A mochila ❤️

Depois de meses de espera, pesquisa e organização; a última parte dos preparativos de uma viagem é fazer a mala.
Preparar a mochila dá-me sempre que pensar, porque nunca quero levar muita coisa, mas seria tão mais fácil se pudesse levar a casa às costas.
Todos os anos acabo por perceber que é possível reduzir ainda mais o conteúdo da minha mochila,
porque realmente quanto menos levar, melhor.

A mochila é algo muito importante, vai andar nas nossas costas durante muitas horas seguidas e há que desenvolver uma relação cómoda com ela. Deve ser transpirável, com os apoios certos para a zona lombar e não ser demasiado grande.

Viajei durante muitos anos com uma mochila de 60L, mas este ano passei para uma de 50L, porque quero carregar o mínimo peso possível e aplicar a regra de que menos é mais, que é 100% verdadeira.

Outra coisa a ter em conta, é que a mochila de preferência tenha duas divisões e feche com zip em ambas; para facilitar o acesso, permitir pôr um cadeado e despachar no porão do avião. A maior parte das mochilas fecha na parte de cima com um cordão, o que não as torna tão seguras.

Quando já encontrámos a mochila que se adapta perfeitamente às nossas necessidades, há que pensar no conteúdo. Eu recomendo comprar aquelas bolsas individuais para arrumar a roupa, há na Decathlon e simplifica-nos a vida quando queremos encontrar algo que está perdido no meio de mil coisas dentro da mochila. Com as bolsas, fica tudo separadinho e organizado.

Uma vez estudado o clima do nosso destino (atenção porque num mesmo país pode variar de norte para sul), devemos escolher a roupa de acordo com o tempo que vamos encontrar e se possível, escolher peças que combinem entre si, para desta forma evitar ter “aquela blusa que só se pode vestir com os outros calções”. Todas as peças devem funcionar umas com as outras, e a comodidade, numa viagem, é muito mais importante do que a elegância.

Por isso, agora faço a mochila para três semanas na Ásia:

Roupa:

– 2 calções (um de ganga e um de tecido)

– 3 blusas de alças

– 2 t-shirts de manga curta

– Roupa interior – 7 cuecas,  2 soutiens e 2 meias

– 2 ou 3 bikinis – Imprescindíveis! Penso estar bastante tempo de molho no Mar da China!

– 1 leggins – Dão sempre jeito, são cómodos para dormir, para algum trekking pelas montanhas ou alguma noite mais fria.

– 1 casaco de fato de treino (ou impermeável caso chova) – Juntamente com os leggings, servem para o frio e também para viagens longas (às vezes o ar condicionado no bus ou no comboio é mais frio que o polo norte).

– 1 saia/ vestido comprido – perfeitos para entrar nos templos / sugestão para os homens, umas calças Thai, finas, leves e cómodas.

– 1 lenço grande, que serve para pôr no pescoço se faz frio e também para estender na areia da praia.

-1 vestidinho curto – não vale a pena levar mais, porque na Ásia acaba-se sempre por comprar alguma coisa.

– Chapéu, óculos de Sol e 1 fita para o cabelo

– Sandálias Birkenstock, uns chinelos e uns ténis.

Vários:

– O kit de primeiros socorros (deste POST )

– Protetor solar (deve-se usar mesmo nas cidades)

– Necessaire: (o básico: escova e pasta de dentes, champô, sabonete, etc)

– 1 rolo de papel higiénico /1 embalagem de toalhetes húmidos

– 1 bolsa estanque impermeável (para pôr o telemóvel e os documentos quando andarmos a saltar de ilha em ilha, ou a passear de kayak no meio dos rochedos de Ha Long Bay. 😍

– 1 cadeado

– 1 toalha de microfibra (ocupa pouco espaço e seca rápido)

– Venda de olhos e tampões para os ouvidos (a Ásia é um continente bastante ruidoso!! Nunca me vou esquecer dos galos de Bali, que cantavam a qualquer hora do dia e da noite) 🙄


– Bolsa interna para levar o dinheiro e passaporte
Dica para quem viaja sozinho (ou acompanhado): Quando fiz o meu primeiro interrail em 1999, a minha mãe coseu na cintura de cada peça, uma bolsa pequenina com zip. Além da tradicional bolsa que se leva por baixo da roupa, tinha sempre uma bolsinha extra que mais parecia uma segunda pele. Os ladrões não estão à espera que sejamos tão precavidos… ou isso espero!
 
– Uma pequena lanterna (porque os apagões na Asia são o pão nosso de cada dia)

– Guia da Lonely Planet + Diário de Viagem e estojo completo

– Um livro para as viagens longas e as tardes na ilha

– Telemóvel, carregador e bateria externa

– Auriculares e alguma série descarregada da netflix , para aguentar um voo até ao outro lado do mundo

– Camara Fotográfica (quase tão importante como o passaporte). Como somos dois a viajar, cada um leva uma (reflex e compacta), e a Gopro levamos para tentar registar o fundo daquele imenso mar tropical.

Nota importante: Podemos ter tudo o que está na mochila connosco, mas se nos falta o passaporte, não vamos a lado nenhum e se já estamos no destino, pode ser uma enorme dor de cabeça. Por isso, recomendo digitalizar e fotocopiar todos os documentos; e espalhar em diferentes partes da mochila.

O Palavras na Barriga vai de férias e volta em Setembro, até lá, podem acompanhar as minhas andanças asiáticas no INSTAGRAM!!

Bom Verão & Boas Viagens!

Apps para quem viaja ✈️

Quando comecei nas minhas andanças pelo mundo, a primeira coisa que fazia quando chegava a uma cidade era ir a correr ao posto de turismo para pedir mapas e informações. Hoje em dia ainda mantenho algumas tradições, por exemplo nunca dispenso o meu Lonely Planet, que quase sempre já trás incluídos alguns mapas; no entanto reconheço que a minha forma de viajar mudou bastante. Com as novas tecnologias viajar é ainda mais fácil e qualquer pessoa com um smartphone, se pode orientar em praticamente qualquer lugar do mundo.
Hoje partilho algumas das aplicações que tenho no meu telemóvel, algumas simplesmente me facilitam a vida, umas contribuem para uma significativa diminuição de possíveis chatices, outras são apenas curiosas e todas em algum momento das viagens já me deram um jeitão!

  • Google Translate

Na verdade, quando vives num país estrangeiro (principalmente numa cidade onde se fala duas línguas), é possível usar esta aplicação todos os dias. Nas viagens, uso normalmente para a comunicação básica, como por exemplo para perguntar direções. Mas também é muito útil para traduzir o que realmente não entendemos, como os menus nos restaurantes. E não, não precisamos de escrever linha por linha, basta ativar a opção da camara fotográfica dentro da aplicação e centrar o texto. Automaticamente traduz tudo o que está na imagem. É realmente fantástico!

  • XE Currency 

Com esta aplicação é possível saber o câmbio de qualquer moeda e fazer a conversão para a que melhor nos convier. É muito importante, no caso de não sermos bons a fazer contas e cálculos matemáticos, previne enganos e gastos desnecessários.

  • Booking / Trip Advisor/ Airbnb 

Uso quase sempre o Booking para fazer reservas de sítios para dormir, é uma boa opção porque oferece preços competitivos, nem sempre tem que se pagar no momento e muitas vezes tem descontos de última hora. Aproveito para comparar com os comentários da aplicação do TripAdvisor, que costumam estar atualizados e bastante honestos. Esta aplicação também serve para pesquisar sobre restaurantes e locais de interesse.

No caso de preferir ficar em casa de alguém, a melhor APP que existe, é a do Airbnb. Funciona perfeitamente, é super fácil de utilizar e totalmente fiável.

  • Evernote

Sou adepta do bloco e da caneta, e em todas as viagens faço um diário; mas reconheço que a nível de espaço e peso é muito mais simples escrever tudo no telemóvel. Além disso, para quem tem um Blog, esta aplicação é perfeita, porque no momento em que nos conectamos à internet, faz um backup online de tudo o que escrevemos; e assim mais tarde podemos atualizá-lo diretamente.

  • Citymapper

Sempre usei o Google maps, mas agora acho que a citymapper é mais completa e mais fácil de usar. Dá informação detalhada sobre rotas em tempo real, alertas e problemas em transportes públicos; bus, metro, comboio, táxis, uber, etc. Temos uma visão geral da cidade e de todas as possibilidades que existem para nos deslocarmos com rapidez e eficiência. A sério que transforma uma cidade complicada numa bastante mais simples.

  • App in the Air 

App in the Air é uma aplicação de rastreamento de vôos, que possui a melhor cobertura de companhias aéreas e aeroportos. Mantem-nos atualizados sobre o estado dos nossos voos, ainda que não tenhamos conexão à internet; e ajuda a gerir todo o tempo até entrar para o avião (check in, embarque, etc). Dá bastante jeito a quem é mais distraído ou a alguém (como eu) que gosta de ir fazer compras de última hora e depois quase perde os voos. 🙈

  • LiveTrekker

Uso esta App por pura diversão e curiosidade, com ela é possível criar um diário das viagens num mapa interativo.

Regista todos os sítios onde vamos, desenhando uma linha vermelha no mapa com o percurso que fizemos. Também monitoriza a nossa velocidade e altitude, o que é engraçado para quem faz viagens mais aventureiras. Depois podemos adicionar fotos, vídeos, notinhas e textos; e criamos assim um diário de viagem multimédia.

  • Time Out

Descarreguei a Time Out quando fui o ano passado a Madrid e deu-me imenso jeito, agora uso-a também para Barcelona no meu dia-a-dia. Mas tem informação sobre cidades tão diferentes como Edimburgo ou Melbourne, Bangkok ou Las Vegas, etc. E este ano, estou ansiosa para a usar em Kuala Lumpur.

A aplicação é tão abrangente que podemos aceder a informação sobre restaurantes, atrações na cidade ou eventos que vão acontecer. É super fixe, porque temos a certeza que se estiver a passar algo fantástico na cidade que estamos a visitar, não nos vai escapar.

  • Hotspot Shield Free Privacy & Security VPN Proxy 

Quando viajamos nem sempre temos o acesso garantido a todas as páginas, alguns países bloqueiam sites básicos como o Google, páginas de bancos ou de operadores telefónicos. Uma das formas de contornar isto é aceder através de uma VPN (virtual private network), que supostamente nos dá o acesso em segurança.

Hoje em dia há muitas opções, umas gratuitas e outras a pagar, mas o Hotspot é bom porque não pede log in e é bastante fácil de usar.

Há muitas mais aplicações e há muitas variantes destas que sugiro. Recomendo o uso destas Apps, porque realmente quando estamos fora da nossa cidade é mais fácil simplificar do que complicar, e assim sobra-nos mais tempo para aproveitar cada pedacinho da viagem!

WC_PT • a criatividade não tem limites •

As casas de banho despertam uma atração especial em algumas pessoas. A mim, na verdade, nunca despertaram muito além da vontade de as usar quando tenho necessidade. Mas pensando de forma subjetiva, são efectivamente espaços curiosos onde normalmente passamos momentos íntimos, aos quais à partida atribuímos um rotineiro desinteresse. Ou talvez não… 

Na primeira casa onde vivemos em Barcelona, havia na casa de banho um poster colado na porta; chamava-se Toilet Cam Poster – era a imagem de várias casas de banho onde estavam pessoas a fazer coisas completamente diferentes. Era um poster que mostrava bem tudo o que se pode fazer numa casa de banho e como um espaço minúsculo pode ser tão divertido, tão promíscuo, tão original, ousado ou surpreendente. 

Nessa casa alugávamos um dos quatro quartos que havia, mas nela viviam às vezes 5 pessoas, às vezes 6 ou 7 e quase sempre muitas mais que entravam e saiam como se lá vivessem. O poster da casa de banho mostrava a diversidade e o sentimento de liberdade que ali habitava. 

Há uns anos atrás o H. desenvolveu um “fascínio” por casas de banho e criou uma conta de instagram dedicada ao tema. Ele diz que reparou que nem todos os buracos das sanitas são iguais, e que dependendo de onde está posicionado o buraco, usá-la pode ser mais ou menos cómodo. 

Então começou a fotografar as sanitas de todos os sítios onde vai: bares, restaurantes, casas de amigos, museus, comboios, aviões, hotéis, etc.. Fotografa tal qual a encontra, antes de a usar; e todas as fotografias são tiradas por ele, como parte da experiencia que dá forma a este projecto. 

Se tenho que pensar numa sanita famosa, a minha referencia é “the worst toilet in Scotland”; a asquerosa sanita onde o Ewan McGregor entra, no filme Trainspotting, para recuperar dois supositórios de ópio. Essa imagem vista por uma miúda de 16 anos, ficou marcada até hoje. 

Confesso que fiquei surpreendida quando o H. comentou que tinha cada vez mais seguidores no instagram e que, assim como ele, havia vários aficionados de sanitas e casas de banho, por todo o mundo. Mas agora que penso sobre o tema, compreendo e até comparto a curiosidade de tantos outros. 

Já tive noites hilariantes de conversas absurdas em casas de banho de bares e discotecas. 

Tenho inúmeras histórias de festas em casas de amigos, em que apesar da música estar na sala, estavamos todos metidos na casa de banho. 

Já encontrei em filas para a casa de banho de festivais, pessoas que não via há muitíssimo tempo. É sempre nas filas para a casa de banho que te dás conta que há sempre alguém em pior estado que tu. E é quando entras, fechas a porta e falas com o espelho, que percebes em que condições estás.

 E quem é que nunca disse: Vem comigo à casa de banho?! 😂😜

O instagram do H. chama-se WC_PT e reflecte um pouco a sua própria visão do mundo. Um mundo onde todos somos diferentes, mas também muito parecidos; onde há sempre um detalhe que nos distingue e nos torna únicos; mas onde há espaço para todo o tipo de “sanita”, dependendo do país, da cultura ou do local onde esta existe. Com mais ou menos côr, mais suja ou mais limpa, todas têm o seu ponto interessante e todas merecem ser fotografadas. 

Até ao dia de hoje, o H. já foi contactado por várias pessoas curiosas pela sua galeria; recebeu elogios, comentários e até propostas de possíveis projectos. Faz-me pensar que o mundo é enorme e cheio de gente creativa, com interesses tão diferentes e que há sempre espaço para mais alguma ideia. Que talvez não esteja tudo inventado, que há sempre uma perspectiva diferente de ver algo que já todos vimos e que no fundo, são os pequenos detalhes que fazem as grandes pessoas. 

Contagem decrescente!  [como organizo as minhas viagens] 

Sou naturalmente uma pessoa organizada e inevitavelmente também 100% organizadora. 

Está-me no sangue e não posso evitar; desde miúda que sempre gostei de inventar, pesquisar, descobrir e explorar o desconhecido. Ver até onde posso ir, até onde tenho capacidade de criar. 

Hoje em dia está tudo facilitado com o uso da internet, só não faz quem não quer. Pode-se aprender a tocar um instrumento vendo vídeos no youtube, aprender a cozinhar, fazer trabalhos manuais, falar novas línguas ou ter acesso a todo o tipo de informação relacionada com quase tudo. Viva a Internet!! 

E está claro que organizar uma viagem tornou-se também algo bastante simples de fazer. É apenas preciso curiosidade, dedicação e muita paciência; mas tudo o resto está on-line, é só procurar! 

Acho que uma das coisas mais importantes para organizar uma viagem, é ouvir as dicas de quem já lá esteve, é aprender com os erros dos outros e aproveitar a sabedoria das boas experiências. 
Todos temos amigos que já visitaram sítios onde queremos ir e esses são sempre os nossos melhores conselheiros. 

Recordo-me que quando fomos à India, pedimos sugestões a vários amigos (que nem se conhecem entre si) e houve um sítio que nos foi recomendado por três pessoas diferentes (uma portuguesa, um catalão e um israelita), o que obviamente despertou a nossa curiosidade: Hampi, uma “pequena” cidade no meio de Karnataka… Posso apenas dizer que incluí-la na nossa viagem foi uma das nossas melhores decisões. 

Se por acaso não temos a sorte de ter acesso a informação mais personalizada, há muitíssimos blogs de viagens que nos ajudam a ter uma visão mais clara sobre os destinos, depois basta cruzar tudo o que lemos e decidir onde queremos ir. No final deste post indico alguns blogs de viagens que costumo ler e que têm sempre boas dicas para os viajantes. 

Eu leio basicamente para aprender sobre os sítios onde quero ir e conhecer a perspectiva de pessoas de todo o mundo que já lá estiveram; mas também para decidir as coisas práticas da viagem: onde dormir, que transportes utilizar, alguma recomendação gastronómica ou algum conselho importante. 

O primeiro passo, depois de decidir o destino da viagem é começar a procurar  voos, para isso uso normalmente duas páginas: Skyscanner e Vuelos Baratos

Segundo passo é comprar o Guia da Lonely Planet, que passa a ser o meu livro de cabeceira durante os meses que faltam até à viagem. (este ano foi presente dos meus pais) 😍

Começa então a conta-atrás e muito que organizar!! 

Já passou um mês desde que comprámos os bilhetes para o Vietnam e já perdi a conta do número de blogs que li até agora, das vezes que olhei para o mapa e para o calendário para organizar os dias. Já mudámos o itinerário duas ou três vezes, já juntámos outro país à viagem e calculámos gastos para diferentes possibilidades.

Pode-se viajar de forma muitíssimo barata pelo sudeste asiático, mas quando já não se tem 20 anos, há algumas situações que para mim ficam automaticamente excluídas, e dormir mal é uma delas. 
Uso o Tripadvisor e o Booking para encontrar alojamento – sempre um quarto duplo com wc privado (nem sempre reservo, mas recolho alternativas que junto à informação do Lonely Planet, para mais tarde decidir). O pequeno-almoço incluído não é imprescindível (porque na Asia a comida é ridiculamente barata); mas um bom colchão sim que o é. 

Depois de carregar uma mochila durante várias horas, subir a comboios, motos e táxis, caminhar quilómetros a visitar cidades, é muito importante que o sítio onde vamos dormir seja confortável e limpo. 

Continuo a viajar de mochila e penso que assim continuarei durante muitos e longos anos, é a forma mais cómoda e simples de viajar. Mas sobre a mochila e o que levar na viagem, escrevo noutro dia. 

Quando já tenho o roteiro definido (que pode ser sempre alterado a qualquer momento) começo a ver formas de nos deslocarmos; como sou apaixonada por viagens de comboio, essa é sempre a minha primeira opção. Recomendo o site: Seat 61, que tem informação sobre os horários de vários países, tipos de comboio, e várias opções e comentários. É sem duvida o mais completo de todos. 

Se ao princípio leio sobre tudo, a cultura, a historia ou a gastronomia; com o passar do tempo vou restringindo a pesquisa apenas aos locais onde vamos, em busca daquele sítio especial que nos apaixonará quando lá estivermos. Aquele restaurante típico, o miradouro perfeito para ver o pôr-do-sol, ou aquela experiência imperdível. 

Normalmente tenho apenas 3 semanas para viajar e nunca tenho tempo para ver tudo o que gostaria, por isso tento organizar algumas coisas o melhor que posso, para que quando esteja em viagem, me possa deixar levar pelo imprevisto e desfrutar dos momentos surpresa, que são o que realmente dá chispa a viagem.

Uma das últimas coisas que faço antes de partir é procurar um seguro; já usámos o  Worldnomads em duas viagens e a verdade é que correu tudo bem e não precisámos de o ativar; mas é o mais recomendado por vários viajantes e blogs e parece-me que em relação a coberturas e preço está bastante bem. 

Este ano comprámos a voo já com seguro de viagem, o que também é uma opção interessante. Quando se viaja para o outro lado do mundo, com uma mochila e um guia na mão, o mínimo que podemos levar é um bom seguro, para o caso de ficarmos gravemente doentes ou precisarmos de ser recambiados com urgência para casa. 

Neste momento estou na fase de pesquisa, de investigar e descobrir tudo o que os países que vamos visitar têm para nos oferecer. É uma das minhas partes preferidas e posso dizer que o facto de ter já uma ideia geral do destino, não anula o espanto nem reduz o assombro quando lá chego. 

Penso que viajar é o fundamental, independentemente da forma como cada um o faça. Eu prefiro viajar ”por minha conta”, sem guias nem agências e com bastante flexibilidade. Prefiro ter eu todo o prazer de investigar e decidir o onde e o quando da minha viagem. Isto de viajar com a mochila às costas é algo que não tem explicação, transforma-se num vício que nos provoca uma felicidade absoluta, e quanto mais vemos, mais queremos ver.  

😍✈️

*Estes blogs têm sempre alguma informação interessante ou alguma dica especial. São viajantes que andam pelo mundo e escrevem o que realmente sentem. 

http://dontforgettomove.com/ 

http://www.myguiadeviajes.com/ 

http://www.wanderloveworld.com/ 

http://www.mochileandoporelmundo.com/ 

http://www.hastaprontocatalina.com/ 

http://marcandoelpolo.com/ 

*Também recomendo: 

Wikitravel: Informação sobre os países e dicas de viagem.

Visa HQ: información sobre vistos 

Air Asia: a melhor companhia para viajar pela Asia. 

A ARTE DE RECEBER [o que não pode faltar no quarto de hóspedes]

Sei que já terminaram as festas e que a maior parte das pessoas já voltou à rotina, mas cá em casa o ritmo é outro.
Depois de receber os meus pais e uns amigos para as festas natalicias, recebi uma grande amiga logo no primeiro fim de semana de Janeiro. 

Cá em casa recebemos sempre muito e muita gente, é o que eu chamo de “boadição”; é uma espécie de maldição genética, mas que no fundo é uma coisa boa!  

Os meus pais também sempre foram assim, têm sempre amigos de visita ou familiares a passar temporadas.

Na verdade cresci desta forma e não só não me incomoda, como tenho todo o prazer em receber. Felizmente o H. é parecido comigo nestas coisas, e tem sempre os braços abertos para as visitas. 

É verdade que já tivemos verões em que todos se lembraram de vir ao mesmo tempo, e passámos semanas em que não estivemos sozinhos mais do que dois dias. Confesso que também pode ser cansativo e obviamente uma grande despesa; não só as contas disparam, mas quando recebemos visitas, sentimo-nos um bocadinho de férias e fazemos vida de restaurante e bar, com mais frequência do que o habitual. 

De qualquer forma, vejo o facto de receber muitas visitas, como um privilégio e um sinal de que temos muitas pessoas queridas na nossa vida. Além disso, como tenho o lema de visitar os amigos espalhados pelo mundo, o mínimo que posso fazer é receber os que cá vêm, de braços abertos. 

Nunca me vou esquecer que quando fiz aos 18 anos o interrail, ficámos amigos de 2 miúdos no comboio a caminho de Paris; e que sem perguntar (porque naquele tempo nao havia telemóveis), ofereci a casa do meu primo para eles dormirem. Chegámos a Paris e eu com a cara mais inocente do mundo disse:

-Rui, em vez de 3 somos 5!

E o meu querido primo Rui, que vive num T1 no centro da cidade, disse:

-Têm que dormir todos no chão da sala, mas onde dormem 3, dormem 5! 

E assim aprendi desde cedo que ter pouco dinheiro para viajar, não é sinónimo de que se deixe de o fazer. E também, que se tenho um tecto e um colchão, pois é bem vindo quem vier por bem! 

Com a experiencia fui melhorando as minhas técnicas para receber. Não só com as visitas que recebo, mas também com as casas onde já fui recebida. Obviamente que viver a experiencia Airbnb, como anfitriã e como hóspede foi também uma escola na arte de receber. 

Hoje em dia, quando tenho que preparar o quarto de hóspedes, há coisas que para mim são imprescindíveis. Faço uma lista, caso alguém precise de umas dicas para a próxima vez que receber visitas. 

– Cama feita de lavado e com jogo de lençóis e fronhas a condizer.

– Toalhas limpas (uma de banho e uma de rosto)

– Uma manta extra caso seja inverno

– Cabides para pendurar roupa e se possível uma gaveta disponível

– Cadeira ou Banco para sentar ou pousar coisas

– Espaço para arrumar a mala de viagem

– Uma luz de presença perto da cama

– Um espelho

– Um cesto com itens de primeira necessidade (escova e pasta de dentes, champoo, sabonetes, creme hidratante, pequenas amostras, lenços de papel, etc) 

– Jarra de água e copo

– Umas flores para alegrar o quarto (opto por flores secas, porque as flores de plástico parecem-me horríveis, e as frescas duram pouco) 

– Guias ou Mapa da cidade

Isto são apenas algumas das muitas possibilidades que há. O que não falta são detalhes que se pode ter, para tornar a estadia dos nossos convidados mais cómoda. Tudo depende muito do gosto pessoal, mas também do espaço que se tem. 

O nosso quarto de hóspedes é pequeno e além dessa função tem também outras, como por exemplo a arrumação da roupa de casa, o lugar para guardar a ventoinha, o aquecedor ou o carrinho das compras. Sim, porque isso de ter um quarto apenas para as visitas é um desperdício, há que rentabilizar o espaço para quem realmente vive na casa, que somos nós.

Por isso, procurámos alternativas para que o quarto ficasse cómodo, mas que também servisse para as outras funções que lhe damos. 

Por exemplo, não tem mesa de cabeceira, mas tem uma luz ao alcance de quem está na cama. Não tem armário, mas é possível pendurar roupa à mesma. Como quase tudo na vida, com imaginação e boa vontade dá para fazer coisas muito fixes. 

Enfim, penso que neste mês de Janeiro já não teremos mais visitas, mas melhor não falar demasiado porque hoje ainda só é dia 13!!! 

Emigrantes no País dos Lagos

No verão de ’97 fiz uma viagem de furgoneta até à Suiça. Foi uma viagem memorável e a minha primeira viagem longa, pela estrada fora, com amigos. Espanha e França já não eram desconhecidas para mim, mas a Suiça foi a primeira vez e confesso que nao adorei. Pareceu-me demasiado organizado, limpo e extremamente caro. 

Mas com 17 anos sabemos muito pouco da vida e este fim de semana tive a oportunidade de rever este lindíssimo país, 19 anos depois, com outros olhos e muitas viagens na bagagem. 

É um país com uma beleza natural impressionante; grandes montanhas, lagos intermináveis e águas cristalinas. Os Suíços, apesar de geograficamente estarem no centro da Europa, são como um povo nórdico, reservado e pouco expontâneo, mas simpático e de trato fácil.

Mantenho a minha opinião sobre ser um país caríssimo, onde tudo se paga – e muito; e onde às vezes parece que o facto de se poder ganhar muito dinheiro, inverte as prioridades e corrompe os valores das pessoas. 

A comunidade portuguesa é gigante e apesar de alguns me terem dito que não, penso que a maioria dos emigrantes na Suiça são completamente diferentes dos portugueses que emigraram para Barcelona. 

Pareceu-me que os muitos francos que ganham e que lhes permite fazer mil e uma coisas, os enchem de ilusões e os fazem perder a noção da realidade, ganhando a entristecedora petulância de se acharem superiores e mais civilizados que outros emigrantes. Ou há também o outro lado; o do “tuga” que se fecha no seu gueto, que vai à associação jogar cartas e beber cervejas, e que a única coisa que faz é juntar dinheiro para o Audi e para a casa na terra.

Realidades tão diferentes, mas ambas incompreensíveis aos meus olhos.

Um país onde, por exemplo, é obrigatório ter seguro de saúde e esta se paga a peso de ouro, onde os vizinhos avisam a policia ao mínimo ruído, onde se multam as pessoas se não usam os sacos de lixo estipulados, onde se controla rigorosamente tudo e onde principalmente as relações humanas são frias e os contactos programados; é na minha opinião, um país no mínimo estranho.  

De qualquer forma, e apesar de ter visto uma realidade com a qual não me identifico, gostei muito desta viagem e penso que não esperarei novamente 19 anos para voltar à Suiça. Revi pessoas queridas que não via há vários anos e fui recebida por uma prima com quem tenho cada vez mais contacto e que felizmente não se enquadra em nenhuma das categorias de emigrante que referi anteriormente. Uma pessoa cheia de vida, cheia de amor e com uma energia luminosa e contagiante, que nos recebeu de braços abertos e nos mostrou como se pode viver num país tão frio, sem se deixar corromper pelos muitos dias chuvosos e sim manter um coração generoso e uma atitude sempre positiva. 

Obrigada Z+Y!! 

Nota: Felizmente há sempre excepções, como em tudo na vida! Os exemplos que dou dos emigrantes na Suiça fazem parte de uma visão geral, sem nenhuma intenção de generalizar. 😉

AngKor – no Reino do Camboja 

Quase 1 mês sem vir ao blog… muita coisa a acontecer ao mesmo tempo. Em breve escreverei sobre todas as mudanças e novidades na minha vida. Hoje apetece-me escrever sobre um dos sítios mais impactantes onde estive. Um sítio onde penso que voltarei um dia, daqui a muitos anos. 

Os templos de AngKor, no Camboja. 

Para escrever sobre esta viagem tenho que retroceder a inícios dos anos 2000 e recordar um momento, que está tao vivo na minha memória como o dia de hoje. Estava sentada no sofá dos meus pais e vi na televisão uma entrevista à atriz portuguesa Maria Vieira, que apresentava um livro sobre uma viagem ao Camboja. A forma como ela descreveu o país e as pessoas, as imagens que mostrou; e o brilho sorridente, tao característico do seu olhar; despertaram em mim uma gigantesca curiosidade. 

Depois disso passaram muitos anos, passaram-se muitas viagens, mas o Camboja não saiu da minha cabeça. 

Em 2013 uma amiga fez 2 meses de voluntariado em Siem Reap e mais uma vez apaixonei-me pelas fotografias que mostrou. Deixava-me deslumbrar pelas histórias de outros amigos que já tinham ido e sonhava acordada com o momento em que chegasse a minha vez. 
Em 2014 casei e fizemos uma grande viagem. 

Na verdade foi uma pescadinha de rabo na boca: casámos porque queríamos viajar e só viajámos porque casámos. Enfim… cada um casa pelo motivo que lhe apetecer! Depois de 14 anos juntos, casar não mudou quase nada. 

Pusemos a mochila às costas e fomos 5 semanas para a Asia; o Camboja era o verdadeiro objetivo, tinha uma vontade imensa de ver os templos de AngKor, e superou todas as minhas espectativas. Viajámos pela Tailândia, Indonésia e Camboja; mas hoje escrevo só sobre os Templos. 

Quando cheguei sentia-me inquieta e ansiosa, queria ver AngKor Wat com os meus próprios olhos e não me senti em nada defraudada. Ali senti a verdadeira força da Natureza, a incapacidade do homem de controlar algo incontrolável. E ainda bem que assim foi, pois só assim foi possível preservar os templos de tantos anos de guerra. 

 AngKor foi sede do Império Khmer entre o século IX e o XIII; o nome deriva do sânscrito e quer dizer ‘cidade’. Está localizada no meio da floresta/selva, a norte do Lago Grande (Tonle Sap) e a sul dos montes Kulen; pertinho de Siem Reap. É considerado Património Mundial pela Unesco… e por mim, é considerado um dos sítios mais impressionantes que já visitei. 

No mínimo inesquecível! 

Comprámos o bilhete de 3 dias, para poder visitar durante uma semana. 

Não é uma visita fácil, vários templos enormes, salpicados por uma área muitíssimo grande, numa época de calor abrasador. Começávamos às 8am e voltávamos para o hotel ao final da tarde, depois do pôr-do-sol; completamente exaustos e com dores no corpo; mas com a alma cheia e o coração leve. Uma sensação parecida ao que vivi em Varanasi, na India, mas essa história ficará para outro dia… 

A visita foi feita de tuc-tuc, conduzido por um Cambojano de 37 anos, casado e com 2 filhos, chamado John (versão ocidental do seu nome). O John parecia ter mais 15 anos em cima, maltratado pela terra e pelo sol; mas com um sorriso e uma generosidade que nos conquistaram desde o primeiro dia; um verdadeiro doce. Ele não falava inglês e nós de cambojano só: olá, adeus e obrigado; mas entendemo-nos perfeitamente. 

Não se pode visitar Angkor a pé, ou se vai de bicicleta ou de tuc-tuc com guia. Nada de motos sem guia; e bicicleta com aquele insuportável calor, era impensável para mim; por isso o John levava-nos à entrada de cada templo e esperava por nós até sairmos, para nos levar ao templo seguinte. 

Nós entravamos, subíamos, descíamos, saltávamos, corríamos de cima a baixo; sacávamos fotos, descansávamos à sombra das imensas árvores; conversávamos contagiados pela energia do lugar, ou ficávamos em silêncio absorvidos pela chocante paisagem. Às vezes falávamos com outros visitantes, falávamos com os cambojanos que encontrávamos no caminho; meditávamos, abraçávamo-nos e deixávamo-nos encantar pela magia que nos rodeava.  Podia passar horas no meio daquelas pedras todas a olhar para as árvores sem fim. Ou ficar no meio dos troncos, que os meus braços não chegavam para abraçar, a olhar fascinada para as imagens esculpidas no amontoado de pedras à nossa volta. 

Podia tentar contar muitas historias que aconteceram nos 3 dias que visitámos AngKor, mas há emoções que não são fáceis de traduzir para palavras. Por isso aconselho toda a gente a visitar, pelo menos uma vez na vida, os Templos de AngKor!