou sem atrelados, há diversos modelos para todos os gostos e bolsos. 

Cheguei à conclusão que o ideal é viajar com um transporte extra, preferencialmente a bicicleta, ou se for possível, com uma pequena moto atrelada. Apesar de termos uma carrinha e não uma autocaravana tradicional, não cabia em parques de estacionamento subterrâneos e tivemos alguma dificuldade em estacionar dentro das grandes cidades. Por isso, para a próxima queremos ter um transporte alternativo, para poder deixar a campervan estacionada fora da cidade e nos movermos sem preocupações. 

Fizemos 3126km entre Barcelona, Astúrias, Cantábria, País Vasco, Montpellier, Costa Brava e novamente de volta a Barcelona. Tentarei escrever aos poucos sobre os lugares que mais gostei, mas para resumir o que senti, posso já dizer que voltei completamente apaixonada pelas Astúrias, que quero voltar a Santander e a Bilbao em breve; que só no País Vasco ganhei 2kg porque é impossível resistir àquela quantidade de pintxos deliciosos, e que a Costa Brava terá sempre um lugar especial no meu coração. 

Até pró ano Férias de Verão! 


10 Dicas para organizar uma Road Trip 

Este verão vamos fazer uma viagem de carrinha pelo norte de Espanha, conduzir sem pressas, acordar todos os dias num sítio diferente, adormecer ao lado do mar e despertar com os primeiros raios de sol, é um sonho tornado realidade! 

Tenho tatuado no braço a frase: “On the Road”, porque sou completamente apaixonada pelo livro do Jack Kerouac e pela filosofia de viajar pela estrada fora, aberta a novas experiencias e livre para descobrir pessoas e lugares que nunca antes vi. Gosto muito de viajar de mochila, apanhar um avião e acordar do outro lado do mundo; mas também gosto de arrancar por aí, com a casa no porta-bagagens e ir parando onde me apetece. São dois tipos de viagens diferentes, mas com a mesma essência. 

Viajei muitas vezes de carro com os meus pais quando era mais nova, conheci meio Portugal, e grande parte de Espanha e França, ao som dos Beatles e outros grandes sucessos. Na altura como era miúda, não me dava conta da logística que é necessária para se fazer uma viagem de carro, mas agora vejo que é sempre preciso um mínimo de organização, para que tudo corra bem e para que não tenhamos surpresas desagradáveis. 

No verão de 2001 fizemos uma viagem durante 1 mês, numa Renault Expresso Azul, de Lisboa até Tavira. Descemos pela nossa saudosa Costa Vicentina, parámos onde nos apeteceu, alimentámo-nos de latas, frutas, saladas e outras coisas rápidas; umas noites dormimos na carrinha com sal no corpo e outras em parques de campismo, onde podíamos montar a tenda e tomar um duche. Foram as primeiras férias com o H. no nosso primeiro ano de namoro; uma viagem inesquecível, onde a liberdade de decidir – o quê, quando e como – nos mostrou que ambos queríamos o mesmo da vida. 

Passaram 15 anos e neste momento, ainda que se mantenha o nosso espirito de aventura, a curiosidade pelo desconhecido e uma vontade constante de ir onde nunca fomos, já começamos a precisar de um mínimo de conforto e organização. 

Por isso neste post, faço uma lista das 10 coisas, que para mim são necessárias quando se faz uma Road Trip, deixando obviamente sempre aberta a possibilidade de improvisar. Pode ser que ajude outros viajantes, ou que pelo menos inspire alguém a sair pela estrada fora. 

1- Decidir a Rota: Isso de sair sem destino é muito bonito e romântico, mas há que pelo menos saber se vamos para a direita ou para a esquerda. Escolher uma rota não é tarefa fácil, quando se tem pouco tempo e muitas opções interessantes. Este ano vamos usar a técnica da “popularidade inversa”, quanto mais popular sejam os locais, mais nos vamos afastar deles. Assim, facilmente eliminámos os destinos mais óbvios e turísticos. 

2- Antes de arrancar não nos podemos esquecer de algumas coisas básicas, como: 

· Limpar o carro 

· Fazer uma revisão no mecânico 

· Preparar uma caixa de ferramentas 

· Preparar uma bolsa de primeiros socorros 

· Protector solar e óculos de sol, (sempre imprescindíveis) 

· Uma garrafa de água vazia e uma cheia 

· Mapa das Estradas 

3- Agora que já sabemos onde queremos ir e temos o transporte preparado, há que fazer um mínimo de investigação, para não perdermos o que realmente nos interessa: aquela praia virgem de difícil acesso, aquele restaurante imperdível ou o miradouro onde se vê o pôr-do-sol mais bonito de toda a viagem. 

4- Mesmo tendo uma lista de atrações, praias, restaurantes, museus e outros locais a visitar; uma das coisas mais importantes numa road trip é estar atento a todas as dicas que os locais nos podem dar. Se estamos parados em algum sítio, pode ser boa ideia meter conversa com quem passe e perguntar onde se come bem nessa terra. Se virmos um caminho alternativo podemos sempre segui-lo, pois o pior que pode acontecer é termos que voltar para trás. O melhor?! Pois há uma infinidade de respostas… 

5- Fazer listas. Eu sou perita nisto das listas, adoro e acho que me organizo muito melhor se antes faço uma lista das coisas que preciso; sejam compras, tarefas ou atividades. O bom de viajar de carro é que se pode levar muitíssimas coisas; o que pode também tornar-se bastante perigoso, uma vez que como em qualquer outra viagem, o melhor é ser objetivo e prático, levando o mínimo possível. 

6- Preparar uma Playlist – um dos pontos altos de qualquer viagem de carro, é conduzir ao som de uma grande música. E se, como eu, vamos de copiloto, queremos sentir aquela indescritível sensação de ficar a olhar para a paisagem a passar, enquanto cantamos emocionados, as canções da nossa vida. 

7- Hoje em dia há uma coisa “maravilhosa” que se chama: APP. Existe uma para tudo e mais alguma coisa. Nós descobrimos várias interessantes, por exemplo uma que indica os locais apropriados para estacionar e dormir dentro de autocaravanas; e outra que mostra todas as praias de uma determinada região e informa de que serviços dispõem: se tem wc, duchas, restaurantes, se o acesso é difícil ou se é muito populosa. Já para não falar do GPS no telemóvel, mapas, apps de restaurantes, trilhas para caminhadas, e uma imensidão de aplicações que nos podem facilitar imenso a viagem. 

8- Plano B – por mais que nas férias reine a descontração, há que estar preparado para alguma eventualidade, por exemplo furar um pneu num local perdido no mapa, ter alguma urgência médica, apanhar uma carga de água, ou como nos passou uma vez em Ibiza, um incendio impedir-nos de aceder a uma determinada parte da ilha. 

Dicas: se saímos do país e estamos dentro da Europa, o que aconselho vivamente é fazer o Cartão de Saúde Europeu. E para que estejamos sempre contactáveis, não custa nada levar um adaptador e carregar os telemóveis no isqueiro do carro, em vez de ser no wc do parque de campismo, como fizemos “toda la vida”. 

9- É importante não nos esquecermos que numa viagem de muitas horas, durante muitos dias na estrada, há sempre necessidade de ir mordiscando qualquer coisa. O ideal é ter uma mala-geleira, onde vamos pondo gelo para refrescar pequenos snacks e garrafas de água. Podemos sucumbir às batatas fritas e bolachas, mas também há alternativas saudáveis, como peças de fruta, cenoura descascada, ou até mesmo tomate cherry com bocadinhos de queijo. 

10- Para finalizar, há que ter em atenção o orçamento, por mais idílica que seja a nossa viagem, sem dinheiro não se vai a lado nenhum. Recentemente a conversar com uma amiga, que viajou de ‘furgoneta’ 3 meses pela América do Sul, contou-me a técnica que usou e pareceu-me genial: – Estabeleceu um determinado valor para gastar na viagem e quando chegou à metade, soube que era hora de começar a voltar para trás. 

       Há várias dicas para poupar durante uma Road Trip, mas isso ficará para outro post. 

Boas Férias a tothom!! 

*imagens tiradas do Pinterest